Polêmicas

Carta a um padre distraído
PERGUNTA
Nome:
Carlos Artur Annunciação
Enviada em:
08/01/2008
Local:
Aparecida - SP, Brasil
Religião:
Católica

Aparecida, 6 de janeiro de 2.008
Solenidade da Epifania do Senhor.

Prezados Senhores,
Sergio – São José dos Campos –SP
Prof. Orlando Fedeli – Montfort- Associação Cultural.

Paz e Bênção no Senhor!

Tenho em mãos uma cópia da correspondência dos senhores, datada de 04/09/2.007. Quem me enviou essa cópia foi um confrade redentorista que mora e trabalha em São Paulo. Ele a encontrou no site www.montfort.org.br

Diante dos comentários feitos e dos juízos emitidos, senti-me no dever, a bem da verdade, de esclarecer os fatos acontecidos e gostaria muito que os mesmos fossem publicados no mesmo site da correspondência dos senhores para que as pessoas tomassem conhecimento do que realmente aconteceu. Coloco-me também à disposição de todos para outros esclarecimentos necessários. Para que isso aconteça, identifico-me:

Sou Carlos Artur Annunciação, nasci na capital de São Paulo em 09/02/1947. Tenho portanto sessenta anos de idade. Neste mês de janeiro faz 43 anos que, depois de muita luta e dificuldades, ingressei no Seminário Redentorista Santo Afonso em Aparecida. Neste mesmo mês de janeiro completo 37 anos de profissão religiosa na Congregação do Santíssimo Redentor – Província de São Paulo. Em junho completarei 31 anos de vida sacerdotal. Como percebem a maior parte de minha vida foi consagrada e dedicada ao Senhor e à sua Igreja, a serviço do Povo de Deus, na Congregação Redentorista, fundada por Santo Afonso Maria de Ligório, e que tem como carisma especial a evangelização dos mais pobres e abandonados. Nunca me arrependi de, ainda jovem, ter deixado tudo pelo Cristo e seu Reino. Sou feliz e realizado como padre, religioso, missionário redentorista e quero perseverar até o fim nessa vocação e missão. 

No dia de minha Ordenação Sacerdotal pedi a Deus, por intercessão de Maria Santíssima
(e isto está impresso no “santinho” de minha ordenação) que eu fosse um sacerdote fiel, coerente e perseverante. Isso, com a graça de Deus e a proteção de Nossa Senhora, tenho procurado viver em minha caminhada presbiteral. Não sou perfeito, tenho minhas falhas e limitações mas tenho também consciência de que Deus me ama e, sem nenhum mérito de minha parte, me chamou, me escolheu, me consagrou e me enviou para ser seu sacerdote. Sou Ungido do Senhor, Sou Consagrado, Sou seu Sacerdote!
Certas afirmações que os senhores fizeram a meu respeito, sem me conhecerem, gostaria que fossem revistas e os senhores poderão procurar meus confrades, familiares, bispos, sacerdotes, religiosos e pessoas que conviveram comigo nesses anos de sacerdócio para se informarem melhor. Talvez não interesse aos senhores, mas para esclarecimentos devo dizer que nesses 30 anos de padre já gastei os meus dias e energias em favor dos redimidos, procurando ser um bom pastor.

O lema do meu Seminário e que procuro levar para minha vida é este “Dies impendere pro redemptis”. Por vários anos trabalhei nas Missões Redentoristas. Por vários anos fui Formador, Diretor do Seminário R. Santo Afonso, Superior de Comunidades, Pároco, Reitor do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Vigário Episcopal, Reitor do Santuário N.Sra. Perpétuo Socorro em São João da Boa Vista-SP, Coordenador do Setor Jardins na Região Sé em São Paulo, Conselheiro Provincial (eleito) por dois triênios, várias vezes Capitular, Presidente do Conselho de Reitores do Brasil e do Cone Sul, Coordenador do Núcleo de Aparecida da Conferência dos Religiosos do Brasil, Membro do Conselho de Presbíteros de Aparecida e de São Paulo e outras funções.....Atualmente trabalho como basilical no Santuário Nacional de Aparecida, sou o titular da “Consagração à Nossa Senhora Aparecida” Programa levado ao ar todos os dias às 15h00 pela Rádio Aparecida e Rede Católica de Rádio. Tenho programa “Deus Conosco” na TV Aparecida e sempre sou solicitado para outros programas e também pregação de retiros para seminaristas e religiosos e pregação em Paróquias.
Peço que os senhores me perdoem por apresentar esse meu currículo, que talvez interpretem equivocadamente, mas foi para esclarecer que não sou o padre que os senhores afirmaram na correspondência como: “um padre negar a Deus o oferecimento do Sacrifício do Seu próprio Filho.......Roubou a glória devida a Deus e as graças espirituais para os fiéis......os Padres não ensinam mais ao povo a Doutrina Católica.......Que a Missa está se transformando numa bagunça e num total desrespeito com Nosso Senhor Eucarístico.......Que Deus nos livre de sacerdotes como esses que omitem a Consagração........” Ou como os comentários do Sr. Orlando Fedeli: “ Há padres que não crêem na presença real de Cristo na sagrada hóstia e nem crêem na transubstanciação. São protestantes.......Missa apenas uma ceia......O que esse padre fez em Aparecida foi gravíssimo. Ele escamoteou a Consagração.....não se pode pensar que foi uma distração......Sugiro que você mande esta carta ao Vaticano, denunciando o que fizeram esses maus padres.”
Que comentários! Que juízos! Que condenações! Que interpretações e sugestões para quem se coloca “In corde Jesu, semper”!
Esclarecendo o acontecimento: De fato, foi lamentável o que aconteceu. Fiquei muito triste e aborrecido! Estava presidindo a Celebração Eucarística do 4º Domingo da Páscoa, Domingo do Bom Pastor, Dia Mundial de Orações pelas Vocações Sacerdotais, dia 29 de abril de 2.007 às 16h00. Até o Prefácio e o cântico do “Sanctus” foi tudo normal, certinho. Quando virei a página do Missal as folhas estavam “grudadas” ( as “orelhinhas” que ficam nas folhas estavam “pregadas”, “unidas”, “grudadas”) e caí diretamente na doxologia “Por Cristo,.........”
Infelizmente não percebi que havia “pulado” a Anáfora, a Oração Eucarística, a Epíclese, a Anamnese, a Consagração do pão e do vinho no Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Senhor. Deus é minha testemunha! Eu não me dei conta do que havia acontecido! Nos meus 30 anos de padre, nunca me aconteceu isso. E devo dizer também ( e isso faço com muita alegria) que celebro todos os dias a Eucaristia. Nesses anos todos de sacerdócio deixei de celebrar a Eucaristia por seis vezes e contra a minha vontade. Houve problemas de cirurgia, acidente, etc....


Quando os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão já estavam distribuindo a comunhão para os fiéis, e estas hóstias distribuídas já tinham sido consagradas em Celebrações anteriores, portanto, essas hóstias eram realmente o Corpo de Cristo, o Irmão João Batista de Viveiros, animador da Celebração Eucarística, veio até mim e disse: “Um senhor aí na igreja disse que o senhor não realizou a Consagração”.
Eu estremeci, fiquei petrificado! As pernas amoleceram, a voz não queria sair! Tentei me recordar o que havia acontecido e percebi que a pessoa que deu o aviso estava correta. Eu não havia realizado a Consagração. No coração agradeci essa pessoa e o Ir. Viveiros. Pensei: o que fazer agora? Avisar o povo do ocorrido? Será que não causaria uma consternação geral e só complicaria a situação?
Deus me iluminou! Disse ao Ir. Viveiros: continue cantando, rezando e orientando o povo na comunhão e eu irei rezar a Oração Eucarística, a Anáfora. E foi o que eu fiz. Enquanto o povo comungava eu rezei a Anáfora e fiz a Consagração. Toda a parte que “pulei” eu rezei.
Tenho consciência que a Missa foi válida para o povo e para todos. Não roubei a glória de Deus! Não enganei o povo! Não escamotiei a Consagração! Creio na Eucaristia, é a minha força, o centro da minha vida, é o meu tudo. Eu amo a Eucaristia desde criança quando era coroinha, da Cruzada Eucarística Infantil e Juvenil. Desde que entrei para o Seminário raramente perdi a Missa. Em nossa espiritualidade redentorista Ela ocupa o lugar central.
Se o Sr. Sérgio não percebeu que rezei a Oração Eucarística e fiz a Consagração, eu não tenho culpa! Agradeço por ter chamado a atenção. Foi o Senhor ? Mas não concordo com a sua afirmação: “Não houve qualquer reparação por parte do referido padre ao esquecimento..........
Isso não é verdade! Não disse ao povo (por prudência), mas fiz mais do que falar: Celebrei a Eucaristia, foi dada a glória a Deus e o povo não foi prejudicado. Depois da Missa, fui imediatamente relatar ao Reitor o acontecido, e ele pediu-me que ficasse tranquilo. Não fiz de propósito, com má intenção! Foi lamentável mas quem já não teve suas falhas na vida ? Mas procurei corrigir imediatamente!
-Em minha agenda está escrito no dia 29/04/07: “Na Missa “pulei” a Consagração. O Ir. Viveiros me avisou e rezei novamente a Oração Eucarística. Fiquei aborrecido com isso. Em 30 anos de padre nunca tinha acontecido. As folhas do Missal ficaram grudadas e “pulei””.
Esse é o fato! Agora as interpretações que os senhores deram...............As afirmações que os senhores fizeram......................
Aproveito a oportunidade para esclarecer ao Sr. Sergio que Missa a gente não assisti, porque não é jogo de futebol ou outro esporte, não é teatro, filme......Missa a gente participa! O Concílio Vaticano II, realizado há mais de quarenta anos, diz assim no nº 48 da Constituição “Sacrosanctum Concilium”: “Por isso a Igreja com diligente solicitude zela para que os fiéis não assistam a este mistério da fé como estranhos ou espectadores mudos. Mas cuida para que bem compenetrados pelas cerimônias e pelas orações participem consciente, piedosa e ativamente da ação sagrada...........” Outra terminologia mais exata: A Missa é presidida pelo Bispo ou Padre......e todos os fiéis participam da Celebração.
Há uma outra frase na sua correspondência: “No sermão ele falou tanto que a Eucaristia é a celebração da Ceia do Senhor, Ceia Pascal, reunião da comunidade...........” O senhor não aceita essas afirmações ? O senhor não crê nisso ? O senhor tem algo contra ?


A Missa é realmente o sacrifício de Cristo pela nossa redenção, ela tem o caráter propiciatório e sacrificial também, mas não só isso. Quem afirma só este aspecto talvez tenha que rever o seu conceito de redenção, salvação.......Talvez tenha que rever a sua concepção de Deus que pode até ser uma concepção pagã! Seria bom aprofundar um pouco mais no estudo do Catecismo da Igreja Católica, nos Documentos do Concílio Vaticano II, nas Encíclicas e Exortações do Papa, do Magistério........
Também a sua afirmação: “por esquecimento ou por acreditar apenas na Ceia com pão e vinho mesmo, ele omitiu a Consagração”. O julgamento.............
Quanto às afirmações que o senhor faz do Pe. Mário Bonatti, Salesiano de Lorena, expondo publicamente sua oposição, eu fico me perguntando se o senhor entendeu realmente o que o referido sacerdote falou, ou havia preconceito de sua parte ou outras atitudes. Já ouvi falar várias vezes sobre o Pe. Bonatti e todas as referências foram muito boas! Não seria o caso de antes de colocar ao público suas opiniões, se certificasse melhor com os próprios ?
Parece também que o Ecumenismo não é o forte do Prof. Orlando Fedeli pois, ele afirma em sua correspondência que: “O ecumenismo leva os padres e o povo à apostasia.......Deus nos livre desses padres “legais” e “bacaninhas”......”-Essa não é a posição da Igreja Católica Apostólica Romana. Ao contrário, a Igreja promove, apoia, incentiva e se alegra com o Ecumenismo. Dá as suas orientações porque está aberta aos sinais dos tempos e discerne que esse é o desejo do Senhor. “Que todos sejam um!”
Peço que me perdoem por ter me alongado, mas foi no sentido de esclarecer. Não quis ofender mas tenho o dever de defender a verdade e não permitir que pessoas sejam enganadas.
Deixo um pensamento que pode nos conduzir à santidade: “Dos outros ou pensar bem ou não pensar nada! Ou falar bem ou não falar nada!” Parece que está mais de acordo com Jesus.
Alguns textos bíblicos talvez ajudem na reflexão:
-Mt 7,1 = Não julgueis os outros.....
-Mt 18, 15-17 = Se teu irmão pecar......
-Jo 7,24 = Não julgueis pelas aparências......
-Rm 14,13=Então, acabemos com os julgamentos de uns sobre os outros..........
-1Cor 4,4-5= Verdade é que minha consciência não me acusa de nada..........
-Tg 1,26= Se alguém se julga.................
-Tg 2,13= Pois o julgamento é sem misericórdia para que não fez misericórdia...............
-Tg 4,12= E quem és tu que julgas o próximo..............
A Palavra de Deus é tão rica e teríamos muitos outros textos para a reflexão mas fiquemos com estes. –Junto da Senhora Aparecida, nossa Mãe, Rainha e Padroeira, rezo pelas senhores.
Que Ela interceda por todos nós junto a seu Filho Jesus. Que Deus os abençoe e ilumine.

Pe. Carlos Artur Annunciação, C.Ss.R.
Aparecida, 6 de janeiro de 2.008
Solenidade da Epifania do Senhor.
RESPOSTA

Muito prezado e Reverendo Padre Carlos Artur,
Salve Maria.
 
    Com muito gosto atenderemos o seu pedido, publicando sua carta no site Montfort.
    Alegra-nos sua afirmativa de que o senhor tem procurado ser um sacerdote fiel. Hoje, o senhor sabe bem, isso está ficando raro. Que Deus o conserve nos primeiros propósitos de sua vocação até o fim de sua vida.
    Creio que a palavra de um sacerdote é suficiente, dispensando a apresentação de seu currículo, que faço questão de não interpretar.
   
    O senhor não faz distinção entre o que informou e comentou um leitor, testemunho veraz de sua distração – inaudita -- e o que se afirmou no site Montfort.
    É pena essa sua falta de distinção, que mistura suas queixas com acusações contra nós. E injustamente o senhor atribui tudo o que foi informado a mim, pois sou eu que me despeço com a fórmula "In corde Jesu, semper".
    Padre além de muito distraído, o senhor faz misturas de acusações e de acusadores. Mistura a acusação feita ao senhor --q ue o senhor confirma ser verdadeira -- com a crítica feita a outro padre, e atribui tudo a mim.
    Nós, do site Montfort, recebemos a informação de que o senhor saltara a Consagração, na Missa. Sobre esse fato -- estarrecedor -- é que fizemos nosso comentário.
    O que disse eu sobre sua distração foi isto:
   
"E o mais grave foi o que aconteceu em Aparecida.
Há padres que não crêem na presença real de Cristo na sagrada hóstia e nem crêem na transubstanciação. São protestantes, pois julgam que a Missa é apenas uma ceia.
O que esse padre fez em Aparecida foi gravíssimo. Ele escamoteou a Consagração. Não se pode pensar que foi uma distração. Saltar do Sanctus para adoração final do Cânon é demais para ser distração. Isso não foi Missa".

    O senhor confirma que, de fato, saltou as orações do Cânon e não fez a Consagração.
    O senhor mesmo concorda que esse fato, percebido pelo senhor Sérgio e por outra pessoa. O senhor confessa que isso foi algo tão grave, que o perturbou muito. E não era para menos.
    Eis suas palavras:
    
"De fato, foi lamentável o que aconteceu. Fiquei muito triste e aborrecido! Estava presidindo a Celebração Eucarística... Até o Prefácio e o cântico do “Sanctus” foi tudo normal, certinho. Quando virei a página do Missal as folhas estavam “grudadas” (as “orelhinhas” que ficam nas folhas estavam “pregadas”, “unidas”, “grudadas”) e caí diretamente na doxologia “Por Cristo,.........”
Infelizmente não percebi que havia “pulado” a Anáfora, a Oração Eucarística, a Epíclese, a Anamnese, a Consagração do pão e do vinho no Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Senhor. Deus é minha testemunha! Eu não me dei conta do que havia acontecido".
 
    Padre, acredito em sua palavra. Mas o senhor há de convir que seu pulo foi recorde, e que sua distração foi incrível.
    Repito: acredito no que o senhor me diz. Acredito que as folhas estavam grudadas, e o senhor nem percebeu que pulou até a Consagração!!!
    O senhor me diz ainda: 

"o Irmão João Batista de Viveiros, animador da Celebração Eucarística, veio até mim e disse: “Um senhor aí na igreja disse que o senhor não realizou a Consagração”.
"Eu estremeci, fiquei petrificado! As pernas amoleceram, a voz não queria sair! Tentei me recordar o que havia acontecido e percebi que a pessoa que deu o aviso estava correta. Eu não havia realizado a Consagração".
    
    
Com muita razão o senhor estremeceu e ficou petrificado, embora estremecimento e petrificação não se coadunem. Mas compreendo o seu choque naquele momento terrível, que o faz descrever, ainda hoje, com palavras paradoxais, sua emoção e perturbação.
    Creio também em suas palavras comovidas, apelando até para a fé que o senhor tinha quando criança:

Não escamotiei a Consagração! Creio na Eucaristia, é a minha força, o centro da minha vida, é o meu tudo. Eu amo a Eucaristia desde criança quando era coroinha, da Cruzada Eucarística Infantil e Juvenil". 
    Então, diante de sua palavra, retiro o "escamotear" que escrevi.
 
    O senhor acusa o senhor Sérgio de ter dito:

"Não houve qualquer reparação por parte do referido padre ao esquecimento".
  
    O senhor pode ter tentado reparar o erro incrível que cometeu, rezando rapidamente as orações que saltara. Mas o senhor confirma que, na hora, nada disse para se desculpar, diante do povo. 
    
E foi o que o senhor Sérgio disse. Ele não mentiu.
    Então, não cometa novo erro, acusando-o de mentira, que ele não fez.
    O senhor -- infelizmente -- se distraiu. O senhor tentou corrigir a falha. Mas o senhor nada disse ao povo.
    Como quereria, então, que o senhor Sérgio adivinhasse o que o senhor fez muito reservadamente, para esconder sua falha involuntária?
    O senhor se desculpa de uma falha gravíssima, e acusa o senhor Sérgio -- a quem o senhor agradece -- de não ter percebido o que senhor diz ter feito muito reservadamente, para que não se percebesse sua falha?
    Isso me faz lembrar a parábola do homem a quem um Rei perdoou uma dívida de 10.000 talentos, e que, saindo, exigiu de outro que lhe pagasse uma dívida pequena. E, como o outro lhe pedisse misericórdia, não lha deu, e o pôs na prisão.
    
Deus vê, Padre.
   
    O senhor Sérgio não tem culpa nem de ter constatado sua distração,-- ele assistia a Missa com atenção -- e nem de não ter visto o que o senhor procurou fazer, muito reservadamente, em palavras apressadamente murmuradas.
    O senhor é incoerente. Quer desculpas, e faz acusações sem fundamento.
 
***
 
    Depois de apresentar a explicação de seu "pulo" litúrgico incrível, -- digno de ir para o Guiness -- o senhor passa a acusar. E nos diz- a mim e ao senhor Sérgio -- que "Missa a gente não assiste, porque não é jogo de futebol ou outro esporte, não é teatro, filme......Missa a gente participa!"
    E show, padre, nós assistimos?
    
Por acaso Missa é show de rock?
   
Porque, hoje, há muitas show-missas...
 
    Creio então que o senhor, seguindo o Concílio, faz o povo participar da sua Missa.
    Estranha participação, que não permitiu a quase ninguém nem perceber que o senhor -- por infelicidade das páginas grudadas-- pulou justo a parte essencial, central da Missa: a Consagração. 
    
O senhor mais do que participar, celebra a Missa, e se distraiu a um ponto inacreditável. O povo participante nada percebeu do que aconteceu na sua Missa: que o Padre pulou a CONSAGRAÇÂO!
   
O senhor Sérgio — que só assistia a sua Missa - percebeu a sua falha.
   
Acho melhor o senhor mandar suas ovelhas assistirem a Missa, como, aliás, manda, o mandamento da Igreja: 

Assistir Missa inteira – [com Consagração] – aos domingos e dias santos”
 
   
É por causa da "participação" do tipo conciliar que as Missas novas envelheceram muito cedo. 
   
A Missa é dita, hoje, em português, e disse-me um Padre que não é amigo da Montfort, que os padres, hoje, não tendo o folhetinho, nem sabem o que devem fazer, e nem entendem o que é a Missa.
    O senhor me garante que esse não é seu caso. Que o senhor só de distraiu e pulou a CONSAGRAÇÂO.
    Só isso.
   
E o senhor vem defender depois, com base em textos conciliares, que o padre preside a assembléia dos fiéis. Mas é isso exatamente um dos pontos contestáveis da nova missa. 
   
O padre não preside coisa nenhuma. Ele celebra "in persona Christi". Por isso, ele consagra dizendo: "Isto é meu corpo". E o pão não se torna o corpo de Padre Carlos Artur, mas sim o Corpo de Cristo.
    
   
E o senhor me vem dizer ainda que a "Eucaristia é a celebração da Ceia do Senhor, Ceia Pascal, reunião da comunidade...........” "O senhor não aceita essas afirmações ? O senhor não crê nisso ? O senhor tem algo contra ?"
    Tenho, sim, algo contra isso. Porque é o Concílio de Trento que tem algo contra isso. E o Concílio de Trento é infalível.
   
O senhor diz: que a "Eucaristia é a celebração da Ceia do Senhor, Ceia Pascal, reunião da comunidade”.
   
Ora, o Concílio de Trento decretou solenemente no cânon 1, sobre a Missa:
 
Se alguém disser que no sacrifício da Missa não se oferece a um verdadeiro e próprio sacrifício, ou que o oferecê-lo não é outra coisa de Cristo se nos dar a comer, seja anátema”.
 
   
Portanto, padre, a Missa não se reduz a uma comida. Não é simplesmente Ceia. O sacrifício da Missa não consiste em apenas comer o corpo de Cristo.
   
O senhor, agora, na sua conceituação de Missa, está pulando – certamente por distração -- que as palavras da Consagração do vinho começam dizendo: "Terminada a Ceia...". 
   
Então, a Instituição da Eucaristia já não era mais a ceia judaica. Era algo infinitamente superior.
   
Como o senhor pula coisas essenciais!
   
O senhor até parece um “atleta” da Liturgia
 
   
A Missa não é Ceia, Padre. Seu conceito de Missa, nesse ponto, é igual a dos protestantes luteranos.
    A Missa não é a celebração da Ceia do Senhor. Isso é protestantismo. A Missa é a renovação mística e real do Sacrifício do Calvário.
    
O Papa João Paulo II repetiu isso, nove vezes na encíclica Ecclesia de Eucharistia.
    O senhor pulou também páginas desse documento pontifício?
    Vai ver que em seu exemplar as páginas estavam grudadas...
    O senhor, de acusado, quer passar a acusador e me escreve o seguinte;
 
A Missa é realmente o sacrifício de Cristo pela nossa redenção, ela tem o caráter propiciatório e sacrificial também, mas não só isso. Quem afirma só este aspecto talvez tenha que rever o seu conceito de redenção, salvação.......Talvez tenha que rever a sua concepção de Deus que pode até ser uma concepção pagã”.
 
   
Constato, então, que o senhor segue as novas noções teológicas que fundamentaram a Missa Nova: a noção teológica da Missa. 
   
A Missa de sempre atualiza misticamente o sacrifício do Calvário, Deus Pai aceitando o sacrifício de Deus Filho. Isto seria, para o senhor, assim como para os modernistas, uma concepção pagã de sacrifício e uma noção pagã de Deus.
   
Para o senhor a Misa não pode ser definida como o sacrifício de Cristo feito em propiciação a Deus Pai? 
   
Precisa algo mais?
    
O que ?
 
   
E o senhor insinua que seu conceito de redenção e salvação é diferente do meu...
   
Qual é o seu conceito de redenção, Padre?
 
   
O senhor já obedeceu a ordem de Bento XVI de usar a fórmula “pro multis” [por muitos] em lugar da fórmula “por todos”? 
   
Vai ver que, por distração, o senhor ainda usa a fórmula “por todos”, que insinua a salvação universal...
   
O senhor ainda não obedeceu à ordem de Bento XVI?
   
Quanto ao padre Bonatti, o que ele disse de Deus, e a comparação que ele fez de Cristo e Maomé são coisas absurdas, que contraiam gravemente a Fé e a História. E dizer coisas contra Fé, como ele disse, e como o senhor diz, nesta sua carta, merece adjetivo bem pior que “legal” e “bacaninha”.
 
   
Finalmente, um último ponto: 

Parece também que o Ecumenismo não é o forte do Prof. Orlando Fedeli pois, ele afirma em sua correspondência que: “O ecumenismo leva os padres e o povo à apostasia.......Deus nos livre desses padres “legais” e “bacaninhas”......”.
 
    
Aaah!... O senhor notou isso? 
    
Como o senhor é perspicaz!...
 
    
Sou totalmente contra o ecumenismo.
 
     
Como sou contra os erros modernistas do Concílio Vaticano II, concílio pastoral, que permitiu que a fumaça de satanás entrasse no templo de Deus. Concílio que produziu a maior crise da História da Igreja. 
    
O ecumenismo do Vaticano II é relativismo religioso. Ele conduz diretamente ao abismo do indiferentismo e à apostasia da Fé na única Igreja de Cristo que é a Igreja Católica Apostólica Romana, fora da qual não há salvação. E isso é dogma proclamado pelo IV Concílio de Latrão.

     E o ecumenismo, tal qual foi defendido pelo Vaticano II, foi CONDENADO por Pio XI, na encíclica MORTALIUM ANIMOS.
     
O senhor já leu essa encíclica, padre?
 
     
Desgrude as páginas dos seus livros de História da Igreja e dos documentos pontifícios, para refrescar seus conhecimentos já um tanto esquecidos e distraídos.
     
E saiba que quando Cristo Deus disse “Que todos sejam um!”, Ele se referia aos Apóstolos, e no futuro, aos que cressem nele. 
     
Ou o senhor -- muito distraidamente -- pensa que Cristo estava pedindo para que os Apóstolos fossem um com Caifás, Judas e Barrabás?
 
   
 Sua carta, tão incoerente, me levou, vai ver que foi por distração, -- Isso pega, Padre? – a me alongar demais. 
    
Deus o ajude Padre, a ser menos distraído. E a acusar outros com mais fundamento.
   
 Rezemos um pelo outro, Padre. 
    
Peço-lhe a bênção.
 
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli