Religião-Filosofia-História
O Cisma na Sagração Episcopal da FSSPX e a participação dos leigos
Alberto
Alberto Luiz Zucchi
No próximo dia 1º de julho, salvo se ocorrer um verdadeiro milagre, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X – FSSPX promoverá a sagração de quatro bispos à revelia do Papa Leão XIV, ou seja, explicitamente contra a sua vontade, e de fato contestando sua autoridade.
Tal ato tem um sentido trágico, na medida em que um grupo de sacerdotes em que tantos católicos depositaram suas esperanças, e entre estes nós nos incluíamos, se torna mais uma vítima da crise atual da Igreja. Como não ver em nossa situação uma analogia com o ensinamento do evangelho que se referindo a uma grave situação de crise procurou nos consolar: “se os tempos não fossem abreviados até os bons pereceriam”
Concretamente, a FSSPX acabou por se afastar do espírito do seu fundador Dom Lefebvre, mudando o foco de seu apostolado que foi a difusão da Missa Tradicional e a crítica aos erros do Vaticano II, para a exaltação da própria instituição e a consideração de que esta é uma substituta da Igreja.
Quando realizou sagrações episcopais em junho de 1988, Dom Lefebvre foi claro em que o fazia porque naqueles tempos não havia bispos que ordenassem padres no rito antigo e para o rito antigo. Graças a Deus, esta situação mudou e a própria FSSPX reconhece que o risco de que sacerdotes não sejam ordenados no rito antigo não existe no presente momento.
Dom Lefebvre era explícito no seu desejo de restabelecer relações normais com a hierarquia da Igreja Católica, ao contrário da atual direção da FSSPX, que considera impossível até mesmo um diálogo. Vejamos apenas um, entre muitos exemplos: a carta enviada por Dom Lefebvre em 15 de dezembro de 1980 ao Cardeal Seper.
“Durante minhas visitas [ao Vaticano], você me comunicou várias vezes de um documento que deveria colocar fim ao ostracismo da liturgia anterior a 1969. Nós o aguardamos com uma grande esperança. Ele causará um grande alívio na Igreja e será a ocasião de uma grande renovação do fervor e de fé.
O documento será a ocasião de normalizar novamente as relações entre a Fraternidade Sacerdotal e a Santa Sé e tirará todo o motivo a um apostolado de suplência” (Intineraires, Chroniques e documents. Número spécial hors série; Mgr Marcel Lefebvre et le Vatican sous le pontificat de Jean-Paul II I- Jusqu’à la mort du cardinal Seper. p. 51, tradução, grifo e sublinhado nosso).
Este desejo de união manifesto por Dom Lefebvre não está presente na atual direção, que considera que a salvação das almas depende sobretudo da própria FSSPX (!) e não mais da Igreja:
Pergunta do entrevistador: “Padre, sejamos diretos: dado o papel que a Fraternidade desempenha hoje a serviço das almas, podemos dizer: fora da Fraternidade, não há salvação?”
Reposta do Padre Pagliarani: “Diga-me onde você encontra garantias equivalentes nas paróquias hoje em dia. Diga-me. Porque aqui, na minha opinião, devemos distinguir claramente entre princípios teóricos e aplicação prática no aqui e agora. E, por minha parte, acho muito difícil encontrar as mesmas garantias (de salvação), na prática, fora da Fraternidade. Espero que esta seja uma resposta bastante direta” (Entrevista do
Padre Pagliarani, respondendo aos jovens, 10 de março de 2026, publicada no site fsspx.news com título “O padre Pagliarani responde a perguntas de jovens sobre a decisão relativa às Sagrações”, em francês https://www.montfort.org.br/bra/cartas/ultimas/20260513124123/ tradução, grifos e sublinhado nossos)
Se é na FSSPX que se encontra a salvação porque há necessidade de estar unido à Igreja? É sintomática uma figura que circula na internet, difundida por simpatizantes da FSSPX. Nesta figura, os bispos que serão sagrados com o superior da FSSPX se apresentam na porta do Vaticano juntamente com Nosso Senhor, Nossa Senhora e outros santos, enquanto o Papa não os deixa entrar. Ora, a figura apresenta Nosso Senhor na FSSPX mas não na Igreja. Portanto, para o autor da figura, que não foi criticado pela FSSPX a verdadeira Igreja é a FSSPX e não a estrutura que está no Vaticano.
Não é de agora que a FSPPX vem atuando de forma a substituir e tomar os poderes que são exclusivos do Papa. As grandes falhas morais e doutrinarias vão se consolidando aos poucos. A denúncia do Professor Orlando Fedeli sobre os tribunais da FSSPX, no início de 1997, apontava o grave risco de cisma em que eles se encontravam. Diga-se de passagem, o Professor Orlando foi o primeiro a denunciar esses tribunais, que depois ficaram muito conhecidos e foram muito criticados.
Na época, assim que tomou conhecimento dessa informação, o Professor Orlando ficou perplexo e escreveu para Dom Tissier de Mallerais, que respondeu confirmando a existência dos tribunais e apresentando justificativas para sua existência.
A resposta do Bispo da FSSPX confirmou os temores do Professor Orlando de que os referidos tribunais usurpavam o poder de julgar, que é um de direito exclusivo do Papa. Isto levou o Professor a elaborar um trabalho onde ele demonstra que o “estado de necessidade” não justifica a existência de tribunais e que a usurpação desse poder papal se constitui em um ato cismático. O professor conclui o seu trabalho afirmando:
“Conclusão: por tudo o que acabamos de expor, a instauração de tribunais eclesiásticos e de órgão ao qual se atribuem os poderes da Rota Romana pela Fraternidade São Pio X nos parece evidentemente um ato cismático”.
(A FSSPX é uma opção à radicalização das normas da Traditiones Custodes? Considerações iniciais sobre os Tribunais da FSSPX. https://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/fsspx-tribunais/ itálico e negrito são de nossa autoria).
Não foi somente o Professor Orlando que constatou essa mudança de ação e de mentalidade por parte da FSSPX. Há muitos outros testemunhos, mas o mais interessante é do próprio Dom Fellay, escrevendo aos demais bispos da FSSPX:
“na Fraternidade está-se tratando os erros do Concílio como se fossem super heresias, torna-se como o mal absoluto, o pior de tudo, da mesma forma como os liberais têm dogmatizado este concílio pastoral. Os males já são dramáticos o suficiente sem que se precise exagerá-los ainda mais (cf. Roberto de Mattei, Uma história nunca contada, p. 22; Mons. Gherardini, Um discurso ainda a fazer, p.53, etc.). Não há mais qualquer distinção. E Mons. Lefebvre fez várias vezes as distinções necessárias acerca do liberal. Esta falta de distinção leva um ou outro de vós a um endurecimento “absoluto”. Isto é grave, porque esta caricatura não está mais na realidade e logicamente irá resultar
em verdadeiro cisma no futuro. E provavelmente esse é um dos argumentos que me leva a não mais demorar em responder às exigências de Roma. (https://farfalline.blogspot.com/2013/03/fsspx-carta-resposta-de-dom-fellay-aos.html grifo e sublinhado nosso)
A justificativa apresentada para as sagrações episcopais sem autorização são a situação da Igreja e o chamado “estado de necessidade”. Em resumo, os erros doutrinários e morais das autoridades da Igreja justificam a FSSPX a fazer o que achar conveniente para o seu apostolado. Para a mentalidade da FSSPX, ela não necessita de nenhuma autorização porque ela busca a salvação das almas, defende a verdadeira doutrina da Igreja e possui a santidade própria da Igreja. As autoridades eclesiásticas, inclusive o Papa, seriam bons somente na medida em que aprovassem e apoiassem a FSSPX. É por esta razão que, em recente entrevista, o atual superior da Fraternidade elogia e defende o pontificado do Papa Francisco:
Contudo, o Papa Francisco, à sua maneira, reconheceu o bem que a Fraternidade São Pio X faz pelas almas. Desse reconhecimento surgiu uma atitude aparentemente ambígua em relação a nós, uma forma de tolerância que surpreendeu os observadores mais superficiais e, por vezes, incomodou profundamente os círculos conservadores.
Muitas das decisões do Papa Francisco causaram genuína tristeza em grandes setores da Igreja, mas seria injusto acusá-lo de ser rígido ou inflexível em sua avaliação daqueles que estão diante dele ou em sua aplicação da lei. Sua atitude demonstrou isso em mais de uma ocasião. Talvez seja apenas um detalhe menor, mas quando solicitei uma reunião com ele no Vaticano, consegui uma audiência em menos de 24 horas, e ele foi particularmente afável. https://fsspx.news/es/news/quien-desgarra-la-tunica-cristo-entrevista-superior-general-la-fraternidad-san-pio-x-58690 pergunta 9)
Qualquer elogio ao Papa Francisco de um membro dos institutos ligados a Ecclesia Dei e que, portanto, estão em situação regular em relação ao direito canônico, seria mais uma justificativa para o “Estado de Necessidade”, ao mostrar que o Instituto não tem liberdade de criticar as autoridades do Vaticano. Já quando é a FSSPX quem elogia, é mais um sinal de santidade. Inacreditável não se constatar a contradição. É rigor total para os outros e uma benevolência absoluta quando se trata de avaliar as próprias ações.
Como um exemplo dessa dubiedade, veja-se o que afirma o superior da FSSPX no Brasil sobre o padre Barrero, superior do Instituto do Bom Pastor:
Quanto ao superior do Instituto Bom Pastor na Europa, que também é professor no seminário, ele faz questão de dar a Paulo VI e João Paulo II o título de “santo”. São Paulo VI. São João Paulo II. Esperamos que estes papas sejam santos no sentido de que agora estão no céu. Todos os cristãos têm a vocação de ir para o céu. Por outro lado, negamos que eles sejam santos no sentido de serem canonizados e apresentados como um modelo de vida para toda a Igreja. Este sacerdote do Bom Pastor que reconhece a santidade de Paulo VI e João Paulo II, como ele não poderia seguir o exemplo deles? Como ele não poderia celebrar a nova missa e praticar o ecumenismo?
Estes sacerdotes dão argumentos ao Papa Francisco. Eles justificam suas decisões.” (https://fsspx.com.br/pt/sermao-o-motu-proprio-traditionis-custodes-fsspx-e-ecclesia-dei-44596 negrito e sublinhado são nossos)
Pode-se perguntar se o que a FSSPX chama de “Estado de Necessidade” justifica realmente as sagrações sem mandato pontifício? Para eles, essa é uma situação evidente e somente não a compreende quem tem muita ignorância, não é humilde o suficiente para aceitar os ensinamentos originários dos santos padres da FSSPX, ou está de má fé.
Porém, o dito “Estado de Necessidade” nada mais é que um conceito deturpado, tirado do Direito Canônico, para justificar a FSSPX a realizar atividades sem necessitar de autorização e para agir da forma como julgar necessário segundo seus próprios critérios, se dispensando de qualquer submissão à lei canônica.
Ora, que o “Estado de Necessidade” é apenas uma desculpa, fica evidente em diversos casos concretos. Um deles foi a exigência de ser o bispo da Fraternidade a conferir a Crisma na Córsega, apesar do bispo diocesano ter se colocado à disposição para ministrar este sacramento no rito antigo. O padre e os fiéis aceitaram o oferecimento do bispo local e a irritação dos superiores da FSSPX foi tal que terminaram por expulsar de seu apostolado todos aqueles que receberam o sacramento do bispo e até mesmo o padre da própria FSSPX que concordou com a celebração.
Não houve um “Estado de Necessidade”, mas sim a convicção de que os verdadeiros sacramentos somente podem ser conferidos pela FSSPX. https://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/entrevista-com-o-padre-mercury-excluido-da-fsspx-o-bispo-e-soberano-em-sua-diocese/index.php https://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/padre-mercury-estabelecer-se-como-autoridade-religiosa-plena-sem-poder-recebido-de-roma-isto-e-cisma/
Ademais, em sua tese, o padre Mercury demonstra com clareza que o “Estado de Necessidade” não pode ser aplicado de forma indistinta em todas as situações da Igreja e em toda a parte, porque isto implicaria na criação de uma Igreja paralela e significaria que a promessa de Nosso Senhor de permanecer ao lado da Igreja teria falhado, o que é impossível. https://publication-theses.unistra.fr/public/theses_doctorat/2014/mercury_herve_2014_ed270.pdf
Há ainda alguns outros argumentos apresentados pela FSSPX para justificar as sagrações. Mas de fato são completamente absurdos. Citemos apenas dois
O primeiro é que também o governo chinês realiza sagrações episcopais sem autorização de Roma. Se eles podem porque não a Fraternidade. Tal pensamento seria cômico se não fosse trágico. A FSSPX quer para si o direito de ferir a lei porque muitos o fazem sem punição. Ainda bem que o padre Pagliarani não mora em alguns estados brasileiros senão ele reivindicaria o direito ao assassinato de seus desafetos, e nós teríamos pouca chance de escapar.
O segundo é o fato deles não serem tratados pelo Papa da forma caridosa como gostariam. Ora, ainda que o Papa seja duro com eles isto não lhes dá o direito de violar a lei, seja a lei natural, a lei divina ou mesmo a lei positiva. Aliás se há dirigentes que pouca ou nenhuma caridade tem com seus subordinados estes são os dirigentes da FSSPX. Veja-se, por exemplo, foi como realizada a expulsão do Padre Laguerie, do Padre Aulagnier e do Padre Navas. Sequer
tiveram oportunidade de apresentar uma defesa real, e se espalha que foram eles que quiser deixar a FSSPX. Novamente seria cômico se não fosse trágico.
O “dodói” da FSSPX parece se aproximar muito da mentalidade romântica atual na qual toda critica é considerado um ato de injustiça. Romantismo esse tão defendido por Dom Williamson nos tempos em que estava na Fraternidade. Romantismo que está em linha com a doutrina dos ensinamentos da “traditiones custodes” que defende que não sendo possível julgar o interior de alguém não se pode tratar uma pessoa como se ela fosse uma pecadora, mesmo quando o pecado é público como no caso de pessoas que sendo casadas vivem maritalmente com outra. Romantismo este utilizado pela FSSPX para dizer que eles não têm intenção do cisma, que querem ficar unidos ao Papa, que querem estar ligados a hierarquia, desde que, possam fazer o que bem entende e não serem alvos de nenhuma crítica ou condenação. É a mentalidade e sobretudo a doutrina romântica que deitou profundas raízes em todo o movimento conservador católico. Basta lembrar a afeição e aceitação da FSSPX as visões de Ana Catarina Emmerick.
Nas diversas lives que realizamos sobre este tema abordamos esses argumentos e muitos outros. Entretanto, é claro que não obtivemos qualquer reposta nem dos sacerdotes da FSSPX e nem daqueles que se intitulam como seguidores dessa Associação. Alguns apenas se limitarem a fazer críticas pessoais e repetir, tal como seguidores de tantos gurus modernos, frases de efeitos e clichês. https://www.youtube.com/watch?v=xknBLQt8lnY https://www.youtube.com/watch?v=rYG_98ltloA https://www.youtube.com/watch?v=Ijijqwb7UXk
É necessária ainda uma última reflexão.
Muitos católicos ligados ao rito tradicional, que compreendem os problemas doutrinários que estão nos textos do Concílio Vaticano, quer sejam eles explícitos ou frases dúbias, nutrem uma grande simpatia pela FSSPX. Alguns, uma minoria, estão alinhados com a FSSPX seja o que for o que os seus sacerdotes façam. Alegam esses fiéis que os padres têm a “graça de estado”, acreditando que esta, na prática, funciona como uma espécie de poder mágico que garante uma infalibilidade a tudo que o padre faça no que se refere à orientação de fiéis. SE errarem com o padre a culpa será do padre. A obediência que recusam ao Papa é oferecida de forma irracional aos padres da FSSPX. Estes leigos se parecem com os leigos do tempo de Pio XII, que seguiam o clero de forma tão cega, que essa cegueira levou à aceitação dos erros do Vaticano II por quase todo o mundo católico, com pouca ou nenhuma contestação.
Boa parte dos fiéis da FSSPX, porém, não tem uma adesão tão radical. Acreditam eles nas boas intenções do clero da FSSPX e não tem total segurança de que a sagração de Bispos sem mandato pontifício corresponda a um ato lícito. Confiam eles que tendo boa intenção não incorrerão nas penas canônicas e muito menos seus atos poderiam ser considerados pecaminosos. Por isto muitos fiéis têm afirmado que não há consequência no apoio que dão à FSSPX pois um eventual erro seria responsabilidade somente dos bispos sagrantes e sagrados e, eventualmente, do clero que participará da cerimônia.
Grave engano.
A tese de que um ato errado e imoral é justificado automaticamente pela boa intenção de quem o pratica é a ideia subjacente ao documento Amoris Letitiae para justificar as bençãos, e até mesmo a possibilidade de receber a eucaristia os casais em segunda união.
São Tomás de Aquino considera o cisma um pecado espiritual grave que se opõe diretamente à unidade da Igreja (parte II-II, questão 39). O cisma vai contra unidade da Igreja que é um reflexo da própria unidade de Deus.
Apesar do cisma, o mais das vezes, estar ligado a membros da hierarquia, os leigos também podem incorrer em cisma se rejeitam a autoridade do Papa, ou fomentam a divisão através de formação de grupos paralelos na Igreja.
De acordo com o Cânon 1364, § 1º, o cismático incorre em excomunhão latae sententiae, o que significa que a punição é automática, no momento exato em que o fiel pratica o ato, sem necessidade de um julgamento ou tribunal declarar a pena publicamente.
Aqueles também que podendo colaborar para evitar o mal do cisma não o fazem, incorrem em um erro que pode ser mais ou menos grave de acordo com a condição de cada um. Assim, um clérigo que se omite em relação ao presente cisma da FSSPX, em si mesmo, comete ato de maior gravidade do que um leigo que se omite, mas nem por isto esse último deixa de ser um ato que pode ter significativa gravidade.
É exatamente por esta razão que nos manifestamos, e é por esta razão que instamos a todos os leigos que não participem dessas ordenações, nem mesmo assistindo de forma passiva, pois é um apoio ao ato cismático.
Rogamos para que Nossa Senhora proteja a Igreja e aqueles que injustamente sofrerão as consequências deste ato da FSSPX, e que o Espírito Santo ilumine a direção da FSSPX sobre o gravíssimo erro em que se encontram.
São Paulo, 30 de junho de 2026
Para citar este texto:
"O Cisma na Sagração Episcopal da FSSPX e a participação dos leigos"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/cadernos/religiao/sagracoes/
Online, 01/07/2026 às 13:06:20h






