Brasil

Gestante delata clínica de aborto
Gisele Loeblein
A delação feita por uma grávida levou policiais da Delegacia de Homicídios e Desaparecidos a um consultório onde funcionaria uma clínica de aborto, no bairro Independência, em Porto Alegre. 
 
Os agentes cumpriram, na manhã de ontem, mandado de busca e apreensão no local. Seis mulheres foram detidas, e o material apreendido foi encaminhado à perícia. 
 
Na sexta-feira, a mulher foi levada pelo ex-companheiro até a clínica.  Preço e procedimento foram acertados. O valor, que seria pago em dinheiro, ficou em R$ 700. O acerto foi feito com a secretária: 
 
-- O que mais me irritou é que ela (a secretária) viu que eu não queria fazer o aborto, mas continuou tratando do assunto com ele (o ex-companheiro), como se não fosse meu corpo -- contou a mulher. 
 
Grávida de um mês e meio, ela resolveu procurar a delegacia. Ontem pela manhã, na companhia de uma policial que se fez passar por amiga, a mulher retornou à clínica. Questionada pela policial se a gestante sofreria algum corte, a secretária respondeu: 
 
-- Não tem corte algum, é sucção. 
 
Quando os policias chegaram, a secretária, outra funcionária e uma paciente estavam no local. Um médico do Departamento Médico Legal acompanhou a operação de busca e apreensão, para verificar os materiais encontrados. Entre os itens estavam uma bomba a vácuo e uma sonda que, combinados, podem ser usados para sucção do feto. No início da tarde, outras três mulheres que procuraram a clínica também foram detidas. O médico responsável não foi localizado. 

A entrada do consultório era monitorada por um circuito interno de câmeras.
 
Foram apreendidos uma agenda com folhas rasgadas, medicamentos, entre eles o Metergim (usado para conter sangramento uterino), bomba a vácuo, sonda, pinça e medidor de profundidade uterina.  

O alvará de saúde indica "consultório médico sem procedimentos invasivos". Não há placa, e o cartão de visitas informa o nome do médico 
 
O delegado Juliano Ferreira pediu a interdição da clínica. As pacientes e as funcionárias serão indiciadas, mas responderão em liberdade. O delegado deve solicitar a prisão do médico responsável.

    Para citar este texto:
"Gestante delata clínica de aborto"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/brasil/20060321/
Online, 21/10/2017 às 10:18:24h