Religião-Filosofia-História

A Religião do Concílio Vaticano II - Parte III
Orlando Fedeli

PARTE III - A MODERNIDADE E O VATICANO II

 


Leia também:

Parte I: O PECADO DE ADÃO

 Parte II: A MODERNIDADE

 


 

Nota do site Montfort
 
Publicamos, hoje, este trabalho sobre a Maçonaria e o Vaticano II – Capítulo V da III parte do estudo  A RELIGIÃO DO VATICANO II-- O PECADO DE ADÃO – A MODERNIDADE E  O VATICANO II, que estamos editando, por causa do comunicado do Grande Oriente de França, conclamando os maçons a resistirem ao retorno do “integrismo” e do “religioso”, que estariam ameaçando as conquistas do iluminismo, especialmente o laicismo, a separação entre a Igreja e o Estado.
 
Sem dúvida, esse Comunicado do Grande Oriente, já publicado no site Montfort (Orlando Fedeli - "Lobos uivam contra Bento XVI" ), significa uma contraposição da Maçonaria ao Papa Bento XVI, pela retorno que Bento XVI está realizando para posições anteriores ao Vaticano II.
 

  
 
CAPÍTULO V
OS HOMENS DE BOA VONTADE E O CONCÍLIO VATICANO II 
 
Teria sido o Concílio Vaticano II o resultado de um acordo secreto entre membros da alta cúpula do Vaticano e a Maçonaria?
 
 
I - Ficção?...
 
Numa banca de livros usados — onde se encontram normalmente obras gastas e sem valor, mas onde também, por vezes, se pescam pérolas raras, caiu-me nas mãos, a preço ridículo, um livro com uma estranha ilustração na capa. Era uma foto do princípio do século – parecendo até ante diluviana – retratando um desfile de senhores sisudos, fazendo alas a um estandarte enorme.  Todos portavam um como que avental e insígnias. A imagem me fazia lembrar, não tão vagamente, desfiles mais modernos realizados em São Paulo...No viaduto do Chá. Há uns quarenta anos...
 
Era a foto de um desfile maçônico, provavelmente em Paris, na apodrecida e horrível “Belle” Époque... E o livro, que ela ilustrava, era de Jules Romains (1885-1972), famoso literato francês que alcançou a glória da Academia Francesa de Letras. Uma Academia de portas estreitas. O que é bem diferente de nossa, cujas portas são tão largas, que por elas passam até mesmo ex-presidentes e políticos, sem qualquer valor literário... ou político...
 
Jules Romains escreveu uma série de 27 volumes sob o título genérico e misterioso de Les Hommes de Bonne Volonté(Os Homens de Boa Vontade). Todos esses volumes foram produzidos entre 1927 e 1947, e analisavam a sociedade francesa, de 1908  a 1932.
O volume que me caiu, por feliz acaso, entre as mãos desanimadas diante de uma banquinha de livros usados, tinha um sub título bem curioso: “Em Busca de uma Igreja”. Sub título que o tornava ainda mais interessante, pois que lançava alguma luz no título geral e misterioso de “Os Homens de Boa Vontade”. (Jules Romains, Les Hommes de Bonne Volonté – Recherche d’une Église”, Flammarion, Paris, 1958).
 
Alguma luz, sim, porque essa expressão -- “Homens de Boa Vontade”, -- me lembrava o apêndice que se agregou ao endereçamento das Encíclicas papais, depois que o Cardeal Roncalli se tornou João XXIII... (Roncalli vivera em Paris, como Núncio, entre 1944 e 1953, quando se tornou Patriarca de Veneza. Foi exatamente durante esse tempo de nunciatura de Roncalli em Paris, que  Jules Romains entrou para a Academia Francesa).
 
Até João XXIII – segundo a imprensa, um Papa de “boa vontade” para com o Mundo Moderno, anatematizado por Pio IX na derradeira condenação do Syllabus – até João XXIII, os Papas dirigiam suas encíclicas “Aos Cardeais, Patriarcas, Arcebispos e Bispos em Comunhão com a Sé Apostólica, assim como a todo o clero e a todos os fiéis católicos”.  João XXIII, na “Pacem in Terris”, foi o primeiro a mudar esse endereçamento, acrescentando à saudação tradicional uma menção às “pessoas de boa vontade”:
 
 "Aos veneráveis irmãos patriarcas, primazes, arcebispos, bispos e outros ordinários do lugar em paz e comunhão com a Sé Apostólica, ao clero e féis de todo o orbe, bem como a todas as pessoas de boa vontade".(João XXIII, Pacem in Terris).
 
Que, portanto, não estavam incluídos nem mesmo entre os que eram fiéis. “Ergo”, eram ou hereges ou ateus.
Quem seriam então essas misteriosas "Pessoas de Boa Vontade"? 
Seriam essas pessoas, ou “Homens de Boa Vontade”, os comunistas? Ou seria ainda um outro grupo ainda mais misterioso?
Paulo VI continuou essa nova forma de saudação e direcionamento de encíclicas, escrevendo na Populorum Progressio:
 
Aos Bispos, Sacerdotes , Religiosos, fiéis e a todos os HOMENS DE BOA VONTADE ( Negrito e caixa alta são de minha responsabilidade).
 
O livro de Jules Romains poderia elucidar a identificar esse misterioso grupo dos “Homens de Boa Vontade”.
 
Comprei o livro.
 
Como é costume lógico, fui ver, antes de tudo, o índice. E lá, meus olhos logo caíram sobre o título do capítulo XXVII: “Mistérios da Franco Maçonaria” .
 
Foi o primeiro que li. E o capítulo tratava das cerimônias maçônicas, mostrando-as sob um certo ridículo. Mas, esse capítulo apontava para outro, no qual se trataria dos fins da sociedade secreta, que um certo Lengnau conheceria bem.
Fui imediatamente a este outro ponto do livro, saltando capítulos inteiros, para entrar, -- sem ter sido convidado--, junto com o personagem principal, Jerphanion, no apartamento do tal Lengnau, em Paris, em 1908 ou 1910, mais ou menos.
 
Era um apartamento espaçoso, junto a Notre Dame, que se podia entrever através dos ’’voiles”  da janela. (Que saudades de Notre Dame !...).
O dono da casa se fez esperar um tanto.
Como explicava o livro, ele era --- o tal Lengnau – “não um Papa da Maçonaria, nem sequer um de seus grandes pontífices, visto que ele se recusava a exercer qualquer poder, mas uma de suas mais altas autoridades espirituais; a mais alta, talvez” (Jules Romain, Les Hommes de Bonne Volonté -- À la Recherche d'une Église, Flammarion, Paris, 1958, p. 274).
E, enquanto esperava a chegada do dono da casa, Jerphanion, indiscreta, mas prudentemente, deu uma espiada nos títulos dos livros que abarrotavam as estantes da sala. Porque, afinal de contas, ...”Dize-me o que lês, e dir-te-ei quem és”.
E os títulos me eram imensamente elucidativos!
 
” ... Martinès de Pasqually, Traité de la Réintégration des êtres...Matter, Saint Martin, le Philosophe Inconnu...Mesmer, Le Secret Dévoilé..., Monnier ( Jean Joseph) De l’Influence attribuée aux philosophes, aux Francs – maçons...Mynsicht (Hadrien von) Aureum Saeculum redivivum... Mystère des Sociétés Secrètes..., sem nome de autor.”(Jules Romain, op. cit., p. 274).
 
O homem era, evidentemente, um sequaz da Maçonaria mística, daquela “Maçonaria ao quadrado”, como a denomina Georges Gusdorf, em seu livro sobre o Romantismo...
 E, se ele lia Saint Martin e Martinès de Pasqually, ele era também um admirador do maçon Joseph de Maistre, conclui eu.
(O personagem com quem entrei, não concluiu nada. Ele não conhecera, pelo visto,  tradicionalistas admiradores de Joseph de Maistre, o maçon  Eleito Cohen Joseph a Floribus...).
 
Afinal, na página 276 do livro, o dono do apartamento adentrou a sala de estar de sua residência, para receber o personagem Jerphanion, aquele que buscava uma “Igreja”. (Eu, que me intrometera sem ser convidado, e que não procuro uma Igreja, porque sou Católico Apostólico Romano, fiquei só “escutando”, isto é, lendo com atenção redobrada o que o interessantíssimo livro me dizia ).
 
Jerphanion queria conhecer os verdadeiros fins da Maçonaria, para saber se era ela a “Igreja” que buscava.
É claro que na vida real, o que o romance diz ter acontecido, não é possível ocorrer: que um maçon de alto grau, se abra sobre os fins últimos da Maçonaria, ao primeiro Jerphanion curioso, que indaga dos fins de uma sociedade secreta, para saber se lhe convém entrar nela. Isso seria absolutamente absurdo. Mas, se os absurdos acontecem, por vezes – e cada vez mais freqüentemente -- na vida real, porque não poderiam acontecer nas páginas de um romance?
Pois o tal “pontífice espiritual “da Maçonaria se abriu a Jerphanion, sem perceber que eu, silenciosamente, sublinhava o que era mais importante da conversa, para vir a editá-la, aqui na Internet, quase um século depois.
Pois vejam que coisas interessantes disse o maçon Lengnau.
Ele fez quase uma profecia, tanto o que ele contou, se lê, hoje, nas linhas – e especialmente nas entrelinhas -- do noticiário dos jornais, ou melhor, da Internet.
Claro, para quem sabe ler nas entrelinhas.
Coisa que não se ensina nas escolas, e nem por meio de cartilhas...
Que bom foi ter aprendido a ler fora das escolas !...
 
Inicialmente, Jerphanion contou de sua decepção, acontecida no capítulo XXVII, quando lhe narraram os rituais da Maçonaria. Ao que Lengnau, sem se perturbar ao mínimo, respondeu, dizendo que não é difícil ridicularizar um ritual, e até mesmo o ritual católico.
 E prosseguiu Lengnau:
 
Já o fizeram mais de uma vez. E se errou ao fazer isso. Se há alguma coisa a atacar no catolicismo, não são os cerimoniais, que são magníficos...”
 
[Ah! se esse inimigo de Deus, maçon da Belle Époque, assistisse a Missa da Aeróbica de Jesus do padre Marcelo Rossi, em São Paulo, no ano 2.000 ! Até ele se escandalizaria com o que fazem, hoje, certos padres que realizam profanações com as quais nem os anti clericais mais raivosos teriam sonhado, para ridicularizar a Missa ! ... Se esse maçon de romance tivesse sabido do que foi capaz a “criatividade” dos padres, introduzida  por Paulo VI e por Monsenhor Bugnini, na chamada Nova Missa ! O Cardeal Ratzinger protestou contra essa anarquia de “criatividade”... E o próprio Papa João Paulo II, na encíclica Ecclesia de Eucharistia, graças a Deus, condenou certos abusos que acontecem em Missas-Show, e que Bento XVI, hoje, quer suprimir].
 
Voltemos ao livro, que a realidade é pior que a imaginação !
Lengnau contemplava, em sua memória, os rituais católicos a que, um dia, assistira:
“... e ele [Lengnau] acrescentou, levantando os olhos e acariciando com o olhar um espaço longínquo: “[cerimoniais] que são incomparáveis... Não. É o que os rituais querem dizer, é o conteúdo dos ritos, é o que se esconde sob os símbolos... É, a filosofia da vida e a metafísica do Catolicismo ... Sim... Tem--se sempre o direito de atacar ou de admirar, quanto ao fundo. O que é absurdo, é rir-se, quanto às formas...(...)  Isso é ignóbil ! Isso desonraria o anti clericalismo. Eu não conheço nada mais belo no mundo, nada de mais emocionante do que o rito da comunhão... Se eu o repilo, é por causa do sentido escondido... Há sempre um sentido oculto... E toda a questão está nisso. Saber se nós aceitamos ou não o sentido oculto; se ele nos dá, ou não, a resposta que nos é necessária”  (Jules Romain, op. cit., p. 278)
 
 E eu continuava a sublinhar e anotar o que me parecia mais importante e interessante da conversa... Bem calado. Caladinho. Caladíssimo !
 Enquanto isso, prosseguia Lengneau:
 
Todos os ritos da maçonaria, eles, giram em torno da idéia de Construção. Eis aí. Se o senhor compreendeu isto, o senhor terá tudo compreendido.” (Jules Romain, op. cit., p. 280).
Todos os pormenores de roupas e de cerimônia, que lhe contaram, e que talvez lhe fizeram sorrir, todas as particularidades de linguagem, as fórmulas empregadas, os nomes dos graus, a decoração das salas, e assim por diante... pois bem , o senhor compreende, tudo isso forma uma espécie de drama religioso, no sentido em que o entendiam os antigos, e é o drama da Construção, assim como a Missa é o drama do sacrifício...”(Jules Romain, op. cit., p. 281).
 Esse Pontífice da Maçonaria da horrenda Belle Époque entendia melhor o que é a Missa—a renovação do sacrifício do Calvário—do que muitos padres, e até que muitos Bispos, hoje.
 
Prosseguindo, Lengnau fez uma muito interessante síntese da História dos últimos séculos para Jerphanion:
 
Há uma coisa, que sem dúvida não lhe escapou, mas à qual talvez o senhor não tenha especialmente refletido...Se o senhor se esforçar por contemplar com um novo olhar  o movimento da humanidade há dois, três, e mesmo quatro séculos, será que o senhor não fica impressionado com o que há, apesar de tudo, de absolutamente novo ?...”
Nós não prestamos atenção a isso, porque estamos habituados, e também porque nós estamos mergulhados nisso... Mas todos esses movimentos que se produziram aqui e acolá, essas aspirações que os homens jamais haviam tido, essas reclamações, essas exigências... O uso de certas palavras contribui a nos tornar indiferentes, distraídos... a palavra progresso, por exemplo... ou palavras como liberdade, emancipação, democracia, fraternidade humana... Ou então ainda nós pensamos demais no que tal acontecimento histórico teve de... entumecido e de excepcional, ao vulto que as circunstâncias lhe deram, ao que ele comportava de violência impossível de sustentar... a Revolução de 1789... ou a explosão de 1848 através de toda a Europa... nós não sentimos suficientemente que esses  fatos fizeram parte de um trabalho conduzido continuamente durante séculos, e por toda a parte... Eu lhe garanto que se se conseguisse ver desde muito alto esse movimento de conjunto a partir do final da Idade Média, sem a ajuda de nenhuma amplificação oratória, ficar-se-ia espantado, e se teria uma grande emoção... Ver-se-iam tantos fatos, isoladamente estranhos ou maravilhosos... servos da gleba que se tornam homens livres... hereges que se cessa de queimar... nobres que abandonam seus privilégios...homens brancos que lutam para que escravos negros sejam arrancados da ignomínia... ricos que se interrogam sobre seus direitos e se escusam de suas riquezas... grandes impérios militares que proclamam a necessidade da paz e da união entre os povos... Não pense que eu passe por cima  dos recuos, dos desastres, nem que eu tome por prata de valor as malícias dos espertalhões, as mentiras dos hipócritas. Mas eu seria ainda mais cego, se eu recusasse ver a convergência dessas mudanças extraordinárias” (Jules Romain, op. cit., pp. 281-282).
 
Lengnau não afirmava que tudo o que aconteceu na História, desde o final da Idade Média, tinha sido feito pelos maçons, como os direitistas obcecados pelo problema das Sociedades Secretas tem a mania de pensar, vendo um maçon atrás de cada fato histórico, assim como paranóicos imaginam um inimigo escondido atrás de cada poste. Mas, ele mostrava que havia uma certa misteriosa unidade no trabalho desenvolvido nos últimos séculos. E que se visava um fim...
 
Lengnau colocou uma condição:  “se se conseguisse ver desde muito alto”...
Desgraçadamente, hoje, poucos conseguem olhar a História “desde muito alto”... O que predomina é a visão rasteira que não consegue ver nada acima da grama... Comestível.
 
Se o senhor perceber isso, o senhor compreenderá o que os maçons denominam a Construção do Templo. Eu não lhe digo que todo o trabalho já realizado pela humanidade neste sentido, tenham sido os maçons que o fizeram. Não. Mas eles nunca estiveram ausentes. E foram bem eles que na multidão dos trabalhadores, sem isto por demais esparramados, muito facilmente demais desanimados, contribuíram com o plano, a tenacidade, a coesão fraternal, desde tempos já longínquos.” (Jules Romain, op. cit., p. 283).
 
A seguir, Lengnau, em visão da altura de moita, declarou sua convicção de que as origens da Maçonaria lançam suas raízes até os construtores de Catedrais, na Idade Média. Dos construtores de Catedrais teria saído a “Ordem que ia se dar por tarefa a Construção do Mundo. E note que, na época Moderna homens tão grandes  e tão diferentes quanto um Goethe, um Saint Simon, um Augusto Comte, um Hugo (...)  não teriam feito o que  fizeram se não tivesse existido a Maçonaria por trás deles, mesmo quando individualmente eles não eram maçons.”(Jules Romain, op. cit.,p. 283).
 
Jamais “teriam feito o que  fizeram se não tivesse existido a Maçonaria por trás deles, mesmo quando individualmente eles não eram maçons”.
Vá se explicar isto para certos intelectuais, mesmo direitistas, com visão de formiguinha e que julgam que a arte nada tem a ver com religião ou com filosofia...
 
 
 Tratando das ações mais importantes realizadas pela Maçonaria na História, Lengnau fez uma observação importante: do mesmo modo que a escavação de um buraco é necessária, apenas temporariamente, ao se fazer um edifício, assim também certas ações na História tem apenas uma importância circunstancial, para a Construção do Mundo Novo, para o Novus  Ordo Saeculorum, como se pode ler na nota de um dólar.
Ou na Mensagem de Natal de Pio XII, em 1939, ao tratar da Nova Ordem do Mundo, segundo o que Roosevelt escrevera a seu “Old and dear friend”, o Papa Pio XII...(Cfr. Pio XII, Mensagem de Natal de 1939).
 
Disse Lengnau:
 
O sufrágio universal, por exemplo,... se eu o tomo isoladamente, eu tenho o direito de preferir a ele, afinal de contas, um governo hierárquico, aristocrático... Tudo muda, no momento em que se descobre que este ideal laico, no horizonte limite, não é senão uma das etapas de uma das fases da Grande Obra. A profundidade das coisas aparece, e, também, seu laço, sua necessidade. As objeções de pormenor, os pequenos ridículos, tudo isso se esvaece“ (Jules Romain, op. cit., p. 284).
“(...)  O senhor irá me dizer que tudo isso não lhe explica o que é a Grande Obra, o que é a Construção do Templo”.(...)
“Pois bem, a Grande Obra que a Maçonaria busca realizar há séculos, é a unificação total da humanidade”(...) “Total... Em todos os sentidos, e em todos os planos. Mesmo no plano místico” (...)  [Os destaques são nossos].
“Nós sempre mantivemos contato com os místicos, com o ocultismo; e nós continuamos [a manter esse contato ]. Há uma corrente contínua desde a Cabala até nós...”(...)
Unificação total da humanidade. Eu creio que o senhor é capaz de sentir o peso e a densidade destas palavras” (Jules Romain, op. cit., pp. 284-285. O destaque é nosso).
(...)
Eu lhe disse, mesmo no plano místico. Eu insisto: a unidade em foco vai além da organização política, material, mesmo racional do gênero humano... Ela a ultrapassa, ela a transcende, e ao mesmo tempo a arrasta atrás de si como um pescador que puxa a sua rede...” (Jules Romain, op. cit., p. 285).
 
A “unificação total da humanidade”...
Pois não é isso que, na Lúmen Gentium, se colocou como fim da Igreja?
 
 “A Igreja, em Cristo, é  como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus, e da unidade do gênero humano”( Vaticano II, Lumen Gentium, n0  1).
 
E, rindo, continuou Lengnau:
 
O programa laico e republicano!... O senhor pode agora lhe dar o lugar que lhe convém no conjunto... Um episódio... O senhor percebe também que as pretensas audácias deste programa não são uma grande coisa ao lado da...”
(...)
Veja bem! Nós temos entre nós homens da política, maçons convictos... Mas sua profissão os obriga a viver com o nariz metido nos acontecimentos... Eles perdem o costume de ver através de longas perspectivas... Eles ficam atrelados corajosamente, digamos, ao programa radical... Agora, eles vêem à sua esquerda o socialismo, com fórmulas muito avançadas em matéria de internacionalismo, por exemplo. Então eles se sentem incomodados. Eles não desejariam passar por retrógrados. Mas, de um outro lado, se adotassem essas fórmulas internacionalistas, eles teriam a impressão de ceder a uma inclinação, a uma vertigem; de se deixar levar pela esquerda até a extrema esquerda, simplesmente pelo medo de gritar menos alto que o vizinho, ou por uma espécie de arrastamento mecânico. No fundo, uma vez  o programa democrático e laico quase realizado, eles gostariam bastante de poder se deitar sobre as posições conquistadas. ( ...) O senhor conhece Rothweil? Ele não perdeu talvez a lembrança de um  ideal mais longínquo. Mas, praticamente... Eu o vi com lágrimas nos olhos a propósito da Alsácia -  Lorena...
“Pois bem, um homem como o senhor percebe imediatamente que considerando o seu objetivo final, a Maçonaria não pode atribuir nenhum valor durável às fronteiras, às pátrias, às nações que ela mesma fundou, a considerar como um recuo provisório o desenvolvimento do sentimento patriótico que se realizou em todos os povos desde há um pouco mais de um século, e o despertar das nacionalidades que foi a sua conseqüência. As audácias do socialismo neste sentido, nós deveríamos não só admiti-las, mas acobertá-las, tomá-las como expressão momentânea, e relativamente tímida, do esforço em direção à Grande Obra que nós estamos encarregados de conduzir através dos séculos, com vistas muito mais vastas e profundas. Nós deveríamos nos dizer: o socialismo é um de nossos instrumentos históricos. Pouco importa que ele não tenha consciência disso. O anti patriotismo que se destaca dele, nós temos que nos servir dele como nós nos servimos precedentemente do anti clericalismo... Eu o espanto talvez algum tanto ? “ (Jules Romain, op. cit., p. 287).
(...)
E prosseguiu Lengnau:
 
Eu me pergunto se depois de se ter desembaraçado de velhos ídolos, a humanidade recente não se criou outros, que será preciso derrubar. Sim, a palavra de ordem do século XX não deverá ser um “Esmaguemos o Infame!” com um sentido novo? ”. (Jules Romain, op. cit., p. 288)
 
E como divagando, Lengnau disse uma coisa surpreendente:
 
A Igreja Católica... Ela não tem maior admirador do que eu... Eles são os únicos construtores que houve antes de nós... E, em suma, nós saímos deles... Não foi por nossa culpa se, em certo momento, a Igreja surgiu como um rochedo enorme barrando o caminho. Ah! se ela tivesse podido mudar de espírito, deixar-se penetrar por nós... Se ela tivesse guardado a força, a juventude, se pudesse se ter tornado cada vez mais católica, cada vez mais ecumênica... Porque nossa Grande Obra que é senão a catolicidade total ? “(Jules Romain, op. cit., p. 288. O destaque é meu).
Evidentemente, eu sonho um tanto. Além desse envelhecimento das instituições que as faz incapazes de assimilar e de se transformar, havia oposições profundas... aquilo que chamávamos, agora há pouco, o pessimismo cristão, a condenação da vida... a idéia que eles tem da História do mundo voltada para trás... paraíso terrestre, queda, redenção... enquanto que nós  estamos voltados para a frente. O Deus deles, que é velho e zangado, que só pensa em se vingar e em punir, que espera lá no alto, com o raio na mão, apenas a hora de nos reduzir definitivamente a pó, a nós e a nossas obras: solvet saeculum in favilla... não podia evidentemente estar em boa companhia com o nosso [deus], que é jovem, que é mesmo futuro...sim... que nós nô-lo representamos, em todo caso, como um jovem arquiteto, de fronte preocupada talvez, mas de olhos brilhantes, tendo nas mãos seus planos e seu compasso, os pés bem plantados no chão, no meio das paredes que sobem, da alegre nuvem de gesso, da multidão atarefada dos aprendizes, dos companheiros, dos mestres...” (Jules Romain, op. cit., p. 289)
 
E, referindo-se à acusação de que o deus da Maçonaria é o diabo, ele sorriu, e disse:
“...Alguns de nossos adversários nos acusam seriamente de ser  sequazes do diabo... Sim, eles acham que nosso jovem arquiteto apresenta uma semelhança perturbadora com o belo anjo, Lúcifer, Príncipe deste Mundo, cujo grande crime, com efeito, foi o de ter ensinado aos homens a fé em si mesmos, o orgulho de saber e a esperança terrestre... ë divertido, não é verdade ? (Jules Romain, op. cit., p. 289).
 
Afinal, Lengnau foi à conclusão:
 
“Aliás, será bem preciso que em um ou outro momento a questão se acerte entre a Igreja e nós... Eu, veja o senhor, eu tenho a impressão que não é desse lado [da Igreja] que está o inimigo principal... E eu não desespero de fazer cedo ou tarde uma aliança... Será preciso... Ou então a destruição total do adversário “(...)  “e, por minha parte, eu não creio muito nisso... ou a aliança, mais ou menos oculta... Nós somos, eles [os católicos] e nós, os únicos soldados do Universal... e também do espiritual, porque o socialismo está todo petrificado de materialismo... Mesmo as dificuldades metafísicas podem se arranjar... Por que o Deus deles não poderia tolerar nosso jovem arquiteto ?  Ele só tem que lhe deixar este mundo aqui, e conservar para si o outro mundo... O senhor não acha? “ (Jules Romain, op. cit., p. 289-290. Os destaques são meus).
 
“O que o senhor lhe oferece, é uma situação de Deus no exílio?” [ retrucou Jerphanion].
 
“-- Talvez..., mas  com grandes honras...
Não é então verdade que o Deus da Bíblia já abdicou um pouco em proveito de Cristo? Em suma, nós veremos... O senhor sabe, o famoso sonho de ter um Papa, um dia, que seria um dos nossos [um Papa maçon]?...”
E ele acrescentou num tom de palavra de conclusão:
“Nós já temos muitos Bispos Franco Maçons!” (Jules Romain, op. cit., pp. 289-290).
 
 
Eu, que tinha a vantagem de estar ouvindo sem ser percebido, e mais que tinha a imensa vantagem de ter vivido e conhecido os acontecimentos posteriores, estava maravilhado com a penetrante visão do futuro desse homem, visão que se revelava tão exata, que até parecia profética !
 
Repito as palavras chaves de Lengneau:
E eu não desespero de fazer cedo ou tarde uma aliança... Será preciso... Ou então a destruição total do adversário “(...)  “e, por minha parte, eu não creio muito nisso... ou a aliança, mais ou menos oculta...”
 
 
 
*****
 
II -- ...Ou História?
 
Um acordo entre a Maçonaria e a Igreja...
 
Um acordo entre Cristo e Belial?
Isso é impossível!
 
Mas uma traição, o caso de Judas prova que pode ocorrer. E as três negações de Pedro mostram que é possível até um Papa renegar a Fé.
 
Ora, em 1917, ano da Revolução comunista de Lênin, ano das aparições de Nossa Senhora em Fátima, houve uma manifestação de comunistas na Praça de São Pedro. Quem a assistiu e contou foi o Padre Maximiliano Kolbe. Eu a li em Antonio Socci:
 
“Naquele dia de 1917, estava também um jovem seminarista polonês na Praça de São Pedro, Maximiliano Kolbe,, quando um grupo de maçons – que celebravam os 200 anos da fundação da Grande Loja – abriu uma faixa onde estava escrito: “Satanás reinará no Vaticano, e o Papa será seu escravo”. (A. Socci, Il Quarto Segreto, Rizzoli, quinta edição, Fevereiro de 2007, p. 179).
 
Pois não está escrito...
O quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela caída do céu sobre a terra, e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. Ela abriu o poço do abismo. E subiu uma fumaça do poço, como fumaça de uma grande fornalha, e escureceu-se  o sol” (Apoc., IX, 1-3).
 
E a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus.
Disse-o, Paulo VI
 
Pois não terá sido isso mesmo o que se assistiu, depois, no decorrer do século XX ?
Quando me esgueirei com Jepharnion no apartamento de Lengneau, levava eu, no bolso do paletó, um livro mais atual: A Última Batalha do Diabo, escrito pelo Padre Paul Krammer.
Sem que os dois interlocutores imaginários percebessem, abri o livro do padre Krammer, e rapidamente li nele alguns trechos impressionantes, confirmando o que Lengneau estava dizendo a Jepharnion, no romance de Jules Romains.
O Padre Paul Krammer, por sua vez citava o que escrevera um Bispo  depois do Vaticano II
 
Vejam o que li, enquanto deixava de prestar atenção, por um momento, na conversa de Lengneau com Jepharnion
No seu livro Athanasius and the Church of Our Time (1974), o Bispo Rudolph Graber, autoridade objetiva e irrepreensível, que escreveu depois do Concílio Vaticano II, citou um Maçom ilustre que declarou que «o objetivo (da Maçonaria) já não é a destruição da Igreja, mas utilizá-la através da infiltração»7. Por outras palavras, como a Maçonaria não pode obliterar completamente a Igreja de Cristo, tenciona não só extirpar a influência do Catolicismo na sociedade, como também usar a estrutura da Igreja como instrumento de "renovação", "progresso" e "iluminação" - isto é, como um meio de levar a cabo muitos dos princípios e objetivos maçônicos “ (Monsenhor Rudolph Graber, Athanasius and the Church og Our Time, Christian Book Club, Palmdale, Califórnia, 1974, p. 39. Apud  Padre Paul Krammer, O Derradeiro Combate do Demônio, The Missionary Association, Buffalo, New York. USA, pp.35-36).
 
E comentou Padre Krammer:
“(...) A Instruction propunha a disseminação das idéias e axiomas liberais pela sociedade e dentro das instituições da Igreja Católica, de tal modo que os leigos, seminaristas, clérigos e prelados seriam gradualmente, e ao longo dos anos, imbuídos de princípios progressistas. Essa nova mentalidade viria eventualmente a ser tão difusa que seriam ordenados Padres, sagrados Bispos e nomeados Cardeais, indivíduos cujo pensamento estaria em harmonia com as idéias modernas baseadas nos "Princípios de 1789" (isto é, os princípios da Maçonaria, que inspirou a Revolução Francesa) - ou seja: o pluralismo, a igualdade de todas as religiões, a separação da Igreja e do Estado, a liberdade de expressão sem restrições, e assim por diante.
“Chegar-se-ia por fim a eleger um Papa vindo destes meios, que levaria a Igreja pelo caminho da "iluminismo e renovação". Note-se, desde já, que não estava nos seus planos colocar um Maçom na Cátedra de S. Pedro. O seu objetivo era criar as condições que acabariam por produzir um Papa e uma Hierarquia conquistados pelas idéias do Catolicismo liberal, ao mesmo tempo que se consideravam Católicos fiéis.
“Esses dirigentes católicos liberalizados deixariam de se opor às idéias modernas da Revolução (ao contrário dos Papas de 1789 a 1958, que condenaram de forma unânime esses princípios liberais), mas, pelo contrário, amalgamá-los-iam à Igreja ou "batizá-los-iam" para os colocarem dentro da Igreja. O resultado final seria um Clero e um laicato católicos que marchariam sob a bandeira da "iluminismo", pensando ao mesmo tempo estarem a marchar sob a bandeira das Chaves Apostólicas.
(...)
“Lê-se no documento [maçônico]:
(...) “Não tencionamos atrair os Papas à nossa causa, fazê-los neófitos dos nossos princípios, propagadores das nossas idéias. Isso seria um sonho ridículo; e se acontecesse que Cardeais ou prelados, por exemplo, quer por sua livre vontade ou de surpresa, entrassem em parte dos nossos segredos, isso não seria de modo nenhum um incentivo para desejar a sua elevação à Cadeira de Pedro. Essa elevação arruinar-nos-ia. Só a sua ambição levá-los-ia à apostasia, e as necessidades do poder forçá-los-iam a sacrificar-nos. O que devemos desejar, o que devemos procurar e esperar, tal como os judeus esperam pelo Messias, é um Papa conforme às nossas necessidades (...)
“Com isto marcharemos com mais segurança para o assalto à Igreja do que com os panfletos dos nossos irmãos em França e até do que com o ouro da Inglaterra. Quereis saber a razão? É que com isto, para despedaçar a grande rocha em que Deus erigiu a Sua Igreja, já não precisamos de vinagre anibaliano, ou de pólvora, ou mesmo das nossas armas. Temos o dedo mínimo do sucessor de Pedro comprometido nessa empresa, e esse dedinho vale tanto, para esta cruzada, como todos os Urbanos II e todos os São Bernardos da Cristandade.
“Não temos dúvidas de que chegaremos a este fim supremo dos nossos esforços. Mas quando? Mas como? O desconhecido ainda não foi revelado. Contudo, visto que nada nos irá desviar do plano estabelecido e, pelo contrário, tudo tenderá para ele, como se já amanhã o trabalho que mal foi esboçado fosse coroado de sucesso, desejamos, nesta Instrução, que se manterá secreta para os simples iniciados, dar aos dignitários na chefia da Suprema Venda alguns conselhos em forma de instrução ou memorando, conselhos esses que eles deverão imbuir em todos os irmãos (...)
“Ora bem, para assegurarmos um Papa com as características desejadas, é preciso, em primeiro lugar, modelá-lo (...) [e,] para esse Papa, uma geração digna do reinado que sonhamos. Ponde de parte os velhos e os de idade madura; dedicai-vos aos jovens e, sendo possível, até às crianças (...) Conseguireis sem grande custo uma reputação de bons Católicos e de puros patriotas.
“Essa reputação dará acesso à nossa doutrina entre os jovens clérigos, assim como entrará profundamente nos mosteiros. Em poucos anos, pela força das coisas, esse jovem Clero terá ascendido a todas as funções; formará o conselho do Sumo Pontífice, será chamado a escolher o novo Pontífice que há de reinar. E esse Pontífice, tal como a maioria dos seus contemporâneos, estará necessariamente mais ou menos imbuído dos princípios italianos e humanitários que vamos começar a pôr em circulação. É um grãozinho de mostarda preta que vamos confiar à terra; mas o sol da justiça desenvolvê-lo-á ao mais alto poder, e vereis um dia que rica colheita esta sementezinha produzirá”. (in Padre Paul Krammer, O Derradeiro Combate do Demônio, The Missionary Association, Buffalo, New York. USA, pp. 37-38).
 
 O mesmo Padre Krammer, no livro que citamos , diz:
 
“As predições da Maçonaria sobre uma ruptura modernista num Concílio Ecumênico”

      “Ao desencorajar a idéia de um Concílio por tais razões, esses Cardeais mostraram estar mais aptos a reconhecerem os "sinais dos tempos" do que todos os teólogos pós-Vaticano II juntos. Mas a sua apreensão poderia estar baseada em algo mais profundo. Talvez estivessem também preocupados com os escritos do iluminado notório, o excomungado Cônego Roca (1830-1893), que pregou a revolução e a "reforma" da Igreja, e que predisse, em pormenores espantosamente precisos, a subversão da Igreja que seria ocasionada por um Concílio.
“Em Athanasius and the Church of Our Time, o Bispo Graber refere-se à predição feita por Roca de uma "Igreja iluminada de novo", que seria influenciada pelo "socialismo de Jesus"(18-Mons. Graber, op. cit., p. 34). Em meados do século XIX, Roca predisse que «A nova igreja, que talvez não consiga reter nada da Doutrina Escolástica e da forma original da antiga Igreja, receberá, mesmo assim, a sua consagração e jurisdição canônica de Roma». Surpreendentemente, Roca também predisse a "reforma" litúrgica do pós-Vaticano II: «[O] culto divino, na forma dirigida pela liturgia, cerimonial, ritual e regulamentos da Igreja Romana, sofrerá em breve uma transformação num concílio ecumênico, que restaurará a venerável simplicidade da idade de ouro dos Apóstolos, de acordo com as exigências da consciência e da civilização moderna».
Roca vaticinou que, através desse concílio, surgiria «um acordo perfeito entre os ideais da civilização moderna e o ideal de Cristo e do Seu Evangelho. Isto será a consagração da Nova Ordem Social e o batismo solene da civilização moderna». Por outras palavras, este concílio abriria caminho ao triunfo do plano maçônico para a subversão da Igreja. Roca também se referiu ao futuro do Papado. Escreveu o seguinte: «Há um sacrifício iminente que representa um ato solene de expiação (...) O Papado cairá; morrerá sob a faca santificada que os Padres do último concílio fabricarão. O César papal é uma vítima coroada para o sacrifício». Roca predisse entusiasticamente nada menos que uma «nova religião, novo dogma, novo ritual, novo sacerdócio». Chamou aos novos Padres "progressistas", e referiu-se à "supressão" da sotaina e ao "casamento dos Padres"19.
Citando os escritos do heresiarca francês Abbé Melinge (que usou o pseudônimo de Dr. Alta), o Bispo Graber avisou que havia um programa revolucionário para «substituir a Fé romana por um pontificado "pluri confessional", capaz de se adaptar a um ecumenismo polivalente, tal como vemos hoje ser estabelecido na inter celebração de Sacerdotes e pastores protestantes». (Melinge referiu-se a certos Padres renegados; mas hoje é o próprio Papa que preside a cerimônias mistas, incluindo Vésperas, com "bispos" protestantes)(20).

           “ Encontramos ecos arrepiantes de Roca, de Melinge e da Alta Venda nas palavras do Rosacruz Dr. Rudolph Steiner, que declarou em 1910: «Precisamos de um concílio e de um Papa que o proclame» (Nota 21 - Mons. Graber, op. cit., p. 36. Apud Padre Paul Karmmer, op cit.,
p. 42).
 
 
PROFECIA? QUAL NADA! PROGRAMA!
 
Se digo que amanhã haverá aulas na Faculdade, não estarei fazendo uma profecia. Anuncio o que está programado.
           Profecia é a previsão de fatos futuros contingentes, absolutamente impossíveis de serem naturalmente previstos. Mesmo fatos futuros prováveis não podem ser tidos como profecias. Por exemplo, se alguém anuncia que cairá, ainda este ano, um avião, isso é fato possível e até provável. De jeito nenhum isso será tido como profecia.
Dou outro exemplo.
Picante.
Prever que haverá novos escândalos e falcatruas numa Câmara de Deputados, de jeito nenhum, é profecia. Isso é mais do que previsível. Profecia seria dizer que não haverá mais escândalos  desse tipo com políticos.
         
          Essa introdução é para apresentar uma poesia escrita por um inimigo da Igreja, membro de sociedades secretas, no século XIX: Antero de Quental.
Um século antes da Missa Nova, esse  poeta descreveu uma futura Missa nova na qual iria se defender a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Uma nova Missa na qual se defenderia a Revolução.
105 anos depois, Paulo VI promulgou a Missa “predita” por Antero de Quental.
Claro que não houve profecia. Foi apenas a execução de um programa de destruição da Igreja.
Quem não tem olhos para ver, que não veja.
Pior que a cegueira física, é a cegueira pela perda da Fé.
 
 
 
 
          NO TEMPLO
 
O Povo há-de um dia inda entrar dentro do Templo,
E há-de essa rude mão erguer-se sobre o altar;
E há-de dar de piedade um grande e novo exemplo,
E, ao púlpito subindo, o mundo missionar.
 
Heis-de essa solene voz ouvir--- na nave augusta,
O canto popular ao longe soará;
E a pedra, carcomida às mãos do tempo e adusta
Ansiosa palpitando, o hino escutará!
 
O Povo há-de fazer-se, então, Bispo e levita;
E será Missa-nova a Missa que disser:
E há-de achar ao sermão por tema o que medita
Hoje confuso e está na mente a revolver.
 
Então, por essa imensa abóboda soando,
Há-de correr o som de um órgão colossal;
E uma outra cruz no altar, outro resplendor lançando,
Há-de radiar luz nova às letras do missal.
 
 
Dia santo há-de ser esse de festa estranha!
Com a calosa mão o Povo toma a cruz
Amostra-a à multidão  e – Cristo na Montanha—
Missiona...e a fronte, entanto, inunda-se de luz !
 
Então o seu olhar será como o espelho
Doce, que o filho tem no olhar de sua mãe
E tendo numa mão erguido o Evangelho,
Com a outra aponta ao longe o vasto espaço, além...
 
                                            II
 
Ninguém o dia sabe ao certo: entanto vemos
Pelos sinais do céu que aurora perto está...
Pelas constelações é que esse espaço lemos.
A  estrela do pastor desmaia...Ei-lo vem já!
 
........................................................................
 
Sabeis que missa nova é essa que diz o Povo?
E o órgão colossal que, em breve, vai soar?
Qual é o novo altar e o Evangelho novo?
E o tema do sermão que às gentes vai pregar?
 
O Evangelho novo é a Bíblia da igualdade:
Justiça, é esse o tema imenso do sermão:
E o órgão a acompanhar... a voz da Revolução!
 
Antero de Quental, Odes Modernas, 1864.
 
Seria escandaloso querer negar que essa poesia descreve a Missa Nova. A Missa Nova foi a realização do programada das sociedades secretas místicas para destruir a Igreja Católica e absorvê-la num pan religião ecumênica, igualitária e antropocêntrica.
 
Quem tem olhos para ver, que veja.
 
***
 
Que tudo isso confirmava os planos que Lengneau desdobrava ante os olhos espantados de Jepharnion, não havia dúvida. Lembremos, ainda um tanto, a realidade histórica ocorrida, depois da visita narrada por Jules Romains, num dia da horrível Belle Époque...
 
..............................
 
No mês anterior à morte de Pio XII, podiam-se ler as seguintes frases, num artigo sobre a Maçonaria, publicado numa revista católica brasileira --Pergunte e Responderemos -- de Dom Estevão Bettencourt, confirmando a tentativa de acordo entre a Maçonaria e a Igreja.
Se não...:
 
Contudo, finda a guerra mundial de 1914-18[quando São Pio X falecera e fora sucedido por Bento XV, Papa que seguiu política oposta a de São Pio X face ao Modernismo] alguns maçons trouxeram de novo à baila o plano de uma aproximação em relação ao Catolicismo. O líder André Lebey, muito popular nas Lojas, convidava “os que sentiam necessidade de um culto” a irem “ao ninho comum: a religião católica”. René Guénon tachava de “degenerada” a organização maçônica de seu tempo e preconizava u’a Maçonaria restaurada de acordo com as suas origens católicas. Por fim, Albert Lantoine, membro do Supremo Conselho do Rito Escocês, no ano de 1937, entrou em diálogo com o Padre Berthelot S. J., num opúsculo intitulado “Lettre au Souverain Pontife” propunha à Igreja como que uma “trégua” para  se constituir uma frente comum contra os perigos do totalitarismo e do marxismo, que, conforme Lantoine, ameaçavam ”os dois cultos”. As idéias deste autor, embora tenham despertado simpatia entre vários de seus correligionários, não encontraram apoio por parte das autoridades das Lojas, de sorte que Lantoine, antes de morrer, abandonou toda atividade maçônica. A Igreja, do seu lado, declarou, por um decreto do Santo Ofício, datado de Abril de 1949, que as disposições (condenatórias) do Código de Direito Canônico referentes à Maçonaria não haviam sofrido mudança” (Dom Estevão Bettencourt in Pergunte e Responderemos, N0 9- Setembro de 1958, pp. 388-389).
 
Não fui eu quem afirmou que após a morte de São Pio X, com a eleição de Bento XV — Papa amigo dos modernistas — a Maçonaria começou uma aproximação, um “namoro” com a Igreja, que durou até 1949, quando essa aproximação foi repelida pelo Papa Pio XII.
Quem afirmou isso foi Dom Estevão Bettencourt, em Setembro de 1958, pouco antes de morrer Pio XII, e pouco tempo antes de João XXIII ser eleito Papa João XXIII, o antigo modernista Roncalli, que foi amigo, tanto do modernista excomungado Ernesto Buonaiutti, quanto do Grão Mestre da Maçonaria, Barão Yves de Marsaudon.
 
Que mistério envolve a vida de João XXIII, e em que medida esse mistério se envolveu com o Vaticano II?
De onde Dom Estevão Bettencourt retirou essas informações sobre a aproximação da Maçonaria com respeito à Igreja?
Muito possivelmente da revista Ecclesia, cujo diretor era o modernista moderado Daniel-Rops, e que no N0 175 de Outubro de 1963,--- durante o Vaticano II – num artigo de  Serge Hutin, noticiava que de fato, tinham ocorrido tentativas de acordo entre a Maçonaria e a Igreja, e que elas foram tidas como “cheias de boa vontade”:
 
“(Albert) Lantoine tinha muita razão em mostrar que a Franco Maçonaria, tendo se tornado anti-clerical pelo jogo das circunstâncias históricas, não o era por essência. O Cardeal Verdier, o reverendo Padre  Gillet, Superior Geral dos Dominicanos, o Cardeal Beaudrillart escrevem ao ilustre maçom em termos simpáticos. O próprio Papa --[Pio XI]julga a Carta [ a de Albert Lantoine a Pio XI Au Souverain Pontife] cheia de boa vontade. De um lado e de outro, se permanecerá, entretanto, em suas próprias posições” (Serge Hutin, Les Rapports Orageux entre  l´Église et la Maçonnerie, in Ecclesia, N0 175 de Outubro de 1963, p.92. O destaque é meu, para indicar uma idéia do maçom Albert Lantoine que Dom Estevão Bettencourt irá repetir mais adiante).
 
Não seria possível um acordo entre a Igreja e a Maçonaria para colaborarem juntas na construção de uma Nova Ordem no Mundo?
 
 
A carta do maçom Albert Lantoine é de 1931...
 
Quando li o acima citado livro de Jules Romains veio-me à mente a visita do Secretário de Estado, o Cardeal Pacelli, a Washington, pouco antes da II Guerra Mundial; o estreito e amável relacionamento de Pio XII com o Presidente Roosevelt; seus planos conjuntos de lançar as bases de uma Nova Ordem Mundial, da qual tanto se fala até hoje
O Presidente Roosevelt, que era maçom, em carta a Pio XII, afirmou:  “Creio que talvez já exista, no meio de nós, a nova ordem de coisas que os estadistas ainda mal divisam. Creio até que essa nova ordem já está sendo construída, silenciosa, mas inevitavelmente, nos corações das massas, cujas vozes não são ouvidas, mas cuja fé comum escreverá a última página da história de nosso tempo”. (Franklin Delano Roosevelt, Carta ao Papa Pio XII,  inserida pelo Papa Pio XII em sua Mensagem de Natal de 1939, in Documentos Pontifícios,  N0 64, Vozes de Petrópolis  1951, p. 16. O destaque é meu).
Que “fé comum era essa, a que aludia Roosevelt, e que escreveria “a última página da história de nosso tempo”?
“Fé comum” seria uma fé ecumenicamente comum a todas as religiões?
 
 E garantia Roosevelt, nessa mesma carta a Pio XII:
 
Só pela cooperação mútua e amiga daqueles que buscam a luz e a paz, poderá levar-se  de vencida as forças do mal”( Carta citada e ed. cit. cit p. 17. O destaque é meu).
 
 Curiosa menção da conjunção dos que buscam a luz com os que buscam a paz...
 
A Igreja Católica não busca a luz, porque já a tem.
Mas é certo que a Igreja busca a paz, que, na definição de Santo Agostinho, é a tranqüilidade na ordem.
 E Pio XII até fazia menção que seu nome Pacelli lembrava a “pax coeli”—a paz do céu.
Em compensação, é bem sabido que os maçons dizem buscar a luz...
Roosevelt propunha a colaboração dos que buscam a luz com os que buscam a paz ?... Propunha ele também, a colaboração entre a maçonaria e a Igreja num acordo... silencioso?
 
O maçom Roosevelt, Presidente dos Estados Unidos, declarava que a Nova Ordem do Mundo não poderia ser a obra de apenas um chefe religioso, nem de um só governante, mas que exigia a cooperação de todos governantes e de todos os líderes de todas as religiões do mundo... ( cfr. Carta citada, na edição citada p. 17).
O ecumenismo seria um dos maeios necessários, segundo a Maçonaria, para realizar a Nova Ordem do Mundo.
Deveria haver um acordo geral de todas as religiões com a Igreja Católica, e a cooperação de todos os chefes de Estado.
O Vaticano II surgia como um sonho de união ecumênica e maçônica, no horizonte sombrio da História, nos primeiros fragores da guerra, no Natal de 1939. E isso foi comunicado ao mundo na primeira Mensagem de Natal de Pio XII.
A guerra passou.
Como passa a tempestade.
No Vaticano, há tempos se achava bem instalado –- e na Sub Secretaria de Estado – Monsenhor Giovanni Battista Montini, o futuro Paulo VI.
Depois da Guerra, e “antes de 1950, Montini havia predito ao Padre Morlion que em menos de uma geração as duas sociedades [a Igreja e a Maçonaria] teriam feito as pazes” (Padre Dominique Bourmaud, Cien Años de Modernismo, Ediciones Fundación San Pio X, Buenos Aires,2006, p. 376).
 
Passam as gerações.
Passou Roosevelt.
Como passa o vento.
 
 Pio XII pensou em convocar um Concílio...
Projeto que passou como o vento...
 
O vento do passado, percorrendo décadas em minha memória, me trazia velhas lembranças...
A ameaça comunista, depois de 1945...
 
Uma conversa a que assisti, na qual se contavam – era um Bispo que contava -- “rumores” -- (Vindos do Vaticano?)--, que, na década de 50, a Maçonaria teria dado um ultimato à Igreja: ou Ela se democratizava, aliando-se às potências democráticas do Mundo Livre, ou ela seria aniquilada pela maior perseguição que jamais se lhe fizera na História...
Falava-se de “rumores” sobre um acordo assinado então, em Paris, entre a Igreja e a Maçonaria, ainda antes de 1953...
 
Seriam só “rumores”?
 
..............................
 
Chi lo sa”?...
 
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“Rumores” não são provas documentais...
 
Em certo sentido, “rumores”, não documentados, valem menos ainda que as palavras de um romance, ainda que bem escrito !

E se o livro de Jules Romains for um romance... “profético “? ...
Vá lá se saber...
Só no Juízo Final – a grande, a Magna aula de História do Mundo – saber-se-á da verdade !
 
Mas, coincidência ou não, logo depois de 53, começou-se a falar de um Concílio em perspectiva... O Concílio que instauraria a... Civilização do Amor... A Nova Ordem do Mundo... Concílio que, como predissera Novalis, há mais de um século, reuniria todas as religiões,...a Maçonaria... e a Companhia de Jesus...(Cfr. Novalis, Die Christienheit oder Europa ).
 
Passou também Pio XII...
 
Em 1958, chegou Roncalli ao trono de São Pedro, assumindo o nome de João, o Apóstolo do Amor.
Como dizia Jules Romains, depois da Igreja de Pedro (a Igreja Católica), e da Igreja de Paulo (a Igreja reformada), vinha a Igreja de João, a Igreja do Amor, isto é, do Espírito Santo...
Recordações de Joaquim de Fiore...
Recordações milenaristas sobre o Reino do Amor...
 
 
João XXIII, o amigo do modernista ecumênico Buonaiutti e de Yves de Marsaudon, o Grão Mestre que propunha um acordo entre a Igreja e Maçonaria.
 
Roncalli convocou o Concílio...
João XXIII convocou o Concílio Vaticano II através da Constituição Humanae Salutis, divulgada no Natal de 1961, na qual ele afirmava que ”O Concílio será um acontecimento a serviço do mundo” (Peter Hebblethwaite, Giovanni XXIII- Il Papa Del Concilio, Rusconi, Milano, 1989, p.559. Destaques meus).
Um Concílio a serviço do mundo...
Não a serviço de Deus ?
Como se pode servir a Deus e ao mundo?
Foi programado, então, por João XXIII que o Vaticano II estaria “a serviço do Mundo”, e, no discurso de encerramento desse Concílio, Paulo VI declarou que o Vaticano II esteve “a serviço da Humanidade”...
Concordância muito interessante...
 
Concordância entre “luz” e “paz”...
Gaudium et Spes, tristitiae et angustiae...
Alegria e esperança, tristezas e angústias...
 
Veio o Concílio Vaticano II, e, com ele, uma surpreendente democratização da Igreja...
No Vaticano II não faltou quem pedisse explicitamente, o que se combinava secretamente em reuniões discretas entre altos Prelados e altos Grãos Mestres.
 
“Durante o Concílio Vaticano II, o Bispo D. Méndez Arceo, de Cuernavaca, famoso por suas posições avançadas, pediu, por duas vezes, fosse estudada em assembléia conciliar a questão das relações entre a Igreja Católica e a Maçonaria. Todavia, o momento ainda não era oportuno” (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos,  Ano  V, N0 171- Março de 1974, p.25).
 
 
Para Dom Estevão Bettencourt, o tempo então “ainda não era oportuno”...
Viria um tempo “oportuno”?
Ou veio?
 
Como era bem informado Dom Estevão Bettencourt !...
 
Ainda durante o Concílio Vaticano II, “A Grande Loja do Haiti aos 26 de Junho de 1962 enviou uma carta ao Papa João XXIII, em que manifestava discreta simpatia para com a Igreja e formulava votos para que, conseqüentemente, a Santa Sé retirasse a pena de excomunhão que pesa sobre os membros das lojas maçônicas” (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos,  Ano  V, N0 171- Março de 1974, p.26).
E como o modernista-“conservador”, Dom Estevão Bettencourt, se comprazia com esse acordo possível entre Cristo e Belial!
 
Passou também João XXIII...
 
Mas, passando, em seu leito de morte, ainda disse João XXIII:
 
Agora mais do que nunca, certamente mais do que nos séculos passados, estamos de acordo em servir o homem enquanto tal e não só os católicos, a defender antes de tudo e em toda a parte os direitos da pessoa humana e não somente os direitos da Igreja Católica. As circunstâncias hodiernas, as exigências dos últimos 50 anos, o aprofundamento doutrinário nos conduziram diante de uma realidade nova, como disse no discurso de abertura do Concílio. Não é o Evangelho que muda somos nós que começamos a compreendê-lo melhor” (Peter Hebblethwaite, Giovanni XXIII- Il Papa Del Concilio, Rusconi, Milano, 1989, p.701. Destaques meus).
 
João XXIII confessa que estava de acordo—adotando o ideal maçônico-- em servir o homem, e também em que a Igreja passasse a defender “os direitos da pessoa humana e não somente os direitos da Igreja Católica”.
 E quem havia feito exigências à Igreja nos ´”últimos 50 anos”?
 
 
“Passemos agora ao exame da nova situação que se criou entre a Igreja e a Maçonaria a partir do Vaticano II” (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos,  Ano  V, N0 171- Março de 1974, p. 24).
 
Será que o Concílio Vaticano II teria aceitado a proposta da Maçonaria de uma reconciliação com a Igreja com base na defesa da Liberdade, Igualdade e Fraternidade? De uma reconciliação, para juntas trabalharem harmonicamente para o bem da Humanidade?
Ambas defendendo a Liberdade, Igualdade e a Fraternidade?
Não se introduziu a Liberdade na Igreja com a proclamação da liberdade de religião e da liberdade de consciência na Dignitatis Humanae e na Gaudium et Spes, liberdades que sempre foram condenadas pela Igreja?
Não se introduziu na igreja a Igualdade com a Colegialidade, que foi a democratização da Igreja na Lumen Gentium?
O Vaticano II não introduziu a Fraternidade através do ecumenismo,condenado anteriormente no Mortalium Ânimos?
Sim, o Vaticano II realizou a Revolução de 1789 na Igreja, como o reconheceu o modernista Padre Congar. O Vaticano II realizou o lema Liberté, Égalité, Fraternité na Igreja. Por isso, o Vaticano II representou o triunfo das idéias maçônicas na Igreja.
Será que as autoridades da Igreja aceitaram então realmente o acordo com a Anti Igreja maçônica?
E depois do Vaticano II aceitaram as altas autoridades da Igreja dialogar com a Maçonaria?
Dom Estevão Bettencourt nos esclarece que sim:
 
Após o Concílio, o diálogo entre as autoridades da Igreja e teólogos, de um lado, e líderes maçons, de outro lado, tem se tornado cada vez mais assíduo. Em conseqüência dessa aproximação, verifica-se sempre mais que não se pode encarar a Maçonaria como um bloco monolítico, mas, sim, como um conjunto de lojas e federações independentes umas das outras, e inspiradas por diversos modos de pensar frente ao Cristianismo e à Igreja”. (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos, artigo Maçonaria e Igreja Católica se Reconciliarão? Ano  V, N0 171- Março de 1974, p. 25).
 
E Dom Estevão Bettencourt candidamente explica ainda que:
 
Após o Concílio do Vaticano II, esta condenação [da Maçonaria] vai sendo submetida a reexame. Verifica-se que as invectivas da Maçonaria contra a Igreja Católica não foram inspiradas pelos princípios fundamentais da Maçonaria, mas por fatores que sobrevieram a esses princípios no decorrer da história. Não obstante, a imagem da maçonaria agressiva à Igreja foi a que mais caracterizou a Maçonaria na opinião pública até hoje. Visto que em nossos tempos as Lojas Maçônicas parecem já não ser o que foram nos séculos passados, julga-se que a legislação da Igreja mudará frente a elas; apontam-se vários fatos recentes que indicam tendências de aproximação entre a Igreja e a Maçonaria. Por enquanto, porém em sã consciência, é preciso dizer que perdura a pena de excomunhão prevista pelo Código de Direito canônico para os membros da maçonaria. A excomunhão, contudo só afeta as pessoas conscientes de que tal censura está anexa inscrição na Maçonaria” (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos, artigo Maçonaria e Igreja Católica se Reconciliarão?  Síntese inicial do artigo. Ano  V, N0 171- Março de 1974, p. 16. O destaque é nosso).
 
A frase que sublinhamos nessa citação de Dom Estevão repete o que havia afirmado o maçom Albert Lantoine na sua Carta Ao Soberano Pontífice Pio XI, em 1937.
E, obediente à nova tendência pró maçônica, Dom Estevão, perito do Vaticano II, cum gadium et spes, -- com alegria e esperança -- passou a defender o levantamento da excomunhão dos maçons...
 
“Em virtude de tais pronunciamentos-- [da Maçonaria] –e fatos, pode-se dizer que a Igreja está pensando em mudar oficialmente sua atitude para com a Maçonaria regular: uma vez verificado que esta nada tem daquelas notas que a tornavam anticristã e anticlerical, mas é, uma sociedade de aperfeiçoamento moral, auxílio mútuo e prática de humanitarismo, não haverá motivo para que se mantenha a respectiva condenação das lojas maçônicas regulares, com a excomunhão para os membros inscritos em tais lojas” (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos,  Ano  V, N0 171- Março de 1974, p.29. Destaque é meu).
 
Mas não era cândido, este nosso Dom Estevão?
Mas não era ele ingênuo como um perito conciliar este nosso teólogo indefectível?
Muitos católicos então começaram a perceber algo estranho no Responderemos aos Pergunte que faziam a Dom Estevão...
Tanto que Dom Estevão teve que escrever:
 
De vez em quando ouvem-se comentários no sentido de que a nossa revista Pergunte e Responderemos estaria sendo simpática à Maçonaria” (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos,  Ano  VII, N0 195, Março de 1976, p.29).
 
Imaginem!... Pensar isso de Pergunte e Responderemos!
Que maldade!
Que gente maliciosa!
Só porque Dom Estevão declarou que a Maçonaria “é uma sociedade de aperfeiçoamento moral, auxílio mútuo e prática de humanitarismo”!
Só porque Dom Estevão considerou que não vê “motivo para que se mantenha a respectiva condenação das lojas maçônicas regulares, com a excomunhão para os membros inscritos em tais lojas” , só por isso vai se pensar que Dom Estevão – por um momento – foi simpático à Maçonaria?
 
Dom Estevão respondeu a essa suspeita, ou acusação, lembrando que, segundo documento da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé de 19 de Julho de 1974, a excomunhão valia para só os maçons que tramassem contra a Igreja. Para esses, a excomunhão continuava em vigor. Mas muitos eclesiásticos e leigos garantiam que os maçons já não tramavam contra a Igreja. (Cfr Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos, Ano VII, N0 195- Março de 1976, p.40).
E que garantia tinham eles disso se a Maçonaria continuava secreta?
Com base nisso, então, Dom Estevão sossegava os católicos que queriam entrar na Maçonaria, dizendo-lhes que entrassem nas sociedades secretas com consciência tranqüila:
 
Quanto aos católicos que ainda não pertencem à Maçonaria e nela desejam entrar, para que o possam fazer de consciência tranqüila, procurem previamente certificar-se dos rumos filosóficos adotados pela loja a que se candidatam. Procurem chegar à possível clareza, usando de sinceridade para consigo mesmos, para com a Igreja e para com Deus. Se se torna evidente que em tal Loja não há intenções anticatólicas, entrem...” (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos,  Ano  VII , N0 195 - Março de 1976, p.41. O destaque é meu).
 
Vejam que “bom” conselho Dom Estevão dá aos católicos: perguntem a uma sociedade secreta: “Aqui se conspira conta a Igreja?”
Caso o Venerável da loja maçônica responda: “Nããão””, então os católicos ingênuos podem entrar na loja...
Perguntar a uma sociedade secreta se ela tem intenções malévolas é uma piada.
Lá tranqüiliza nosso teólogo, campeão da ortodoxia...conciliar e conciliadora que “Se se torna evidente que em tal Loja não há intenções anticatólicas, entrem...”.
 
 
E Dom Estevão, como perito do Vaticano II e defensor de seu modernismo, fazia votos que o acordo entre a Igreja e a Maçonaria pudesse chegar a cabo:
 
 
 “Possa em breve este processo de revisão terminar, de modo a facilitar o relacionamento entre a Igreja e a Maçonaria” (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos,  Ano  V, N0 171- Março de 1974, p.37).
Que homem de boa vontade nos saiu Dom Estevão!
 
 Mais ainda. Dom Estevão, analisando uma Declaração maçônica, publicada em Novembro de 1970, na revista The Northern Light, órgão oficial do supremo Conselho do 330 Grau da jurisdição maçônica do Norte dos Estados Unidos da América, escreveu:
 
O teor desta Declaração, quanto à substância, em nada difere de um documento genuinamente cristão” (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos, artigo Maçonaria e Igreja Católica se conciliarão? Ano V, N0 171- 1974, p.16).
 
Dom Estevão descobriu o maçonismo cristão!
Modernistas, Maçons, Comunistas se alegraram com os documentos pastorais do Vaticano II.  As teses mais avançadas do liberalismo pregadas pela Maçonaria desde a Revolução Francesa tinham conquistado a adesão de muitos importantes Prelados da Hierarquia católica. Modernistas como Jean Guitton se espantavam de ver aprovadas as idéias modernistas condenadas por São Pio X no início do século XX.
Maçons e Comunistas festejaram a revolução realizada pelo Vaticano II.
Os maçons diziam que os católicos, afinal, "tinham visto a luz" e que muitos dos principios maçônicos tinham sido aprovados pela Igreja.
    Por exemplo, o Barão Yves Marsaudon [Grão Mestre da Maçonaria do rito escocês], amigo de João XXIII] em seu livro ¨O Ecumenismo visto por um Franco Maçom de Tradição" elogiou o ecumenismo pregado pelo Concílio Vaticano II escrevendo:
    "Os cristãos (...) não devem esquecer que todos os caminhos conduzem a Deus.( Há várias moradas na casa de meu pai). Eles deverão manter que essa corajosa idéia do livre-pensamento,e se pode verdadeiramente falar de revolução, tendo partido de nossas lojas maçônicas, estendeu-se magnificamente sobre a cúpula de São Pedro"
(Yves de Marsaudon, L`Oecuménisme Vu par un Franc-Maçon de Tradition”, Paris , 1965, p. 121 , apud Mons Bernard Tissier de Mallerais, Mons. Marcel Lefebvre -- Una Vita, Tabula Fati Chieti, 2005, p. 376).
          E o Barão Yves Marsaudon, encantado co os documentos do Vaticano II,  acrescentou ainda:
 "Pode-se dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da Maçonaria" (Yves Marsaudon, O Ecumenismo Visto por um Maçom de Tradição, pp. 119-120).
 E esse filho da Maçonaria – o Ecumenismo—é embalado e amamentado, hoje, praticamente em todas as paróquias católicas.
                        Jacques Mitterand [Nào confundir com o Presidente François Mitterand] , conhecido maçom, escreveu :
    "Alguma coisa mudou no interior da Igreja e as respostas dadas pelo Papa às questões mais urgentes tais como o celibato sacerdotal e o controle dos nascimentos, são calorosamente debatidos no próprio interior da Igreja; a palavra do Soberano Pontífice é discutida pelos Bispos, pelos Padres, pelos fiéis. Para um Maçon, um homem que volta a por em discussão o dogma, ele já é um maçon sem avental" 33( Carta Aberta aos Católicos Confusos, pp. 88-89).
    Que excelente citação! E como ela diz uma grande verdade:  que há maçons que não estão inscritos em nenhum loja maçônica, mas que são "maçons sem avental".
   Quantos padres, hoje, atuam como maçons sem avental, ao se rebelarem contra o Papa Bento XVI em sua luta contra a tirania do relativismo maçônico triunfante com o Vaticano II
Marcel Prelot, Senador francês,  é bem claro ao comentar o que aconteceu  no Concílio Vaticano II. Escreveu ele:
    "Nós combatíamos há um século e meio para fazer prevalecer nossas opiniões dentro da Igreja e não tínhamos conseguido nada. Veio finalmente o Vaticano II e nós triunfamos. Desde então, as teses e princípios do catolicismo liberal  foram absolutamente e oficialmente aceitas pela Santa Igreja 34  
 (Carta Aberta aos Católicos Confusos - Open Letter to Confused Catholics p.100).
 
E veio também a Missa Nova nascida do Vaticano II, Missa ordenada por Paulo VI e construída pelo Maçom Anibale Bugnini com a ajuda de até seis pastores protestantes...
 
 
“As predições da Maçonaria sobre uma ruptura modernista num Concílio Ecumênico”.

       “Ao desencorajar a idéia de um Concílio por tais razões, esses Cardeais mostraram estar mais aptos a reconhecerem os "sinais dos tempos" do que todos os teólogos pós-Vaticano II, juntos. Mas a sua apreensão poderia estar baseada em algo mais profundo. Talvez estivessem também preocupados com os escritos do notório iluminado, o excomungado Cônego Roca (1830-1893), que pregou a revolução e a "reforma" da Igreja, e que predisse, em pormenores espantosamente precisos, a subversão da Igreja que seria ocasionada por um Concílio
.
Em Athanasius and the Church of Our Time, o Bispo Graber refere-se à predição feita por Roca de uma "Igreja iluminada de novo", que seria influenciada pelo "socialismo de Jesus". Athanasius and the Church of Our Time, p. 34). Em meados do século XIX, Roca predisse que «A nova igreja, que talvez não consiga reter nada da Doutrina Escolástica e da forma original da antiga Igreja, receberá, mesmo assim, a sua consagração e jurisdição canônica de Roma». Surpreendentemente, Roca também predisse a "reforma" litúrgica do pós-Vaticano II: «[O] culto divino, na forma dirigida pela liturgia, cerimonial, ritual e regulamentos da Igreja Romana, sofrerá em breve uma transformação num concílio ecumênico, que restaurará a venerável simplicidade da idade de ouro dos Apóstolos, de acordo com as exigências da consciência e da civilização moderna». (18

          “Roca vaticinou que, através desse concílio, surgiria «um acordo perfeito entre os ideais da civilização moderna e o ideal de Cristo e do Seu Evangelho. Isto será a consagração da Nova Ordem Social e o batismo solene da civilização moderna». Por outras palavras, este concílio abriria caminho ao triunfo do plano maçônico para a subversão da Igreja. Roca também se referiu ao futuro do Papado. Escreveu o seguinte: «Há um sacrifício iminente que representa um ato solene de expiação (...) O Papado cairá; morrerá sob a faca santificada que os Padres do último concílio fabricarão. O César papal é uma vítima coroada para o sacrifício». Roca predisse entusiasticamente nada menos que uma «nova religião, novo dogma, novo ritual, novo sacerdócio». Chamou aos novos Padres "progressistas", e referiu-se à "supressão" da sotaina e ao "casamento dos Padres"
(19. O leitor encontrará uma relação completa de todas as citações de Roca que aqui incluímos em Athanasius and the Church of Our Time, pp. 31-40).
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“Citando os escritos do heresiarca francês Abbé Melinge (que usou o pseudônimo de Dr. Alta), o Bispo Graber avisou que havia um programa revolucionário para «substituir a Fé romana por um pontificado "pluri confessional", capaz de se adaptar a um ecumenismo polivalente, tal como vemos hoje ser estabelecido na inter celebração de Sacerdotes e pastores protestantes». (Melinge referiu-se a certos Padres renegados; mas hoje é o próprio Papa que preside a cerimônias mistas, incluindo Vésperas, com "bispos" protestantes)20.

            Encontramos ecos arrepiantes de Roca, de Melinge e da Alta Vendita nas palavras do Rosacruz Dr. Rudolph Steiner, que declarou em 1910: «Precisamos de um concílio e de um Papa que o proclame»
(Padre Paul Krammer Devil´s Final Battle, cap. V apud 
http://www.devilsfinalbattle.com/port/ch5.htm)
 
Contra a Nova Missa de Paulo VI, levantaram-se dois grandes confessores da Fé: Dom lefebvre e Dom Mayer.
 
Em 17 de Julho de 1976, o famoso Bispo tradicionalista, Dom Marcel Lefèbvre escreveu uma carta a Paulo VI na qual se lia:
 
 
        "Santíssimo Padre, ( ...)  Que Vossa Santidade abandone essa nefasta empresa de compromisso com as idéias do homem moderno, que tem sua origem num acordo secreto entre altos dignatários da Igreja  e os das lojas maçônicas desde antes do Concílio [Vaticano II].Perseverar nessa orientação é prosseguir a destruição da Igreja" (Mons. Marcel Lefèbvre, Carta ao Papa Paulo VI, em 17 de Julho de 1976, apud Abbé Aulagnier, La Messe Vient, in Bulletin Traditionaliste, Junho de 2.003).
Très Saint Père,(...) Que votre Sainteté abandonne cette néfaste entreprise de compromission avec les idées de l’homme moderne, entreprise qui tire son origine d’une entente secréte entre les hauts dignitaires de l’Eglise et ceux des loges maçonniques des avant le Concile. Persévérer dans cette orientation, c’est poursuivre la destruction de l’Eglise. "(Mons. Marcel Lefèbvre, Carta ao Papa Paulo VI, em 17 de Julho de 1976, apud Pe. Aulagnier, La Messe Vient, in Bulletin Traditionaliste, Junho de 2.003].
 
Portanto, os "rumores" que eu ouvira – trazidos pelos ventos que provinham do Vaticano -- há várias décadas atrás, foram confirmados por esse texto de Dom Lefèbvre, um homem bem informado dos segredos vaticanos...
O vento do passado não mentira, nem eu imaginara.
 
Outras comprovações de que houve um acordo secreto entre as seitas maçônicas e muito altos prelados da Igreja, acordo colocado em prática no Vaticano II, que aceitou as teses defendidas pela Maçonaria, se têm nos grandes elogios de importantes maçons a João XXIII e a Paulo VI por terem adotado posições pró maçônicas, no Concílio.
Elas estão no livro sobre Maçonaria e Igreja Católica de autoria dos insuspeitos Padres J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V.Alberton,que nada têm de tradicionalsistas (Editora Paulus, São Paulo, 1981. Cito a Quarta Edição brasileira desse livro, que é de 1998).
    Essa obra, escrita por vários sacerdotes bem favoráveis ao Concílio, defende a aproximação da Igreja e da Maçonaria.
Nas páginas 100 e 101, desse livro, se pode ler o seguinte, tratando das novas relações, mais serenas, entre a Igreja e a Maçonaria:
 
 "...cremos que sinais claros desta nova, mais serena atitude encontra (sic)-se também na posição assumida por alguns grupos maçônicos diante da figura dos dois papas artífices do Concílio, por ocasião de sua morte”.
 
"Na [morte] de João XXIII, o Dr. G. Gamberini, Grão Mestre do Grande Oriente da Itália -- [e, acrescento eu, Bispo da Igreja Gnóstica] -- distribuiu a nota seguinte:
  
"Sucede quase sempre, que um papa deixe profundas lamentações no âmbito de sua Igreja, mas, certamente, é a primeira vez que um papa morre circundado pela simpatia e pelo afeto de toda a humanidade. Desaparece, como todos sentem, um homem bom. Juntamente com esse homem bom desaparece o mais límpido, e ao mesmo tempo, o mais genial e eficaz defensor da Igreja. Consagrara-se à sobrevivência da Igreja, e a esta sobrevivência estava pronto a sacrificar todo outro valor tradicionalmente a ela associado  [e foi o que ele e Paulo VI fizeram no Vaticano II]. A sua morte é um grande mal para a Igreja. Mas desaparece, também, um homem que se prometia tapar, em virtude de um autêntico sentimento cristão, o abismo escavado pela Igreja, antes dele, entre si mesma e a civilização moderna. E a sua morte é um grande mal para todos". (Dr G. Gamberini citado por  J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V.Alberton, Maçonaria e Igreja Católica , editora Paulus , São Paulo, 1981. Cito a Quarta edição brasileira, que é de 1998, pp. 100-101. Os destaques são meus).
 
    Nessa mensagem deve-se notar não só a admiração de um alto maçom por João XXIII, como principalmente informação de que João XXIII aceitou sacrificar os valores tradicionais da Igreja, para que ela não perecesse, para que a Igreja sobrevivesse.
    Teria alguém ameaçado a Igreja de que, se ela não mudasse, ela pereceria?
 Teria João XXIII negociado a sobrevivência da Igreja em troca do sacrifício de seus valores mais tradicionais?
    Se foi assim, o sacrifício dos valores mais tradicionais da Igreja foi feito no Vaticano II, para atender à Maçonaria. E foi o Vaticano II que aceitou a civilização moderna, isto é, o antropocentrismo, colocando o Homem no lugar de Deus.
    O mesmo maçom Gamberini, "Bispo" da Igreja Gnóstica, elogiou também o Papa Paulo VI, por ocasião de sua morte, dizendo:
 
"(...) Nenhum dos seus predecessores foi tão difamado como ele. Talvez, porque, no seu tempo, a arte de difamar não conseguira as presentes garantias de impunidade. Mas, sem dúvida, a ele e não aos seus predecessores coube a sorte de tomar conhecimento da incumbência da ameaça final para a sua Igreja como para todas as religiões, como para toda espiritualidade. E teve de bater-se e procurou fazê-lo em mais de uma frente, com mais de uma tática. Para os outros, a morte de um Papa é um acontecimento proverbialmente raro, mas que acontece, não obstante com a freqüência de anos e de decênios. Para nós é a morte de quem fez cair a condenação de Clemente XIV e de seus sucessores. Ou seja, é a primeira vez -- na História da Maçonaria moderna -- que morre o chefe da maior religião ocidental, não em estado de hostilidade com os maçons. E pela primeira vez na História os maçons podem prestar homenagem ao túmulo de um Papa, sem ambigüidades nem contradições. (Dr G. Gamberini citado por  J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V.Alberton, Maçonaria e Igreja Católica , editora Paulus, São Paulo, 1981. Cito a Quarta edição brasileira, que é de 1998, pp. 101-102. Os destaques são meus).
 
 Que texto mais comprometedor para Paulo VI!
 Que homenagem incrível dos inimigos da Igreja  a um Papa!
 
Por que tais palavras e tal homenagem foram possíveis?
 Essa foi a “honra” de Paulo VI: ser homenageado pela Maçonaria sem ambigüidades, nem contradições.
    E se diz, nesse texto, que Paulo VI estava consciente "da ameaça final para a sua Igreja como para todas as religiões, como para toda espiritualidade".
    Que ameaça foi essa, e quem a fez?
 
*****
 
Viajando pela Europa, conheci uma antiga fonte romana. ...Murmurante... Contou-me ela que, algum tempo depois do Vaticano II, -- naqueles tempos dialogantes --- foi instituída um Comissão para o Diálogo entre a Igreja e a Maçonaria. Minha fonte murmurou que exercera até o cargo de Secretário dessa Comissão que, de 1974 até 1980, manteve o diálogo entre “os homens de boa vontade” e altos prelados da Igreja.
Foram feitos “estudos meticulosos”, “científicos” de precisão germânica”,  para verificar se era, ou não, possível uma colaboração entre a Igreja e a Maçonaria. Ao mesmo tempo, realizavam-se as sessões de diálogo...Infrutíferas.
Afinal, a Maçonaria comunicou que não podia aceitar o que a Igreja exigia e interrompeu o diálogo. Quanto à Comissão eclesiástica  dialogante concluía--- Graças a Deus !!!-- que era impossível a colaboração entre a Igreja e a Maçonaria. Entre Cristo e Belial.
O Presidente dessa Comissão que chegara a essa feliz conclusão óbvia e reconfortante teria sido o então Mons. Joseph Ratzinger.
                         ***
 
Em 1989, o que parecia impossível aconteceu: Reagan, Gorbatchov e João Paulo II assistiram -- ou cooperaram? -- na queda do Muro de Berlim e do Império Soviético, que se desmanchou como um castelo de cartas. E sem fazer grande ruído... (Cfr. Mallachy Martin, Windsweapth House;Carl Bernstein e Marco Pollitti, Sua Santidade).
Por que será ?
Jamais um Império caiu tão fácil, e tão silenciosamente.
Caiu como que obedecendo a uma ordem.
A publicação de uma lista de cerca de 120 nomes de Cardeais e Bispos da Cúria Romana pertencentes à Maçonaria, pelo jornalista Mino Pecorelli -- morto pouco tempo depois -- parecia comprovar que, muito do que se dizia de influência maçônica, no Vaticano, era verdade. Pelo menos quanto à existência de Bispos e Cardeais maçons.
 
 Lengnau—o personagem “fictício” de Jules Romains--, não mentira.
Acertara...
O mais eram “rumores”...
O mais era romance...
Fechei o livro de Jules Romains, Les Hommes de Bonne Volonté....À la Recherche d ´Une Église.
 
Eles a encontraram.
Era a igreja conciliar nascida do Vaticano II.
 
*****
 
Saindo à sacada de minha casa, deparei com duas Testemunhas de Jeová que batiam à porta de minha vizinha de frente, fazendo proselitismo herético.
Lembrei-me do texto de São Paulo que condena os que entram pelas casas e levam cativas mulherezinhas (...) as quais aprendem sempre, e nunca chegam ao conhecimento da verdade”(Ep. Tito, III, 6-7).
Minha vizinha, católica beata e carismática --  cujo nome me lembra a “flor azul “ de Novalis – recebeu as emissárias da heresia de braços abertos, euforicamente exclamando com sua voz fina, aguda e anasalada:
“Ah ! Que alegria! Vocês não imaginam como estou contente ! Agora nós somos uma coisa só ! Nós estamos todas unidas ! Fazemos parte todos de uma só coisa ! De uma só Igreja !”
 
Ela repetia – com sua voz aguda, fina e anasalada – o que Lengnau pretendia que fosse realizado no começo do século XX: a unidade total da humanidade.
Quando a palavra de ordem de um pontífice espiritual da Maçonaria mística é saudada efusivamente até por minha vizinha, beata de igreja, que toca o hino do Corinthians  durante a ceia de Natal, então fico desconfiando que os objetivos da Maçonaria foram  pratica e universalmente realizados pelo Vaticano II.
Só falta aparecer o “jovem arquiteto” de fronte preocupada e de compasso na mão...
Que festa lhe farão  -- enfim unidas -- as beatas de igreja e as testemunhas de Jeová...
 
                                                        *****
O vento que me veio do fundo de décadas não me trouxe apenas “rumores” do Vaticano.
Será que tudo isso que li, em dois capítulos de um “romance” barato, é História ?
Não sei...
Mas... por via das certezas, comecei a murmurar do fundo de minha alma para Cristo crucificado :
 
“Ut inimicos Sanctae Ecclesiae humiliari digneris, te rogamus, audi nos”!
 
*****
 
As coisas estavam assim até as últimas décadas do século XX.
 
João Paulo II começou a apresentar certas mudanças...
 Dizia-se que era por influência do Cardeal Ratzinger...
Em Março de 1981, João Paulo II com Ratzinger, voltaram a declarar que a entrada na Maçonaria acarretava excomunhão.
Em Maio desse mesmo ano, João Paulo II levou um tiro.  O turco Agca acertara o Papa, em plena Praça de São Pedro, num dia 13 de Maio.
 
Em 1983, tendo o Vaticano voltado a condenar a Maçonaria, Dom Estevão Bettencourt, atento para onde sopravam os ventos, recuou, e mudou sua posição sobre a ingenuidade do pensamento cristão da Maçonaria, escrevendo:
 
A Igreja Católica tem se manifestado repetidamente contrária à Maçonaria – [Mas isso sim é que é atrevimento, para não dizer outra expressão. Como se Dom Estevão não tivesse dito, desejado e aconselhado o oposto!] – “Fê-lo ainda em 1983, pouco depois de promulgar o novo Código de Direito canônico. Esta última declaração da Santa Sé surpreendeu estudiosos, que julgavam ter chegado o momento de conciliação entre o catolicismo e a Maçonaria”. [O “estudioso” citado era ele mesmo: Dom Estevão Bettencourt] (Dom Estevão Bettencourt, in Pergunte e Responderemos, N0 284- 1986, p.20).
 
Em 1986, o Papa João Paulo II organizou uma jornada ecumênica de orações pela paz, reunindo, em Assis, representantes de todas as religiões. Judeus, brâmanes, pastores protestantes, bonzos, ulemás, popes, pagés, feiticeiros etc. Até um Buda foi colocado em cima do sacrário de uma igreja.
Sobre essa jornada ecumênica escandalosa, escreveu um alto prócer da Maçonaria:
Nosso interconfessionalismo nos valeu a excomunhão recebida em 1738 da parte de Clemente XI. Porém, pelo visto, a Igreja estava errada, já que em 27 de Outubro de 1986 o atual Pontífice [João Paulo II] reuniu em Assis homens de todas as confissões religiosas para rezarem juntos pela paz. E que outra coisa pretendiam nossos Irmãos, quando se reuniam nos templos, senão o amor entre os homens, a tolerância,  a solidariedade, a defesa da dignidade da pessoa humana, considerando-se iguais acima de todos os credos políticos, dos credos religiosos, e da cor da pele” (Armando Corona, Grão Mestre da Grande Loja do Eqüinóxio e a Primavera Irmã, Abril de 1987, apud  Padre Dominique Bourmaud, Cien Años de Modernismo, Ediciones Fundación San Pio X, Buenos Aires,  2006, p. 410).
Relembramos o dito o maçom Yves Marsaudon
"Pode-se dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da Maçonaria" (Yves Marsaudon, O Ecumenismo Visto por um Maçom de Tradição, pp. 119-120).
 
 
 Então, em 2.005 o Cardeal Ratzinger foi eleito Papa após fazer um discurso dramático na abertura do Conclave. Falava de lobos que ele precisava enfrentar...Falava de luta contra tirania do relativismo representada na guerra à família promovida pelo... “Parlamento Europeu”...
E “Parlamento Europeu” era um eufemismo.
 
Bento XVI tornou a falar em uma luta, na História, entre a Igreja e seus inimigos, da luta entre os filhos da Virgem e os da serpente:
 
A segunda imagem é muito mais difícil e obscura. Esta metáfora tirada do Livro do Gênesis nos fala de uma grande distância histórica, e só com dificuldade pode ser esclarecida; somente no curso da História foi possível desenvolver uma compreensão mais profunda daquilo que aí é relatado. Aí é predito que, durante toda a História, continuará a luta entre o homem e a serpente, isto é, entre o homem e as potências do mal e da morte. Porém é profetizado também que "a estirpe" da Mulher  um dia vencerá e esmagará a cabeça da serpente, até a morte; é pré anunciado que a estirpe da Mulher – e nela a Mulher e a própria Mãe – vencerá e que assim, mediante o homem, Deus  vencerá”. (Bento XVI, Homilia na Comemoração do 400 aniversário do encerramento do Vaticano II, no dia 8 de Dezembro, de 2.005 , festa da Imaculada Conceição).
E na festa da Assunção de Nossa Senhora aos céus, em 2007, Bento XVI falou inda mais claramente sobre essa luta entre “A Mulher vestida de Sol” – Nossa Senhora de Fátima –e o Dragão Vermelho, citado no Apocalipse:
Na sua grande obra "A Cidade de Deus", Santo Agostino diz, certa vez que toda a história humana, a história do mundo, é uma luta entre dois amores:o amor de Deus até à perda de si mesmo, até o dom de si mesmo, e o amor de si até o desprezo de Deus, até o ódio dos outros. Essa mesma interpretação da história como luta entre dois amores, entre o amor e o egoísmo, aparece também na leitura tirada do Apocalipse, que ouvimos agora. Aqui, estes dois amores aparecem em duas grandes figuras. Antes de tudo, há o dragão vermelho fortíssimo, com uma manifestação impressionante e inquietante do poder sem a  graça, sem amor, do egoísmo absoluto, do terror, da violência.
No momento em que São João escreveu o Apocalípse, pare ele, esse dragão era realizado pelo poder dos imperadores romanos anticristãos, de Nero a Domiciano. Este poder parecia ilimitado: o poder militar, político, propagandístico do Império romano era tal que diante dele a fé, a Igreja, apareciam como una mulher inerme, sem possibilidade de sobrevivência, muito menos capaz de vencê-lo. Quem poderia opor-se a esse poder onipresente, que parecia capaz de fazer tudo? E todavia, sabemos que no fim venceu a mulher inerme, não venceu o egoísmo, não o ódio; venceu o amor de Deus e o Império romano se abriu à fé cristã.
“As palavras da Sagrada Escritura transcendem sempre o momento histórico. E assim, esse dragão indica não apenas o poder anticristão dos perseguidores da Igreja daquele tempo, mas as ditaduras materialistas anticristãs de todos os períodos. Vemos de novo realizado esse poder, essa força do dragão vermelho, nas grandes ditaduras do século passado: a ditadura do nazismo e a ditadura de Stalin tinham  todo o poder, penetravam todos os cantos, até o último canto. Parecia impossível que, a longo prazo, a fé pudesse sobreviver diante desse dragão tão forte, que queria devorar o Deus feito menino e a mulher, a Igreja. Mas na verdade, também neste caso, no final o amor foi mais forte que o ódio.
“Também hoje existe o dragão em novas maneiras, diversas. Existe na forma das ideologias materialistasque nos dizem: é absurdo pensar em Deus;é absurdo observar os mandamentos de Deus; é coisa de um tempo passado. Vale a pena viver apenas a vida por ela mesma. Pegar, nesse breve momento da vida, tudo quanto nos for possível pegar. Vale a pena somente o consumo, o egoísmo, a diversão. Essa é a vida. Assim devemos viver. E de novo parece absurdo, impossível, opor-se a essa mentalidade dominante, com toda a sua força mediática, propagandística. Parece impossível, hoje ainda, pensar em um Deus que criou o homem e que se fez menino e que seria o verdadeiro dominador do mundo. Também agora esse dragão parece invencível, mas também agora permanece verdade que Deus é mais forte que o dragão, que vence o amor e não o egoísmo”. (Bento XVI, homilia na festa da Assunção de Nossa Senhora, castel Gandolfo, 15 de Agosto de 2007).
 
 
Há quanto tempo, creio que há 40 anos, isto é, desde o Vaticano II, não se ouvia um Papa falar da luta entre os filhos da Virgem e os filhos da serpente, na História.
Agora, se volta a falar de filhos da serpente, de lobos sem avental. Lobos de batina ou hábito monacal, de mitra e báculo...Ainda que sem avental...Volta-se a falar da Mulher vestida de Sol que vai vencer o Dragão vermelho. Volta-se a falar de Fatima e do Apocalipse.  E é o Papa Bento XVI que falou desses sinais apocalípticos, na festa da Assunção de Nossa Senhora, em 2007.
Que diferença do discurso do amigo do maçom Barão Yves Marssaudon—João XXIII – que em seu discurso de abertura do Vaticano II atacou os profetas de desgraças”, os três videntes de Fátima.
 
Isso tudo faz compreender porque Bento XVI não é tão popular na mídia.
No Vaticano os ventos estão mudando de direção...
 
 
E o Vaticano publicou há poucos anos atrás, a visão, -- apenas a visão, e não o texto -- do Terceiro Segredo de Fátima, na qual se vê um Papa, subindo a Montanha da Cruz, subindo um Calvário, caminhando de modo vacilante, possivelmente murmurando as primeiras orações da Missa de sempre, enfim restaurada:
 
"Introibo ad altare Dei
Ad Deum qui laetificat juventutem meam"
 
E então o Papa será morto.
E então a Igreja triunfará...
"O Imaculado Coração de Maria triunfará, e será dado ao mundo algum tempo de paz”.
 
São Paulo, na festa da Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel, 2 de Julho de 2008
Orlando Fedeli

 

 

 

    Para citar este texto:
"A Religião do Concílio Vaticano II - Parte III"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/cadernos/religiao/religiao_vaticano_ii_parte_3/
Online, 20/01/2017 às 16:05:25h