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Sobre a Águia da Montfort
PERGUNTA
Nome:
Sergio Sampaio
Enviada em:
05/12/2010
Local:
São José dos Campos - SP, Brasil
Religião:
Católica
Escolaridade:
Pós-graduação incompleta
Profissão:
Engenheiro


Caros amigos da Montfort, Salve Maria

Depois de que reli o artigo do Prof. Orlando sobre o significado da águia da Montfort, dois eventos me aconteceram que me fizeram compreender a adequação desse símbolo não só para a Montfort, mas para todos os católicos que buscam sinceramente salvar sua alma e defender Nosso Senhor na história.

O primeiro foi durante minha meditação, que faço usando como guia um livro do Pe. Bernardes. Nele, Pe. Bernardes faz uma analogia entre o açor e a nossa alma. Mesmo sem nunca ter sabido o que era um açor, entendi pelo texto que o açor é uma ave de rapina parecida com o falcão, usado como ave de caça.

Então, segundo Pe. Bernardes, o açor, pousado na luva do falcoeiro, enquanto tem os olhos tapados, não se importa também de ter os pés atados sob o comando do falcoeiro. Mas assim que se lhe descobrem os olhos e ele vê a presa ao longe, ele se lança em direção a ela com tanta valentia e força, batendo as asas, que parece querer se despedaçar.

Assim, fazendo uso da analogia, ele nos diz que nossas almas são como as aves, criadas para voar ao céu com a liberdade de filhos de Deus; a sua presa é o mesmo Deus. E, por isso, dizia a alma santa: "Tenui eum, nec dimittam" (segurei-O, e não O deixarei ir). E para alcançar essa presa lhe foram dadas duas grandes asas, a do entendimento e a da vontade. "Datae sunt mulieri alae duae aquilae magnae" (Foram dadas à Mulher duas asas de grande águia). Então, ele diz que nossos pecados são as prisões que nos mantém atados, e o nosso corpo é a venda que nos tapa os olhos. Por isso, enquanto a alma está unida ao corpo e tem os olhos tapados não sente muito o carecer de Deus, nem faz muito para alcançá-lO. Mas, à medida que a alma se desapega do corpo e das coisas terrenas e vê ao longe a presa da sua bem-aventurança, lança-se com força e determinação num bater as asas para chegar a Deus.

A outra ocasião foi na Missa do último domingo de Pentecostes (21/11). No Evangelho de São Mateus 24,15-35, Nosso Senhor fala dos últimos dias e nos alerta para não nos deixarmos enganar quando disserem “Eis que ele está no deserto” ou aqui ou acolá. Ele diz para não irmos atrás pois, “assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim também será a vinda do Filho do homem”. E acrescenta: “Em qualquer lugar que estiver o corpo, aí se juntarão também as águias”. Então, aqui podemos compreender que as águias são os homens que buscam verdadeiramente a Deus na Sua única Igreja e o corpo o Seu Corpo Santíssimo que é a Hóstia Consagrada. Por isso, enquanto não se dá a sua segunda vinda, é somente na Santa Missa, em que Ele se faz presente sob a espécie de Pão, que podemos encontrá-lO.

Na minha pequena pesquisa que fiz para conhecer o açor, descobri que as aves de rapina de acordo com a cetreria (arte da caça com aves de rapina) se dividem em dois grupos. As “aves nobres”, que têm como atributos naturais a agressividade, a valentia, a velocidade e a força; e as “aves ignóbeis”, que têm técnicas próprias para procurar o alimento como a pesca, a caça noturna e principalmente os hábitos necrófagos, sendo as "aves nobres" são a minoria. 

Vendo como se comportam as pessoas que se dizem católicas hoje em dia, cheguei à mesma conclusão. Há os católicos nobres e os católicos ignóbeis. Aqueles que são como as águias, o falcão e o açor. E aqueles que são como os abutres e a coruja.

Que Nossa Senhora abençoe cada vez mais o apostolado da Montfort para fazer dos católicos verdadeiras águias, para se reunirem onde está Nosso Senhor, na Santa Missa, e baterem suas asas em direção ao céu, nossa morada eterna.
 
Ricardo Sampaio
03/12/2010
RESPOSTA