Brasil

Imprensa tendenciosa, escritor influenciado
Alice Teixeira Ferreira


“A mídia, que ufana difundir o conhecimento e levar a notícia de modo imparcial aos seus ouvintes e leitores, tem feito muito estrago na questão das células-tronco embrionárias. Muitas notícias não distinguem células-tronco embrionárias (que já são vida) e células-tronco adultas (retiradas do cordão umbilical, medula óssea e diversos outros tecidos) e não mostram que as pesquisas científicas com células-tronco adultas são as que dão os resultados mais satisfatórios, enquanto que as células-tronco embrionárias causam câncer numa grande incidência de casos de implantes dessas células. Quando noticiam sucessos de pesquisas, limitam-se a dizer que se tratam de células-tronco, quando na verdade deveriam dizer que são células-tronco adultos. Com isso, os mais ignorantes no assunto, como o leitor do Estadão Leonardo Feder, acreditam e defendem a morte de embriões. E o mais drástico ainda, é que eles (esses leitores mais ignorantes no assunto) acabam acreditando que os embriões, quando ainda possuem apenas algumas células, em seus primeiros dias de desenvolvimento, não sejam vidas humanas”.

 


RESPOSTA:

 

Caro Sr. Leonardo Feder,
O senhor desconhece o sentido do MANIFESTO PELA VIDA. Não acredito que o senhor tenha participado de alguma missa no dia de S. Judas pois os padres explicaram  muito bem do que se tratava. Existe um preconceito de sua parte presente em sua  carta à Igreja. Vejamos : 

- pesquiso células tronco adultas de medula óssea desde 1998 e sou consultora  científica do banco de cordão umbelical Hemocord do Rio Grande do Sul assim  sendo não somos contrários a utilização das células-tronco adultas na Medicina  Reparativa. Aliás esta vem dando resultados promissores desde 2001, aqui no  Brasil com o Dr. Radovan Borojevic ( com o qual tenho trabalhado em  colaboração), por exemplo.

- não existe no mundo nenhum resultado na Medicina Regenerativa utilizando  células-tronco embrionárias humanas de modo que não vejo porque você afirma que estamos tirando a vida futura sua e de seus filhos. Na verdade você está defendendo a morte de embriões humanos para nada. Você deveria se maravilhar de  ser resultado do desenvolvimento disto que você chama de um punhadinho de células ( você também foi um embrião humano, você resultou da fecundação do  óvulo da sua mãe pelo espermatozoide de seu pai dando um ovo que, para sua  sorte, ou não, desenvolveu bem dando origem à sua pessoa).

Os argumentos que estou lhe dando são fatos que você deve levar em conta antes de se deixar levar por uma propaganda enganosa de que você vai ter solução para  todas as doenças com as células arrancadas dos embriões humanos. Pelo  contrário, injeção destas células em roedores imunosuprimidos dá em 50% dos  casos tumores embrionários chamados de teratomas. Falei em imunosupressão pois  se você tentar injetar em humanos  haverá rejeição deste transplante devido à  histoincompatibilidade.
 
Para finalizar acredito que você deveria defender a Medicina Preventiva que é  muito mais barata que a Medicina Regenerativa. Por exemplo, é melhor você fazer  a sua higiene bucal do que querer substituir seus dentes detonados por dentes  produzidos com células-tronco embrionárias humanas. Ridículo, não?
 
Eu gostaria de saber o que tem levado voces da imprensa se convencerem de que  estão defendendo uma terapia correta? Poderia pelo menos responder isto? Qual  sua motivação?
 
Dra. Alice Teixeira Ferreira, uma dentre os autores do MANIFESTO PELA VIDA
 

 
NOTÍCIA:
 

CADERNO ALIÁS, J7

O ESTADO DE S.PAULO - DOMINGO, 7 DE NOVEMBRO DE 2004

 

carta aberta à Igreja

 

“O movimento dos fiéis não era em favor da vida, mas em favor da morte”

 

Leonardo Feder

SÃO PAULO, SP.

No dia 28 de outubro, um grupo de católicos se estabeleceu numa mesa aos pés da Igreja de São Judas Tadeu. Pediam para as pessoas assinarem um manifesto “a favor da vida” e contra o “aborto”. Mas esse “aborto” não se referia à extinção da vida humana quando implantada no útero. Era uma manifestação contra as células-tronco. Isso não era explicado ao público. As células-tronco são extraídas do embrião na fase do blastócito, cinco dias após a fecundação. Poderiam, teoricamente, transformar-se em vários tipos de células e, num futuro, curar doenças como mal de Alzheimer e diabete. Nessa fase, o embrião é um amontoado de células e mede meio milímetro. Se alguém afirmar que esses embriões, sistematicamente jogados no lixo nas clínicas de fertilização, são vida, isso significa dizer que potencial de vida é vida. Assim, as pessoas que estão morrendo pela falta de tratamento com a promissora pesquisa com as células-tronco estarão perdendo muitas vidas, a própria e a dos filhos que poderiam ter. Portanto, mais seres morrerão se a pesquisa não for concluída rapidamente. O que esse grupo de católicos estava fazendo não era movimento em favor da vida, mas em favor da morte.

 


    Para citar este texto:
"Imprensa tendenciosa, escritor influenciado"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/brasil/imprensa_parcial/
Online, 24/05/2017 às 08:44:45h