Montfort Associação Cultural

28 de março de 2012

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“Viúvo” de cantor italiano participa de missa. Unisinos comemora!

Comentários Lucia Zucchi

Artigo publicado pela Unisinos

A sinistra Unisinos – universidade jesuíta do Rio Grande do Sul – publica, defende e faz campanha pelos maiores hereges e combate, evidentemente, todas as boas medidas e escolhas mais católicas dentro da Igreja. Apenas como exemplo, lembrem-se a sua exaltação de Hans Kung (aqui, por exemplo) e o seu ódio contra o Motu Próprio Summorum Pontificum, que não poupa sequer a figura de Bento XVI (aqui e aqui, entre muitos outros).

Mas como a má teologia nunca deixa de ser acompanhada pela má doutrina moral, aí está a Unisinos comemorando a participação ativa do “viúvo” (a palavra atrevida é do próprio texto!) de um cantor italiano em sua missa de exéquias em Bolonha.

O Cardeal Caffara não compareceu: não quereria ou não teria força para impedir o que aconteceu? Coube ao número 3 da Cúria de Bolonha, Mons. Cavina, esboçar uma sutilíssima advertência para resguardar a Santíssima Eucaristia (“Quem deseja se aproximar do sacramento da Eucaristia não deve se encontrar em um estado de vida que contradiga o sacramento”), a qual, ironiza o artigo publicado por Unisinos, “passou quase despercebida (…) como um detalhe burocrático”.

Maus jesuítas, os da Unisinos. Até quando Deus os deixará impunes?

 

Companheiro de Lucio Dalla rompe o véu de hipocrisia na Igreja

 
Marco Alemanno [companheiro do cantor italiano Lucio Dalla] encarnou em uma igreja, e em uma cerimônia que não poderia ter sido mais pública, toda a dignidade de um amor entre homens. A esperança é que a breve oração de Marco por Lucio constitua um precedente.A opinião é do jornalista, escritor e roteirista italiano Michele Serra, em artigo publicado no jornal La Repubblica, 05-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Com a compostura, a dor e a legitimidade de um viúvo, o jovem Marco Alemanno tornou pública a sua homenagem ao seu homem e mestre Lucio Dalla, em San Petronio, depois da Eucaristia, se não quebrando, ao menos lascando o monólito de hipocrisia que pesa, na oficialidade católica, sobre a “desordem ética” em suas várias formas, a homossexualidade acima de qualquer outra.

É importante prestar atenção nisso, embora também seja importante saber que, do lado de fora da basílica, no denso e interminável abraço que os bolonheses dedicaram a Dalla, os seus costumes privados não constituíam um motivo de debate. Senão para louvar e lamentar a familiaridade de rua e de taverna que Dalla tinha com “qualquer um”, o seu promíscuo tomar e dar palavras, tempo e companhia, a sua disponibilidade humana.

Mas dentro de San Petronio a vida privada de Lucio, a sua homossexualidade tão pouco ostentada e jamais reivindicada criava um coágulo que Bolonha começou a dissolver da sua forma, que é compromissória, estruturalmente consociativa. Cidade vermelha e vice-capital do papado, maçônica e curial, burguesa e comunista. Um consociativismo interpretado da melhor forma (ou seja, sem malícia, por pura abertura de espírito) por Dalla justamente, que era amigo de quase todos, interessado por quase todos. Não ter inimigos muito raramente é um mérito. No caso dele, era.

De todos os modos, entende-se que esse coágulo, especialmente para um Cúria que, de Biffi em diante, ganhou uma fama de retrógrada, não era simples de gerir. O bispo não estava presente, nem o número dois, “outros compromissos” incumbiam, e seria enfurecedor perguntar qual compromisso neste domingo era mais urgente para todo habitante da cidade de Bolonha do que ir saudar Lucio.

A homilia foi confiada ao padre dominicano Bernardo Boschi, amigo pessoal do cantor, que, não tendo pesos institucionais sobre as costas, pôde e soube ser afetuoso, respeitoso e livre, e, portanto, próximo à cidade e aos seus sentimentos.

A ingrata tarefa de colocar alguns pontos sobre os “is”, para contrabalançar a quase surpreendente “normalidade” de uma cerimônia tão solene, e ao mesmo tempo tão simples, em que o único leigo que tomou a palavra, à parte do teólogo Vito Mancuso, foi o companheiro de Dalla; essa tarefa ingrata, dizia, foi carregada sobre as costas pelo número três da Cúria, Mons. Cavina, que, em seu breve discurso introdutório, quis recordar que “quem deseja se aproximar do sacramento da Eucaristia não deve se encontrar em um estado de vida que contradiga o sacramento”. Conceito que, dirigido ao círculo de amigos de Lucio presentes na igreja e aos tantos freaks que enchiam a igreja e a praça, também em memória da familiaridade que tinham com Dalla, e Dalla com eles, fazia sorrir: mais do que severo, parecia ser pateticamente inútil, porque, do “estado de vida” das pessoas, do fato de serem ou não canônicas as suas escolhas amorosas e afetivas, a Lucio não importava nem um pouco, nem jamais sonharia, em suas recentes e infelizmente finais incursões na teologia, em estabelecer se as escolhas sexuais interessam a Deus tanto quanto interessam a muitos padres.

No entanto – e, no fim das contas, é o clássico final feliz –, a breve advertência de Mons. Cavina em tutela da Eucaristia e contra os “estados de vida que contradizem o sacramento” (?!) passou quase despercebido e não ouvido. Como um detalhe burocrático.

Marco Alemanno encarnou em uma igreja, e em uma cerimônia que não poderia ter sido mais pública, toda a dignidade de um amor entre homens. Nesse caso, pode-se perguntar quantos homossexuais católicos menos famosos, e menos protegidos pelo carisma de arte, puderam se sentir do mesmo modo membros da sua comunidade. A esperança é que a breve oração de Marco por Lucio constitua um precedente.

Para os homossexuais não católicos, o ditado clerical na matéria não é nem o menor problema: francamente, eles nem se importam. Mas, para os homossexuais católicos, ele é, e como. E é a eles, vendo Marco Alemanno rezar pelo seu homem ao lado do altar, que se volta o pensamento de todas as pessoas de boa vontade.

6 de março de 2012

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