Igreja e Religião

Brasil: Em direção a nova Religião Universal?
Juan Bacigaluppi

Fórum Espiritual Mundial: Leonardo Boff e um arcebispo
 
    Um novo passo na tentativa de construir uma nova religião planetária a serviço da Nova Ordem Mundial se realizará me Brasília(Brasil) entre os dias 6 e 10 de Dezembro. Lá se reunirá o primeiro Fórum Espiritual Mundial (FEM). A organização do encontro é de incumbência da União Planetária, em conjunto  com os que formam parte da URI (Iniciativa das Religiões Unidas) UNIPAZ  e outras entidades. O lema do FEM será: "Valorizando a diversidade para a construção de uma solidariedade planetária". Entre os principais participantes se encontra Leonardo Boff, ativo impulsionador da Carta da Terra (Vide NG 798: http://noticiasglobales.org/comunicacionDetalle.asp?numero=798).
   
Como preparatório ao Fórum Espiritual Mundial, realizou-se, este ano, na Espanha (entre os dias 23 e 29 de Junho em Estella-Lizarra), o Fórum Espiritual Inter religiosono qual participaram ativamente duas seitas mais virulentamente anti católicas, a Comunidade Baha´i e Brahma Kumaris, e, como era de prever, Eusébio Losada, "padre católico, representante do Fórum Kristau Sarea", e outros. (Sobre Baha`i e Brahma Kumaris vide J.C. Sanahuja, O Desenvolvimento Sustentável. A Nova Ética Internacional, Vórtice, Buenos Aires). 
O Fórum Espiritual     
 
     Acobertando-se com belas palavras, embora mostrando o seu fio condutor, o informe oficial diz: "Frustrados com a pouca profundidade da percepção dos problemas que afligem a humanidade nos Fóruns já realizados, (como o Fórum Social Mundial e o Fórum Econômico Mundial) o FEM planeja a busca de soluções concretas para esses problemas. E entendemos que a solução dos problemas humanos não está apenas em melhoramentos econômicos, científicos ou políticos, mas em novas atitudes como: a solidariedade como fundamento das relações humanas; a primazia das ações efetivas; a coerência das ações com os valores éticos; a defesa da natureza e da vida planetária, e valorização da diversidade sem sectarismos".
    O Fórum Espiritual diz que tem como "objetivo fomentar a difusão de uma espiritualidade maior que transcenda as diferenças respeitando as diversidades espirituais (...) que se concretiza na criação e consolidação de um espaço onde se possam construir e reforçar caminhos que contribuam para o diálogo, buscando explorar o advento de uma convivência que reconheça que todos estamos intrinsecamente relacionados e que motive atitudes no sentido de erradicar todas as formas de violência, baseados no respeito pela vida, nos princípios e solidariedade, fraternidade,irmandade, justiça e amor ao próximo".
    A programação do Fórum começa com a conferência "A Construção de Uma Sociedade Planetária" a ser feita pelo Arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Aviz. Entre os nomes já confirmados se encontram: Leonardo Boff, "teólogo e escritor"; Nestor Masotti, Presidente da Federação Espiritista Brasileira (FEB); Raul de Xangô, da Tradição Africana; Sheikh Nasser Abou Jokh, do Centro islâmico de Brasília e Timothy Mulholland, Reitor da UnB (Universidade de Brasília).
 
Que é o URI?

    Recordemos que a Iniciativa das Religiões Unidas foi criada no ano 2.000 por Kofi Annan, Secretário Geral da ONU,e pelo empresário Ted Turner, visando a Conferência Mundial de Líderes Religiosos. A URI está intimamente ligada à Carta da Terra (Vide entre outros NG 337, 338,341,771, 772 e J.C.Sanahuja, O Desenvolvimento Sustentável. A Nova Ética Internacional, Vórtice, Buenos Aires).
    Seus princípios fundamentais são: a condenação da noção tradicional de evangelização cristã e o repúdio de qualquer princípío moral imutável. A URI tão pouco tolera o proselitismo, já que o considera "uma forma de dominação". Manifesta-se contra as religiões "dogmáticas", como promotoras do "fundamentalismo" e declarou-se favorável às políticas de aborto, à abolição do pátrio poder para que os adolescentes "gozem" de plena liberdade sexual, da legalização das uniões homossexuais, e contra o crescimento  "insustentável" da população. Tudo isso foi colocado no documento final da Cúpula dos Líderes Religiosos, em 30 de Agosto de 2.000, que se chamou Declaração para a Paz do Mundo.
    Como era de se esperar, o representante da Santa Sé, o Cardeal Arinze, regressou a Roma sem assinar o documento final no qual os líderes de outras religiões não cristãs e de algumas confissões cristãs se comprometeram a evitar o proselitismo e a relativisar o conteúdo de seus credos.
 
Recentes declarações de Boff
 
    Convocado pelo Centro Nova Terra, Leonardo Boff dissertou em Buenos Aires nos dias 18 e 19 de Outubro deste ano. Entre muitas outras coisas, na primeira de suas intervenções Boff disse relativizando a Verdade permanente de Cristo e a Igreja: "Quanto mais diversidade melhor. Quanto mais expressões religiosas, mais facetas de Deus que se manifesta de mil maneiras".
    E, ignorando a transcendência da pessoa humana, afirmou Boff: "Somos todos irmãos e irmãs, com base nisto: Nós sabemos disso pela bagagem científica. São Francisco sabia disso. Tanto um verme quanto um chimpanzé, como nós mesmos, somos todos irmãos ou primos irmãos. Quem sabe o chimpanzé tenha ocultos os dois genes que o diferenciam do ser humano, talvez seja ele o futuro do humano".
    Em sua segunda apresentação, Boff afirmou, referindo-se à pessoa humana: "A espécie humana está condenada a fazer o que faz porque é um parasita da terra" (...) "É muito melhor para aTerra que desapareça esse câncer. A Terra pode prosseguir tranqüilamente, desenvolvendo outra forma de vida. Uma infra estrutura biológica candidata a nos suceder, portadora de espiritualidade". (...)
"As religiões abrâmicas são as mais violentas, porque se julgam portadoras da verdade, como o Papa em Ratisbona. O necessário é a espiritualidade, não os credos e as doutrinas". Fim. 1 - 12 - 06
(tradução e destaques nossos)

    Para citar este texto:
"Brasil: Em direção a nova Religião Universal?"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/20061201/
Online, 29/03/2017 às 23:40:05h