Mundo

Há quem sopre nas brasas das polêmicas contra o Pontífice
Andrea Tornielli

 
O Papa Bento XVI está no olho do furacão. Primeiro por causa do Bispo lefevriano Richard Williamson, cujas declarações negacionistas sobre as câmaras de gás foram divulgadas por uma televisão sueca quase em coincidência com a publicação da revogação da excomunhão dos quatro Bispos consagrados em 1988 por Monsenhor Lefebvre. Depois, por acaso, menos eclatante mas não menos importante, do novo Bispo auxiliar de Linz, Gerhard Maria Wagner, já demissionário porque abertamente contestado na Igreja austríaca por causa de algumas declarações suas sobre o ciclone Katrina, que em 2005 destruiu New Orleans (por ele definido como um castigo de Deus), sobre os romances de Harry Potter (por ele tidos como perigosos e diabólicos) e sobre a homossexualidade.
 
Exatamente logo em seguida a estes dois casos a Santa Sé atravessa um momento delicado e difícil. Críticas e ataques nunca faltaram aos Papas e ao Papa Ratzinger. Hoje, porém, estas criticas e estes ataques não provém somente dos tradicionais púlpitos da dissensão, de teólogos como Hans Küng ou como Vito Mancuso, mas também de alguns expoentes do episcopado tradicionalmente mais próximos de Bento XVI, como ocorreu na Áustria, onde entre os críticos de Roma pela nomeação de Wagner como auxiliar de Linz se acha o Cardeal Arcebispo de Vienna, Christoph Schönborn.
 
Nas semanas passadas alguns problemas foram exagerados, com evidentes instrumentalizações:  quis-se fazer acreditar que a Igreja do Papa Ratzinger – Pontífice certamente amigo dos judeus, que como teólogo refletiu particularmente sobre o laço que une os cristãos ao povo da Antiga Aliança – tivesse esquecido, se não renegado o Concílio Vaticano II, e tivesse feito marcha a ré a respeito à  firme e inequívoca condenação do antisemitismo.
 
É certo que Transtevere, para lá das instrumentalizações, verificaram-se obstáculos e problemas, no processo a princípio decisório e pois comunicativos, em relação a alguns recentes eventos referenciados pelos colaboradores de Bento XVI.
 
Entre os moradores dos sagrados palácios, onde, aliás, não se esconde a existência de obstáculos e problemas, há todavia quem esteja convencido que o que se está jogando nestas semanas seja uma «batalha» de dimensões mais vastas e mais profundas do que aparece externamente, e que justamente esses recentes episódios reforçaram e reconquistaram visibilidade a quantos jamais perdoaram Bento XVI por ter se tornado Papa. Os mesmos que passaram anos pintando Joseph Ratzinger como o «panzerkardinal», atribuindo-lhe um papel freador e durante o pontificado de João Paulo II – uma caricatura fora da realidade histórica, visto que justamente Ratzinger foi quem mais longamente colaborou com Papa Wojtyla, e este último jamais quis aceitar o pedido de demissão diversas vezes apresentado por esse purpurado – voltam agora a atribuir-lhe as mesmas estereotipadas etiquetas.
 
[Tradução: Montfort. Texto original em italiano em ilGiornale]

    Para citar este texto:
"Há quem sopre nas brasas das polêmicas contra o Pontífice"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/mundo/polemica-papa/
Online, 25/09/2017 às 08:30:55h