Apologética

Maomé - Origens do Islamismo
Orlando Fedeli


Carta do leitor enviada em 30 de maio de 2003

Assunto: Mitologia da Redenção de Cruxificação

Prof. Bom Dia!

Gostaria de parabenizá-los por todos os trabalhos realizados em esclarecer os católico nas questões referentes a fé.

Li um "artigo" sobre mitologia da redenção e gostaria de saer se há esclarescimentos sobre isto, pois envolve maiz q a batida mitologia Mazdeista. Colo abaixo o texto extraído:

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Em Nome de Deus o Clemente o Misericordioso
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Destruindo a mitologia da redenção e cruxificação de cristo por Karls Eduardo

A idéia de redenção pelos sofrimentos e morte de um divino salvador ja era achada em quase todas as religiões anteriores ao cristianismo. Por exemplo :
Na china, um dos cinco livros sagrados (que são bem anteriores ao cristianismo) chamado "Y-Rei", diz ao falar do heroi redentor chamado: "Tien, o santo" :
" O Santo unirá nele todas as virtudes do céu e da terra. Pela sua justiça o mundo será restabelecido aos modos de retidão. Ele trabalhará e sofrerá muito. Ele tem que passar pela grande torrente em cujas ondas entrarão na alma dele, mas ele só pode oferecer o Deus um sacrifício merecedor dele "
[Prog. Relig. Idéias, vol. i. pág. 211]

Um comentarista antigo diz ao falar sobre o redentor chinês "Tien, o santo" :
" As pessoas comuns sacrificam suas vidas para ganhar pão; os filósofos para ganhar reputação; a nobreza para perpetuar suas famílias. O Santo (Tien) não busca(o seu propio bem), mas o bem de outros. Ele morre para salvar o mundo " [Ibid.].

Isto acima é somente uma introdução, o que veremos a partir de agora é como os criadores da mitologia cristã se basearam em mitos anteriores para formular seu propio mito, ha cristãos que alegam que ha historias semelhantes como o assassinato de lincon e kenedy(presidentes dos EUA), mais veremos a seguir que não ha conhecidências e sim mitos uns copiados dos outros. Haverão também imagens para ilustrar e facilitar o nosso entendimento.

Começaremos pelo egito, lar e berço de varias mitologias, por la encontramos Osiris, um redentor que morreu para nos salvar, vamos ver o que especialistas falam sobre o mito de osiris :

Sr. Bonwick, ao falar de Osiris, diz:
" Ele é um dos Salvadores da humanidade, pôde ser achado em quase todas as nações, (só o seu nome foi mudado de país a país). Nos seus esforços para fazer o bem, ele encontra o mal; lutando(com o mal) ele é superado; então é morto "
[Bonwick, Convicção egípcia, pág. 155]

Alexander Murray diz:
" O Salvador egípcio Osiris era reconhecidamente considerado o grande exemplar de abnegação, dando a vida dele para os outros " [Murray, Manual de Mitologia, pág. 348]

Os criadores da mitologia cristã foram claramente influenciados por estes mitos,vejamos :

" Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos. "
[Biblia-Evangelho segundo Mateus 19:11-28]

Outro mito famoso foi o de Attis que foi chamado de "O unico filho gerado"(Knight, Ancient Art and Mythology, p. xxii.) e também chamado de "salvador", Attis foi adorado pelos Phrygians(uma das raças mais antigas da asia). O mito de Attis sempre foi representado por um homem amarrado a uma árvore (Dupuls, Origin of Religious Belief, p. 255) , ele também é caracterizado como um homem pregado a uma árvore.

Agora vamos falar de Tammuz(ou adonis), o adonai sirio, este era outro Deus que nasceu de uma virgem, sofreu para o gênero humano e teve o titulo de "Salvador", os anciões que honraram Tammuz( Adonis) como o Deus deles e Salvador celebravam um banquete em comemoração de sua morte (era a Ceia do Deus deles, ato este presente em varias religiões). Uma imagem, planejada como uma representação do Deus, era posta em uma cama ou ataúde, e eles lamentavam em hinos tristes da mesma maneira que os cristãos católicos mais tarde fariam.

Um dos mais famosos redentores da antiguidade chamou-se Prometheus, ele era um Deus imortal, um amigo da raça humana, que não tem medo sequer de se sacrificar para a nossa salvação. A tragédia da crucificação de Prometheus, escrita por Eschylus, teria acontecido em atenas , 500 anos antes de cristo, é considerado por muitos o poema dramático mais antigo em existência. Prometheus foi pregado pelas mãos e pés , afirma o especialista : " Enquanto estava pendurado seus braços foram estendidos na forma de uma cruz, os seus serviços para a raça humana o tinham levado aquela horrível crucificação "
[Eschylus, Prometheus Chained, Harper and Bros., N.Y.]
No mito de Prometheus, ele sempre aparece como um amigo dos humanos, enquanto sofrendo ao lado deles grandes torturas. O mais curioso da historia de Prometheus, é que o seu amigo Oceanus, o pescador (dai que se gerou o termo "oceano") tentou influenciar Prometheus para não se sacrificar para o genero humano, mais Prometheus não desistiu. Na mitologia cristã, os seus criadores não tiveram muito trabalho, a mesma historia é repetida no evangelho, detalhe que o apostolo pedro, o apostolo mais chegado a jesus também é um pescador(igualmente Oceanus na mitologia de Prometheus), tem uma parte do evangelho que pedro e jesus repetem a mesma historia de oceanus e Prometheus, vejamos :

" Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim,Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens."
[Biblia-Evangelho segundo Mateus 16:21-23]

Um mero mito copiado de outros mitos.

Ha alem destes toda uma infinidade de outros redentores e salvadores ,que morreram (alguns até cruxificados) para a salvação da humanidade, muitos deles foram profetizados em livros anteriores, vamos dar exemplos de outros redentores :
Serapis, Apollo, Mithras, Orpehus, Ixion, Hercules, Krisnah, Esculapis(que teve um templo erguido a sua memoria em atenas, o templo chamava-se : "O Templo do Salvador") , Bacchus,o Deus do vinho( que transformou a agua em vinho na sua mitologia) no monumento de Bacchus, está escrito :
" Sou eu (diz para o senhor Bacchus para os humanos), que o guia; sou eu que o protege, sou eu que o salva; Sou eu que é o Alfa e o Omega ". [Citação do monumento de Bacchus]

Deixo agora com vocês uma série imagens que o farão compreender melhor o mito da redenção cristã :

Ixion, um redentor que morreu para nos salvar. Era também um Deus solar, o sol invictus, que traz a luz após a escuridão.

Orpehus, pregado numa ancora, igualmente mais tarde cristo estaria na cruz (repare nas pernas tortas, encontradas facilmente em muitos crucifixos)

Ai esta o nosso salvador Prometheus, sofrendo uma tortura para salvar os homens do mundo.

E por fim a mitologia de cristo cruxificado, repare na semelhança com a cruxificação de orpehus por exemplo, antes da mitologia de cristo varias outras ja cultuavam redentores e salvadores que morreram para nos salvar(muitos cruxificados), daonde os criadores da mitologia cristã criaram o seu romance.

Eu peço encarecidamente que se você leu este texto até aqui, o passe adiante, não deixe esta mitologia proliferar, chegou a hora de nós humanos fazermos a nossa parte na destruição de tudo que é falso e mitológico.

" Dize: Ele é Deus, o Único!
Deus, O Eterno Refúgio!
Que não gerou nem foi gerado!
E nada é igual a Ele! "
[AlCorão 112:1-4]

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Referências :

1-Prog. Relig. Ideas
2-Egyptian Belief,
3-Manual of Mythology
4-Higgins, Anacalypsis
5-Prometheus Chained, Harper and Bros., N.Y
6-Iegesis
7-Origin of Religious Belief
8-Anacalypsis
9-Spirit History
10-Son of Man
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Gostaria de poder receber, se possível, uma resposta sobre esta questão.

Um forte abraço,

INQUISITIO


Resposta

I - Introdução

Muito prezado André ("Inquisitio"),
salve Maria.

Em primeiro lugar, tenho que agradecer suas palavras de elogio a nosso trabalho, no site Montfort.

Quanto ao artigo que você me envia, para análise, e que é assinado por um tal Karls Eduardo, ele é um claro ataque de um muçulmano ao Cristianismo. Isso fica patente pela citação do Corão que faz no final de seu artigo:

"Diz: Ele é Deus, o Único!
Deus, O Eterno Refúgio!
Que não gerou nem foi gerado!
E nada é igual a Ele! " 
[Alcorão 112:1-4]

Essa citação é precedida de um propósito ameaçador, pois o autor escreveu uma clara declaração de guerra ao Cristianismo:

"Eu peço encarecidamente que se você leu este texto até aqui, o passe adiante, não deixe esta mitologia proliferar, chegou a hora de nós humanos fazermos a nossa parte na destruição de tudo que é falso e mitologico." (O negrito e o sublinhado são nossos).

O caráter muçulmano do autor se manifesta ainda na frase com que ele começa seu escrito, frase tipicamente maometana:

"Em Nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso" ("Bismi Allah ar-rahmani ar- rahimi") são as primeiras palavras da chamada Alfatiha, Surata [capítulo] de abertura do Corão maometano.

Então, em nome de Allah, clemente e misericordioso, esse maometano faz, pela Internet, uma declaração de guerra ao Cristianismo, prometendo-se "fazer a sua parte na destruição de tudo que é falso e mitologico", isto é, destruir o que ele denomina de "mitologia" da Redenção do Cristianismo.

Estamos diante de um ataque frontal e de uma ameaça.

Claro que temos que defender nossa Fé.

É nosso dever. Tanto mais que estamos reagindo em legítima defesa a um ataque ao Cristianismo, sem respeito e sem nenhuma base séria.

E não se venha dizer que iniciamos o ataque, porque estamos apenas nos defendendo.

Não se venha a dizer que desrespeitamos crença alheia, porque Cristo e o Cristianismo é que foram atacados e desrespeitados. Vamos apenas defender o Verbo de Deus encarnado, e o Cristianismo, atacado como mito.

Claro que não imitaremos o agressor da Fé em Cristo Redentor, usando as mesmas armas ilógicas e incoerentes do agressor doutrinário. Não faremos ofensas pessoais, nem desrespeitos ultrajantes.

Limitar-nos-emos a analisar historicamente documentos apresentados pelos próprios maometanos, e analisando, posteriormente, o próprio Corão, de modo científico e lógico, sem analogias imaginárias e caluniosas, como as que fez o agressor com relação a Cristo, ao compará-Lo com Adonis, Osiris, e outros mitos pagãos.

Não perderemos tempo, por ora, com essas comparações estapafúrdias, sem nenhuma base histórica e cientifica, que o autor do malfadado artigo faz entre Osiris, Adonis, Tien, etc. com Cristo. Elas são absurdas e ridículas, revelando apenas um espírito preconceituoso e fanático. Todas essas comparações não conseguem desmentir o fato histórico de que Cristo morreu na cruz. E morreu por nossos pecados. Todas essa comparações gratuitas visam apenas destruir o Cristianismo na Terra de Santa Cruz, propósito confesso do agressor.

Em primeiro lugar, notemos simplesmente que a Surata CXII, que ele cita, -- Surat Al'Ikhlass ou da Unicidade divina, é nitidamente anti trinitária, pois nega a eterna geração do Verbo em Deus. Portanto, essa Surata comprova patentemente o caráter anticristão e anti trinitário do Corão.

O que põe já uma pergunta: como Maomé, que era analfabeto, conhecia o problema teológico da eterna geração do Verbo?

Maomé era um simples coraixita analfabeto, sem nenhum conhecimento teológico, mas que, nessa Surata, repete a crença dos fariseus que negaram a Divindade do Verbo, e a dos arianos do Império bizantino, que se recusaram sempre a reconhecer que o Verbo era Deus. Para os arianos, como para os fariseus Cristo era uma simples criatura e não Deus. No máximo, Ele seria um Profeta, que teria pecado ao declarar-se igual a Deus Pai.

Teria Maomé aprendido com algum judeu, fariseu, ou com algum bizantino adepto da fé ariana, algo a respeito desse complexo problema teológico da Processão do Verbo?

Se Maomé aprendeu esse anti trinitarismo de algum judeu fariseu, ou de um ariano bizantino, então o Corão não é de inspiração divina, mas obra de um homem, e de um homem anticristão.

Ora, no próprio Corão está escrito que os árabes do tempo de Maomé diziam que ele, Maomé, fora ensinado por um estrangeiro:

"Os incrédulos dizem: Este (Alcorão) não é mais que uma impostura que ele (Maomé) inventou ajudado por outros homens! Porém, com isso, proferem uma iniquidade e uma falsidade" (Corão, Surat Alfurcan ou do "Discernimento". Surata XXV, 4, apud Alcorão Sagrado, Versão portuguesa de Samir Hayer, Ed Tangará - Expansão Editorial, São Paulo, 1979).

Essa mesma acusação, feita pelos árabes contemporâneos de Maomé, de que ele, de fato, foi ensinado por outros homens, e não inspirado por Deus, é registrada no próprio Corão, ainda em outra Surata:

"Bem sabemos que dizem: Foi um ser humano que lho (o Alcorão a Maomé) ensinou. Porém a língua daquele a quem aludem tê-lo ensinado é persa, enquanto que a deste (Alcorão) elucidante é língua árabe" (Corão, Surata XVI, 103. Surat Annahl ou Surata das Abelhas. Cfr. ainda Aminuddin Mohamad , op. cit., p. 87).

Repare, caro consulente, que o contra argumento dado para defender Maomé, de que ele fora ensinado por outro homem é muito fraco, e até ridículo: o estrangeiro acusado de ensinar Maomé seria de língua persa, e o livro de Maomé estava em árabe. Ora, se Maomé não sabia o idioma persa, o tal homem de língua persa bem que poderia saber o árabe, e assim poderia ter ensinado Maomé.

Isso é óbvio.

De modo que a resposta do Corão só agrava a acusação dos contemporâneos de Maomé: ele foi ensinado por estrangeiros.

Quem eram esses estrangeiros?

Na Surata XLIV do Corão se lê: "E o rechaçaram dizendo: Ele foi ensinado por outros e é um energúmeno" (Corão, Surata XLIV, da Fumaça Aldukhan, v. 14).

Note-se que não somos nós que afirmamos isso.

É o Corão que contém essas palavras e essa acusação. E o Corão não refuta claramente a acusação. Pelo contrário.

Num outro livro maometano, publicado aqui no Brasil, para divulgar o maometismo, se lê o seguinte:

“E se tiram a hipótese de que alguém o ensinava -- [a Maomé] -- então esse tal, se é árabe, porque não deixou esta tão grande obra para si próprio e preferiu deixar passar para Mohamad? E se esse tal não é árabe, está clara a falsidade da acusação, porque se o Profeta não sabia outra língua fora do árabe, como se comunicava com outro não árabe?" (Aminuddin Mohamad,  Mohammad. o Mensageiro de Deus, Centro de Divulgação do Islam para a América Latina, São Bernardo do Campo SP. 1989 D.C. 1409 H., pg. 436. O sublinhado é nosso).

O argumento é ridiculamente infantil: Maomé não foi ensinado por um estrangeiro, não árabe, porque Maomé não conhecia nenhuma outra língua fora o árabe, e, portanto, Maomé não poderia se comunicar com esse estrangeiro.

Poderia, sim, caso o estrangeiro, que morava em Meca, soubesse falar árabe, o que é muito provável, e assim ele poderia ensinar Maomé.

Isso é claro como água do pote.

Mas, em vez de argumentarmos nós mesmos, vamos fazer algo diferente: citaremos apenas o que escreveram os maometanos sobre Maomé. Leremos, a princípio, apenas o que eles mesmos escreveram, permitindo-nos apenas fazer alguma pergunta, e algum comentário rápido, nos textos mais perplexitantes.

Para isto, utilizaremos o livro já citado de Aminuddin Mohamad, intitulado Mohammad. o Mensageiro de Deus do Centro de Divulgação do Islam para a América Latina, São Bernardo do Campo SP. 1989 D.C. 1409 H.

Cremos que isso será bem interessante e convincente de que, se há um mito, não é o de Cristo Redentor, e sim o de que Maomé foi um Profeta.

Não fomos nós que levantamos a polêmica e a acusação. Apenas a rebatemos, e não com as mesmas armas ilógicas, mas numa análise histórica e lógica, sem visar ofender ninguém.

Passemos, então, às citações desse livro de Difusão do Islam.

 

II - Situação do Mundo na época de Maomé

“Um pouco antes da profecia de Mohamad, todos os países, estavam totalmente degradados, política, religiosa e moralmente. Todos os aspectos da vida estavam corrompidos e necessitavam de uma reforma geral”.

“(...) O século seis e sete d.C. foram um período de ditaduras, perturbações e anarquias. (...)”.

 

"Contexto Moral e Social"

"Neste aspecto também o mundo estava muito por baixo A sociedade, ao dividir-se em várias etnias, raças, castas, etc. perdeu a sua força conjunta" (Aminuddin Mohamad, Mohammad. o Mensageiro de Deus, Centro de Divulgação do Islam para a América Latina, São Bernardo do Campo SP. 1989 D.C. 1409 H., pg. 9).

[Não é preciso mostrar quanto esse texto peca pela generalização e pela imprecisão terminológica. Basta lembrar que os séculos seis e sete tiveram homens como o Imperador Justiniano, autor do Códex Juris Civilis, Papas como São Gregório Magno, Rainhas como Santa Clotilde, Bispos como São Rémy, São Patrício, São Gregório de Tours, monges como São Columba e tantos outros que seria bem longo enumerar].

E sobre a mulher, nestes séculos seis e sete, diz a obra que estamos citando:

 

"A Mulher"

"A mulher não era considerada na sociedade; não a tratavam por igual, era só um objeto de prazer. Uns matavam as filhas; na Arábia enterravam-nas vivas; noutras partes queimavam viúvas vivas, as mulheres nem podiam ler livros religiosos. (...) Na Grécia, fechavam as mulheres em casa; nas igrejas cristãs tomavam as mulheres como irmãs, isolando-as da vida prática" (Aminuddin, op. cit. pp. 10-11. O negrito é nosso).

[Exatamente, nessa época viveram as rainhas Santa Clotilde, Santa Radegunda, na França, e a Imperatriz Teodora de Constantinopla que tiveram um enorme papel político, social e religioso. Enquanto que, na Arábia, segundo Omar, o terceiro Califa:

"Antes do Islamismo nós não tínhamos qualquer consideração pelas nossas mulheres, só quando Deus revelou a respeito delas e o direito delas é que começamos a ter consideração por elas” (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 3650].

E Aminuddin Mohamad escreve ainda o seguinte incrível parágrafo:

"Só no ano 1870 a situação começou a melhorar relativamente; até hoje, a mulher no ocidente, ainda continua a lutar pelos seus direitos. No Islam o caso já não é assim. O Islam ensina que a origem do homem e da mulher é da mesma essência, possuem a mesma alma, e que foram equiparados com capacidades iguais para os méritos intelectuais, espirituais e morais, e considera os direitos da mulher sagrados” (Aminuddin Mohamad, op cit., p. 11).

[Não é possível deixar de lembrar que a situação da mulher no Islam e no Ocidente sempre foi --e continua a ser -- bem diferente. Basta lembrar o harém].

O livro de Aminuddin afirma que Maomé foi profetizado por Cristo:

"Jesus disse de acordo com o Alcorão”:

"E recorda-te quanto Jesus, filho de Maria, disse: Ó filhos de Israel, na verdade eu sou o Profeta de Deus (enviado) para junto de vós para confirmar tudo quanto está na Torá e para anunciar-vos a boa nova de um mensageiro que virá depois de mim, cujo nome será Ahmad (o louvado)” (Esse é um dos nomes do Profeta) (Corão, Surat. LXI, 6. Apud Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 44).

[Não é preciso dizer que Jesus nunca disse isso. De onde o autor do Corão extraiu essa frase inexistente nos Evangelhos? E como é curioso que o Corão faça Jesus defender a Torá. E depois da citação inventada, a interpretação absurda de que o Espírito Paráclito -- o Espírito Santo -- anunciado por Cristo, seria Maomé, que não era Espírito, mas homem de carne e osso, e que não foi o "Consolador" de modo algum]:

"Todavia, digo-vos a verdade, que vos contém (Sic! Deveria ser ”convém") que eu vá. Porque se eu não for o consolador não virá a vós" (S, João, XVI, 7, apud Aminuddin Mohamad, op cit. p. 44).

Aminuddin conta que a mãe de Maomé, Amina, não sofreu a mínima dor, enquanto dele estava grávida, e que ela teria contado o seguinte:

"Se não fosse o aparecimento dum Anjo depois de eu o conceber, e quando estava quase a adormecer, que me disse: não vês que estás grávida e no teu útero está o Profeta de todas as Nações?” (Aminuddin, Mohamad, op. cit. p. 49)

[E depois nos vem o tal Karl Eduardo fazer paralelos entre Cristo e Osiris ou Adonis sem ver que paralelo é feito entre a Virgem Maria e Amina, a mãe de Maomé!... E qual o documento que o tal Karl Eduardo poderia citar para comprovar que a mãe de Maomé disse tudo isso? Nenhum. É pura lenda].

 

"A História do corte no peito de Mohamad"

Aminuddin Mohamad conta que, quando Maomé era pequeno, com cerca de quatro anos, um dia, apareceram dois anjos que lhe abriram o peito e lhe arrancaram do coração o "centro da maldade".

O próprio Maomé teria contado o caso:

“Eram dois homens vestidos de branco, que me deitaram no chão e a seguir cortaram-me ate aqui (mostrando o peito), e depois tiraram-me uma coisa que não sei o que é ". Quando Halima [a ama de leite de Maomé] verificou o peito de Maomé e viu que não tinha sinal de nenhum corte, assustou-se (...).

Quando a notícia se espalhou, os vizinhos aconselharam Halima a consultar um advinho ou um astrólogo. Foram ter com um indivíduo judeu, o qual aumentou a preocupação da ama de Mohamad e seu esposo, porque quando ele viu Mohamad começou logo a gritar dizendo: 'esta é a criança que criará uma revolução na Arábia e acabará com as religiões existentes. Portanto, ó homens, se desejais salvaguardar a vossa religião, acabai com essa criança” (Aminuddin Mohamad, op. cit. , pp. 51-52).

[Maomé, que foi considerado o Profeta, não sabia o que acontecera com o seu peito, no qual não havia nenhum sinal, mas o judeu sabia quem era a criança...]

E Aminuddin Mohamad, que nem viu Maomé, explica o que aconteceu:

"Existem narrações nos livros de que, nessa altura, vieram dois anjos na forma humana e um deles (Gabriel)  abriu o coração de Mohamad, tirou dele o centro de maldade e tornou a fechá-lo. Estas passagens não devemos tomá-las muito literalmente, porque nessa altura Mohamad era de uns três anos de idade, muito pequeno para testemunhar qualquer ato. Apesar dessa passagem estar confirmada pelo próprio Mohamad, depois da proclamação da profecia, e se tomarmos a passagem literalmente, não há nada de estranhar, porque hoje a operação é muito vulgar na medicina em que o médico abre o corpo do doente, tira o que quer e introduz o que quer, e torna a fechar o corpo sem o doente sentir qualquer dor, tornando-se saudável, como se nunca estivesse doente" (Aminuddin Mohamad,  op,. cit., p. 52). .

[Portanto, o que nos informa Aminuddin é que Maomé sofreu uma operação cirúrgica no coração, operação feita por dois anjos, um dos quais o anjo Gabriel, para tirar do coração de Maomé "o Centro da Maldade, que seria, pois, algo material". Ora, essa crença, de que o mal seria uma coisa material, é claramente gnóstica, pois faz do mal algo substancial].

Na página 54 de seu livro, Aminuddin Mohamad nos informa que, naquele tempo, na Arábia, “a grande quantidade de judeus que viviam nos arredores já falavam e esperavam pela vinda do último Profeta” (...) Todos foram ver Mohamad: alguns respeitavam, outros ficavam espantados ao verificarem os sinais do último Profeta nessa criança, e diziam que o último Profeta deveria ser de sua família (israelita). "Como é que nasceu em Coraix?” (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 54).

[De modo que, segundo o livro do Centro de Divulgação do Islam, os judeus das Arábias esperavam um último Profeta e o reconheceram em Maomé... Muito interessante. Muito interessante, porque, para os judeus, que há séculos esperam a chegada do Messias, este será o último Profeta. Haveria, no século sétimo, na Arábia alguma seita de judeus messiânicos, como as houve tantas na História, e que aguardavam uma próxima vinda do Messias?

Essa é uma simples hipótese de trabalho histórico feita por nós, que a deduzimos desses textos que estamos citando de Aminuddin Mohamad. Aliás, houve vários especialistas no Islamismo que lançaram teses semelhantes, e não simples hipóteses como estamos aventando. Referimo-nos, entre outros, aos livros The Jews of Islam, de Bernard Lewis, Princeton University Press; Hagarism; the Making of Islamic World, livro de Patricia Crone e Michael Cook, Cambridge University Press, 1977, ou ao livro de Hanna Zakharias, De Moïse à Mohamad: Islam Entreprise Juive, Cahors,  que faz uma análise exaustiva e profunda do Corão; e ao livro Le Coran, Traduction et Commentaire Siystématique, do Frère Bruno Bonnet-Eymard, Ed La Contre Réforme Catholique, Saint parreslès Vaudes, 1988].

Além disso, Aminuddin Mohamad assevera que, numa viagem que Maomé fez à Síria, ele teria sido reconhecido como Profeta por um monge cristão chamado Buhira (cfr. op. cit., p. 56).

"Com vinte anos de idade, ele [Maomé] aderiu às caravanas de comércio dos capitalistas de Macca” (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 60).

 

"O Casamento do Profeta com Khadija"

Sobre este caso, limitar-nos-emos a citar Aminuddin Mohamad:

"O nome dela era Khadija Bin Khwilid Bin Asad Bin Abdul Urga Bin Qusai; o seu título era Tahera (A Pura). Kahdija, uma senhora honorável e respeitada, quinto grau da sua genealogia (em Qusai), ligava-se à família do Profeta Mohamad. Era habitante de Macca, tinha uns quarenta (40) anos de idade. Mãe de vários filhos, já se tinha tornado viúva por duas vezes, era muito rica. Quando morreu o seu segundo marido, várias pessoas de Macca queriam casar com ela, mas ela sempre recusou. Quando a caravana dos comércios de Macca saía em viagens, só a mercadoria de Khadija igualava-se a de todos os outros comerciantes" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 61).

[Khadija era, então, uma mulher relativamente velha, já tivera dois maridos, vários filhos, e era muito rica.]

Quanto a Maomé...

"O Profeta Mohamad tinha 25 anos de idade, bonito de rosto, de estatura média, não alto conspicuamente, nem baixo imperceptivelmente, tinha a cabeça ampla, cabelo grosso e muito preto, testa ampla, sobrancelhas carregadas (pesadas), grandes olhos pretos, ligeira vermelhidão nas suas bochechas e pestanas longas, que aumentavam a sua atração; tinha um belo nariz, dentes bem colocados, barba grossa, longo e bonito pescoço, ombros e peito largos (amplos), pele de cor clara, palmas e pés carnudos, ele andava resolutamente compassos firmes;  a aparência dele era sempre de profundo pensamento e contemplação; nos seus olhares estava oculta a autoridade do Comandante dos Homens. Por isso, não é de estranhar que Khadija lhe tenha dado ao mor e submissão aos desejos dele, ao entregar-lhe totalmente a administração do seu comércio depois do casamento, como já havia feito antes do casamento, a fim de dar-lhe vagar para prosseguir uma vida de contemplação" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 61).

[Seria "desrespeitoso" que um historiador estranhasse que um rapaz árabe, aos 25 anos, ainda não tivesse se casado, e que uma mulher de 40 anos, viúva duas vezes, com vários filhos, muito rica, casasse com uma pessoa muito mais jovem e pobre do que ela? E seria "desrespeitoso" imaginar que, administrando a maior fortuna de Meca, Maomé ficasse, então, com mais tempo para... a contemplação?

Ou é mais desrespeitoso afirmar que Jesus, como Redentor, é um mito que é preciso destruir?]

Prossegue a narração de Aminuddin Mohamad:

“Tudo isso criou amor para com Mohamad no coração e Khadija. Ela era de 40 anos, mas agora queria casar com um jovem de 25 anos, cuja conduta e palavras cativaram o seu coração. Ela falou do seu amor para com ele com a sua amiga Nafissa, mas a questão era se ele (Mohamad) aceita-la-ia ou não? As mulheres, em todo o caso, são grandes diplomatas. Por isso, Khadija enviou a Nafissa para conversar com Mohamad para ter uma idéia. Quando Nafissa se encontrou com Mohamad, esta foi a conversa entre eles:

Nafissa: O que te impede de casares?

Mohamad: O que é que eu possuo para poder casar? (Eu não tenho possibilidades materiais para casar).

Nafissa: Mas se isso não tiver importância e fores convidado para casares com beleza, riqueza, nobreza e satisfação, o que é tu dirás?

Mohamad: Quem é essa?

Nafissa: Khadija.

Mohamad : Como é possível isso?

Nafissa: Isso é comigo.

Mohamad: Então, eu aceito.

Foi assim que se fixou, mais ou menos, o casamento de Mohamad com Khadija. Mohamad tinha também amor para com ela, mas, uma vez que ela recusou propostas de casamentos de pessoas mais ricas, ele não queria ser o primeiro a enviar a proposta. Agora, que a proposta veio da parte dela, ele aceitou-a com grande prazer”.

(Aminuddin Mohamad, op. cit. pp. 62-63. Nós não dissémos nada. Só copiamos o que está no livro de propaganda Islâmica).

Prossigamos nossa cópia:

"Depois disso, Khadija começou logo a preparar o casamento sem atraso nenhum, e marcou o dia em que os tios de Mohamad pudessem vir ter com os familiares dela para fazerem o pedido e outras formalidades. (...) Na Arábia, as mulheres tinham a liberdade de tratarem o assunto de seu próprio casamento, por isso mesmo na presença do tio, Khadija quase que tratou tudo sozinha, marcou-se a data, e no dia fixado vieram da parte de Mohamad todos os líderes familiares, incluindo Hamza e Abu Talib. (...) E assim, depois do casamento, Mohamad passou para a casa de Khadija". (Aminuddin Mohamad. op. cit., p. 63).

[Constatemos: não foi Khadija que passou a morar na casa de Mohamad, mas ele foi para a casa dela].

"Começou, assim, um novo capítulo na vida de Mohamad e Khadija. Mohamad teve todos os seus filhos com Khadija exceto Ibrahim. Ela viveu mais 25 anos, teve sete filhos com Mohamad, 3 rapazes, Kassim, Tahir, Tayib, que faleceram ainda pequenos, antes de Mohamad receber a mensagem divina; e quatro meninas, Zainab, Rucaya, Umm Kulçum e Fátima, que viveram e casaram-se. Três delas faleceram durante a vida de Mohamad; só uma, Fátima, viveu mais e teve dois filhos, Hassan e Hussein. Enquanto Khadija esteve viva Mohamad não se casou com  mais ninguém" (Aminuddin Mohamad, op. cit. ,p. 63).

[Khadija deve ter sido inacreditavelmente fecunda para ter sete filhos depois dos quarenta anos, tanto mais que, na Arábia, as mulheres envelhecem mais cedo].

"(...) e os dois [Mohamad e Khadija] viveram felizes sem nunca terem uma única disputa ou problema durante os vinte e cinco anos que estiveram juntos, apesar da grande diferença de idade entre os dois" (Aminuddin Mohamad , op. cit., p. 64).

Mas...

"No mês em que faleceu Khadija, o Profeta casou-se com Sawdah Bin Zam'a, viúva de um dos muçulmanos que emigraram para Abissínia e regressaram. (...) Um mês depois (...) ele prometeu casar-se com Aicha [a filha de Abu Bakr]. Aicha foi a única virgem com quem o Profeta se casou (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 121).

Mais tarde, Maomé casou-se com muitas outras mulheres, inclusive com uma sua parente, Zaynab, a esposa de um seu filho adotivo, Zayd ibn Harith Ibn Char'habil, um escravo que Khadija dera ao Profeta, e que ele adotou como filho. (Cfr Corão, Surata XXXIII, Os Partidos, Surat Alahzab, v.37)

Maomé teve nove mulheres. O próprio Corão o advertiu, por isso, ao dizer:

 "Não te é lícito tomar, de hoje em diante, mais mulheres legítimas, nem que as substituas por outras esposas, ainda que sua formosura te deslumbre -- excetua-se o que possui a tua destra -- Deus observa perfeitamente todas as coisas" (Corão, Surata XXXIII- Alahzab, Os Partidos, versículo, 52).

Mas enquanto Khadija esteve viva, Maomé, contrariando os costumes árabes, só teve uma esposa, e nunca teve uma rusga com ela, como atesta o livro de Aminuddin Mohamad.

Depois de casado, Maomé "retirava-se a fim de meditar, para uma caverna, no monte Hira, chamado Jabalan- Nur, situado ao norte de Macca. Era um lugar sossegado, donde se podia ver a Caaba" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 66)

O livro do Centro de Divulgação do Islam para América Latina, que estamos citando, conta ainda que Maomé teve a primeira visão aos 40 anos de idade:

"Quando Mohamad atingiu os seus quarenta anos, Deus escolheu-o para orientar as criaturas do mundo inteiro, para tirá-las da escuridão e levá-las para a luz. Foi em fevereiro ou julho do ano 610, depois do nascimento de Cristo, segundo ao astrólogo egípcio Mahmud Bacha, era 17 de Ramadan, 13 anos antes da Hijra” (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 67)

“Num dos dias quando o Profeta estava na contemplação profunda na caverna, apareceu-lhe o Anjo (Gabriel) e disse-lhe”:

"Recita"

"Mohamad respondeu: "Eu não sei recitar". Então, ele sentiu como se o Anjo o estivesse a estrangular (apertando-o), e depois libertou-o. Então, ele ouviu outra vez a ordem: "Recita!!". Mohamad disse: "Eu não sei recitar" Então, Mohamad  foi outra vez apertado e liberto, e o Anjo repetiu a ordem pela terceira vez, e Mohamad perguntou o que é que devia recitar. O Anjo disse:

"Recita em nome de Teu Senhor, que criou.
Criou o homem de um coágulo.
Recita e o Teu Senhor é o mais generoso.
Que ensinou com a caneta.
Ensinou ao homem aquilo que não sabia.
(Alcorão, cap. XCVI, 1-5. Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 67).

Notemos que, de início, o Anjo não disse o quê Maomé deveria recitar.

Foi apenas na terceira vez, que o Anjo teria dito o que Maomé deveria recitar.

A pergunta natural que Maomé deveria ter feito imediatamente ao anjo seria:

"Recitar o quê?”

Pois recita-se um texto, dado oralmente, ou por escrito.

Até então, o Anjo nada dissera a Maomé, mas, depois, ele vai dizer que o texto a recitar fora escrito "a caneta"...

Se não havia na gruta um texto escrito, o que Maomé deveria recitar?

Ou havia um texto escrito a caneta?

Mas, como Maomé era analfabeto, não adiantava ele ter um texto escrito, em suas mãos. Ele só poderia recitar um texto caso houvesse, na gruta, alguém lendo um texto para ele, e mandando que Maomé o repetisse.

Seria o próprio Anjo estrangulador, quem ensinava Maomé?

Porque a resposta do Anjo estrangulador deixa entender que já havia um texto a ser recitado, pois que diz que Deus, o Senhor, ensinou com a caneta, e não com a palavra, ensinando ao homem aquilo que ele ainda não sabia.

Que texto era esse, escrito à caneta, pelo próprio Senhor? 

Quem foi o homem que recebeu esse texto escrito à caneta?

Certamente esse homem não era Mohamad, que era analfabeto.

De nada adiantava, repetimos, dar um texto escrito à caneta, para um analfabeto.

Mohamad tinha um livro na caverna do monte Hira?

E de que lhe adiantaria um livro escrito à caneta, se ele não sabia ler?

Deveria haver alguém para ler o livro para Maomé.

Esse alguém -- o anjo estrangulador? -- lia o livro para Maomé, obrigando-o a repetí-lo e recitá-lo, para decorá-lo?

O método usado pelo "Anjo” era duplo:

1) estrangular Mohamad;

2) obrigá-lo a decorar o texto escrito à caneta, para que o decorasse.

Há de se convir que a primeira parte do método usado -- o estrangular -- era um pouco violento.

Quanto à segunda parte do método --a recitação -- para que o analfabeto decorasse o texto, esse era o método utilizado pelos rabinos judeus em suas escolas, há muito séculos:

"Enquanto a Lei Oral não foi codificada e redigida, o método utilizado pelos escribas para transmiti-la foi a memorização e a repetição. Repetir e ensinar são palavras equivalentes na linguagem rabínica. Os discípulos dos mestres (Rabis) tinham a obrigação de decorar a Torah Oral, assim como as soluções legais adotadas pelos Antigos, sem nada alterar do que fora recebido. O discípulo, por isso, era obrigado a expressar-se usando sempre as mesmas palavras de seu mestre. Desse ensino mnemônico e repetitivo é que proveio a palavra Mishnah, que significa repetição. Os mandamentos dessa Tradição Oral dos antigos eram chamados os Mishnaioth" (Orlando Fedeli, Escribas, Doutores da Lei  e Fariseus, in Cadernos Montfort, www.montfort.org.br/cadernos/escribas1.html).

Maomé, no monte Hira, foi obrigado a recitar um texto escrito já existente, e esse texto escrito não podia ser o Corão, que ainda não fora escrito.

Que texto escrito, que livro, Maomé foi obrigado a decorar, repetindo o seu texto?

Quando Khadija soube o que acontecera a Mohamad, disse-lhe (segundo o livro do Centro de Divulgação do Islam):

"Ó esposo meu, não te preocupes, esteja satisfeito e firme. Por aquele em cuja mão está a vida de Khadija, eu tenho fortes esperanças que tu serás o Profeta deste povo; eu juro por Deus, que Ele nunca te desprezará, (...)" ( Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 68. O negrito é nosso).

Por esse texto se vê claramente que Kahdija não era uma politeísta e idólatra, e sim monoteísta, ainda antes de Mohamad receber a "nomeação" de Profeta, pois ela jurava por Deus, no singular. E ela dizia que tinha "fortes esperanças" que Maomé seria o Profeta. Portanto, ele ainda não o era.  Logo, Khadija já era monoteísta antes mesmo de Maomé se tornar Profeta.

Qual era então o monoteísmo de Khadija?

Não podia ser o islâmico, pois que Maomé nem iniciara a sua pregação.

Seria ela monoteísta cristã, ou monoteísta judaica?

Essas perguntas se colocam por si mesmas.

Logo depois, de relatar esse caso, o livro do Centro de Divulgação do Islam nota que:

"Mohamad estava à procura da realidade oculta no Universo, e a Primeira revelação é o início do seu livro de aprendizagem, e a realidade é o seu Senhor, assim como lhe foi dito, a palavra "Rabb", árabe significa Nutridor, Criador, Sustentador, Administrador, Dono e Senhor do Universo; a primeira lição começa com o nome do Senhor e porque o homem é o objetivo principal de estudo do homem" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 69. O negrito é nosso).

Maomé buscava então "realidade oculta no Universo"...

Que fórmula estranhamente esotérica! E mais de acordo com o esoterismo ela fica com a explicação final de que "o homem é o objetivo principal de estudo do homem", quando seria de esperar que o objetivo principal do estudo do homem fosse Deus.

Explica o livro do Centro de Divulgação do Islam para América Latina:

"Depois de Khadija tranqüilizar Mohamad com as suas ricas palavras, quis também confirmar através daqueles que tinham algum conhecimento a respeito dos Profetas" (Aminuddin Mohamad, op.. cit., p. 70. O negrito é nosso).

 

"Aqueles que tinham algum conhecimento a respeito dos Profetas"?

Quem eram esses "especialistas" em Profetas, em Meca, no século VII?

E note-se que "aqueles que tinham algum conhecimento a respeito dos Profetas" está no plural.

Havia, pois, vários especialistas em profetas, em Meca, no século VII.

Quem seriam esses mestres?

Seriam padres ou rabinos?

O próprio Corão dá uma informação sobre esses peritos "que tinham algum conhecimento a respeito dos Profetas", ao dizer para Maomé na Surata X -- Surat Iunes:

"Porém, se estás em dúvida sobre o que te temos revelado, consulta aqueles que leram o livro antes de ti" (Corão, X, 94. Edição Tangará do Alcorão Sagrado, versão do árabe por Samir el Hayek São Paulo, 1979, p.152).

E na versão francesa do Corão, feita por Juan Vernet, autor também da introdução e das notas ao Corão dessa versão, se lê, nessa passagem, a seguinte nota de n0 94:

"Interroga a quem antes que ti leram o livro": A tradição fica perplexa diante desta afirmação que permite Maomé consultar, em caso de dúvida, os rabinos" (Cfr El Corán, Editorial Planeta, Barcelona  1983, p. 216, nota 94).

O mesmo livro de Divulgação do Islam de Aminuddin Mohamad explica:

"Porque o que ela [Khadija] acabou de dizer era opinião sua, uma vez que ela não sabia a realidade daquilo que Mohamad viu e ouviu (...) Pensou em consultar "Waraca Bin Nawfal", um familiar de Khadija, um homem que se tinha convertido ao cristianismo e traduzia partes do Evangelho hebraico para o árabe; era já muito velho e cego, mas sabia alguma coisa sobre a profecia, porque lia constantemente o Torah e o Evangelho" (Aminuddin Mohamad, op cit., p. 70. Os negritos são nossos).

Então Khadija tinha, em sua casa, um "familiar", "cego", que "lia constantemente o Torah e o Evangelho"!

Um cego que lia é realmente um fato extraordinário, tanto mais que, naquele tempo, não se conhecia a escrita em braile.

Como o cego lia???

E ele lia a Torah!

E ele se convertera ao cristianismo!!!

Qual fora a sua religião anterior?

Um convertido ao cristianismo, que apesar de cego, também lia a Torah, coloca, evidentemente a pergunta: seria ele, originalmente, judeu de religião?

Seria ele um dos que "leram o Livro antes de Maomé"?

Seria ele um dos que Maomé devia consultar, quando tivesse dúvidas sobre O Livro, e dos quais fala a Surat Iunes?

E em que sentido era ele "familiar" de Khadija?

Era parente dela?

Era familiar, no sentido que vivia na casa dela?

Se era assim, por que ele vivia lá?

Vivia noutra casa, e era familiar de Khadija porque era seu conhecido ou amigo?

Kahdija o consultara antes sobre religião?

O monoteísmo de Khadija era fruto de suas possíveis conversas com Warraca bem Nawfal?

Ele procurara converter Kahdija ao monoteísmo?

Conseguira isso?

E o surpreendente monoteísmo de Khadija, que antes constatamos, fora resultante da pregação de Warraca?

Mas a que monoteísmo a convertera, ou procurara convertê-la, ao monoteísmo cristão, que crê num único Deus em Três Pessoas iguais e realmente distintas, numa única substância, ou no Deus não trinitário dos judeus?

Mas, se ele era judeu, e se era parente de Kahdija, cabe perguntar se a própria Khadija --que se manifestou como monoteísta muito prontamente e muito cedo demais -- se ela mesma não era de origem judia, e estrangeira em Meca. A monogamia de Maomé, enquanto ela esteve viva, a riqueza de Kahdija, dona de caravanas, cujo comércio ela mesma dirigia, e dirigia tão bem, coisa incomum entre mulheres árabes, colocam uma pergunta: será que Khadija era judia?

E Warraca ben Nawfal, o cego, que lia constantemente a Torah e os Evangelhos, e que também traduzia só parte deles para o árabe, era ele judeu ou cristão?

Se era cristão por que traduzia  apenas "partes do Evangelho" para o árabe?

Por que não traduzia inteiramente todos os Evangelhos?

Isso não é normal.

E por que, e para que, traduzia ele só alguns textos do evangelho para o árabe?

Que visava Warraca, converter os árabes idólatras ao cristianismo?

Ou convertê-los à Torah, fazendo-os recitar o Livro dos judeus, o Antigo Testamento como os rabinos costumavam fazer seus alunos recitarem, nas escolas rabínicas?

E Maomé, que era tão interessado em religião e em meditar no Monte Hira, como jamais conversara ele com Warraca, um especialista em profetas, na Torah e nos Evangelhos, e tão interessado em converter os idólatras árabes ao monoteísmo a ponto de, sendo cego, traduzir para o árabe "partes do Evangelho"?

Por que Maomé jamais falara com Warraca? 

Ou já falara com ele?

Será que Warraca jamais procurara conversar com Maomé, ele, que era tão interessado em converter árabes idólatras ao monoteísmo?

Ou será que desde o começo Maomé fora contatado por Warraca?

Que se nos perdoem perguntas tão indiscretas -- e tão óbvias -- quanto pertinentes.

Enfim, Maomé foi levado por Khadija a conversar com Warraca Ben Nawfal, para explicar-lhe sua primeira revelação. E qual foi o julgamento de Warraca sobre a visão estrangulante de Maomé?

"Em resposta Warraca esclareceu logo a passagem toda:

"Esse é o mesmo Espírito (Anjo) que Deus enviou a Moisés (com a Revelação) e tu és o Profeta desta nação". Continuando afirmou: "Tu serás recusado, serás ofendido, serás abusado, perseguido e expulso, quando lhes pedires para abandonarem as falsas crenças tradicionais. Se eu vivesse até esse dia, em que o teu povo te irá expulsar, de certeza que eu te ajudaria na causa de Deus, mas eu já estou velho". (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 71. O negrito é nosso).

Nesse livro do Centro de Divulgação do Islam na América Latina, está confessado que Warraca não era árabe, pois que ele diz a Maomé: "o teu povo", confessando que, ele, Warraca, não era pertencente ao povo árabe.

Warraca era estrangeiro.

De que nacionalidade, de que povo era Warraca Ben Nawfal?

Esse nome não é grego bizantino, não é latino, e não é persa.

Se não é árabe, o nome Ben Nawfal só pode ser judeu. Warraca ben Nawfal era de origem judaica, e por isso, embora convertido, talvez, ao Cristianismo, lia a Torah.

E repare-se que Warraca -- muito possivelmente um rabino -- disse que o espírito que falara a Maomé era o mesmo que falara a Moisés, e não o que falara em Cristo.

A inspiração de Maomé era de fonte judaica.

Depois de quarenta dias, as revelações teriam retornado para Maomé, não mais se interrompendo, até o fim da vida, pelo menos é o que informa o livro maometano, que estamos citando.

Informa ainda esse livro que, havendo perigo de ensinar o monoteísmo em terra de idolatras, Maomé começou a ensinar o monoteísmo em segredo.

"Portanto, a primeira fase da sua missão era apresentar essa fé em segredo (perigoso na altura) às pessoas mais próximas e confiadas, aos que já tinha convivido com o Profeta. Começou da sua casa. Khadija, a sua esposa, foi a primeira a converter-se, depois foi Ali Bin Abu Talib, seu primo, que vivia com o Profeta desde a sua infância, porque seu pai Abu Talib tinha muitos filhos e estava numa situação muito crítica, economicamente". (Aminuddin Mohamad , op. cit., pp. 73-74).

Não deve ter sido difícil "converter" Khadija ao monoteísmo, porque, como vimos, ela já jurava por um Deus único, antes mesmo que Maomé explicasse a sua primeira visão a Warraca ben Nawfal.

E, na página 74 do livro que estamos estudando, se lê:

"E nessa altura -- com receio de serem maltratados pelos árabes -- ainda o convite para o Islamismo era feito em segredo (...)" (Aminuddin, Mohamad, op. cit., pp. 74-75. O negrito é nosso).

De novo Aminuddin nos dá uma pista interessante: ele deveria ter escrito que Maomé tinha receio de ser maltratado pelos idólatras politeístas, e não pelos árabes. Vários árabes haviam aderido a Maomé. Não eram os árabes, enquanto árabes, que podiam maltratá-lo, e sim os politeístas. O pequeno lapso de Aminuddin pode dar a entender que a luta seria entre os árabes e outros, não-árabes, e não entre monoteistas e politeístas. Tanto mais que ele vai informar, mais adiante, que várias tribos árabes haviam adotado, ainda antes desse tempo, o monoteísmo judaico (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 134-135-136).

Quem seriam, então, esses não-árabes?

Seriam cristãos ou judeus?

Na Arábia, do tempo de Maomé, havia muitos estrangeiros judeus e cristãos.

E esses dois grupos de estrangeiros, ambos eram monoteístas.

Na página 83 do livro de Divulgação do Islam para a América Latina se lê outra informação preciosa:

"E há muitas coisas comuns entre o Islamismo e o Cristianismo, especialmente nessa altura a Quibla dos muçulmanos era Jerusalém, assim como era também a Quibla dos cristãos" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 83).

A Quibla é um pequeno nicho, nas mesquitas muçulmanas, que dá aos fiéis a direção para onde devem rezar. Inicialmente, Maomé fez seus adeptos rezarem em direção a Jerusalém, o que é bem sintomático. Mais tarde, Maomé fez mudar a Quibla em direção a Meca, e hoje, os muçulmanos rezam apenas voltados para Meca.

Dizer que os cristãos tiveram, alguma vez, uma Quibla é um absurdo. Os cristãos sempre fizeram os altares voltados para o leste, na direção do sol nascente, e não para Jerusalém. Porém, ainda que tivesse sido verdade que os cristãos rezassem em direção a Jerusalém, isso teria sentido, porque Cristo morreu e ressuscitou em Jerusalém. Mas os maometanos, que recusam que Cristo seja Deus, e que detestam os judeus, é curioso que, como os judeus, eles inicialmente rezassem voltados para Jerusalém, que Maomé, um simples coraishita analfabeto de Meca, não conhecia.

Por que esse respeito por Jerusalém, no islamismo primitivo?

Seria por conselho dos "que tinham algum conhecimento a respeito dos Profetas", os mestres da Torah, os quais haviam lido o Livro antes que Maomé? Isto é, foi por orientação dos "especialistas em Profetas" que Maomé determinou que os seus seguidores, como os judeus, rezassem voltados para Jerusalém?

Aminuddin Mohamad conta que, quando os muçulmanos ainda eram em pequeno número em Meca, eles não podiam recitar o Alcorão em público!!!

"Como vimos em Macca, os muçulmanos eram perseguidos, massacrados e torturados, só porque criam num só Deus, e queriam adorar uma só divindade com liberdade".

"Era cada vez mais difícil para os crentes adorar um só Deus, nem podiam recitar o Alcorão em público. Tinha que ser em segredo; mesmo assim, quando fosse descoberto, era alvo de todo tipo de opressão" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 96).

Mas que texto interessante!

Então, os primeiros muçulmanos já tinham um livro e o recitavam!!!

Que Livro recitavam os primeiros muçulmanos,  se  o Corão será escrito apenas muitos anos mais tarde?

Seria o Livro que outros tinham lido antes de Maomé?

O próprio Aminuddin Mohamad explica que o Corão foi compilado muito posteriormente a Maomé.

"No tempo do Profeta foram utilizados vários materiais para escrever o Alcorão: Couro, madeira, pedras, pergaminhos, etc. (...)”.

"Em seguida, na época do Califado de Abu Bakr, foi escrito e compilado num só volume, que se encontrava com Abu Bakr até a sua morte, passando para o Califa Omar e depois para Hafsa, a filha de Omar e esposa do Profeta. Foi através dessa cópia original que o terceiro Califa Osman preparou várias outras cópias e as enviou para as principais cidades islâmicas" (Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 437-438).

Logo, não havia um Corão para recitar, no tempo dos primeiros muçulmanos.

Mas está escrito por Aminuddin Mohamad que os primeiros muçulmanos recitavam um Livro, e que eram perseguidos por isso.

Se esse livro não era ainda o Corão atual, que Livro era esse?

Seria o mesmo livro que o Anjo estrangulador mandou que Maomé recitasse?

Seria a Torah de Warraca?

Seria o livro daqueles que conheciam o livro antes de Maomé, isto é, Torah dos rabinos?

Ou -- só para perguntar --seriam os Evangelhos?

Fazer perguntas é relativamente fácil.

Difícil é respondê-las.

A perseguição aos muçulmanos levou Maomé a aconselhar que alguns deles que fossem para a Abissínia.

Mesmo lá, eles foram perseguidos pelos coraixitas idólatras, que mandaram uma comitiva ao Negus, para caluniar os muçulmanos emigrados.

Jaafar ibn Abu Taleb, - irmão de Ali ibn Abu Taleb -- defendeu os muçulmanos fazendo ao Rei da Abíssinia um discurso que permite conhecer o nível de vida e de cultura das tribos árabes, antes de Maomé:

"Ó Rei, nós éramos um povo ignorante, adorávamos os ídolos, comíamos animais mortos (sem serem degolados), cometíamos indecências, cortávamos as relações uterinas, maltratávamos os nossos próprios vizinhos e aquele que era forte de entre nós devorava o mais fraco. Nós estávamos nessa condição deplorável e desumana, quando Deus nos enviou um Mensageiro, de entre nós, a quem nós conhecemos. É nobre por ascendência, verdadeiro, honesto e casto" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 98. O negrito é nosso).

Além do surpreendente adjetivo "casto" aplicado a Maomé, que tinha nove esposas, sem contar as concubinas, deve-se notar que se afirma que os muçulmanos passaram a comer animais mortos degolados, isto é, deixando escorrer todo o sangue, coisa que antes não faziam.

 Ora, esse costume e norma legal de comer animais sem sangue, fazendo escorrer todo o seu sangue, é lei da Torah. O que indica -- como a Quibla voltada para Jerusalém -- uma clara influência judaica no islamismo primitivo.

O discurso de Jaafar foi feito diante do rei da Abissínia que era cristão, assim como diante de vários Bispos.

Resultado...

"Em pouco tempo, a assembléia evidenciava o embate com o Cristianismo" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 99).

Portanto, desde o princípio o Islamismo se opôs ao Cristianismo.

O texto, citado logo acima, deixa claro que, desde o princípio, o maometismo foi anticristão, por não aceitar a Trindade, por negar que Cristo seja o Filho de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Portanto, esse é mais um indício de que Warraca, de fato, não era cristão, e que o monoteísmo de Khadija, assim como o de Maomé, deveria ser de cariz judaico.

Os Bispos da Abissínia não conheciam o Vaticano II, não eram ecumênicos, e se opuseram, então, aos maometanos...

 

Os Versos Satânicos de Maomé no Corão

Não se sabe ao certo, porque os muçulmanos, que foram à Abissínia, retornaram a Meca.

Diz Aminuddin Mohamad, no livro que estamos seguindo:

"Chegou ao conhecimento dos emigrantes a notícia de que a sua gente em Macca se converteu ao Islamismo, quando o profeta recitou Surat An-Najm, e elogiou os deuses de Coraix, ao recitar juntamente com este versículo:

"Viste vós Al-Lat e Al-Luzza, e Manât a terceira, a outra? (Corão, Surat LIII, 19-20) (Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 106-107).

[Nota: essas eram três deusas dos idólatras de Meca].

E continua Aminuddin Mohamad:

"Dizem que o Profeta acrescentou: esses ídolos são honrados e respeitados, e a intercessão deles é aceita e esperada.

"Na alusão são ídolos.

"Outros dizem que Satan é que recitou juntamente com o Profeta na voz do Profeta. Depois disso o Profeta prostrou-se, e todos os descrentes também se prostraram, porque ficaram satisfeitos ao ouvirem elogios aos seus deuses pala boca do Profeta.

"Mas se ponderarmos profundamente nessas narrações e no texto e investigarmos bem, chegaremos à conclusão de que isso tudo é puramente falso e inventado, e logicamente impossível.

"1o -- A corrente da narração dessa passagem é inaceitável, os narradores são desconhecidos e falsos, por isso nenhum de entre os compiladores dos hadices (tradições do Profeta) considerados autênticos, inclui isso na sua compilação (no seu livro);

"2o -- O seu texto também é inaceitável, porque nem os crentes nem os descrentes são ingênuos para ouvirem louvor e elogios aos seus deuses durante a condenação e crítica os mesmos deuses na mesma recitação e no mesmo Capítulo.

"E a seguir Deus diz:

"Tais divindades não são mais do que nomes que vós e vossos pais inventastes, Deus não vos enviou qualquer autoridade a tal respeito, nisso apenas seguem meras conjecturas e o que seus desejos lhes inspiram" (Surat LIII, 23, Aminuddin Mohamad , op. cit. p.106-107).

"Portanto, os versículos não se conjugam. Porque se isso tivesse acontecido, eles o tomariam como prova contra o profeta, porque é uma contradição" (Aminuddin Mohamad , op. cit., p.106-107).

Entretanto, essa questão está no Corão.

Na Surata LIII, está escrito:

"Que opinais sobre Al-Lat e Al- Uzza

"E a outra, a terceira, Manauata?

"Porventura, pertence-vos o sexo masculino e a Ele o feminino?

"Tal, então, seria uma partilha injusta.

“Tais divindades não são mais do que nomes com o que os denominastes, vós e os vossos antepassados, acerca do que Deus não vos conferiu autoridade alguma. Não seguem senão suas próprias conjecturas e as luxúrias de suas almas, não obstante ter-lhes chegado o guia de seu Senhor” (Corão, Surata LIII, Surat Annajm, 19-23).

Foram esses versos do Corão, denominados versos satânicos, porque Maomé, nessa ocasião, teria sido inspirado por Satan, que causaram a famosa questão da condenação à morte do poeta Salman Rushdi, por decreto do Aitollah Khomeini...

Não entramos nessa polêmica.

Aminuddin Mohamad conta ainda que, certa vez, Maomé e seus seguidores sofreram um longo cerco em Meca, e que,

"Foi nesses dias que o Profeta teve a honra de Ascensão ao céu e foi nessa ascensão que se tornaram obrigatórias as cinco orações diárias" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 112).

Tal ascenção é chamada pelos árabes de "Al-Ishra Wal-Miraj" e teria se dado no ano 621, conforme se conta na Surata XVII, 1:

"1. Glorificado seja Aquele que, durante a noite, transportou Seu servo, tirando-o da sagrada mesquita (em Meca) e levando-o à mesquita de Alalcsa (em Jerusalém), cujo recinto bendizemos, para mostrar-lhe alguns dos milagres. Sabei que Ele é o Onipotente" (Corão, Surat Alishrá, Da Viagem Noturna, Surata XVII, 1).

Em primeiro lugar, há que notar que, nesse versículo, não se fala de ascensão ao céu, e sim de uma "viagem" a Jerusalém.

Em segundo lugar, nesse tempo, não havia ainda a mesquita Al Acsa, que foi construída, mais tarde, por Omar.

Ou será que estamos enganados?

Em terceiro lugar, não resistimos ao desejo de citar o versículo seguinte da Surata Al Ishrá:

"2. E concedemos o Livro a Moisés, Livro esse que transformamos em guia para os israelitas, dizendo-lhes: 'Não adoteis além de Mim outro guardião" (Corão, XVII, 2).

Portanto, O Livro foi dado a Moisés.

O Livro, segundo o próprio Corão, foi dado a Moisés e não a Maomé

Essa verdade será repetida muitas vezes pelo Corão árabe.

***

III - "Gênios" Judeus aprovam o Corão

Quando Maomé regressou de Taif a Meca, passou por Nakhla, e lá recebeu -- advinhem! -- uma "Delegação de Gênios". E de gênios judeus, pois eram gênios seguidores de Moisés:

"Mohamad estava já de regresso -- [de Taif] -- a Meca, ficou algum tempo em Nakhla, onde chegou uma Delegação de Gênios para ouvirem o Alcorão. Eram seguidores de Mussa (Moisés) e foi a respeito deles que foram revelados os seguintes versículos na Surata Al-Ahkaf (Cap. 46, vers. 29-32 Aminuddin Mohamad, op. cit. pp118-119).

Que se deve entender aí, nesse texto, por "Gênios"?

Seriam espíritos?

Seriam seres semelhantes ao gênio da lâmpada de Aladino?

Não parece, pois que se diz que eram "gênios" seguidores de Moisés.

É mais adequado entender, aí, por "Gênios" seguidores de Moisés, pessoas humanas, muito competentes, e que seguiam a doutrina de Moisés, isto é, que eram rabinos judeus, que foram ouvir Maomé e a sua revelação. Tanto mais que, depois de ouvir Maomé, voltaram a seu povo -- os judeus-- para contar-lhes o que tinham ouvido.

E depois de ouvir recitar o Corão, que concluíram, e que contaram a seu povo, esses "Gênios" judeus?

Concluíram que deveriam conclamar o povo judeu a seguir Maomé:

"29. Recorda-te de quando enviamos um grupo de gênios para escutar o Alcorão. E quando assistiam à recitação disseram: Escutai em silêncio! E quando terminaste a recitação, volveram a seu povo para admoestá-lo.

"30. Disseram: Ó povo nosso, em verdade temos escutado a leitura de um Livro que tem sido revelado depois do de Moisés, corroborante dos anteriores, conduzindo o homem à verdade e ao bom caminho.

"31. Ó povo nosso, obedecei ao predicador de Deus, e crede n'Ele, pois que vos absolverá as faltas e vos livrará de um severo castigo.

"32. Quanto àqueles que não atenderem ao predicador de Deus, saibam que na terra não poderão escapar de Seu castigo, nem encontrarão protetores em vez d'Ele. Estes estão em um verdadeiro erro" (Corão, Surat Alahcaaf -- As Dunas, Surata XLVI, 29-32).

O resultado do exame de Maomé pelos "gênios" de Israel -- os Mestres de Israel, os Rabinos -- foi a sua aprovação, com a declaração que o Corão confirmava a Torah.

E os rabinos ordenaram aos judeus da Arábia que aceitassem Maomé como o Messias prometido por Deus, e que o obedecessem.

Isso tudo, segundo Aminnudin Mohamad, está no Corão, o que é muitíssimo interessante.

Aminuddin Mohamad adverte que a Surata XVII que fala do Miraj já preparava os coraixitas para a futura ida de Maomé para a cidade de Yaçrib, a atual Medina:

"Miraj era como que um aviso aos coraixitas de que o tempo das perseguições estava prestes a terminar e que estava já a chegar a altura do Profeta emigrar, e para o local ele vai (Sic), irá lidar com os israelitas. Por isso o capítulo "Al-Isra" (revelado em Macca) já falava dos israelitas, enquanto que em Macca não existiam israelitas, apenas em Medina, havia algumas tribos" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 132. O negrito é nosso).

Em 622, se deu a Hégira, ou migração -- o Êxodo -- de Maomé e seus seguidores de Meca para Yatreb, que, por isso passou a ser chamada de Medina, ou cidade do Profeta.

Nessa cidade e região, vivia a tribo dos Ansar.

Mas, deixemos falar o insuspeito Aminuddin Mohamad:

"Quando os Auss e Khazrij [grupos árabes da tribo Ansar] chegaram a Yaçrib, esta zona tinha muita influência dos Judeus, visto a maior parte da população ser analfabeta".(...)

"Apesar de serem idólatras, os Ansar como tinham convivido com judeus em Madina (Yaçrib) tinham uma certa idéia da Profecia e dos livros sagrados. E apesar de serem rivais dos judeus no poder político, reconheciam a sua virtude religiosa. Os judeus tinham estabelecido escolas de teologia em Yaçrib, que se chamavam Baltul-Madaris, nelas ensinavam o Torah.

"Os Ansar eram analfabetos, por isso ficavam impressionados com a superioridade teológica dos judeus. Os Ansar, cujos filhos não sobreviviam, por qualquer motivo, faziam votos de que, "se o filho sobrevivesse convertê-lo-iam ao judaísmo". Tal como os judeus em geral, os Ansar também, acreditavam que estava para surgir um último Profeta" (Aminuddin Mohamad, op. cit. , p. 133. Os negritos são nossos)

Então, não é inacreditável?

Os judeus tinham estabelecido até escolas de teologia em Yaçrib! E os Ansar, mesmo sendo analfabetos, tinham um certo conhecimento dos Livros sagrados, e o livro sagrado nomeado explicitamente é a Torah, isto é, o Pentatêuco.

Evidentemente, a redação portuguesa de Aminuddin Mohamad é bastante falha: o autor quis dizer que os judeus de Yatreb tinham estabelecido, nessa cidade, escolas de teologia, e que até os analfabetos Ansar se interessavam pelos livros sagrados, -- a Torah e o Talmud, talvez -- isto é, pela religião judaica, e que até prometiam que os filhos adoentados, se sobrevivessem, permitiriam que eles se convertessem ao judaísmo.

Mais: diz-se que os judeus de Yatreb esperavam um último Profeta.

Evidentemente, esses judeus de Madina estavam esperando, para breve, a chegada do Messias.

Portanto, era muito grande o poder e a influência dos judeus em Yatreb, cidade na qual Maomé buscou refúgio.

Muito interessante.

Por que motivo havia tantos judeus em Yaçrib?

Aminuddin dá várias razões políticas para esse fato, e termina dizendo:

"Além dos motivos políticos, na vinda dos judeus a Yaçrib, havia também os motivos religiosos; é que os teólogos judeus através do Torah, souberam que o último Profeta surgiria em Yaçrib. Por isso os judeus radicaram-se lá, para terem a honra de o acompanhar, ou então, os seus descendentes".

"Quando surgiu Mohamad como o último Profeta, Banú Quraiza diziam que os seus teólogos se tinham radicado em Yaçrib devido a essas previsões.

"Os Israelitas tinham progredido bastante e já tinham expandido a sua influência por zonas à volta de Yaçrib. Tinham o seu governo, a riqueza estava em seu poder, a sua população aumentou por todo o lado e os seus centros mais conhecidos eram 'Khebar", "Wadi Qura" e "Timar". (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 134 . Os negritos -- estupefatos!!! -- são nossos).

Então, os judeus de Madina estavam esperando o Messias -- o último Profeta -- e o identificaram com Maomé?

Então, em Madina, para onde Maomé fugiu, os judeus tinham escolas de teologia, onde ensinavam a Torah, e por meio dela haviam calculado que ia chegar o Messias? E ia chegarem Madina!

Que cálculos cabalísticos eram esses?

Então os judeus tinham o poder, a riqueza e o governo em Yatreb, e nos seus arredores, tendo praticamente dominado a tribo Ansar, e foi justamente para lá que fugiu Maomé?

E, então, por que nos livros de Historia, no Ocidente, não se conta nada disso que o interessantíssimo historiador árabe Aminuddin Mohamad nos conta com tanta desenvoltura?

Se o que conta Aminuddin Mohamad, seguindo as tradições árabes, é verdade, por que os historiadores ocidentais silenciam sobre essas verdades?

***

IV - "O Caso dos Judeus" e "A reputação do esperado Profeta em Yaçrib"
(Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 134-135).

"Os judeus em Yaçrib estavam à espera do Profeta em seu favor, que os viesse ajudar. A ruína de Auss e Khazirij devido às prolongadas guerras, fez orgulhá-los que em breve eles capturariam Yaçrib e o resto da Arábia e destruiriam os idólatras assim como tinham sido destruídos os "Ád" e os "Iram". Eles diziam para os Auss e Khazirij que o Profeta os viria conquistar." (...) "os judeus esperavam o último Profeta, a respeito do qual o Torah já tinha  falado e até divulgaram as suas qualidades e sinais, mas esperavam que esse último Profeta seria dentre eles (isto é, judeu), porque até aquele momento todos os Profetas tinham sido judeus. E, como já tinham perdido o prestígio, esperavam o surgimento do último Profeta para se juntarem a ele e combaterem contra os idólatras, que eram os Auss e os Khazirij, seus rivais. Contudo, quando chegou o último Profeta, há tanto por eles aguardado, rejeitaram-no por vários motivos; um por ser da descendência de Ismail e não de Isaac. Outro motivo -- segundo o livro sagrado dos judeus chamado "Talmud" -- porque Mohamad confirmou a profecia de Jesus, e como os judeus consideram Jesus um "impostor", um filho ilegítimo, dizem que quem confirma o  impostor, também é impostor, eles utilizam as mais sujas e insultuosas palavras para designar Jesus e sua mãe, no seu livro sagrado chamado "Talmud", apesar de Jesus também ser judeu" (Aminuddin Mohamad , op cit., pp. 135-136)

Consideramos esse texto de Aminuddin Mohamad capital para compreender o caso Maomé.

O que está dito, aí, é que os judeus estavam à espera do último Profeta, isto é, à espera do Messias.

Há séculos os judeus esperavam -- como ainda esperam -- o Messias.

Várias vezes, na sua mais que milenar História, os judeus se equivocaram ao identificarem o Messias com um determinado personagem histórico. Foi assim com Bar Kochba, no século II, quando o equívoco levou à destruição definitiva da antiga Jerusalém pelo Imperador Adriano. Foi assim, em 1648, quando eles pensaram que Sabbatai Sevi era o Messias esperado (Cfr. Gershom Scholem, Sabbatai Sevi, the Mystical Messiah, Princeton University Press, 1975).

O texto de Aminuddin esclarece que havia em Yaçrib, no século VII, um grupo de judeus -- talvez uma seita judaica -- que, elocubrando sobre o Talmud e sobre a Torah, esperava o Messias para logo, e que, a princípio, os "gênios" de Israel -- os rabinos -- o identificaram com Maomé. Teriam sido esses judeus que, inicialmente, induzidos pelos "gênios de Israel" -- por alguns rabinos -- lançaram Maomé como o "último Profeta", isto é, como o Messias de Israel, apesar de ser ele árabe, e não membro do povo judeu.

Que os judeus da Arábia, no tempo de Maomé, estavam esperando a iminente chegada do Messias é confirmado pelo que diz Bernard Lewis:

"Para alguns judeus da época o advento do Profeta na Arábia e a emergência de uma nova potência mundial, capaz de destronar a hegemonia tanto de Roma como da Pérsia, e de arrebatar Jerusalém e a terra santa do pesado jugo de Bizâncio pereciam pressagiar a iminente realização das profecias judaicas e a vinda da era messiânica. Fragmentos de escritos judaicos da época, apocalípticos ou de outra natureza, dão alguma indicação do fervor e da expectativa suscitados pelas primeiras vitórias árabes. Um piyyut (poema litúrgico), composto provavelmente após as primeiras vitórias árabes na Palestina, mas antes da captura tanto de Jerusalém quanto de Cesaréia, a capital provincial de Roma, pode servir de exemplo:

"Edomitas e ismaelitas lutarão no vale de Acre
"Até que os cavalos submerjam em sangue e pânico
"Gaza e suas filhas serão apedrejadas
"E Ascalon e Ashdod serão paralisadas pelo terror"

(Bernard Lewis, Judeus no Islã, Xenon ed., 1990, p. 90. Edição original, The Jews of Islam, Princeton University Press, 1916).

Prossegue Aminuddin Mohamad contando que...

"Os judeus em Madina receberam bem a Mohamad e fizeram com ele uma aliança a fim de tirarem proveito da sua influência e poder; porém, o plano de Deus trabalhava de outra maneira.

"Um dos sábios e sacerdote dos judeus, chamado Abdallah Bin Salam abraçou o Islam juntamente com toda a sua família, isto porque ele sabia, e lia as escrituras sagradas, onde consta a vinda de Mohamad e seus sinais. Após a sua vinda, ele reconheceu logo que aquele é que era o último Profeta que Deus tinha prometido enviar, e essas promessas foram feitas através de Moisés (no Antigo Testamento) e Jesus (Novo Testamento).

"Os judeus que tinham muita consideração e respeito por Abdallah Bin Salam, ainda não sabiam que este tinha entrado no Islam. Marcou-se uma audiência com o Profeta Mohamad para receber os judeus. Abdallah Bin Salam manteve-se escondido. O Profeta recebeu-os na hora marcada e perguntou-lhes: 'Qual é a posição de Abdallah Bin Salam entre vós?". Os judeus responderam: "Ele é um homem nobre e filho de nobre; é um sacerdote e sábio". Logo Abdallah Bin Salam saiu de trás da cortina onde estava escondido e disse-lhes o que tinha feito e convidou-os também ao Islam. Isso não agradou nada aos judeus e logo começaram a fazer planos secretos contra Mohamad e incomodavam-se com as suas disputas verbais, assim como tinham feito os seus antepassados com Jesus, (seis séculos antes) depois de o reconhecerem como autêntico Profeta. A história repetia-se de novo. E Deus para avisar os judeus e informar os muçulmanos revelou o segundo capítulo do Alcorão nos versículos 42 até 46, em que Deus lembra aos judeus os favores que lhes fez e diz-lhes para que cumpram a promessa que fizeram a Deus através de Moisés, e que por Sua parte Ele também cumprirá a promessa que Ele fez. Deus ordena-lhes depois que creiam no Alcorão, que veio confirmar os livros sagrados que possuíam, e para depois de conhecerem a verdade não serem os primeiros a rejeitá-la.

"Deus sabia o que estava na mente deles, por isso informou a Mohamad e aos muçulmanos o que eles estavam a planejar.  Os judeus estavam determinados a desempenhar o papel duplo. Eles, por um lado,  declaravam serem amigos de Mohamad e ao mesmo tempo estavam ligados aos descrentes, inimigos de Mohamad. O objetivo deles era exilar Mohamad de Madina assim como foi de Macca. Eles diziam ao profeta que se radicasse em Jerusalém e fixasse Madina como uma estação entre Macca e Jerusalém. Diziam que Jerusalém era a casa de  todos os Profetas, portanto era mais ideal  para Mohamad ficar em Jerusalém do que em Macca ou Madina. Mas, em breve chegou a ordem de Deus, para mudar a Quibla, de Jerusalém para Macca, o que ainda enfureceu mais os judeus" (Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 181-182. Os negritos e o sublinhado são nossos).

Esta longa citação foi necessária, porque ela lança alguma luz na aliança, e posterior separação, entre judeus e muçulmanos, porque inicialmente, pelo menos, os judeus deram apoio a Maomé, e, depois, pelo menos alguns grupos deles, retiraram o apoio a ele como último profeta dos judeus, isto é, como seu Messias.

O fato de Maomé ser árabe teria levado alguns judeus a não aceitá-lo como Messias. Eles insistiram para que Maomé se judaizasse completamente, fazendo de Jerusalém a sua capital, pois Jerusalém era a capital de todos os Profetas, e, por isso, era mais digno que Maomé se radicasse lá do que em Medina ou Meca.

Exigiam ainda que a Quibla fosse Jerusalém, e não outra. Fizerem deste ponto uma condição sine qua non:

"Os judeus vieram ter com o Profeta e propuseram-lhe que todos eles converter-se-iam ao Islamismo se ele voltasse de novo a orar à Quibla de Jerusalém" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p.187).

Mas quando Maomé mudou a Quibla de Jerusalém para Meca, muitos deles, então, o repeliram como falso profeta.

O ponto definitivo de ruptura foi afinal o posicionamento pessoal de Maomé sobre a Quibla.

Evidentemente, um outro ponto fundamental que contribuíra, antes, para a discrepância entre os judeus e Maomé fora a posição de Maomé face a Cristo, aceitando-O como Profeta, mas não como Deus encarnado.

Quando Maomé afirmou que Jesus Cristo era um Profeta, os judeus começaram a deixar de reconhecê-lo como o Messias esperado. Não lhes bastava que Maomé rejeitasse Jesus como o Filho de Deus feito homem. Recusavam até mesmo aceitar Jesus como simples Profeta. Essas razões teriam levado os judeus da Arábia a recusarem, afinal, Maomé, como o esperado Messias de Israel.

Tudo isso está no livro de Aminuddin Mohamad.

Tudo isso explica as inúmeras coincidências de práticas maometanas com práticas judaicas, assim como -- veremos mais tarde -- os numerosíssimos textos do Corão de origem judaica, versos copiados do Antigo testamento e dos Midrashes rabínicos.

Por causa desse repúdio final de Maomé como Messias de Israel, por parte dos rabinos, é que o livro de Aminuddin Mohamad acaba por adotar um posicionamento racista, violentamente antijudaico, ao escrever:

"A natureza criminosa dos judeus é muito antiga. Sempre desmentiram os Profetas, massacraram-nos sempre que traziam leis que não agradavam os seus caprichos" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 136. O sublinhado é nosso).

E, para fundamentar essa afirmação racista, de que os judeus teriam uma natureza criminosa, o autor que estudamos, cita as palavras de Jesus contra os escribas fariseus.

Ora, Jesus amaldiçoou os escribas e fariseus por seus vícios e doutrina, e nunca o povo judeu enquanto tal, por sua natureza, tanto mais que o próprio Jesus, Maria Santíssima e os Apóstolos eram todos judeus.

Os Evangelhos são antifarisaicos, e não antijudaicos.

E é racismo afirmar que "a natureza criminosa dos judeus é muito antiga"

Não há natureza criminosa nem dos judeus, nem de povo algum. Em todos os povos e raças, há gente boa e má. O texto de Aminuddin Mohamad incita ao ódio racial.

Continua o livro que focalizamos:

"Os idólatras apesar de não professarem a mesma crença dos judeus, por serem ignorantes, ficavam impressionados com menções constantes dos judeus desse esperado Profeta, e foram essa menções que abriram caminho dos "ansar" para a conversão ao Islamismo" (Aminuddin, Mohamad, op. cit. p. 136. O negrito e o sublinhado são nossos).

Notem os leitores que esse livro do Centro de Divulgação do Islam para a América Latina confessa que, pelo menos algumas tribos árabes, só se converteram ao Islamismo por influência dos judeus da Arábia.

Por que os livros de História ocidentais não citam esses dados confessados pelos livros islâmicos?

Por que seria um tabu estudar historicamente as origens do Islam, que é o que fazemos neste pequeno trabalho histórico?

Quando, então, Maomé iniciou os contatos com as tribos árabes de Yaçrib, elas já estavam preparadas para ouvi-lo, e para aceitarem a sua pregação. Por isso diz Aminuddin Mohamad:

"O Profeta, por sua vez, convidou-os -- [aos Ansar e aos Khazirij] -- ao Islam, e recitou-lhes versículos do Alcorão. Ao ouvirem, olharam-se uns aos outros, e disseram:

"O Profeta a respeito do qual ouvíamos os judeus de Yaçrib a falarem parece ser este! Sem dúvida, o que ele recitou é uma verdade. Portanto, não deixem os judeus entrarem no Islam antes de nós; assim perderemos a honra de sermos os primeiros". Os judeus diziam-lhes: "Um Profeta será enviado dentro em breve; o seu dia aproxima-se; nós o seguiremos e matar-vos-emos com a sua ajuda, da mesma forma que morreram Ad e Iram". Diziam isto quando haviam disputas entre eles. Mas quando chegou o tão esperado Profeta, rejeitaram-no só porque não era judeu, assim como relata o Alcorão:

"E quando lhes chegou o livro enviado por Deus, confirmando o que eles possuíam, enquanto, anteriormente pediam a vitória sobre os descrentes e quando chegou aquilo que já conheciam (como verdade) rejeitaram-no. Que a maldição caia sobre os descrentes" (Corão, Surata II, 90, Surat Albácara -- Da Vaca, Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 138. Os negritos são nossos).

Portanto, os judeus prometeram, inicialmente, seguir Maomé, pois acreditaram, pelo menos a princípio, que ele era o Messias esperado por Israel.

Mais tarde, outros Mestres de Israel fizeram a seita messiânica judaica, que tomou Maomé como o esperado Messias, rejeitá-lo, porque ele era descendente de Ismael, e não israelita, apesar de o Livro de Maomé -- o Corão -- confirmar o que estava na Torah, isto é, na Bíblia.

E muito sinceramente conta Aminuddin Mohamad:

"Os Ansar entraram de imediato no Islam. Isto no ano dez da Profecia. Assim foi o início do Islamismo dos árabes de Yaçrib.

"Ora, Deus tinha preparado o caminho para o Islam, fazendo-os viver ao lado dos judeus, povo instruído e versado nas escrituras, se bem que eles, os ansar, fossem politeístas e idólatras" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 138. O negrito é nosso).

Portanto, segundo o livro "Mohamad, o mensageiro de Deus" de Aminuddin Mohamad, editado pelo Centro de Divulgação do Islam para a América Latina, foram os judeus que prepararam os árabes para adotarem o Islamismo, religião que confirmava o que havia na Torah..

E esse é um reconhecimento sensacional, pois deixa claro o mito de Maomé como Profeta.

A ligação dos judeus com Maomé era tão grande, nesse tempo, que alguns árabes seguidores de Maomé temiam que ele os abandonasse e se unisse aos judeus. É, pelo menos, o que conta Aminuddin Mohamad ao dizer que Abdul Hathin Bin Taiham disse a Maomé:

"Ó Profeta de Deus, entre nós e os judeus há pactos que serão denunciados. Portanto, será que depois de nós fazermos isso, e Deus dar-te êxito na tua missão, tu te irás embora para a sua gente e abandonar-nos-ás?" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 144).

Afinal, em 13 de Setembro de 622, ou seja, no dia 21 de Rabyiul-Awwal os mequenses cercaram a casa de Maomé, que então conseguiu fugir para Yaçrib que passou a ser chamada Madinatul- Nabi, a Cidade do Profeta. (Cfr. Aminuddin Mohamad , op. cit. p. 158).

Essa ida de Maomé para Yaçrib -- a Hégira -- dá início ao calendário islâmico.

"Árabes e judeus -- [de Yaçrib] -- participaram da cerimônia de boas vindas ao Profeta, o verdadeiro Profeta, o Profeta prometido, que havia de salvar as nações e dirigi-las à vitória. Esse grande homem chegou" (Aminuddin Mohamad , op. cit., p. 159. O negrito é nosso).

 

"Os judeus de Madina e o Tratado de paz com eles"

"Os judeus de Madina que por raça eram judeus (não convertidos) vieram de outras zonas e radicaram-se em Madina. Alguns historiadores acham que eles não eram de raça judaica, mas, que se tinham convertido ao judaísmo, isso porque notam uma diferença na natureza dos judeus genuínos e estes que viviam na Arábia. Eles dizem que os judeus, apesar de estarem espalhados em quase todo o mundo, nunca mudam os seus nomes, usam somente nomes judaicos. Porém, a particularidade dos judeus da Arábia, era que eles utilizavam nomes árabes puros. Por exemplo: Háris, Nadhir, Cainucaá, etc. Segundo, os judeus por natureza são covardes e tímidos. Por isso, quando Moisés lhes disse para combaterem contra o inimigo, eles responderam:

"Vai tu e teu senhor a combater: nós aqui aguardaremos" (cap. 5, vers. 24)

"Mas ao contrário disso, os judeus de Madina eram valentes" (Aminuddin Mohamad, op. cit.,, p. 168).

Evidentemente, esses dois argumentos antijudaicos são falsos.

Os judeus, freqüentemente adotam nomes de outros povos. É o que se comprova em todo o Ocidente, especialmente na península ibérica, onde os judeus assumiam costumeiramente nomes cristãos.

Quanto à acusação de covardia ao povo judeu enquanto povo, isso é um absurdo, que a História, mesmo recente, comprova ser falso.

Prossegue Aminuddin Mohamad:

"Havia três tribos judaicas em Madina, Banu Cainocaá, Banu Nadhir e Quraiza, que se tinham radicado nos arredores de Madina, e tinham construído fortes torres e fortalezas. (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 169).

O livro que focalizamos conta ainda que

"Os judeus, para manterem o seu monopólio em Madina, não queriam que estas duas tribos - [Ansar e Khazrij] -  se unissem de novo.

"E ainda sobre o surgimento de Mohamad, os mesmos judeus, nas disputas com os habitantes de Madina, diziam-lhes que estavam à espera do último Profeta [o Messias de Israel] e que, quando chegasse, juntar-se-iam a ele, e tornar-se-iam vitoriosos sobre eles.

"Todavia quando chegou o Profeta, a quem eles reconheceram pelos sinais de ser o Profeta prometido, rejeitaram-no, só porque era de descendência de Ismail e não era judeu. Os judeus começaram a nutrir ódio e inimizade contra os muçulmanos desde o dia em que o Profeta chegou a Madina, assim como maquinaram conspirações contra Mohamad e os muçulmanos, coisas que até hoje continuam a fazer. Mas alguns deles reconheceram a verdade entrando no Islam, como foi o caso de Abdullah Bin Salam e outros." (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 169).

Desse texto, e de todo o livro de Aminuddin Mohamad, se infere que, pelo menos um grupo ou seita de judeus na Arábia preparou, lançou e reconheceu Maomé como o seu esperado Messias, mas que, a seguir, outros judeus acabaram por fazer repudiar Maomé como Messias judeu, porque ele era árabe e não israelita. Esse texto, então, pode explicar tantos textos do Corão favoráveis a Israel, assim como os textos anti trinitários e anticristãos do Corão. Fica também claro porque houve, posteriormente uma cisão entre os árabes e judeus, com relação a Maomé.

Prossegue o livro do Centro de Divulgação do Islam:

"O Islam é uma religião de paz, procura promover a paz por todo o mundo, entre todos os povos, e Mohamad foi obreiro da paz. A palavra Islam em árabe é sinônimo de paz" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 169).

Copiamos esse texto acima, tal como está no livro de Aminuddin Mohamad, embora ele contradiga o desejo do autor do artigo que afirmou que deseja destruir o mito do redentor crucificado, o que é um estranho modo de promover a paz.

Diz ainda esse extraordinário livro que focalizamos:

"Mohamad, com os braços abertos, aproximou-se dos judeus, uma vez que ele veio confirmar a religião que Moisés trouxe, e não veio desmenti-la. Na altura, os muçulmanos ainda se viravam para Jerusalém nas orações diárias, assim como faziam os judeus. Portanto, os judeus também estavam favoravelmente inclinados para Mohamad, para o bem estar, prosperidade e liberdade para Madina e de seus residentes. Para isso, devia ser traçado um pacto e posto em prática sem qualquer demora, antes que se criasse qualquer discórdia. Assim, sob orientação de Mohamad, foi rapidamente traçado um pacto e assinado por todos os grupos" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 169 . Os destaques são nossos).

Destaquemos a confissão do livro do Centro de Divulgação do Islam:

"Mohamad, com os braços abertos, aproximou-se dos judeus, uma vez que ele veio confirmar a religião que Moisés trouxe, e não veio desmenti-la".

Não somos nós que acusamos. São os responsáveis pela divulgação do Islam que confessam:

"Maomé veio confirmar a religião que Moisés trouxe, e não veio desmenti-la".

Por isto, Maomé fez um pacto com os judeus.

Que dizia esse pacto?

Aminuddin Mohamad dá alguns itens desse pacto judeu muçulmano:

"O documento do tratado é considerado um dos mais antigos documentos registrados do mundo. [Sic!!! Será que é preciso dar alguma prova do absurdo dessa pretensão?].O conhecido historiador Ibn Hicham, transcreveu o texto integral do tratado,  que é bastante longo, com 40 artigos. Aqui se apresenta o resumo do pacto:

"1- O sistema de retaliação e indenização que estás sendo praticado continuará;

"2-- Os judeus terão a liberdade religiosa, e ninguém tem direito de interferir nos seus assuntos religiosos;

"3 -- Os judeus e os muçulmanos, se um deles estiver em guerra com terceiros, o outro terá de o apoiar;"

(...)

"Esse tratado foi feito há mais e 1.400 anos. Haverá algum exemplo igual de qualquer Profeta ou reformador que tenha feito um tratado de paz com os que professam uma fé rival? "(Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 170-171.Os negritos são nossos).

É preciso concordar: jamais houve um "exemplo igual de qualquer Profeta ou reformador que tenha feito um tratado de paz com os que professam um a fé rival".

O que faz desconfiar que o maometismo não era, pelo menos a princípio, uma fé rival do judaísmo. Não só não era rival, mas fizera até um pacto de apoio mútuo, com os judeus, em caso de guerra.

E por que não houve um pacto igual com os cristãos da Arábia?

Por que, em todas as terras cristãs conquistadas pelos maometanos, o resultado praticamente foi sempre a extinção do Cristianismo?

Evidentemente, este pacto de aliança entre maometanos e judeus reforça a hipótese de que, a princípio, Maomé foi tido como o Messias, por uma seita judaica da Arábia.

Feita a aliança militar entre maometanos e judeus de Medina, Maomé pode principiar suas guerras para dominar a península arábica, começando pela conquista de Meca.

 

A Quibla voltada para Jerusalém

"Os idólatras de Macca, apesar de se prostrarem perante os ídolos, tinham a noção de que a Quibla deles era a Caaba, fundada por Adão e, renovada por Abraão e seu filho Ismail considerado chefe espiritual deles.

"Havia ainda os adeptos do livro (judeus e cristãos) que tinham a sua Quibla Jerusalém ou Bettelaham. Quando o Profeta Mohamad (S. A .W.) estava em Macca, não quis desconsiderar a Caaba como Quibla, porém tomou Jerusalém, a Quibla dos Profetas há milhares de anos como Quibla. Em Macca era possível unir as duas e ele unia, de forma que  quando se levantava para as orações, voltava a sua face para o norte, tendo assim a Caaba à sua frente, e Jerusalém também, por esta se situar ao norte de Macca, unindo assim a Quibla dos filhos de Ismail a Quibla dos filhos de Israel (Jacob)" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 183).

Isto significa que Maomé, desde o início, aceitara a Quibla dos judeus. Ele rezava como os judeus: voltado para Jerusalém. Mas, para não escandalizar os árabes de Meca, ele fingia rezar voltado para a Caaba, colocando-se de modo que tivesse a Caaba e Jerusalém à sua frente. Assim, os árabes idólatras pensavam que ele continuava a rezar voltado para a Caaba, como era o costume deles, mas, de fato, ele estava era voltado para Jerusalém, como faziam os judeus. Maomé era um prosélito secreto dos judeus, ou pelo menos adepto de uma seita judaica da Arábia, que aguardava o Messias, para logo.

"Mas quando ele emigrou para Madina, aí já não era possível unir as duas, porque Macca está situada ao sul de Madina e Jerusalém ao norte.

[Maomé] "tinha que escolher uma das Quiblas, e ele escolheu a Quibla dos Profetas anteriores; dos filhos de Israel, que era a de Jerusalém. Por isso quando o Profeta construiu a Massjid de Madina a Quibla estava virada para o norte que é a direção de Jerusalém" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 183. O negrito é nosso).

"Em resumo, enquanto o Profeta estava em Macca, ele unia as duas Quiblas ao fazer a oração, voltando a sua face para o norte, encontrando Jerusalém e a Caaba ao mesmo tempo. Mas como o objetivo da Quibla era para distinguir a dar um novo símbolo aos crentes, esse objetivo não estava a ser alcançado porque os idólatras de Macca também tomavam a Caaba como a sua Quibla. Então, para se distinguir deles também, o Profeta fazia as orações junto ao Makam Ibrahim (local de Abraão), cujos vestígios ainda hoje existem, e daí voltava-se para o norte (Jerusalém), porque, em comparação aos idólatras, os cristãos e os judeus ainda tinham alguma consideração por Deus ao reivindicarem ser ainda adeptos dos livros sagrados".

"Mas, em Madina, após a emigração, já não era possível unir as duas Quiblas. No entanto, o Profeta em Madina ainda orou para a direção norte (Jerusalém) dezesseis meses, mas sempre ansioso em receber a ordem de Deus para mudar a direção da Quibla para o sul (Caaba em Macca), para Quibla original" (Aminuddin Mohamad, op cit. p. 186)

O que confirma que Maomé, enquanto estava em Meca, simulava rezar em direção à Caaba, mas quando foi para Madina, dominada pelos judeus, adotou claramente  a Quibla dos judeus: Jerusalém. Ele "escolheu a Quibla dos filhos de Israel". Maomé se tornara um prosélito judeu.

Quando, depois de dezesseis meses em Medina, se deu a crise entre os muçulmanos e os judeus, Maomé, adotou, de novo a Quibla de Meca, rompendo publicamente com os judeus que até então o influenciavam mais fortemente.

 

Os judeus rompem o acordo com o Islam -
Conspiração de alguns judeus contra a vida de Maomé

"Após a vitoria de Maomé sobre os coraixitas na batalhe de Badr no ano de 624, segundo da Hégira, o poder de Maomé se fortaleceu em Medina, mas, ao mesmo tempo, os judeus começaram a abandoná-lo.

"Através de um acordo solene, todos os grupos em Madina (incluindo os não árabes) -- [Leia-se: os judeus] -- reconheceram Mohamad como seu administrador. Agora, o resultado da batalha de Badr despertou os judeus, Mohamad estava a vencer os corações dos habitantes de Madina, e eles em breve entrariam todos no Islam. O que seria então do sonho de estabelecer um reino judaico na Arábia? Eles pensaram na necessidade de minar a sua influência, mas como? Os árabes de Macca lutaram contra ele e perderam. Então os judeus pensaram em adotar certos truques e armas, tais como difamá-lo e à sua religião, à sua gente, intrigas e traição. Estas más intenções já residiam nas suas mentes muito antes de Badr, mas agora sentiam ter chegado a altura de as por em prática".

"Muitos dos judeus, incluindo Abdullah Bin Ubai, entraram no Islam, mas não verdadeiramente assim como diz o Corão (Cap. II, vers. 8). (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 213).

"Os judeus tinham três tribos nos arredores de Madina: Cainucá, Nadhir e Curaiza. Todos eles eram em geral, capitalistas, agricultores e comerciantes. Os de "Cainucá" eram considerados os mais bravos e valentes, por isso tinham sempre consigo armas armazenadas. Além da influência religiosa -- porque os Ansar antes de abraçarem o Islam eram geralmente idólatras e ignorantes, e como os judeus eram adeptos do Livro  -- [Portanto da Bíblia, já que ainda não havia o Corão. Portanto o Livro é a Bíblia] -- os Ansar olhavam para eles com respeito e tratavam-nos como mais cultos.(...)

"Quando o Islam chegou, os judeus viram que o seu poder injusto [sobre os habitantes de Madina] -- estava em perigo e tinha os seus dias contados. Assim que o Islamismo se ia expandindo em Madina, a influência religiosa dos judeus ia diminuindo e assim que os Ansar iam se enriquecendo, iam-se libertando monetariamente dos judeus, e após o fim dessa influência monetária, começou a revelar-se o segredo dos judeus. O Profeta, quando chegou a Madina, tinha assinado um acordo de aliança e boa vizinhança com eles, que previa o respeito à liberdade religiosa. Mas o Profeta tinha que condenar os maus atos deles. Por isso o Alcorão diz claramente sobre os judeus:

"São espias para a difamação; vorazes do ilícito" (Cap. 5, vers. 42). "E por exercerem a usura, embora lhes fosse proibido, e por devorarem os bens alheios sob falsos pretextos" (cap. 4, vers. 161).

"Quando o Alcorão começou a revelar a corrupção deles, eles ficaram revoltados e começaram a conspirar contra o Islam e a pessoa do Profeta (Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 215).

"Mas depois da batalha de Badr os muçulmanos tornaram-se mais fortes. Os judeus, receando que o Islam estaria a tornar-se numa força inquebrantável, revogaram unilateralmente o acordo assinado com Mohamad." (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 216).

Os judeus acabaram provocando incidentes que levaram, então, a tribo judaica dos Cainucá a se rebelar contra Maomé.

"Depois disso, os muçulmanos não tinham outra alternativa senão lutarem contra os judeus de Banu Cainucá, porque senão o islamismo sofreria uma deterioração política" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 217).

Os Cainucá foram derrotados e tiveram que emigrar de Madina:

"Finalmente, sob o cuidado de Ubadah Bin Samit, os judeus de Banu Cainucá foram permitidos a evacuarem e emigrarem de Madina em castigo das suas más ações. Assim, eles foram para Wadi Al-Curá onde permaneceram algum tempo e daí se dirigiram em direção norte da Arábia para os lados de "Azriat", junto à fronteira com a "Síria", onde se fixaram (no antigo Basan). (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 217).

Após o assassinato de vários "missionários" enviados por Maomé a tribos árabes, diz o livro de Aminuddin Mohamad que "estas duas tragédias consecutivas, após a grande tragédia de Ohud, encorajaram bastante os judeus e os hipócritas de Madina a erguerem suas cabeças contra o Profeta. Os judeus hipócritas e idólatras já se tinham unido contra Mohamad e começaram a conspirar contra ele. O profeta já se tinha apercebido disso" (Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 243).

Essa traição dos judeus contra Maomé muito possivelmente foi conseqüência do não reconhecimento de Maomé como Messias por alguns judeus, mas isto, ainda é uma mera hipótese de trabalho nossa.

Aminuddin Mohamad fala de uma indenização que os judeus da tribo Banu Nadhir se haviam recusado a pagar

Maomé, acompanhado por Abu Bakr, Omar e Ali, teria ido até o bairro judeu de Banu Nadhir, para tratar desse problema.

"Os judeus receberam-nos cordialmente e com amizade aparente, e fizeram com que se sentassem por baixo de uma grande parede do castelo. Com o pretexto de irem chamar os outros judeus, começaram a dispersar-se e à distância murmuravam que aquela seria uma boa oportunidade de acabar com os quatro. Alguém devia subir para o castelo e lançar uma rocha sobre o Profeta e os seus três companheiros; assim seriam eles esmagados. Nesse momento, o Profeta, ao notar essa atitude, começou a suspeitar de alguma conspiração. Entretanto um judeu chamado Amar Bin Jahash Bin Kaab, subiu rapidamente em máximo sigilo para cima do castelo, para dali lançar a rocha; porém, antes deles concretizarem o plano, Deus informou o Profeta da conspiração dos judeus, confirmando assim a sua suspeita. O Profeta retirou-se imediatamente do local com os seus companheiros sem nada dizer e tomou o rumo de Madina. Os judeus quiseram chamá-los de novo, contudo, o Profeta respondeu-lhes: "Vós conspirais para nos matar! Já não confiamos mais em vós, com isso vós quebrastes o acordo que fizestes comigo".
Os judeus não desmentiram a informação feita pelo Profeta nem pediram desculpas". (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 244).

Maomé tentou ainda um acordo com os judeus Banu Nadhir, mas eles se obstinaram na resistência e procuraram o apoio "dos Banu Coraiza, outra tribo judia" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 244. O negrito é nosso.)

"Entretanto, o Profeta pediu a Banu Coraiza, outra tribo congênere judaica, para renovar o acordo que já existia com eles. Estes aceitaram. Mesmo assim, os Banu Nadhir mantiveram a sua posição, não aceitando fazer um novo compromisso" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 244).

Maomé exigiu dos Banu Nadhir que se não fizessem o acordo, deveriam sair da região de Madina. Os Banu Nadhir então se prepararam para a Guerra contra o Profeta. Este os cercou, e os obrigou a partir. "Apenas dois deles, Yámin Bin Amr e Abu Sáad Ibn Wahab, permaneceram em Madina, porque se converteram ao islamismo" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 245).

E, aí, Aminuddin Mohamad volta a nos dar outra informação de muito valor:

"Até essa altura, o Profeta tinha um escrivão judeu, para correspondência hebraica, mas como os judeus se provaram traidores, já não se podia confiar neles, especialmente nos segredos mais elevados de Estado e dos muçulmanos. Havia necessidade de ter um escrivão confiado. Para isso, o Profeta ordenou a Zaid Bin Sábit, um jovem de Madina, para aprender o hebraico, a fim de se encarregar da correspondência do Profeta. Zaid Bin Sábit, além de ser um escrivão de revelação, durante a vida do Profeta, foi-lhe entregue a tarefa de compilar o Alcorão durante o Califado de Abu Bakr, o primeiro Califa" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 246. O negrito e o sublinhado são meus).

Então, também o primitivo escrivão de Maomé era judeu!

E a correspondência de Maomé era feita em hebraico!!

E essa correspondência era tão abundante, que o novo escrivão teve que aprender hebraico.

Não se nos venha dizer que a correspondência de Maomé era em hebraico para se comunicar com judeus comuns, que não falavam o hebraico e sim o aramaico. Nesse tempo, só liam, escreviam e falavam o hebraico os rabinos e estudiosos da Torah e do Talmud.

E foi esse escrivão, Zaid Bin Sábit, cujo nome soa como de origem judaica, que escreveu a primeira compilação do Corão.

Não é à toa que no Corão -- como veremos em trabalho futuro, se Deus quiser -- haja tantos termos de origem hebraica, e tantos versos copiados dos midrashes rabínicos.

Aminuddin conta ainda o episódio da calúnia e difamação contra Aicha, uma das esposas de Maomé. O caso só interessa pela modificação feita no Corão, que, desde então exigiu quatro testemunhas para comprovar um adultério (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 256 e Corão, XXIV, 4-5).

 

O Cerco de Madina, ou a batalha da Trincheira

Conta o autor que estamos resumindo, que a tribo judaica dos Banu Nadhir, depois de emigrar de Madina, jamais deixou de conspirar contra Maomé.

Seus lideres organizaram uma coligação geral de idólatras e judeus contra os fiéis a Maomé (Cfr Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 257).

"Os judeus conseguiram conduzir todas as tribos notáveis contra Mohamad, pode-se dizer que era uma guerra entre os crentes por um lado e todos os descrentes aliados da península arábica por outro" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 244)

Esse texto demonstra que havia judeus decididos a combater Maomé como falso Messias (como Profeta), enquanto outros judeus continuavam a acreditar em Maomé como O Profeta, isto é, como o Messias prometido e esperado pelos judeus.

A situação se tornou ainda pior para Maomé, quando a tribo judaica Banu Coraiza se passou para o lado dos conspiradores.

"Quando o Profeta recebeu informações de que a tribo judaica Banu Coraiza, também se aliara aos inimigos contra os muçulmanos, enviou Saa'd Bin Maadh, chefe dos Auss [outra tribo judaica], aliado de Banu Coraiza, e Saad Bin Ubadah, chefe de Khazrij [também tribo judaica], para investigarem o caso junto aos judeus e aconselhá-los a recuarem da decisão tomada por eles.

"Estes homens chegaram lá, tentaram convencê-los, explicando-lhes de todos os modos e lembrando-os do acordo que existia entre eles e os muçulmanos; porém, os judeus recusaram-se a aceitar o pedido do Profeta e responderam-lhes com palavras ásperas, dizendo: "Não conhecemos Mohamad e nem temos qualquer acordo com ele". (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 261).

Resultado disso tudo foi o cerco de Madina, que foi salva pelo estratagema ensinado por um persa, que aconselhou os maometanos fazerem uma trincheira ao redor de Madina. Essa trincheira permitiu uma longa resistência, até que um importante amigo dos judeus passou, dos inimigos, para o lado de Maomé e, por suas intrigas, deu a vitória a Maomé.

"Mesmo nesses momentos difíceis, as almas puras continuavam a entrar no Islam. Um senhor chamado Nuaim Bin Massúd, da tribo Ghatfan, um grande amigo dos judeus, saiu das fileiras dos descrentes e apresentou-se ao Profeta para entrar no Islam" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 265. O negrito é nosso).

Nuaim Bem Massúd, escondendo a sua conversão ao Islam e sua adesão a Maomé, intrigou de tal maneira entre os vários grupos coligados contra Maomé, que eles começaram a se dividir. Começaram a queixar-se que o cerco de Madina se prolongava demais, e afinal a tribo judaica dos Banu Coraiza declarou:

"Amanhã é sábado (Sabath), quer dizer, repouso obrigatório na nossa religião, por isso não podemos lutar amanhã, e além disso nós não participaremos na batalha enquanto não nos deixarem reféns para servirem de garantia que não nos abandonareis" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 226. O negrito é nosso).

Resultado, os inimigos de Maomé acabaram por sofrer uma grande derrota.

E registramos que essas tribos respeitavam o Sabath.

 

O Fim dos Banu Coraiza

"Anteriormente, o Profeta tinha feito um acordo com os judeus, em que lhes dava segurança total, liberdade de vida, riqueza e religião, mas estes não respeitaram o acordo e rebelaram-se, como já foi citado. O profeta quis, contudo, renovar o acordo com eles, mas a tribo Banu Nadhir recusou-se e então foi expulsa de Madina. Na altura, a tribo Banu Coraiza aceitou renovar e continuaram a viver em paz e segurança" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 268).

Após a batalha da trincheira, os Banu Coraiza foram cercados pelos maometanos em seu castelo, e não tinham como vencer.

"O seu chefe, Kaab Bin Assad, vendo-se cercado e sem força para combater os muçulmanos, juntou a sua gente e fez-lhe três propostas:

"Na primeira ele disse: "Não há dúvida na profecia de Mohamad, porque o Torah, que é o nosso livro sagrado, fala claramente da sua vinda, e este é o Profeta de que nós esperávamos. Portanto, o melhor é crermos nele e assim acabarmos a nossa inimizade para assegurarmos as nossas vidas e riquezas. Porém, o seu povo não aceitou essa proposta e recusou-se a entrar no islamismo" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 269. O negrito e o sublinhado são nossos).

Como os Banu Coraiza se obstinassem, acabaram aceitando o que decidisse o chefe dos Auss -- outra tribo judaica -- e este  condenou à morte todos os homens de Banu Coraiza, que eram entre 400 e 600.

"A sentença estava inteiramente de acordo como direito de guerra da época e de acordo como que manda o Torah" (Bíblia) (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 270. O negrito é nosso.).

Então, o livro do Centro de Divulgação do Islam para a América Latina se exprime de modo bem claro: Maomé agiu, nesse caso, de acordo com a Torah.

O que é confirmado pelo livro que estamos resumindo com as seguintes palavras:

"Nas tradições proféticas consta que o Profeta, quando ouviu a decisão de Saad, disse: Decidiste conforme as leis divinas" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 270 O negrito é nosso.).

 

V - Tentativa de Maomé de peregrinar a Meca

Seis anos depois da Hégira -- fuga de Maomé para Madina -- ele desejou voltar à sua cidade natal, para ir rezar junto à Caaba.

Diz Aminuddin Mohamad:

"Os muçulmanos oravam em direção a ela, e eram continuadores da missão de Abraão" (Aminuddin Mohamad, op. cit. ,p. 283)

Ora, o mesmo autor havia dito que, em Madina, Maomé estabelecera que se devia rezar em direção a Jerusalém, e não em direção à Caaba (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 83 e 183).

Frise-se ainda que os muçulmanos se tinham -- como se têm -- como continuadores da missão de Abraão.

Conta, pois Aminuddin Mohamad que no ano sexto da Hégira, Maomé saiu de Madina com 1.400 homens, para ir fazer suas orações em Meca.

"Vestiram o "Ihraam" -- [''veste branca que o peregrino enverga"] -- com intenção de Umra [pequena peregrinação] e levaram consigo 70 camelos para "Curban" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 284).

Maomé mandou dizer aos coraixitas que vinha como peregrino:

"Dize-lhes que não viemos lutar, viemos somente para Umra e a prova disso são os animais de sacrifício e o Ihraam" (Aminuddin Mohamad, op. cit. ,p. 285) .

Essas duas citações acima nos informam algo muito interessante:

1)      Que a princípio os maometanos faziam sacrifícios de animais, coisa proibida, agora, entre eles;

2)      Que as coisas que estavam destinadas a serem sacrificadas a Deus, eles as chamavam de "Curban".

Ora, essa palavra e a mesma que os fariseus usavam, com base na Mishnah, para designar uma coisa consagrada a Deus, pois se lê no Evangelho de São Marcos:

"Porém, vós dizeis: Se alguém disser a seu pai ou à sua mãe: é Korban (isto é, é dom) é oferta a Deus qualquer coisa minha que te possa ser útil; e não lhes deixais fazer nada em favor de seu pai e de sua mãe, violando a palavra de Deus por uma tradição, que tendes transmitido de uns aos outros; e fazeis muitas coisas semelhantes a essas" (São Marc. VII, 11).

Cristo condenou o costume fariseu de considerar uma coisa Korban, ofertada a Deus, para não dá-la aos pais.

A palavra Korban e esse costume dos fariseus provinham da Mishnah (Cfr. Mishnah, tratado Nedarim, I,2-3-4)

Disto se conclui que, os muçulmanos tinham aprendido a prática de fazer Korban dos "gênios de Israel", isto é, dos rabinos judeus que os haviam ensinado e guiado, no princípio do maometismo. Portanto, originalmente, o maometismo foi uma seita messiânica judaica, obediente, o quanto possível, à Mischnah. Posteriormente, outros rabinos recusaram ver em Maomé, o "último Profeta esperado por Israel, isto é, o Messias, porque Maomé era árabe e não judeu, e porque ele ousou reconhecer Cristo como profeta, o que esses rabinos mais radicais não podiam tolerar. E finalmente, houve a questão da Quibla de Jerusalém ter sido abandonada por Maomé. Daí a ruptura dos judeus com o maometismo".

Nesse tempo, os seguidores de Maomé lhe prestavam um culto, com práticas que se repetirão em muitas seitas messiânicas, seja do fim da Idade Média, seja do século XX:

Diz uma testemunha árabe coraixita, que visitou o acampamento maometano, por ocasião dessa tentativa de Maomé de ir visitar Meca e rezar junto à Caaba:

"Eu nunca vi algum rei entre os seus homens como vi Mohamad entre os seus companheiros; os seus companheiros gostam dele e honram-no tanto que cuidadosamente apanham todo o seu cabelo que cai no chão, quando faz a ablução não deixam um único pingo da água com que ele faz a ablução, cair no chão; quase que lutam para aproveitarem essa água e esfregam-na no corpo. Quando ele fala, há um silêncio total e ninguém troca os olhares com ele" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 287).

Urwah Bin Massud As-Sacafi, líder dos árabes de Taif, testemunha esse verdadeiro culto a Maomé, dizendo que nunca vira alguém fazer isso para um rei.

Pois isso mesmo foi feito para o pseudo Messias Tanchelm, na Idade Média, como também para outros, no século XX.

Se Urwah Bin Massud As-Sacafi não viu isso ser feito para mais ninguém, eu vi... Meninos eu vi.

Dessa vez, Maomé não conseguiu entrar em Meca, mas foi feito um acordo em Hudaibiya, entre ele e os coraixitas, pelo qual, no ano seguinte, Maomé com os seus seguidores, poderia peregrinar a Meca, sob certas condições.

 

VI - Vitória de Maomé sobre os judeus de Khaibar

Este fato se deu no ano de 629, ou sétimo ano da Hégira.

Após a separação de alguns grupos judeus do maometismo, porque não aceitavam que o Messias fosse árabe, e nem que ele reconhecesse Cristo como profeta, esses grupos judeus retiram-se para Khaibar, organizando, lá, várias fortalezas.

"Os judeus de Banu Nadhir e Banu Coraiza - [que haviam seguido a Maomé, no princípio de sua pregação, aceitando-o como o Profeta esperado, isto é, como o Messias de Israel] -- quando foram expulsos de Madina, também foram radicar-se em Khaibar; os corações desses judeus estavam cheios de ódio e inimizade para com os muçulmanos. Conjuntamente começaram a planejar conspirações  contra os muçulmanos e arrastaram nisso outras tribos árabes hostis a Mohamad (o leitor recorda que foi com grande esforço desses judeus, que mobilizaram todas as tribos contra Mohamad, tendo depois ocorrido a batalha da Trincheira, que fez tremer Madina)" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 306).

"(...) o novo líder dos judeus, chamado Ussair Bin Razzan, convocou todas as tribos judaicas e proferiu um discurso" [conclamando-as à luta] (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 306).

"A comunidade judaica que vivia em Khaibar era a mais forte, mais rica e muito melhor equipada em armamento de guerra do que qualquer povo da Arábia. Esses judeus tinham a noção de que aquele era o seu último destacamento contra Mohamad; se eles perdessem seriam talvez tratados como foram os judeus de Banu Coraiza" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 309).

Conforme o relato que estamos seguindo, Maomé tinha consigo 1.600 homens, dos quais apenas cem eram cavaleiros, enquanto os judeus tinham mais de 20.000 combatentes. (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 308-310)

Em meio aos combates, foi capturada uma judia, Sufiya Bin Huyay Bin Akhtab, filha do chefe de Banu Nadhir, e que era casada com Khana Bin Rabi Bin Ubai Al Hokaik, que se casou então com Maomé e recebeu, depois, o título de "Mãe dos crentes" (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., pp.,  313- 314).

"Os muçulmanos tomaram todos os despojos capturados, mas todas as cópias do "Torah" foram devolvidas aos judeus. Esta conduta foi totalmente diferente da que os romanos tiveram para com os judeus, quando conquistaram Jerusalém, queimando e pisando todas as Escrituras sagradas dos judeus que apanharam no templo.

"E também diferente da atitude dos cristãos, quando estes perseguiram os judeus na Península Ibérica, onde queimaram todas as cópias do Torah. Com essa comparação, perguntamos: Quem é mais tolerante?" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p 315).

Ora, isso é completamente falso, pois a Igreja sempre admitiu o Antigo Testamento como verdadeiro. O que, muitas vezes se queimou, foram exemplares do Talmud, e não do Antigo Testamento que a Igreja Católica reconhece como parte integrante da revelação divina.

Após a vitória, Maomé não exterminou essas tribos judias, mas as perdoou, e as deixou cuidando de seus campos, apenas cobrando delas um tributo anual sobre suas colheitas.

A obra escrita por Aminuddin Mohamad afirma, várias vezes, que o Islam defende a igualdade de todos os homens, e condena o racismo. Porém, com relação aos judeus, essa condenação do racismo não é tão clara, pois nessa obra que estamos resumindo se lê:

"Depois da conquista de Khaibar, o Profeta, juntamente com os muçulmanos permaneceu ali por mais alguns dias. Ele já tinha dado a segurança total aos judeus; no entanto os judeus são um povo com mau instinto e inconfiável" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p 315).

E, como prova disso, se narra uma nova tentativa dos judeus de assassinar Maomé.

No livro de Aminuddin Mohamad, se lê, então, que “Até aquela data, os muçulmanos enfrentaram agressões de todos os lados e, por isso, estavam mais concentrados na defesa, não podendo dispensar muito tempo na aprendizagem do islamismo em pormenor. Mesmo assim, através dos esforços do Profeta, o analfabetismo, que era muito vulgar na Arábia, já estava erradicado entre os muçulmanos”.

“Já todos sabiam ler, escrever, e agora eram os mesmos filhos dos nômades, bárbaros, bêbados, etc. que se tornaram, numa ação, teólogos, professores, historiadores, estadistas, administradores, generais, e piedosos" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p 318).

Do número dos alfabetizados, porém, deve se excluir o próprio Maomé, que continuou analfabeto até a morte.

Maomé instituiu a ordem das orações e as proibições quanto à comida, proibições muito semelhantes às judaicas.

"Agora que estavam instituídas as orações diárias em congregação, o jejum, a caridade, a proibição das bebidas alcoólicas, vieram a seguir mais reformas sociais, assim como diz Aicha, esposa do Profeta: "As reformas foram graduais consoante o tempo". Nesse caso veio a proibição de comer todos os animais que utilizam as suas patas dianteiras ou garras para se alimentarem e veio também a proibição dos animais e aves carnívoros, proibição de carne de burro e mula, proibição de casamento "Mutá" (era o casamento temporário praticado na época da ignorância -- antes do Islam -- e no início)  e veio também a proibição de relações sexuais  com  a esposa antes de ter a certeza de que o útero está livre, por isso deve-se esperar um mês e se estiver grávida esperar até ela dar a luz. Veio também (neste ano) proibição de venda de ouro e prata em moldes desiguais". (Aminuddin Mohamad, op. cit. p 319).

 

VII - A conquista de Meca

No ano 630, o oitavo da Hégira, Maomé partiu com 10.000 homens para Meca, visando conquistá-la.

A vitória se deu quase sem nenhuma luta, tendo havido apenas uma resistência mínima.

Conta Aminuddin Mohamad que Maomé dividiu suas tropas para entrarem na cidade por várias direções diferentes, recomendando que se evitasse derramamento de sangue, só respondendo com armas, caso houvesse ataque mortal.

"Quando as quatro divisões estavam prestes a marchar, o Profeta ouviu Sáad Bin Ubadah a dizer: "Hoje é o dia da batalha, dia de grande guerra, dia em que todas as proibições serão abolidas". Ao ouvir estas palavras o Profeta disse: "Não! Sáad errou, hoje é o dia em que Deus engrandecerá a Caaba", e depois afastou Sáad Bin Ubadah do posto de chefe e colocou em seu lugar o filho Kais. O Profeta tentou esta medida porque, depois de ouvir isso, se deixasse continuar Sáad Bi Ubadah no seu posto, decerto que esse comandante violaria a ordem do Profeta de não derramar sangue no recinto de Macca" (Aminuddin Mohamad, op. cit. , p. 339. Sublinhado e negrito são nossos.).

O que Sáad proclamou, que aquele dia da vitória de Maomé, seria o "dia em que todas as proibições seriam abolidas", era exatamente o que proclamava a Cabala judaica, e os judeus, em geral, crêem que o dia do triunfo do Messias esperado, seria o "dia em que todas as proibições serão abolidas".

As palavras de Sáad Bin Ubadah estavam pejadas de messianismo judaico. Ora, esse Sáad Bin Ubadah fora apresentado já por Aminuddin Mohamad como sendo um judeu, chefe da tribo judaica dos Khazrij (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 261).

Portanto, Sáad Bin Ubadah era um dos judeus que aceitara Maomé como o último profeta esperado pelos judeus: o Messias de Israel.

Curioso é que Maomé se apressou a desmentir o anomismo messiânico de Sáad Bin Ubadah e o destituiu de seu comando, mas substituindo-o pelo filho de Sáad Bin Ubadah -- que era também judeu, é claro.

Maomé, assim agindo, recusava o anomismo messiânico judaico - o que vai ser provavelmente também uma das causa da ruptura dos judeus com Maomé -- mas sem querer romper totalmente os laços que tinha com os judeus, pois que deu o comando ao próprio filho de Sáad Bin Ubadah.

Tal expectativa anomista -- abolição de todas as proibições - no reino messiânico, recusada por Maomé na tomada de Meca, vai se perpetuar no islamismo shiita. Os Shiitas duodecimanos acreditam que, com o advento do Imam escondido, Imam Mahdi, as proibições da lei serão abolidas (Cfr. Henry Corbin, En Islam Iranien, Gallimard, Paris, 1971, 4 vol.; e Christian Jambet, La Grande Réssurection d' Alamut,  Verdier, Dijon, 1990).

A conquista de Meca é apresentada por Aminuddin Mohamad como sendo a realização de um texto do Deuteronômio de Moisés.

"O Profeta já estava a preparar a sua entrada na cidade e assim a profecia da Bíblia vinha a ser cumprida:

"2- Disse pois o Senhor veio do Sinai e lhes subiu de Seir, resplandeceu desde o monte Paran (ou Faran, antigo nome de Meca) e veio com dez milhares de Santos à sua direita, havia para eles o fogo da lei . Deuteronômio 33, 2." (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 340. O negrito é nosso).

Ora, o verdadeiro texto do Deuteronômio é um tanto diferente desse que foi citado. No texto verdadeiro não aparece o número dez. E o final também é diferente, pois diz: "Na sua direita uma lei de fogo" (Deut. XXXIII, 2).

Depois da conquista de Meca, Maomé teria destruído todos os ídolos e pinturas da Caaba, acabando coma idolatria entre os árabes.

"Depois do discurso proferido e do perdão concedido aos inimigos, o Profeta entrou na Caaba e viu as suas paredes cheias de pinturas de anjos e profetas. Havia estátuas de Abraão e Ismail, representados com flechas de adivinhação na mão, e também a estátua de Jesus" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 343).

 

Maomé após a Conquista de Meca -
Atribulações conjugais

Os Ansar, que haviam recebido Maomé em Madina, temiam que, após ter conquistado a sua cidade natal, ele não mais retornasse a Madina.

Maomé os convenceu logo do contrário, prometendo-lhes viver sempre lá, com eles.

A conquista de Meca e a adesão dos coraixitas ao Islam facilitaram sobremaneira a que todas as demais tribos árabes aderissem à doutrina de Maomé.

Conta-se que foi por esse tempo que uma esposa copta de Maomé, chamada Maria, teria tido dele um filho que foi chamado de Ibrahim, mas que viveu apenas dezessete meses.

Relata, então, Aminuddin Mohamad, alguns dissabores conjugais de Maomé. Limitar-nos-emos a copiar o que diz o livro do Centro de Divulgação do Islam para a América Latina:

"O Profeta passou toda a sua vida longe do luxo e com o mínimo de alimentação e às vezes até com fome Em toda a sua vida nunca teve duas refeições seguidas e completas. Mas por outro lado as suas esposas não eram inspiradas. Elas estavam sujeitas aos mesmos sentimentos que outras mulheres têm normalmente; por isso as esposas do Profeta eram mais delicadas, pois ainda apreciavam as belezas e o luxo. Apesar do convívio com o Mensageiro de Deus torná-las distintas, o instinto humano normal não ficou eliminado, porque elas pertenciam a famílias distintas nobres e criadas no luxo. Por exemplo, Umm Habiba era filha do chefe dos coraixitas (Abu Sufiyan); Jaweiryah era filha do grande chefe de Khaibar [era, portanto, judia]; Aicha era filha de Abu Bakr; e Hafsa era filha de Omar. Por isso, agora que o Profeta tinha gasto mais dinheiro e tempo com a sua esposa Maria depois de ela dar à luz um rapaz, elas não queriam ser privadas desse privilégio, especialmente agora que o país islâmico já se tinha tornado rico em abundância de despojo. Elas achavam que uma percentagem mínima disso já serviria para lhes proporcionar um sossego e relevo relativo na vida. Além disso, à base do instinto humano, existia entre elas a rivalidade e cada uma desejava sobressair mais que as outras no amor ao Profeta" (Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 363-364).

Isso deu aso a um incidente entre as demais esposas de Maomé contra Maria, por ela lhe ter dado um certo mel.

Especialmente Aicha e Hafsa pressionavam Maomé.

"O que Aicha e Hafsa estavam a pressionar era um assunto particular delas, mas, além disso, havia outro assunto que causou conflito entre o Profeta e suas esposas, originado destas, pressões sobre ele. Exigiam a extensão e o aumento das provisões e mais dinheiro para as despesas da casa" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 365)

"Como o Profeta não podia aceitar o pedido delas, ficou tão comovido com essas exigências que decidiu não se encontrar mais com elas durante um mês. Coincidiu que nesse período o Profeta caiu do cavalo e feriu-se na perna; então se isolou no piso de cima da sua casa, colocando o seu empregado chamado "Rabah" [Sic!] na porta  e recusou falar com qualquer pessoa a respeito delas" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 365).

Mas que interessante...

Então, o empregado pessoal de Maomé se chamava "Rabah"...

E "Rabah" entre aspas...

E por que as aspas?

Rabah é um nome tipicamente judeu.

Havia, pois, judeus que permaneceram fiéis a Maomé, e o aceitavam ainda como o Messias de Israel, isto é, como "o último Profeta"!

Maomé teve então um escrivão judeu, para tomar nota de suas revelações, redigi-las, e para encarregar-se de sua correspondência em hebraico, evidentemente não com japoneses, mas com os "gênios" ou rabinos de Israel, aos quais ele deveria consultar quando tivesse dúvidas sobre o livro, como lhe foi recomendado pela Surata Iunes (Surata X, 94).

Teve ainda uma esposa judia, Sufiya Bin Huyay Bin Akhtab, filha do chefe de Banu Nadhir.

E agora ficamos sabendo que até o seu empregado de quarto se chamava "Rabah".

Voltemos à cópia do livro tão interessante de Aminuddin Mohamad.

"As pessoas, ao verem o Profeta sozinho, julgaram que ele havia se divorciado de todas as suas esposas, o que não era verdade. O Profeta não podia perder o seu tempo naquelas disputas familiares (...) O profeta, com este período de separação, quis dar tempo às suas esposas para repensarem nas suas exigências e para o ciúme abrandar, mas em todos os lados de Madina já corria o boato de que o Profeta se divorciara das suas mulheres. Os muçulmanos ficaram preocupados com essa situação" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 365).

"Omar Ibn Al-Khattab - [o futuro Califa] -- dizia:

"Antes do Islamismo nós não tínhamos qualquer consideração pelas nossas mulheres, só quando Deus revelou  a respeito delas e o direito delas é que começamos a ter consideração por elas. Certo dia, repreendi a minha mulher  sobre um assunto, e então ela em troca respondeu-me, exaltando-se; eu, estranhando, perguntei-lhe: "Estás-me a responder exaltando?". Ela respondeu: “estou admirada contigo, ó filho de Khattab! Tu não gostas de ser respondido enquanto a tua própria filha (Hafsa) critica e responde a seu marido (o Profeta Mohamad) e o faz tão fortemente que o profeta fica aflito e incomodado o dia todo".

"Ao ouvir isso, eu levei o meu manto e fui diretamente ter com minha filha Hafsa, esposa do profeta, e perguntei-lhe: Ó minha filha! É verdade que tu argumentas com o Profeta e o criticas tão fortemente que ele fica aflito e incomodado durante o dia todo?"

Hafsa confessou, dizendo: "Sim! Eu e as outras suas esposas costumamos criticá-lo". Então eu lhe disse: "Receio para ti a vingança de Deus e a ira do seu Mensageiro, ó minha filha! Não te deixes enganar por aquela mulher que se tornou muito vaidosa por causa de sua beleza e do amor de Mohamad para com ela. "A seguir saí e  fui ter com Ummi Salma, e perguntei-lhe a mesma coisa. Ummi Salma respondeu: "Ó filho de Khattab, tu és mesmo admirável! Queres interferir em tudo, até nos assuntos particulares entre o Profeta e suas esposas".

Eu fiquei envergonhado, saí dali e fui-me embora". (Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 365-366).

No dia seguinte, tendo em vista o aumento dos rumores sobre o divórcio de Maomé, Omar insistiu em ser recebido por ele, que afinal concordou, e lhe desmentiu o boato. Depois disso, ambos desceram juntos para o andar térreo e foi aí que teriam sido revelados os versículos seguintes do Corão:

"Ó Profeta, dize às tuas esposas, se é a vida deste mundo que quereis, com seus adornos, vinde, dar-vos-ei vossa provisão e conceder-vos-ei uma livre e generosa libertação. Mas se for Deus e seu Mensageiro e a última morada que quereis, Deus preparou para as virtuosas de entre vós, uma recompensa magnífica" (Corão, Surata 33, 28) (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 365).

[Ora, Aminuddin Mohamad não cita perfeitamente o Corão nesse passo, pois a Surata XXXIII, 28, diz, segundo a tradução do Corão de Samir el Hayek:

"28- Ó profeta, dize a tuas esposas: se ambicionardes a vida terrena e suas ostentações, vinde! Dar-vos-ei vosso dote de liberdade e me divorciarei de vós decorosamente.

"29- Outrossim, se preferirdes a Deus, a seu Apóstolo e à morada eterna, certamente Deus destinará para as caritativas dentre vós, uma magnífica recompensa" ( Corão, Surata 33, 29-29. O negrito é nosso para salientar o trecho do Corão que Aminuddin Mohamad não citou).

"À luz dessa revelação, Deus ordenou ao Profeta para dar opção às suas esposas e por à frente delas este mundo e o outro. Todavia, todas elas arrependeram-se reconhecendo o seu erro, recuperaram o bom senso  e escolheram ao Profeta e o outro mundo. Com esta revelação pôs-se termo, de boa forma, ao assunto, e o Profeta continuou a conviver com elas normalmente, recuperando a paz necessária para conseguir cumprir a sua missão.

"Era um assunto puramente particular entre o Profeta e suas esposas" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 367).

Compreendemos que esse é um assunto puramente particular, e que nele nada há que seja mito.

 

Maomé nomeia Abu Bakr para representá-lo no Haj

Maomé, no ano nove da Hégira nomeou Abu Bakr para representá-lo no Haj. (A grande peregrinação à Meca).

"Abu Bakr seguiu para Macca, levando vinte e cinco camelos para sacrifício, vinte dos quais da parte do Profeta e cinco de sua parte" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 380).

De onde se vê que, então, os maometanos faziam sacrifícios de animais, tais como os faziam os judeus, no Templo, antes de sua destruição.

O próprio Maomé só realizou o Haj pessoalmente acompanhado por 114.000 peregrinos, pouco antes de morrer, no ano dez da Hégira.

Ele foi a Meca levando 100 camelos para serem sacrificados (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 398).

Maomé morreu no ano 632.

Imediatamente houve divergência sobre a sucessão de Maomé. Da discussão saiu eleito Abu Bakr, como Califa do Islam e representante substituto de Maomé (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 423).

 

VIII - Conclusão

Relembramos que só escrevemos este trabalho, em resposta ao artigo agressivo e blasfemo de um muçulmano, atacando a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao afirmar que ela não passa de um mito. O autor, injuriosamente, compara Cristo com Adonis, Osiris e outros seres mitológicos, e declara explicitamente que quer destruir o “Mito" do Redentor Jesus Cristo.

Limitamo-nos, como resposta, quase que só a dar citações de um livro do Centro de Divulgação do Islam para a América Latina, obra de autoria de Aminuddin Mohamad.

Esse volume insuspeito nos dá informações preciosas sobre o que aconteceu, de fato, na Arábia do século VII, quando do início da pregação de Maomé.

Aminuddin Mohamad, em seu livro, mostra que houve uma profunda influência, e mesmo aliança, de judeus com Maomé, pelo menos no princípio do Islam. Demonstra Aminuddin Mohamad que houve grupos judeus que esperavam, então, o advento do "ultimo Profeta" de Israel, isto é, do Messias judaico.

Inicialmente, "Gênios" judeus examinaram Maomé, e reconheceram nele os sinais de que ele era esse "ultimo Profeta", isto é, o Messias que iria instaurar o Reino Messiânico. Por recomendação desses "gênios" de Israel-- possivelmente rabinos judeus -- as tribos judaicas que viviam em torno de Yaçrib, aliaram-se a Maomé, e lhe deram apoio decisivo.

Os judeus da Arábia cercaram e envolveram Maomé, instruíram-no, influenciaram profundamente a sua doutrina, que reconhecia explicitamente o Antigo Testamento como O Livro de Deus por excelência, deram-lhe apoio religioso, político e militar, contribuindo largamente para a sua vitória. (Em outro trabalho, que redigiremos em breve, veremos a influência judaica no texto do Corão árabe).

Entretanto, logo houve uma crise entre os rabinos judeus e Maomé, embora alguns deles apoiassem Maomé até o fim. Possivelmente, o fato de que Maomé era árabe causou seu repúdio, como Messias, por parte de rabinos mais ortodoxos, que não aceitavam um Messias que não fosse judeu.

Uma segunda razão desse repúdio teria sido a posição de Maomé sobre Jesus Cristo. Para Maomé, Jesus era um Profeta e não o Filho de Deus, a Sabedoria de Deus encarnada. Ora, os rabinos mais radicais nem isso podiam tolerar: Cristo nem como simples profeta poderia ser considerado.

Finalmente, uma terceira razão que levou à ruptura do acordo entre Maomé e os judeus da Arábia teria sido o fato de que Maomé optou pela Caaba de Meca como ponto de orientação (Quibla) das orações do Islam, quando antes ele só rezava em direção a Jerusalém. Maomé teria recusado a opinião dos rabinos de que só Jerusalém deveria ser a cidade dos profetas. A adoção de Meca como Quibla em vez de Jerusalém era sinal inequívoco de que Maomé queria libertar-se dos rabinos, que o haviam instruído e apoiado em sua pregação, para arabizar a nova religião, acabando com o sonho messiânico judaico, inicialmente acalentado.

Poderia alguém estranhar tão grave erro de julgamento por parte de alguns rabinos ao aceitarem um Messias árabe para Israel.

Entretanto, esse não é caso único na História do Judaísmo. O caso de Sabbatai Tzevi, no século XVII, foi o mais escandaloso já ocorrido no messianismo judaico.

Também no caso de Sabbatai Tzevi, o rabinato se dividiu desigualmente. A grande maioria dos rabinos aceitou Sabbatai como o Messias prometido. Poucos rabinos o condenaram, desde o princípio. Multidões de judeus do mundo inteiro tudo abandonaram para se dirigirem à Palestina, a fim de acompanhar a marcha triunfal do Messias Sabbatai até Constantinopla, onde ele converteria o Sultão turco, e, com o seu apoio militar, invadiria a Itália, e destruiria o papado e o cristianismo.

Na hora H, diante do Sultão, Sabbatai renegou o judaísmo e se fez muçulmano (Cfr. Gershom Scholem, Sabbatai Sevi, The Mystical Messiah, Princeton University Press, 1975).

Com Maomé, o caso foi parecido: um pseudo Messias aceito e cultivado, inicialmente, por rabinos fanáticos, vindo, depois, o abandono, e, enfim, a decepção.

O Califa Otman se encarregou, depois, de apagar o que podia, dos traços de influência judaica no islamismo.

Foi Otman o responsável pela redação atual do Corão, ordenando os seus capítulos pelo tamanho deles!!!

Como dissemos, pensamos examinar, noutro trabalho, o texto do Corão.

No Corão constataremos que se proclama, em inúmeras passagens, que o verdadeiro Corão foi dado a Moisés, e não a Maomé. Veremos que, no Corão atual dos árabes, se confessa que Maomé só veio confirmar o que fora revelado a Moisés e aos profetas judeus.

Constataremos, que, no Corão árabe, há uma enorme quantidade de citações do Antigo Testamento, do Talmud, da Mischnah, dos comentários rabínicos (os Midrashes), livros judaicos que Maomé, sendo analfabeto, não podia ter conhecido tão detalhadamente.

De tudo isso se conclui que o título de "O Último Profeta" atribuído a Maomé, tem o sentido de Messias de Israel, ou seja, de "o último Profeta de Israel", função que Maomé exerceu bem pouco tempo.

No principio, o Islam esteve envolvido profundamente com o Judaísmo, daí o seu anti trinitarismo radical. Esse envolvimento foi dramaticamente rompido, depois de breve aliança. Ambos os grupos se julgaram, e se disseram, traídos. Israel se considerou enganado e traído pelo profeta que acalentara. Maomé e os árabes se sentiram traídos pelos judeus, que haviam assinado um acordo com eles. Não estaria, nesse drama e cisão iniciais, uma das causas da oposição atual ente Israel e o Islam?

É certo que, pelo menos, essa mútua acusação de traição não contribuiu para apaziguar a antiga rivalidade entre Isaac e Ismael.

Por tudo isso se vê claramente que, historicamente, mito, de fato, é considerar Maomé o "último Profeta"... dos árabes.

In Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli

 


    Para citar este texto:
"Maomé - Origens do Islamismo"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/cadernos/apologetica/maome/
Online, 27/05/2017 às 20:00:27h