Apologética

THE QUESTION BOX 1
Alberto Zucchi

Não restam dúvidas que o século XX e o atual foram e continuam sendo um período de grandes tribulações para o mundo e particularmente para a Igreja Católica. Para tanto basta lembrarmos dos avisos dados por Nossa Senhora em Fátima.

Os constantes ataques sofridos, a decadência religiosa, a perda de prestígio, a diminuição do número de fiéis e os graves erros doutrinários que penetraram nos ambientes católicos, são apenas alguns dos sintomas da crise que se abateu sobre a Igreja.

Mas houve, em alguns lugares, ainda que de forma isolada, progressos por parte da Igreja. Um deles é os Estados Unidos, onde o catolicismo passou a ter expressão e relevância. Hoje grandes expoentes do catolicismo são originários deste país. Seria interessante se alguém se dedicasse a analisar as causas deste crescimento.

Recentemente, encontramos em uma antiga biblioteca, de um antigo seminário, desativado há muito tempo um livro que pode explicar um pouco deste crescimento. Trata-se do livro “Caixa de Perguntas”. A explicação sobre como surgiu este livro e os seus objetivos estão na introdução do mesmo, e a melhor forma de explicar no que consistiu este trabalho é reproduzi-la:

                “A “Caixa de Perguntas”, singular característica das missões dos Padres Paulistas aos não católicos, teve origem em 1893, na bela cidade de Chicago.

                O Arcebispo John J. Keane, então reitor da Universidade de Washington, o P. Walter Elliot dos Padres Paulistas e o P. John Driscoll da diocese de Albany, trocaram impressões sobre a vantagem dos Parlamentos das nações e daí passaram ao proveito que haveria numa espécie de parlamento das religiões em que se expusessem as reclamações da Igreja Católica.

                Tiveram esta ideia: colocam uma ”Caixa de Perguntas” no salão em que se reunia a assembleia, e avisado o seu fim, começaram logo de chover diariamente “perguntas”, aos centenares, sobre todos os assuntos do “Credo” e “Práticas Católicas”, vindas de homens e mulheres de todas as religiões e credos

                O P. Elliot, uma vez senhor da importância deste método impessoal de controvérsia, adoptou-o nas missões diocesana aos não-católicos e inaugurou-o depois na diocese de Detroit.

                Mais tarde, a “Caixa de Prguntas” foi usada com grande vantagem, pelos missionários nos Estados Unidos e no Canadá e utilizada por muitos párocos no seu ministério paroquial: nas escolas paroquiais, reuniões sodalícias e nos serviços religiosos de Domingo, à noite.

                A novidade da “caixa de Perguntas”, a brevidade das respostas, à maneira de artigo de “jornal” e a passagem rápida de um a outro assunto, despertaram grande interesse.

                Ela responde diretamente às dificuldades de ordem intelectual e moral dos perguntadores, amplia o campo dos seus estudos e põe-se em pessoal contacto com o sacerdote.

O método da “Caixa de Perguntas” foi sancionado pelo Mesmo Divino Salvador, que agora respondia a uma pergunta, logo a outra, que Lhe faziam os Seus amigos e inimigos:

´              “É lícito a um homem repudiar sua mulher? “ (Mt. 19, 3)

                “Que obra hei de eu fazer para alcançar a vida eterna? (Mt 19,16)

                “Qual é o grande mandamento da lei?” (Mrc. 11,28)

                “Com que autoridade fazes tu estas coisas?” (Mrc 14,61)

                “És tu o Cristo, Filho de Deus bendito? (Mrc. 14,61)

                “Quando virá o reino de Deus?” (lc 17,20)

                “Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim que sou mulher samaritana?” (Jo4,9)

                “Que faremos nós, para obrarmos as obras de Deus?” (Jo 6,28)

                “É nos permitido dar tributo a Cesar, ou não?” (Lc. 20,23)

                A primeira edição da “Caixa de Perguntas” foi publicada a 6 de abril de 1903 – 45º aniversários da fundação dos Padres Paulistas.

                Tinha então recebido 1.000 perguntas durante as minhas missões aos não-católicos em 36 cidades.

                Essa compilação foi me sugerida pelo P. Alexander Dole, editor de “The Catholic Word” e pelo P. John Huges, muito querido P. Geral dos Padres Paulistas.

                A edição foi de 2.300.000 exemplares

                O presente volume foi inteiramente rescrito e acrescentadas novas perguntas

                Contém anda por 1.000 perguntas, selecionadas dentre 250.000, recebidas durante os passados 31 anos em 432 missões, de uma a seis semanas cada uma, das em 197 cidades de 64 dioceses dos Estados Unidos e Canadá, - uma campanha missionária em que a graça de Deus operou 6.200 conversões, afora as que ignoramos.

                O perguntador pode auxiliar-se, para futuro estudo sobre a Igreja Católica, da “Bibliografia” constante de 1.500 livros e artigos de revistas e enciclopédias mencionados na “Caixa de Perguntas”...

                Que Deus se digne de abençoar esta segunda e nova “Caixa de Perguntas”, como abençoou a primeira, a fim de que haja um só rebanho e um só pastor.

                Festa da Natividade de Nossa Senhora, 1929.

                Bertrand L. Conway, C.S.P.”

 

 

                Assim, acreditamos que será de grande proveito para nossos amigos e leitores ter acesso às perguntas propostas e suas respectivas respostas. Para tanto, aos poucos reproduziremos algumas em nosso site. Manteremos a grafia do livro que foi traduzida do inglês para a língua portuguesa em sua forma utilizada em Portugal.

                Ao final, quando conveniente, acrescentaremos alguns pequenos comentários nossos aplicando os princípios apresentados aos erros e dificuldades de nossos tempos.

 

PERGUNTA:

Dado que alguém não creia em Deus; não lhe bastará a consciência, como guia e norma de seus atos?

 

RESPOSTA:

 A consciência de per si só não, porque não é infalível.

Assim como pode errar, quando lhe diz como pode gastar o seu dinheiro; também pode errar, quando se trata da moralidade dos seus atos.

Quando se separa a moralidade da religião, a razão converte-se em guia cego, versátil, e sujeito aos vaivéns da opinião pública, ao capricho, à paixão, a preconceitos: e a autoridade da consciência abre falência, e afim desaparece.

Mas quem crê em Deus, - Criador, Senhor e Fim supremo -, reconhece um poder superior, com direito absoluto a mandar em suas criaturas, e que elas, por isso mesmo que o são, estão de justiça obrigadas a obedecer a seu Senhor, e a realizar o fim para que Ele as criou.

Toda a lei supõe um legislador superior.

Portanto, a teoria dos agnósticos, arvorando a razão individual em lei absoluta e norma infalível dos atos humanos é simplesmente ridícula

Ninguém se considera, nem pode considerar, superior a si mesmo.

Como mandará, com autoridade, em si mesmo?

“Quando o agnóstico, diz Sharpe (Principles of Christianity, 68), afirma que tem consciência e atribui muitos dos seus atos a influência do sentimento do dever, já admite os princípios de causalidade, estabilidade e consistência. Outrossim, guia-se em suas ações por certos ideais de perfeição, tais como: a bondade, a beleza, e a verdade, de que procura informar seus atos.

Ora, estes princípios diretivos constituem precisamente os elementos da ideia de Deus”.

 

COMENTÁRIO:

A resposta coloca de forma clara que os ateus não podem ter uma adequada lei moral, e que, portanto, o estado laico, ao estabelecer uma moral laica, acaba sendo inevitavelmente injusto.

No Estado laico, a moralidade passa a estar sujeita à opinião pública ou àqueles que a cada período detém o poder. A Lei Natural é substituída pelo capricho do legislador ou do julgador do momento.

Infelizmente nosso clero e muitos daqueles que se apresentam como líderes católicos também se esqueceram deste ensinamento e colocam na constituição “cidadã” a fonte da moralidade e da justiça.

                Caso você deseje outras esclarecimentos sobre este assunto pergunte através do email: cartas@montfort.org.br


    Para citar este texto:
"THE QUESTION BOX 1"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/cadernos/apologetica/thequestionbox001/
Online, 07/07/2020 às 22:55:24h