Igreja e Religião

O Motu Próprio está pronto, apesar da oposição da Igreja francesa

É o que afirma o site RORATE COELI (em inglês, traduzindo um artigo do jornal italiano LA STAMPA, assinado por MARCO TOSATTI).
 
Bento XVI libera a Missa tridentina... É o sinal verde do Papa, o retorno da missa em latim. Uma tempestade – pela oposição aos lefebvristas – que chega antes da Páscoa.

Cidade do Vaticano
– Bento XVI libera a missa tridentina, essa missa “em latim” tão amada  – mas não exclusivamente – pelos  fiéis de Dom Lefebvre, e por esta razão, odiada pelos progressistas da Igreja. O Motu Próprio do Papa, que deverá ser publicado entre a Anunciação e a Páscoa, está pronto.
 
O texto está guardado a sete chaves, mas, segundo as indiscrições de excelentes fontes, deverá mudar a situação atual. Atualmente, os bispos têm o poder –graças também a uma burocracia de “corpo mole” – de tornar a celebração da missa antiga muito difícil. Com o Motu Próprio, seu papel deverá mudar: não mais árbitros, mas “supervisores”. De fato, uma fina raposa da Cúria observa que bispo em grego significa exatamente isso: vigilante. Isso significa que os fiéis que desejem a missa latina (se forem ao menos 30) têm o direito de pedir a celebração dela, em todas as igrejas, com algumas raras exceções devidas a condições gerais de oportunidade.
 
......
Em fins de fevereiro, por ocasião de um jantar de despedida, antes de seu retorno definitivo ao Chile, o Cardeal de 81 anos, Jorge Medina Estevez, membro da Comissão Ecclesia Dei, encarregada das relações com os lefebvristas, dizia a seus amigos que a publicação do Motu Próprio era iminente. Uma questão de semanas, precisa uma outra fonte do Vaticano.
 
 Isso, ainda que a vigorosa oposição esteja ainda em guarda. Quando, no último outono, o Motu Próprio começou a tomar uma forma concreta, alguns prelados jantaram em uma abadia do Aventino:entre outros, um abade e um personagem extremamente importante do círculo pontifical, opositor notório do rito tridentino. Nessa reunião foi discutida a maneira de “ajudar” o Papa a compreender que a liberação da missa seria um erro. Dom Le Gall, bispo de Toulouse era o pivô desse trabalho. E de fato, Dom Le Gall fez declarações muito severas e, em rápida sucessão, o Cardeal Lustiger, seu sucessor Vingt-Trois e o Cardeal de Bordeaux Ricard chegaram em Roma (a “invasão dos gauleses”, como foi apelidada no Vaticano) para fazer campanha contra o Motu Próprio.
 
Os detratores desta oposição explicam que a Igreja da França, que viu sua porcentagem de praticantes cair de 14 a 4,5%, entre 1978 e 2006, teme a autorização para os amigos da missa tradicional como um veneno. E isso também porque, segundo os últimos dados provisórios, para o presente ano, 120 jovens entraram nos 91 seminários diocesanos franceses enquanto 4 ou 5 seminários tradicionalistas contam com cerca de 40 entradas.
 
A invasão dos gauleses congelou realmente a situação durante um tempo, como esperavam os prelados do Aventino, bons conhecedores da personalidade de Bento XVI, prudente até quase a timidez diante de uma oposição declarada.
 
Mas agora o Cardeal Castrillon Hoyos, presidente da Comissão Ecclesia Dei confiou a um amigo: “o Papa está muito decidido”.
(tradução e destaques nossos)

    Para citar este texto:
"O Motu Próprio está pronto, apesar da oposição da Igreja francesa"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/20070317/
Online, 24/06/2017 às 12:26:02h