Igreja e Religião

Bispo de Caserta proíbe a missa tradicional
Angelo Agrippa

Pároco obedece, mas diz que discorda.

NAPOLES – Ele é conhecido como o bispos da tolerância. Dos imigrantes. Dos desprivilegiados. Ele abriu as estruturas diocesanas para Muçulmanos rezarem suas orações de sexta-feira, e aos ortodoxos Ucranianos/moldavianos para seu culto..
 
Mons. Raffaele Norgaro
Mas agora ele proibiu a celebração da Missa de 1962 restaurada pelo motu proprio de Bento XVI Summorum Pontificum, de 14 de setembro.
 
Com uma ligação telefônica, Mons. Raffaele Norgaro ordenou o reitor do Santuário de Sant’Anna de Caserta, Don Giovanni Battista Gionti, a parar a Missa que ele planejava celebrar às 20:00h de hoje.
 
Este caso não tem nada a ver com tolerância”, disse depois Nogaro.

"A missa em Latim é uma distorção do fato religioso.  Nem mesmo professores universitários que ensinam latim rezam em latim. Este não é um instrumento apropriado para estabelecer uma verdadeira relação com Deus. Ajudar as pessoas a rezar é um esforço honrável. É isso que eu tentei fazer ao permitir o uso da Tenda de Abraão aos muçulmanos e a capela próxima a Catedral para ser usada pelo Ortodoxos."
 
Mas assaltar os fiéis com imagens sagradas, coreografias teatrais e embelezamentos estéticos fazem o oposto. Aos fiéis deve ser oferecido algo válido e educacional, não uma ocasião de desorientação. Em resumo, resmungar orações em Latim não serve para nada”.
 
Fortes palavras. Uma clara dissociação do decreto do Papa Bento XVI sobre a missa tradicional.
 
A autoridade pela exatidão teológica, litúrgica e moral da diocese é o bispo”, continuou Norgaro, “mesmo se o Papa decretou abertura em favor de outros ritos. Eu sou o único bispo em Campânia que declarou controlar a aplicação do decreto Papal”.
 
Além disso, a requisição de 30-40 pessoas não é suficiente para a celebração da missa tradicional. O pároco é obrigado a reportar isso ao bispos. E eu nunca fui informado”.
 
Em sua sacristia, Don Gionti está cercado por muitos daqueles que pediram a ele a missa tradicional, e está visivelmente desconcertado.
 
Eu obedecerei ao bispo”, disse, “mesmo se isso nos fazer perder uma ocasião para uma experiência litúrgica que é importante à nossa comunidade, da qual muitos pediram por isso. Eu considerei isso como um experiência, certamente não em substituição à missa pós-conciliar”.
 
“Eu acredito que um padre deva responder a requisição de sua congregação. Mas o bispo ordenou-me suspender a missa marcada, me dizendo que isso criaria um precedente perigoso. Apesar de eu ainda não entender a que perigo ele se refere”.
 
Em resumo, o caso Caserta é tudo menos “Nulla veritas sine traditione” (Nada é verdade fora da tradição), como os seguidores de São Pio V amam mencionar.
 
Pe. Louis Demornex, que estudou no Collegio Russium de Roma e vem sendo o pároco tradicionalista do distrito de Aulpi-Corigliani em Sessa Auruna, próximo a Casertano, comentou: O rito tridentino não é ‘democrático’ mas por mais de uma milênio, ele foi a espinha dorsal da Igreja. Destruindo uma forma tradicional da missa, está se destruindo a própria Igreja. O Papa sabe disso e é por isso que ele publicou este decreto”.
 
Nogaro, enquanto protestando que não quer se envolver em qualquer controvérsia, disse depois: “(Celebrar a missa tradicional) é como assistir uma estátua passando em procissão e simplesmente admirar sua beleza artística. Não se pode dizer que isso é um ato de fé ou uma ocasião para inspirar espiritualidade. É o que ocorre se comunicarmos em uma língua que ninguém conhece, ninguém usa e ninguém entende. A prática não tem nada a ver com fé e alguém deve falar sobre o que o pensamento comum entende sobre isso.”

    Para citar este texto:
"Bispo de Caserta proíbe a missa tradicional"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/20070917/
Online, 23/05/2017 às 23:09:48h