Igreja e Religião

“O movimento Neocatecumenal prega o ódio em família”
O MOVIMENTO NEOCATECUMENAL PREGA O ÓDIO EM FAMÍLIA”
UMA CARTA ENDERERÇADA AO CARDEAL LOPEZ TRUJILLO

http://www.adista.it/ - N° 59 – 04/9/2004

(Tradução nossa; negritos do original)

ROMA-ADISTA. "[…] em Jesus Cristo tu construirás a família. Por isto vos digo: atenção, o primeiro mito que o cristianismo destrói é a família, que é um tremendo mito, quando a família é uma religião!”.

Trata-se de um trecho do livro “Orientações às equipes de catequistas para a convivência da renovação do primeiro escrutínio batismal”, um dos treze livros de catequese escritos por Kiko Arguello e Carmen Hernandez, que circulam somente de forma reservada no interior do Caminho Neocatecumenal. Esclarece um dos dirigentes do Caminho: a comunidade Neocatecumenal deve ser colocada acima de tudo, também da família, e se esta se torna “uma religião” (um “ídolo”, utilizando um outro termo que agrada a Kiko) torna-se um obstáculo no processo de conversão dos membros da comunidade, e deve ser combatida. Uma teoria (e uma prática) da qual conta tê-la pessoalmente provado Augusto Faustini, 53 anos, funcionário público, casado, pai de três filhos, membro do neocatecumenato por três anos. No dia 10 de agosto último Faustino escreveu uma carta ao cardeal Alfonso López Trujillo, presidente de Conselho Pontifício para a Família. E isso para alertar o decastério do Vaticano, criado pelo Concílio para promover e salvaguardar o papel e o valor da instituição familiar, de como “também no interior da Igreja católica, há reais e sérios atentados à concepção cristã da ‘família’”. Porque, explica Faustini, “o remetente é um dentre tantos a quem a organização neocatecumenal destruiu a família”. A ele, “ no dia 27 de abril de 1992. às 17:00 horas, na presença de testemunhas, o pároco (membro do movimento neocatecumenal, ndt) responsável da paróquia de S. Leonardo Murialdo,Roma, aonde os neocatecumenais se reuniam e se reúnem ainda hoje, Pe. Domenico Paiusco, da congregação dos 'Giuseppini del Murialdo'", impôs “o divórcio de fato”, convencendo sua esposa e seus filhos de se afastarem dele, para “manter na sua organização a maior parte da família. Justificou a decisão citando as palavras de S. Paulo em relação aos casais formados por uma mulher e um marido ‘pagão’”.

Dentro do Neocatecumenato, de fato, todos aqueles que se professam católicos, mas não abraçaram a fé pregada por Kiko, são considerados pagãos.

Mas não se trata só de um, embora desconcertante, caso pessoal. Durante a sua permanência no Caminho, afirma Faustini, “pude constatar, do interior, qual é a concepção real de “família” dos dirigentes da organização neocatecumenal”. A concepção tradicional, explica Faustini, é substituída por uma “única e grande família de 40-50 pessoas, guiadas por um único Chefe de família (o “Catequista”), distorcendo, assim, qualquer “projeção de casal, que é um dos fundamentos da tradição cristã”. Além disso, “o aumento natural das amizades internas, ligados ao crescente controle psicológico dos dirigentes, anula toda e qualquer possibilidade de comparação e de diálogo com as realidades familiares externa à pro´pria comunidade”.

Sem falar nos ritos de “ confissões públicas”, durante as quais “ se entra em detalhes tão íntimos, escabrosos e delicados que, aquilo que deveria ser um equilíbrio exclusivo do casal torna-se profundamente alterado e anulado definitivamente! Todos os segredos íntimos, e até os pecados cometidos no passado, tornam-se patrimônio da comunidade, destruindo a intimidade exclusiva do casal”.

Mais: “os pais devem fazer a confissão pública diante dos filhos que, portanto, tomam conhecimento de particularidades escabrosas e vergonhosas da sua vida íntima, resultando na destruição definitiva dos próprios genitores”.

O paradoxo é que a própria organização neocatecumenal “ se orgulha de estimular o surgimento de novas famílias”. Um fato “verdadeiro só na aparência”. De fato, “ quando um moço (ou uma moça( atinge a idade de 20-25 anos, é colocado diante de uma encruzilhada: tornar-se padre ou freira de clausura (claro, continuando ligada à organização) ou casar-se o mais rápido, aceitando a escolha do dirigente interno da própria organização, conforme a prática da ‘Endogamia’ (‘casai com as filhas de Israel’). Se um moço já é noivo de uma moça fora da organização, deve, antes, fazê-la entrar no assim chamado ‘Caminho’, ou então deverá trocar de noiva!”. Faustini afirma de não falar “por ouvir dizer”: “Aquilo que afirmo – esclarece ao cardeal Trujillo – aconteceu também aos meus três filhos. O terceiro, estudante, desempregado e sem moradia, noivo de uma estudante, desempregada e também sem moradia, foi obrigado a casar-se aos 26 anos, porque Kiko Arguello não quer que os “seus jovens sejam ‘tentados’ pelo demônio no campo da castidade!”.

Se dentro do núcleo familiar surgem desavenças “deve-se expor o problema a toda a Comunidade neocatecumenal, porque “a verdadeira família é a Comunidade”’! Se um dos cônjuges não concorda e nem quer falar sob o controle da Comunidade, é acusado de ‘murmúria’ e, arrastado diante da Comunidade, deve arrepender-se e pedir perdão! Durante os ‘escrutínios’, ainda, deverá “convencer os Catequistas de ter entendido a lição e que não a repetirá mais”. Se, por acaso, um dos cônjuges tente fugir do sufocante aperto, e talvez faça críticas ao Caminho, “os Catequistas intervêm sobre o outro cônjuge, convencendo-o de que Deus fala aos homens através do intermédio deles (‘anjos enviados pelo Senhor’) e que o demônio está tentando a afastá-los da organização, agindo sobre o outro cônjuge. Lembrem-se, dizem: Se o teu cônjuge é teu impedimento, odeia-o! O mesmo deves fazê-lo com quem pretende separar-te de nós: filhos, irmãos, incluindo os pais!”.

Há décadas, tudo “é vivido, tratado e julgado por pessoas leigas, estranhas ao próprio casal. Podemos imaginar os efeitos destruidores que resultam de situações similares. A maior parte dos casais termina destruída para sempre”. De resto, desde os primeiros encontros de catequese, a família, o trabalho, os filhos, os pertences, quando se tornam importantes, são ‘ídolos que devem ser odiados’; os ‘filhos são lixo!’”. Um preceito vindo diretamente do líder máximo do movimento: Kiko, de fato, narra Faustini, ensina que “a família é um mito terrível quando se torna religião! A cristandade deve destruí-la!”, e que “Se a mulher ama seu marido, ou o marido ama sua mulher, eles erigiram um ídolo”. Devem apreender a odiar”.

Na conclusão, Faustini confia na hierarquia do Vaticano: “À luz de tudo que testemunhei, penso que S. Emcia. não deixará de tomar posição na defesa da família, ao menos dentro da Igreja, antes que o mundo leigo possa perceber contradições tão embaraçosas”


    Para citar este texto:
"“O movimento Neocatecumenal prega o ódio em família”"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/movimento_neocatecumenal/
Online, 27/02/2017 às 15:15:37h