Igreja e Religião

Gays: a Igreja alemã toca a marcha nupcial
Marco Tosatti
La Nuova Bussola Quotidiana
 
 
A Igreja alemã abre oficialmente a campanha para chegar a algum tipo de reconhecimento eclesiástico dos casais homossexuais. Após o impulso em direção aos divorciados recasados, que culminou em Amoris Laetitia, promovido poderosamente pelo Cardeal Walter Kasper, numa tentativa de preencher, abaixando os limites da doutrina e da moral, os buracos que, de ano para ano, se abrem sempre maiores nas fileiras dos fiéis, ela procura novos caminhos.

A última novidade nesse sentido é do vice-presidente da Conferência Episcopal Alemã, Dom Fraz-Josef Bode, que pediu que a possibilidade de abençoar as relações homossexuais seja discutida, porque ele acredita que nessas relações "há muito de positivo".

Esta nova iniciativa, na realidade, aparece na sequência de uma entrevista concedida pelo Cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência Episcopal, ao Herder Korrespondenz. Marx, além de ser um dos conselheiros mais ouvidos pelo Pontífice reinante, faz parte do C9, a comissão de Cardeais encarregados de estudar a reforma da Igreja e da Cúria.

Marx propõe que a Igreja Católica rediscuta seu pensamento e ensino em termos de moralidade sexual e abandone as atitudes de "rigorismo cego". De acordo com o Cardeal, seria difícil dizer de fora se alguém está em estado de pecado mortal. Um princípio que pode ser aplicado a homens e mulheres em situações irregulares, mas também a quem vive uma relação homossexual. É evidente por um lado, o influxo de ambiguidade criado pelas notas de rodapé de Amoris Laetitia e, por outro lado, o desejado abandono dos critérios claramente estabelecidos pelo que, até prova em contrário, é a "Magna Carta" do ser católico, isto é, o Catecismo .

Para Marx, "deve haver respeito por uma decisão tomada em liberdade" e "pela consciência de cada um". Não só isso: deve-se levar em conta as "circunstâncias concretas", e lembrar-se da "responsabilidade de cada um à luz do Evangelho". Embora naturalmente "deva-se também escutar a voz da Igreja".

Por sua vez, Mons. Bode falava ao jornal Neue Osnabrücker Zeitung. "Eu acredito que devemos discutir esse problema com mais detalhes dentro da Igreja"; porque, acrescentou, não se deve "continuar a manter o silêncio" sobre esses temas. A proposta que ele gostaria de discutir diz respeito a alguma forma de "benção" para os casais homossexuais, mesmo que isso não deva ser confundido com um casamento. Bode pergunta, a respeito dos casais homossexuais: "Como lhes faremos justiça? Como os acompanhamos pastoral e liturgicamente?” Mais geralmente, Bode, que participou dos Sínodos da Família, sugere reconsiderar a posição da Igreja em relação à homossexualidade ativa, que é considerada um pecado grave. "Devemos refletir sobre o problema de como julgar a relação entre duas pessoas homossexuais de forma diferenciada. Não há nessa tanto de positivo, de bom e de justo, para o que nós devamos ser mais justos? "

Ao Bispo respondeu Mathias von Gersdorff, um conhecido ativista católico no campo da vida e da família, além de escritor, que comenta em seu blog as palavras de Bode e adverte "os católicos alemães ortodoxos" para estarem preparados: "o progressismo alemão não quer apenas mudar algumas coisas aqui e ali, ele quer cancelar todo o ensinamento católico e criar uma religião fundamentalmente nova". A entrevista de Bode "introduz uma nova fase de destruição" e conclui: "O católico ‘normal’ está perplexo e se pergunta: por quanto tempo a Igreja Católica na Alemanha pode continuar neste caminho de destruição e continua a ser chamada de católica? Quando se chegará a um ponto em que haverá o dever moral de se recusar a pagar o imposto à Igreja? "
 
(Tradução: Montfort)

    Para citar este texto:
"Gays: a Igreja alemã toca a marcha nupcial"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/bencao_casamentos_homossexuais/
Online, 20/10/2018 às 14:24:16h