Montfort Associação Cultural

2 de setembro de 2004

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Wicca e Satanismo

  • Consulente: Flavia
  • Idade: 23
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído

Meu senhor,

ate aonde eu me informei, e não foi pouco, sei que Wicca não adora o satanismo, pelo contrário prega respeitar a natureza e a adora-la.

Uma duvida. O senhor já leu alguma coisa a respeito do assunto para opinar ou é daqueles que acha que só de pegar em um livro já se converteu??

Obrigada

Flavia

Cara Srta. Flávia, Salve Maria!

Não entendi a sua dúvida…

Se você esta perguntando como se deu minha conversão para o catolicismo, lhe digo que se passaram longos e amargos anos de busca espiritual e conversão, algumas vezes por caminhos errados, mas com a graça de Deus encontrei a fé verdadeira, que está exclusivamente na Santa Igreja Católica Apostólica Romana, que é o caminho estreito deixado por Nosso Senhor Jesus Cristo, do qual sou indigno seguidor.

Se contudo, você se refere como ouso abordar o assunto da Wicca e do Neo-Paganismo, digo-lhe sem rodeios que estudei sim, tanto em fontes católicas quanto em fontes esotéricas, inclusive da Wicca.

Digo-te mais ainda, minha abordagem é decididamente católica!

Ela é assim porque sou católico, que acredita nos ensinamentos da Igreja, pela Sagrada Escritura e pela Tradição Apostólica.

Vejamos o que diz a Sagrada Escritura: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas…” (Deuteronômio XVIII, 10-12).

Portando, Deus abomina a magia, o feiticismo, a adivinhação, a invocação dos mortos e tudo o mais que é largamente praticado pelos adeptos da Wicca.

Agora, vamos à sua alegação de que “a Wicca não adora o “satanismo”.

Talvez você tenha se confundido e na realidade queira dizer que a Wicca não adora Satanás, pois que satanismo é o culto a Satã.

Mas é certo que a Wica diz adorar o “deus chifrudo”, mesmo que ela diga que esse deus chifrudo não é satanás, essa é uma negativa sem valor, pois qualquer pessoa reconhece que esse deus chifrudo é o próprio diabo.

E não se esqueça que adorar deuses pagãos, mesmo que não tenham chifre e patas de bode, segundo a Bíblia, é o mesmo que adorar a demônios, pois está escrito: “Pois todos os deuses dos pagãos são demônios” (Salmos XCV, 5).

E a Wicca adora deuses pagãos… Como diz adorar o deus chifrudo.

Santo Agostinho, que foi um dos homens mais inteligentes da antigüidade e é aceito como um grande filósofo mesmo pelos ateus e agnósticos, disse: “Algo instituído pelos homens é supersticioso se relativo a confecção e adoração de ídolos, ou se adora a ordem criada ou parte dela como se fosse Deus; ou se ele envolve certos tipos de consultas ou contratos arranjados ou ratificados com demônios, como nas práticas envolvidas nas artes mágicas” (Santo Agostinho, De Doctrina Christiana, apud Edward Peters, Witchcraft in Europe 400-1700, University of Pensilvania Press, cap. 1, p. 44. O negrito é meu).

Superstitio, que é a raiz latina que originou superstição, é o antônimo de Religio, isto é religião. Então, a superstição é o contrário da religião. Se a religião leva a Deus, então a superstição afasta-nos de Deus. E é exatamente a respeito disto que Santo Agostinho nos alerta, dizendo ser superstição adorar a ordem criada (natureza) ou qualquer parte dela como se fosse Deus.

Adorar a natureza é ir contra o primeiro mandamento de Deus!

Deus nos deu a natureza, por isto devemos adorar a Deus criador dela e não à natureza. É como se, por exemplo, alguém desse um biscoito à uma criança e a criança ficasse grata ao biscoito, e não a quem o deu. É um completo absurdo!

Quanto à segunda parte da frase de Santo Agostinho, de que envolve “consultas e contratos arranjados ou ratificados com os demônios”, cabe agora demonstrar como a bruxaria adora e compactua com o demônios.

O livro “Wicca, um estilo de Vida, Religião e Arte” escrito pelo prolixo e conhecido Wiccano Raymond Buckland e editado no Brasil pela editora Nova Era, edição de 2003, em meio a lugares comuns, imprecisões históricas e contradições patentes, dá uma boa idéia dos rituais e da tosca teologia da Wicca.

Segundo a tal teologia Wiccana, existe uma forma “energética” toda poderosa e onisciente, chamada de “Deus/Deusa/Tudo que existe”, que já dá o cartão de visitas claramente panteísta da Wicca (pág. 27), e que registra que os Wiccanos adoram mesmo a natureza. Logo a seguir, contraditoriamente, Buckland diz que os adeptos da Wicca têm dois deuses, que são adorados sob a forma humana, uma deusa da fertilidade, e um deus da caça (pág. 28).

E ainda por cima, logo a seguir diz que o Deus cristão não faz sentido, porque é um só. O que não faz sentido é esta maluquice de que um deus = dois deuses, como acreditado pela Wicca. O que é a afirmação clara do dualismo.

A verdade é que se entra em contradição quando se nega o Princípio de Não Contradição.

Mas a coisa passa a fazer sentido quando percebemos que na verdade há um entendimento errôneo de Deus – Deus criou, Ele foi a causa, e não foi criado. Portanto, Deus é transcendente à criação, e independente da criação ou de ‘tudo que existe’. Deus não faz parte do universo.

Portanto, os tais deus e deusa da Wicca querem se substituir ao “único Deus, Pai onipotente, criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis”.

Na verdade, então os deuses da Wicca são demônios, que se fazem adorar como entidades antropomórficas da Wicca.

É dito que a deusa têm vários nomes: Diana, Artêmis, mãe Terra, deusa da Lua, Freya, Aradia Cerridwen, Morrigan; e que o deus da bruxaria tem os nomes: deus da caça/natureza, deus Terra, Woden, Cernunnos, Herne, Dagda e Pan.

Sejam pura invenção da mente humana ou demônios disfarçados, tais deuses são constantemente invocados e mencionados nos rituais da Wicca, e pede-se que tais deuses forneçam a “força” requerida para o ato mágico:

“Senhor e Senhora, estou aqui com um pedido pessoal… Trabalhem comigo enquanto uso estas velas…” (obra citada, página 186. O negrito é meu).

“Abençoados sejam estas sementes, Senhor e Senhora,… Que o poder, alegria e energia dos deuses fluam por este bastão …” (obra citada, página 300. O negrito é meu).

Buckland ainda comenta em seu livro que uma vez por mês, nas luas cheias, é celebrado o ritual de “puxar a lua para baixo”, que consiste em invocar e adorar a Diana: “Tradicionalmente, neste encontro o Alto Sacerdote pedirá à Deusa que desça até o corpo da Alta Sacerdotisa e, através dela, fale com a assembléia de bruxos” (Raymond. Buckland, op. cit. p. 84).

Diz Buckland que neste ritual a ‘deusa’ pode falar através da sacerdotisa para aconselhar o coven ou mesmo para passar novas magias.

Além disso, a invocação de demônios é praticada na Wicca, como dito por Buckland: “A magia cerimonial é bem diferente (e realmente não faz parte da Wicca, embora algumas Tradições [da Wicca] trabalhem um pouco com ela). Aqui existe uma crença em espíritos, entidades, ou qualquer outro nome que você deseje usar. Vários dos antigos grimoires – os livros antigos de magia cerimonial – realmente os chamam de “demônios”. Prefiro chamá-los de entidades” (Raymond Buckland, Wicca, Um Estilo de Vida, Religião e Arte, Ed. Nova Era, edição de 2003, p. 126).

E Buckland fala que este é um tipo de alta magia, que deve ser praticada somente por adeptos da Wicca mais avançados, pois é uma magia extremamente perigosa, pois a tal “entidade” pode desejar prejudicar o mago. Portanto, são entidades maléficas, espíritos maléficos, ou mais apropriadamente dizendo, demônios.

Os rituais da Wicca sempre fazem a invocação de seus deuses (demônios) para que estejam presentes durante sua sessão: “Senhor e Senhora, Deus e Deusa, eu os convido para entrar neste templo que construí para venerá-los. Estejam aqui comigo e testemunhem estes ritos realizados em sua honra. Que assim seja” (Raymond Buckland, op. cit. p. 64).

Quanto à alegação de que a Wicca nada tem a ver com Satanismo, vejamos a opinião de Diane Vera, uma conhecida autora satanista americana: “A Wicca não é a “Antiga Religião”, apesar dela se inspirar em várias religiões antigas, a Wicca como nós conhecemos é derivada da filosofia ocultista do século 19 – incluindo a filosofia literalmente satânica, dentre outras – projetadas em um deus e uma deusa não cristã, com algum cerimonial mágico estilo Golden Down descristianizado, e adicionado um folclore britânico sortido de virada de século; mais recentemente remodelada pelo estudo Neo-Pagão, pelo feminismo moderno e por preocupações ecológicas. Pelo menos várias partes da intrincada árvore genealógica da Wicca podem ser ligadas ao Satanismo do século 19, do qual algumas formas tem mais em comum com a Wicca de hoje do que com o Satanismo atual” (Diane Vera, Satanism and the History of Wicca, http://www.angelfire.com/ny5/dvera/pagan/HistoryWicca.html). O negrito é meu).

Portanto, Diane Vera diz claramente que a Wicca, ou bruxaria moderna, tem forte inspiração no satanismo do século 19.

Diz ainda Vera, “não é historicamente verdadeiro que a imagem cristã de Satã foi uma reinterpretação do deus da Wicca. Pelo contrário, o conceito Wiccano moderno do deus chifrudo tem sua origem literária na reinterpretação paganizada da imagem do diabo cristão… A idéia de um deus chifrudo associado especificamente com a bruxaria é derivado da ‘caça às bruxas’ cristã e não de uma fonte anterior.” (Diane Vera, op. cit. O negrito é meu).

Então, o tal deus chifrudo, segundo a satanista Diane Vera, é mesmo o diabo cristão.

Diane Vera alega neste artigo, que a Wicca atual quer se apresentar como uma religião que foi perseguida pela caça às bruxas dos séculos XV e XVI (bruxas que na realidade eram satanistas), adotando todos os termos relacionados a elas delas como ‘sabat’, ‘bruxa’ e ‘coven’. Portanto, segundo Diane Vera, foi inventado o mito da Wicca moderna ser uma religião remanescente da caça às bruxas..

Segundo Vera, os rituais da Wicca se devem em grande parte a Aleister Crowley, que influenciou muito a Gerald Brousseau Gardner (o pai da Wicca moderna). Aleister Crowley gostava de ser chamado de “a besta 666”, se dizia o “homem mais maléfico do mundo”, invocava demônios, escreveu invocações a Satan em seus poemas e é o autor da famosa frase usada nos versos de uma canção anárquica do roqueiro brasileiro Raul Seixas: “Faça o que tu queres pois é tudo da lei”.

Um confuso depoimento de um ex-praticante de Wicca, William Schnoebelen, é encontrado no site http://www.chick.com/reading/books/179/179concl.asp . Nele relata um certo ritual praticado enquanto era adepto da Wicca do rito Alexandriano: “A ‘marca dos cascos’ de Satã estavam por toda Wicca, e eles estiveram literalmente sobre mim! Como um alto sacerdote, fiz uma cerimônia invocando meu “eu superior” ou Santo Anjo da Guarda. A entidade que se manifestou fez com que uma vela do templo acendesse abruptamente. Uma pequena bola de fogo ou cera quente (eu nunca soube com certeza o que era) foi lançada através do cômodo e me acertou no antebraço, deixando uma queimadura da forma exata de um casco fendido. Naqueles tempos, eu vi isto como uma grande benção”.

Quer seja verdade ou não o descrito acima, caracteriza uma invocação demoníaca.

Vários símbolos da Wicca são correlacionados com os do Satanismo, como o círculo com pentagrama, usado como proteção para “isolar” entidades malignas.

Dentre as similaridades entre Wicca e Satanismo, podemos listar: _ Ambas usam magia.

_ Ambas invocam torres de proteção.

_ Ambas invocam círculos mágicos.

_ Ambos se chamam de bruxos.

_ Ambos usam ferramentas rituais, como adagas. (Porque adagas? Para sacrifícios?).

_ Ambos usam rituais de Aleister Crowley.

Finalmente, a grande maioria entra ou na Wicca ou no Satanismo interessadas apenas em um hipotético aumento de poder, riqueza e/ou prazer pessoal através do uso da magia. Alguns pensam que este poder provém de si mesmos. Mas se este poder vem da própria pessoa, e portanto é natural, porque em todos os rituais mágicos, principalmente os mais elaborados e tidos como mais poderosos, sempre é exigida a participação de alguma entidade? E porque é necessário se proteger delas?

Simples! Tais entidades são demônios, que algumas vezes exercem seu poder preternatural para com isso condenar à danação eterna às almas que caem em tal armadilha.

Neste nosso contraditório tempo, tentaram aposentar o diabo, e contaram para todos que o inferno não existe. Mas quem contou isto? A ciência? A filosofia? Como podem ter certeza disto? Como podem haver tantas pessoas de formação educacional avançada envolvidos com a bruxaria? Estariam eles iludidos e convencidos pela fortuna?

Não. O diabo realmente existe. O inferno é real. O próprio papa João Paulo II disse na encíclica Evangelium Vitae: “Deus comprova, assim também, que não Se alegra com a perdição dos vivos (cf. Sab 1, 13). Com esta, apenas Satanás se pode alegrar: foi pela sua inveja que a morte entrou no mundo (cf. Sab 2, 24). « Assassino desde o princípio », o diabo é também « mentiroso e pai da mentira » (Jo 8, 44): enganando o homem, levou-o para metas de pecado e de morte, apresentadas como objetivos e frutos de vida” (João Paulo II, Evangelium Vitae, 53).

Não crer na existência do diabo é ir contra um dogma de fé explicitado em toda Escritura e atestado pelo ensinamentos dos Papas. Portanto, tal pessoa não é verdadeiramente católica, mas, como seria dito no famoso manual de caça às bruxas do século XV, Malleus Maleficarum, “é pior do que um pagão e um herege”.

Padres e Grandes Santos da Igreja tais como Santo Agostinho, Santo Isidoro, São Tomás de Aquino, etc. ensinaram a combater a bruxaria e falaram a respeito da natureza do mal e como se dá atuação do demônio no mundo material, mas este é um assunto por demais extenso para se alongar nesta carta.

Sancte Michaele Archangele, Defende nos in praelio.
Paulo Sérgio Pedrosa

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