Igreja e Religião

A igreja `alternativa` do Cardeal Martini e de Dom Verzé
A. Gnocchi e M. Palmaro

 
A pílula anticoncepcional?
 Muitas vezes é forçoso que seja aconselhada e fornecida.
 A ética cristã?
 Incongruente, deve ser refeita.
 Os divorciados recasados?
Basta de manias clericais.
 O celibato eclesiástico?
Uma ficção, joguemô-la ao mar.
Os Bispos?
Que sejam eleitos pelo povo de Deus.
 
Tudo isso detendo-nos apenas  às antecipações do livro Estamos todos na mesma barca (Siamo tutti sulla stessa barca) (Editrice San Raffaele, pp. 96, euro 14,5) livro que vai ser lançado hoje e antecipado ontem pelo Corriere della Sera, assinado  pelo Cardeal Carlo Maria Martini, ex Arcebispo de Milão, e por Dom Luigi Verzé, fundador do Hospital São Rafael e Reitor da Universidade Vita-Salute.
Seria interessante saber que pensam dessas teses as autoridades prepostas à salvaguarda da doutrina católica. Porque chegou a hora de dizer se, em matéria de doutrina e de moral, os fiéis são todos iguais e se todos devem aceitar as mesmas regras, ou se, em vez, há alguns mais iguais que os outros.
 
Um Contra-Altar oposto ao altar do Papa
 
O católico mediano não pode ignorar que, se o Papa se pronuncia sobre um assunto, imediatamente o Cardeal Martini se levanta para dizer o contrário. O Papa escreve um livro sobre Jesus? Ele – o Cardeal Martini—diz que o faria melhor. O Papa liberaliza a Missa em latim? O Cardeal Martini diz que se fosse ele não teria suscitado nostalgias perniciosas. O Papa reafirma o  primado de Pedro? O Cardeal Martini apela imediatamente à colegialidade. O Papa observa os escorregões do Vaticano II? Ele, Cardeal Martini diz que é preciso convocar o Vaticano III.
 
Assim como o católico media não pode ignorar que Dom Verzé encheu a sua universidade de nomes como Massimo Cacciari, Roberta De Monticelli, Vito Mancuso, Salvatore Natoli, Emanuele Severino, Edoardo Boncinelli: o melhor do pensamento anti católico que há na praça. De resto, Dom Verzé é o inventor de uma inédita doutrina parecida com a católica graças à qual ele se “auto” autorizou a praticar em seu hospital a fecundação artificial homóloga condenada pela Igreja. Ele o fez com o apoio de uma decisão da comissão ética do Hospital São Rafael, e pouco se lhe dá que tenha sido desmentido pela Congregação para a Doutrina da Fé. Sem esquecer que, em pleno debate do caso Englaro, Dom Verzé revelou ter desligado a tomada do respirador artificial que mantinha vivo um amigo. «Com pranto no coração», mas o desligou. Duas pessoas como o Cardeal Martini e Dom Verzé parecem feitas de propósito uma para o outra. E poderia espantar que, por anos, a Cúria martiniana tenha feito guerra ao Hospital São Rafael e a seu fundador. Mas tratava-se de questões políticas e não teológicas. Porque sobre o método da dúvida aplicado ao dogma e quanto à teoria das “zonas cinzentas[duvidosas]” aplicada à moral, pontos atualizados pelo Cardeal Martini, Dom Verzé os desposa com alegria. Tanto que, em 2006, a sua universidade concedeu o diploma honoris causa ao purpurado. E assim fica explicado o presente livro, no qual o fundador do Hospital São Rafael fala com queixa de «uma ética eclesiástica imposta». E diz depois  «que também deveria ser retirada logo dos padres a obrigação de manter o celibato». E anuncia que a hora da democracia na Igreja soará com a eleição direta dos Bispos.
«A Igreja Católica está longe demais da realidade, e as multidões que como rios vão ver o Papa chegar, têm o mesmo valor que os cordões carnavalescos ».
 
Um novo Concílio
 
Dom Verzé mete firme a sua enxada, e, em seguida, o Cardeal Martini intervém  com seu florete para alargar o sulco feito.
 «Hoje existem não poucas prescrições e normas que nem sempre são entendidas pelo simples fiel».
Meu caro Dom Luigi, o senhor tem mesmo razão, ao dizer que, nesse ponto, é preciso mudar tudo. E que horror aqueles rios de gente ignorante e despreparada!... Terão eles jamais ouvido, pelo menos, uma aula da Cátedra dos não crentes?
Com estudadas esquivas, o Cardeal confirma tudo. Sem esquecer que, para repor um pouco de ordem, «não basta um simples sacerdote ou um Bispo. É preciso que toda a Igreja se ponha a refletir sobre esses casos». Em suma, fazer um novo Concílio.
 
Estamos todos na mesma barca, diz o título do livro. Que alguém nos explique se a barca é a barca de Pedro.
 
[Tradução Montfort. Texto original em italiano em Libero]

    Para citar este texto:
"A igreja `alternativa` do Cardeal Martini e de Dom Verzé"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/igreja-alternativa-martini/
Online, 21/09/2017 às 20:04:26h