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Aborto, eutanásia: o Papa apela a um despertar das consciências

Bento XVI convida à mobilização dos cristãos
 
Roma, 25 de fevereiro de 2007 (Apic) O Papa Bento XVI levantou a voz, sábado, contra o espírito de “tolerância” das sociedades modernas que justifica o aborto, as manipulações embrionárias ou a eutanásia, e apelou a um despertar de consciência dos católicos para “defender o valor da vida humana”. Bento XVI apelou à mobilização geral para barrar os ataques contra a vida.
    Bento XVI lançou sábado um poderoso apelo à mobilização sem compromisso dos cristãos para barrar “aos múltiplos ataques contra o direito à vida. Ele recebia em audiência os participantes do Congresso Internacional da Pontifícia Academia Pró-vida, reunido sob o tema “A consciência cristã para apoiar o direito à vida”. O Papa denunciou assim o aborto, o “eugenismo sutil” e o “poder dos mais fortes que paralisa as pessoas de boa vontade” em uma “sociedade caótica e violenta”.
    “A consciência cristã” deve “militar em favor do direito à vida” explicou Bento XVI. “É um direito que exige ser apoiado por todos, porque é um direito fundamental em relação aos outros direitos humanos”, continuou ele.
    Assim “o cristão é chamado a se aparelhar para afrontar os múltiplos ataques a que está exposto o direito à vida”, afirmou o Papa. “Ele sabe poder contar com as motivações que têm raízes profundas na lei natural e que podem portanto ser partilhadas por todas as pessoas que têm uma consciência justa”.
    O Papa traçou em seguida um quadro “dos ataques contra o direito à vida que se estenderam e multiplicaram no mundo inteiro”. Ele denunciou assim, ainda uma vez, “as pressões pela legalização do aborto” na América Latina [isso inclui Brasil/Lula/PT etc] e nos países em via de desenvolvimento e “o recurso à liberação de novas formas de aborto químico sob o pretexto de saúde reprodutiva”. Ele condenou também as políticas de controle demográfico, “já atualmente reconhecidas como perniciosas do ponto de vista econômico e social”.
 
    Nova onda de eugenismo discriminatório
 
    Nos países desenvolvidos, Bento XVI julgou que o “interesse pela pesquisa biotecnológica mais refinada” levava a instaurar “um sutil e amplo método de eugenismo até a busca obsessiva do “filho perfeito”. O Papa denunciou assim “uma nova onda de eugenismo discriminatório” que encontra “consentimentos em nome do pretenso bem-estar dos indivíduos”. Enfim, o Papa lamentou a legalização da eutanásia e “a multiplicação de auxílios para a legalização de modos de vida em comum alternativos ao casamento e fechados à procriação natural”. 
    Em uma tal situação, “a consciência às vezes esmagada por meios de pressão coletivos, não mostra vigilância suficiente face aos graves problemas que estão em jogo e o poder dos mais fortes enfraquece e parece paralisar as pessoas de boa vontade”.
     É por isso, prosseguiu o Papa, que “o apelo à consciência e em particular à consciência cristã é ainda mais necessária”. A consciência moral “deve, antes de mais nada, se fundamentar sobre um sólido alicerce de verdade, ela deve ser iluminada para reconhecer o verdadeiro valor da ação e a coerência dos critérios de avaliação, afim de poder distinguir o bem do mal, exatamente onde o contexto social, o pluralismo cultural e os interesses superpostos não o ajudam”.
    Assim, “a formação de uma consciência verdadeira, porque fundada sobre a verdade, e reta, porque determinada a seguir seus imperativos, sem contradições, sem traições, sem compromissos, é hoje em dia um empreendimento difícil e delicado, mas indispensável”.
 
Engajamento dos leigos
 
    Com efeito, no contexto da secularização e do pós-modernismo “marcados por discutíveis formas de tolerância”, “não somente a recusa da tradição cristã aumenta, mas se desconfia também da capacidade da razão de perceber a verdade, e nós nos afastamos do gosto da reflexão. Para alguns, a consciência individual deveria mesmo, para ser livre, desconfiar tanto das referências à tradição quando daquelas fundadas sobre a razão. Assim, a consciência cessa de ser uma luz e se torna um simples fundo sobre o qual a sociedade da mídia joga as imagens e os impulsos mais contraditórios”.
 
    Portanto, o Papa chamou finalmente padres, pais, educadores e leigos a “uma corajosa objeção de consciência”. O engajamento dos leigos deve “acolher o que os pastores decidam como mestres e chefes da Igreja e estes últimos devem “reconhecer o promover a dignidade e a responsabilidade dos leigos na Igreja”. “Quando o valor da vida humana está em jogo, essa harmonia entre as funções magisteriais e o engajamento leigo torna-se particularmente importante: a vida é o primeiro dos bens recebidos de Deus e é o fundamento de todos os outros. Garantir o direito a todos e de maneira igual para todos é um dever. De seu cumprimento depende o futuro da humanidade”, concluiu Bento XVI.
(apic/imedia/hy/pr) 

    Para citar este texto:
"Aborto, eutanásia: o Papa apela a um despertar das consciências"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/mundo/20070225/
Online, 25/11/2017 às 03:55:27h