Igreja e Religião

Comentário sobre a "nota" pífia divulgada pela Arquidiocese de Salvador sobre a lamentável missa na Igreja da Lapinha
Bruno Quintanilha

A Arquidiocese de Salvador, através do cardeal arcebispo primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella, divulgou na tarde deste sábado (7) uma nota sobre a repercussão da performance do Padre Pinto durante a Festa de Reis na Lapinha. A dança e trajes incomuns utilizados por Padre Pinto durante as missas desagradaram alguns fiéis e membros da comunidade que pediram a sua saída da Igreja da Lapinha. Na nota, Dom Geraldo afirma que o comportamento do Padre José de Souza Pinto se colocou fora da normalidade, causando perplexidade entre autoridades presentes, fiéis e demais participantes dos festejos. A nota diz que tendo em vista o comportamento anormal, o Padre Pinto merece cuidados terapêuticos e providências neste sentido já estão sendo tomadas.
Confira abaixo a íntegra da nota da Arquidiocese de Salvador, assinada pelo cardeal arcebispo Dom Geraldo Majella Agnelo:

'A tradicional Festa de Reis, realizada no Largo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Lapinha, recorda a visita dos três Reis Magos ao presépio de Belém e a manifestação do Menino de Jesus às nações.

Ao longo dos anos foi enriquecida por manifestações populares, hoje, patrimônio genuíno da cultura brasileira. Estas manifestações, de um lado, expressam a riqueza antropológica e a abertura ao transcendente, horizonte de sentido e de crescimento moral do povo. De outro, porque marcadas em sua realização pela dinâmica da história e os limites do pecado, requerem discernimento cristão.

As apresentações do Padre José de Souza Pinto, religioso da Sociedade das Divinas Vocações, se colocaram fora da normalidade e, por isso, causaram perplexidade entre as autoridades presentes, os fiéis e os demais participantes dos festejos. Ademais, os comportamentos manifestados naquela ocasião estão a merecer cuidados terapêuticos, cujas providências estão sendo tomadas por parte dos superiores da sua Congregação e da Arquidiocese.

A opção da Arquidiocese de São Salvador da Bahia tem sido pela valorização das manifestações culturais, por isso, se une às autoridades municipais no esforço de devolver ao povo baiano e brasileiro a Festa de Reis com os seus melhores conteúdos culturais e bíblico-religiosos.'



Comentário de colaborador da Montfort à "nota" pífia divulgada pela Arquidiocese de Salvador, sobre lamentável missa ocorrida na Igreja da Lapinha no dis de Reis

Como simples leigo e fiel da Igreja Católica, e com todo o respeito à S. Emcia. Revma., D. Geraldo Majella Agnelo, Cardeal Arcebispo de Salvador, tomo a liberdade de expor minha insatisfação diante da “Nota” por ele divulgada  sobre a lamentável missa blasfema do Padre José de Souza Pinto. Nela, S. Emcia. Revma. tenta ‘explicar’, mas sem esclarecer, detalhes importantes do ocorrido, deixando os católicos mais perplexos, tais como:

1 –
Afinal, o Padre José de Souza Pinto agiu seguindo sua "irreverência já conhecida dos baianos”, conforme noticiado pela GLOBO, ou teria ele agido repentina e surpreendentemente fora da normalidade” como ‘explica’ a “NOTA”?
De fato, a notícia diz: “A irreverência do padre já é conhecida dos baianos, completando ainda:“cadamissa é um show” (!!!)
 Por outro lado, a "NOTA"  ‘explica’ que o comportamento do padre merececuidados terapêuticos”, agindo “fora da normalidade”,deixando a entender que o fato ocorreu repentinamente... Mas, como? ... se  o Padre José Pinto lá está há 30 anos... e sua “irreverência já é conhecida dos baianose mais, “cada (sua) missa é um show” ?... A"irreverência"do Padre José Pinto e suas“missas show” seriam  do conhecimento só dos"baianos"e não do Cardeal e nem das demais autoridades religiosas?  

2 – D. Geraldo e a CNBB sabiam ou não das ‘inovações litúrgicas’ daquela missa, conforme afirma o Pe. José Pinto na entrevista?
O Padre declara que ambos sabiam. Na “NOTA”, o Cardeal não desmente e nem confirma isto.

3 – D. Geraldo precisa ainda esclarecer suas ovelhas algo mais profundo: aquele tipo de
“missa show”, e em “homenagem a OXUM”,é condenável ou não?
Nossos pastores, que em geral dão muito valor à “opinião do outro”, (especialmente quando este “outro” segue qualquer “confissão ou tradição religiosa” que não a católica), precisam começar a esclarecer melhor também as ovelhas do seu católico aprisco, dando explicações claras, sem malabarismo de palavras, como consta da “NOTA”, caso contrário teremos dificuldade para entender comoEstas manifestações(...)queexpressam a riqueza antropológica e a abertura ao transcendente, horizonte de sentido e de crescimento moral do povo”, estão ligadas à celebração do Santo Sacrifício do Calvário.

Marcelo Fedeli
São Paulo – SP

    Para citar este texto:
"Comentário sobre a "nota" pífia divulgada pela Arquidiocese de Salvador sobre a lamentável missa na Igreja da Lapinha"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/20060107/
Online, 27/04/2017 às 19:46:41h