Igreja e Religião

Primeiro sermão do Pe. Laguérie como Superior do Instituto do Bom Pastor


(Sermão proferido na igreja de Saint Eloi, dia 10 de setembro de 2006)

Declarações mais importantes:

- O IBP "é de direito pontifício, ou seja, seu clero só depende de Roma e não depende nada dos bispos locais ".

- O IBP tem "ordem de celebrar a liturgia de sempre, com exclusão [à défault] de todas as outras. E isso é um avanço considerável. Como nos repetiu muitas vezes o cardeal Castrillón Hoyos: hoje a missa tradicional não é mais uma permissão." 

- O IBP "é o sinal, a preparação, a propedêutica do documento que sairá certamente em novembro , restabelecendo os direitos da missa tradicional em toda sua dignidade".

- Sobre o Concílio Vaticano II: "Finalmente, no seio da Igreja Católica, será possível abrir um debate... há questões teológicas pontuais, e em particular aquelas que concernem o concílio Vaticano II . A esse respeito, temos a obrigação - outra coisa inesperada - de trabalhar, sob a tutela do Papa, que é o único com o poder de fazer isto, para apresentar a doutrina católica autêntica. Quero dizer com isso que tudo aquilo que há de ambígüo e mesmo de falso deve ser corrigido[rétabli] por nós, com o objetivo de apresentar finalmente uma interpretação autêntica desse concílo. O que, de resto, pressupõe que essa interpretação autêntica não existe ainda totalmente ... Em suma: é preciso reatribuir um sentido verdadeiramente e univocamente católico a esses textos [do Vaticano II]". E, mais adiante, o Pe. Laguérie afirma que uma das "três missões essenciais de nossos estatutos" consiste no "dever de crítica, de apresentar a verdadeira interpretação do concílio Vaticano II" .

- O Pe. Laguérie cita dois exemplos daquilo que há de "ambígüo e mesmo de falso" no concílio: o problema da liberdade religiosa, que segundo ele já teria sido resolvido pelo então cardeal Ratzinger no discurso de 1988 aos Bispos do Chile, e o problema do "subsistit", sobre o qual o Pe. Laguérie afirma, caçoando: "Pode-se dar todo tipo de sentido a esse 'subsistit in'. É dito no concílio Vaticano II que a Igreja fundada por Jesus Cristo subsiste na Igreja Católica, ao passo que a doutrina tradicional é evidentemente que a Igreja fundada por Jesus Cristo é a Igreja Católica . (...) Eu vos cumprimento pelo nome quando vos encontro na rua, eu não cumprimento 'aquele que subsiste em vós'."

- Outra novidade (em relação a Campos, à FSSP, etc.), segundo o Pe. Laguérie: "Não existem [além do IBP] paróquias confiadas diretamente, com todas as suas prerrogativas e a obrigação da liturgia tradicional, a um Instituto feito com essa finalidade. E é evidente que esse primeiro caso, esse pioneiro na França, nós temos a obrigação de multiplicá-lo." Adiante, o Pe. Laguérie fala de "reconstrução" e de "reconquista" e afirma: "É considerável, será um combate, por assim dizer, caso a caso, em toda parte, para reconquistar o terreno perdido". E no fim do sermão, voltando ao assunto e dando esperança a nós, brasileiros: "Saint Eloi será o protótipo dessa ressurreição das paróquias verdadeiramente tradicionais na França - e eu espero que alhures, se o Bom Deus nos abençoar, como começou a fazer".

- Quanto à suspeita de transigência: "Vós me direis: mas não cederam em nada? Pois bem, não cedemos, como pudestes constatar bem: quanto à liturgia, não cedemos nada, quanto à doutrina, nada, e menos ainda, se assim posso dizer". E, bem diferentemente dos Pes. de Campos: "...não foi um retorno à comunhão - de jeito nenhum! - pois alguém pertence à Igreja por sua fé, por seu batismo e pelo reconhecimento do romano pontífice, e isso nós já tínhamos. Trata-se da manifestação desse reconhecimento de que nós somos católicos - foi isso que se passou."

- Tratando das razões pelas quais Roma buscou acordo com eles, de modo tão supreendentemente unilateral e sem exigir nada em troca, o Pe. Laguérie afirma: "Tanto a velhice do clero secular quanto a fraqueza constatada desses diálogos intermináveis que não convertem ninguém, e que não fazem a Igreja avançar, também isso seja talvez o que os obriga a dirigirem-se à Tradição Católica. Não é que isso nos suba à cabeça, mas é um fato: as vocações nascem sempre no seio da Tradição, todas, todas."

- E adiante, com ainda mais violência: "É um fenômeno universal. Como alguém pode querer dar sua vida a Jesus Cristo por essas quimeras de diálogos e de inter-relações comunitárias, de ecumenismo internacional? Bem, não é por esse tipo de coisas que alguém dá sua vida, evidentemente. Damos nossa vida por Jesus Cristo, e até à paixão. E por isso tudo aquilo que pode haver de vital está forçosamente dentro da Tradição. Os jornalistas simpáticos que estão ali com suas câmeras me falam sempre em 'a Tradição e o Catolicismo'... Eu digo a eles que isso é um pleonasmo. Ou melhor: são sinônimos. A Tradição... a vida da Igreja é a Tradição, e isso é constatado hoje no seio da Igreja. É que todas as vocações, embora recebidas diferentemente, nascem todas da piedade, forçosamente, da fé em Jesus Cristo, de uma vida adequada do ponto de vista da fé, da piedade, da esperança, da caridade, dos sacramentos, e, em decorrência disso, da vida moral. Onde vão querer que nasçam as vocações, senão lá, no solo bom da Tradição?" 

Site oficial do IBP : http://www.institutdubonpasteur.org/
Site do IBP na América Latina: http://www.ibp-la.org/

    Para citar este texto:
"Primeiro sermão do Pe. Laguérie como Superior do Instituto do Bom Pastor"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/20060910/
Online, 21/08/2017 às 05:33:13h