Doutrina
Carlos Nougué e sua cegueira antimetafísica apaixonada pela FSSPX
PERGUNTA
Nome:
Guilherme
Enviada em:
19/02/2026
Em um vídeo recente no YouTube, Carlos Nougué, um filósofo que me parece bastante respeitado na bolha tradicional católica, deu bons argumentos a favor das sagraçōes da FSSPX, como vocês responderiam aos argumentos dele? Gostaria de saber a opinião de vocês.
Salve Maria!
Guilherme M.
RESPOSTA
Prezado Guilherme, salve Maria!
Carlos Nougué é um antigo oponente da Montfort, desde a época do Professor Orlando Fedeli, especialista em enveredar por paixões as mais esdrúxulas, Nougué já foi apaixonado pelas ideias do Olavo, após isso apegou-se ao movimento político liderado pelo "Messias" Bolsonaro, a quem o mesmo Nougué atribuia a missão de retardar a vinda do Anticristo, veja só que delírio. Outra paixão não muito bem correspondida de Nougué foi o Centro Dom Bosco, logo desiludida quando Nougué descobriu que não passava de um grupo eivado de olavetes, perenialistas, com forte influência gnóstica e milenarista (esse último cabe sobretudo à influência de Dom Bertrand e seu Reino de Maria). Agora, Nougué tem outra paixonite mais aguda ainda.
Carlos Nougué sucumbe no espetáculo da dialética! É fascinante observar como o mestre do tomismo Raditradi, sempre tão zeloso pela precisão dos conceitos e pelo rigor de Santo Tomás, consegue realizar acrobacias intelectuais que deixariam os sofistas de Atenas ruborizados. Nougué, o paladino da objetividade, parece ter entrado em um transe místico-jurídico onde o ser e o não ser dançam um minueto sob a batuta da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX).
A boa Metafísica nos ensina que o princípio de não contradição é a base de toda a inteligibilidade: "É impossível que o que é, não seja". Pois bem, apliquemos essa luz metafísica ao objeto de sua devoção. Nougué proclama, com a firmeza de quem possui as chaves do Reino, que a FSSPX é a "principal coluna da tradição" e o "principal pilar" que sustenta a Igreja em meio à crise. No entanto, ao olhar para a prática dessa mesma Fraternidade, deparamo-nos com um abismo ontológico.
Como pode a FSSPX ser o baluarte da Tradição se, na prática, ela opera sob um "eclesiovacantismo" mal disfarçado? Ao negar os sacramentos da Igreja Regular e questionar sua apostolicidade, ela afirma que a Igreja "é" e "não é" ao mesmo tempo. É a destruição da Metafísica em plena praça pública. O ente não pode estar em ato e em potência ao mesmo tempo sob o mesmo aspecto. Mas para Nougué, a Igreja parece estar em "ato" de tradição apenas na FSSPX, enquanto o restante da estrutura hierárquica jaz num "esvaziamento do ser", uma espécie de fantasma institucional.
Nougué critica o subjetivismo moderno e o nominalismo de Ockham, que reduz o ser a conveniências individuais. Mas o que é a generalização do "Estado de Necessidade" senão um nominalismo eclesiológico? Ao transformar a exceção em regra permanente, a FSSPX nega a visibilidade da Igreja — um de seus atributos essenciais. Eles agem como Parmênides, que "congelou" a realidade por não distinguir os modos do ente. Para a Fraternidade, ou a Igreja é "pura" segundo os seus próprios critérios, ou ela não é nada. Ao se autoproclamarem os "únicos fiéis", eles negam a nota da Santidade da Igreja, transformando a Esposa de Cristo em um clube exclusivo de iluminados.
Mais grave ainda é o desprezo por qualquer acordo com a hierarquia e com o Sumo Pontífice. Aqui, a negação da Unicidade da Igreja atinge o seu ápice. Se a verdade é a adequação do intelecto à realidade, a realidade nos diz que não existe Igreja sem o Papa. Contudo, na "diplomacia mais fina" elogiada por Nougué, a firmeza doutrinal se confunde com a negação do ser mesmo da Igreja como instituição una. É o triunfo da "Revelação-experiência" sobre a "Revelação-doutrina": a experiência de resistência da Fraternidade torna-se o critério supremo da verdade, acima da própria estrutura divina da Igreja.
É irônico ver Nougué bradar que "enquanto os cães ladram... a caravana da tradição avança". Ele não percebe que a sua "caravana" parece ter perdido o mapa da Metafísica pelo caminho. Ao defender uma instituição que nega os próprios fundamentos da visibilidade, santidade e unidade da Igreja, extasiado em sua contradição, Nougué dorme o sono dialético abraçado com o círculo quadrado. Ele afirma o ente (a Igreja) negando-lhe as propriedades essenciais sob o mesmo aspecto.
Os cães denunciam, Nougué, Domini Canis: "Eis o lobo em pele de cordeiro!". E a caravana econiana passa, mas a Igreja de Cristo Senhor Nosso nunca passará!
A boa Metafísica nos ensina que o princípio de não contradição é a base de toda a inteligibilidade: "É impossível que o que é, não seja". Pois bem, apliquemos essa luz metafísica ao objeto de sua devoção. Nougué proclama, com a firmeza de quem possui as chaves do Reino, que a FSSPX é a "principal coluna da tradição" e o "principal pilar" que sustenta a Igreja em meio à crise. No entanto, ao olhar para a prática dessa mesma Fraternidade, deparamo-nos com um abismo ontológico.
Como pode a FSSPX ser o baluarte da Tradição se, na prática, ela opera sob um "eclesiovacantismo" mal disfarçado? Ao negar os sacramentos da Igreja Regular e questionar sua apostolicidade, ela afirma que a Igreja "é" e "não é" ao mesmo tempo. É a destruição da Metafísica em plena praça pública. O ente não pode estar em ato e em potência ao mesmo tempo sob o mesmo aspecto. Mas para Nougué, a Igreja parece estar em "ato" de tradição apenas na FSSPX, enquanto o restante da estrutura hierárquica jaz num "esvaziamento do ser", uma espécie de fantasma institucional.
Nougué critica o subjetivismo moderno e o nominalismo de Ockham, que reduz o ser a conveniências individuais. Mas o que é a generalização do "Estado de Necessidade" senão um nominalismo eclesiológico? Ao transformar a exceção em regra permanente, a FSSPX nega a visibilidade da Igreja — um de seus atributos essenciais. Eles agem como Parmênides, que "congelou" a realidade por não distinguir os modos do ente. Para a Fraternidade, ou a Igreja é "pura" segundo os seus próprios critérios, ou ela não é nada. Ao se autoproclamarem os "únicos fiéis", eles negam a nota da Santidade da Igreja, transformando a Esposa de Cristo em um clube exclusivo de iluminados.
Mais grave ainda é o desprezo por qualquer acordo com a hierarquia e com o Sumo Pontífice. Aqui, a negação da Unicidade da Igreja atinge o seu ápice. Se a verdade é a adequação do intelecto à realidade, a realidade nos diz que não existe Igreja sem o Papa. Contudo, na "diplomacia mais fina" elogiada por Nougué, a firmeza doutrinal se confunde com a negação do ser mesmo da Igreja como instituição una. É o triunfo da "Revelação-experiência" sobre a "Revelação-doutrina": a experiência de resistência da Fraternidade torna-se o critério supremo da verdade, acima da própria estrutura divina da Igreja.
É irônico ver Nougué bradar que "enquanto os cães ladram... a caravana da tradição avança". Ele não percebe que a sua "caravana" parece ter perdido o mapa da Metafísica pelo caminho. Ao defender uma instituição que nega os próprios fundamentos da visibilidade, santidade e unidade da Igreja, extasiado em sua contradição, Nougué dorme o sono dialético abraçado com o círculo quadrado. Ele afirma o ente (a Igreja) negando-lhe as propriedades essenciais sob o mesmo aspecto.
Os cães denunciam, Nougué, Domini Canis: "Eis o lobo em pele de cordeiro!". E a caravana econiana passa, mas a Igreja de Cristo Senhor Nosso nunca passará!
Bom, prezado Guilherme, essas são algumas das nossas críticas às contradições eclesiológicas do professor Carlos Nougué, rezemos sinceramente por ele, para que caiam as escamas de seus olhos apaixonados e finalmente enxergue mais esta desilusão! Que Deus o ajude.
Caro Guilherme, escreva-nos sempre que achar necessário e não esqueça de rezar por nós e pelos iludidos pela "pureza" da FSSPX.
In báculo cruce et in virga virgine,
Francis Mauro Rocha.






