Montfort Associação Cultural

17 de outubro de 2005

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Zigoto

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Glauco
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Religião: Católica

Na resposta ao sr. Lucas, Vanini disse que o zigoto é um ser humano em potencial.
Disse também que o zigoto unicelular já tem regiões suas correspondentes ao sistema nervoso.
Que regiões são essas ?

Gostaria que à luz da embriologia detalhasse melhor afinal que regiões são essas, pois pensei que só havia regiões correspondentes ao sistema nervoso, um mês e meio depois.

O problema dos materialistas é que o zigoto parece uma gema de ovo e não uma pessoa.

Eles desafiam: se tivéssemos quatro embriões num micorscópio e uma criança de um ano ao seu lado e vc só pudesse salvar ou os 4 ou a criança, quem vc salvaria ? Se respondemos que é a criança, dizem que somos hipócritas, porque no fundo sabemos que os embriões não são seres humanos que naturalmente mereçam os mesmos direitos de uma criança.

Dizem também que X em potencial é diferente de X. Então, ser humano em potencial não é ser humano.

Prezado Glauco, salve Maria!

De fato, a resposta ao consulente Lucas pode gerar uma interpretação de que há na célula zigótica uma região citoplasmática que originará o tecido nervoso. No entanto, numa visão proximal, o tecido nervoso propriamente é proveniente da ectoderme. Escrevi de
modo simplificado, conforme requeria a compreensão do consulente.

O que ocorre, na verdade, é que as primeiras divisões mitóticas do zigoto já carregam conteúdo celular diferenciado, fruto de uma polarização celular do próprio zigoto. As primeiras clivagens não resultam em células idênticas, mas a diferenciação celular posterior provém dessa divisão desigual de conteúdo citoplasmático. Cada blastômero, posteriormente, sinalizará para uma expressão gênica diferente.

O fato do zigoto já apresentar polarização do conteúdo citoplasmático mostra que desde a fecundação há um desenvolvimento nada aleatório do ser humano. Isso serve para derrubar a idéia do “pré-embrião”, inventada recentemente, para justificar a existência de uma fase indiferenciada antes do embrião, que permitiria a morte daquele ser ainda “não-humano”. Certamente, de uma região já determinada no zigoto virão as células da ectoderme e, posteriormente, do tecido nervoso. No entanto, eu não saberia indicar na célula, qual é essa região.

Porém, continuando sua consulta, não é verdade que as regiões correspondentes a sistema nervoso aparecerão somente um mês e meio depois da fecundação, pois, já na terceira semana se dá a formação da linha primitiva, tubo neural, notocorda e linha neural. (Cfr.: http://www.logic.com.br/prof.cynara/embriologia.htm#prisem).

Também o termo “ser humano em potencial” foi colocado sem uma precisão metafísica, mas de acordo com o nível que fora exigido na pergunta. Entenda o sofisma da argumentação materialista, que se utiliza mal da vaga expressão “ser humano em potencial”:

    Se eu tenho uma tela branca de pintura, ali há um quadro em potencial, mas não pode ser considerado quadro. Já se eu tenho uma tela, um pintor genial, a tinta, a idéia, a inspiração e o ato de pintar, tenho tudo o que é necessário para ter um quadro. Qualquer um desses itens que faltasse, seria impossível obter o quadro. Eu até encomendaria aquele quadro, pagando adiantado se fosse o caso, e já teria direitos sobre ele. No segundo caso, há a causa material (pincel, tinta, tela, etc), a causa eficiente (o pintor) e a causa formal (a idéia e inspiração, por exemplo). No primeiro, há apenas a causa material. Se é assim com o quadro, que se dirá com um zigoto? Nele, todas as causas, incluindo parte da causa material, estão em seu próprio ser. A maior parte da matéria virá da mãe, mas a causa final para que o efeito “ser humano” se cumpra já existe desde a concepção. O ato gerador do
efeito é a concepção, que inicia o movimento. No caso do pintor, este ainda tem a liberdade volitiva de recusar-se a pintar. Já o zigoto obedece cegamente às leis da natureza.

Considerando que:

1) todo ser possui matéria e forma e
2) a matéria é causa da individuação;

dada a fecundação, resta apenas continuar a atualização material daquele indivíduo, que já possui matéria e forma. Aquele indivíduo não existe enquanto não houver a fecundação. Cumprida a fecundação com sucesso, há instantaneamente a criação de uma alma humana para aquele ser, dado que todo o movimento desde o princípio tem como fim gerar um homem pleno.

Se tomarmos apenas uma célula somática qualquer, ela possui DNA e matéria humana e todos os genes próprios daquele indivíduo. É como se tivéssemos a tinta, o pincel e a tela – e até mesmo a idéia -, mas não tenho o pintor e o ato de pintar.

Compreendeu a diferença? Fugir dessa explicação é cair em mais um sofisma. Assim se faz para confundir a sociedade e jogá-la contra a existência de vida humana desde a concepção. O zigoto já possui o material genético de ser humano, sinalização para o
desenvolvimento, matéria que provém da mãe e um direcionamento determinado pela existência da alma, que dá forma humana àquele ser (e não outro ser, pois a alma determinará a forma). Portanto, acertam os Papas, que ensinam que a vida da pessoa humana começa no primeiro momento da concepção.

Espero ter podido ajudar.

No Coração de Maria Santíssima,
Fábio Vanini.

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