Montfort Associação Cultural

4 de maio de 2006

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Vida pessoal do presidente da Associação Cultural Montfort

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marcela Ribeiro Bueno Teles
  • Idade: 20
  • Localizaçao: Goiânia – GO – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Religião: Católica

Olá, professor! A paz de Jesus Cristo!

Procurei no sítio referências sobre o senhor, mas gostaria de saber mais. O meu interesse em conhecê-lo melhor é o fato de suas palavras estarem sendo muito influentes na minha vida e no meu posicionamento religioso. Digo isso não em relação à mudança de religião para à Católica, pois já era católica antes de conhecer este sítio e já amante da Igreja de Cristo e sedenta pela Verdade. Mas falo em relação à meu posicionamento dentro da própria Igreja. É fundamental para mim saber mais sobre o senhor, pois tenho o desejo de servir a Deus e a Igreja e quero fazer isso no Caminho da Verdade e da santidade. Não questiono o seu posicionamento católico (o que seria absurdo), pois o que me atraiu em seus artigos foi exatamente a maneira racional e contextual de defender a nossa fé, observando a História, Filosofia e a Sociedade. Todas as ciências a serviço da Igreja Católica Apostólica Romana e sua doutrina e não o contrário. Isso me instigou e fascinou. Porém, causou-me inquietação, dúvida e mais questionamentos.

Li alguns artigos e cartas dos leitores e não vi nada que ferisse a fé católica, que eu conheça. Por isso, depositei confiança e credibilidade nos seus argumentos e questionamentos em defesa da fé e da doutrina ensinada pela Igreja Católica. E devido a essa minha confiança em suas palavra, o que pode levar-me à mudança de posicionamento dentro da prórpia Igreja, foi despertado em mim a necessidade em saber sobre sua vida pessoal. Sobre esta pessoa, que sem dúvida é um homem intelectual e de fé católica, que está influenciando tanto os meus pensamentos e poderá ser referência para as minhas decisões e escolhas. Tamanha é sua influência na minha vida, que eu peço encarecidamente que me fale da sua vida. Ou me indique fontes para que eu possa saber. Para dar alguns exemplos, peço que fale (da forma como achar melhor) sobre sua história e a de seus pais até os dias atuais, se é caso e tem filhos, como é seu cotidiano, se ainda leciona e como faz isso sem ser acusado estar fazendo proselitismo na Universidade. o senhor ensina lá com a mesma liberdade e fidelidade que ensina neste sítio? Qual paróquia frequenta? Como é ser cristão católico, para o senhor? Tenho interesse em saber como o senhor pratica a fé católica no seu dia-a-dia. Eu sou nova, é difícil para mim imaginar a prática da fé fora dos movimentos pós Concílio Vaticano II. A minha aproximação com a Igreja, na prática da fé, se deu com um movimento desses (RCC). Por isso, pergunto estas últimas.

Desde já, agradeço! E rogo a Deus que instrua suas palavras para que eu tenha o discernimento desejado por Ele! Que o senhor e sua equipe sejam abençoados pela Trindade Santa!

Muito prezada Marcela,
Salve Maria.
 
     Suas palavras indicam um grande entusiasmo pela Igreja. Isso é fruto da graça de Deus e não de minha pessoa, que não tem importância maior. Claro que gostaria de atendê-la e de ajudá-la a viver, cada vez mais perfeitamente, a nossa Fé. Para isto, devemos fazer duas coisas: conhecer bem a Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja Vida e Morte devem ser modelos para nós, e que procuremos conhecer o nosso próprio desvalor, comparando nossas misérias com a gradeza infinita de Deus Nosso Senhor. É do conhecimento de Deus e de nosso “nada” frente a Ele que nos vem o progresso na vida espiritual..
     Meus pais foram pessoas simples do povo. Meu pai era entalhador de móveis, trabalhando em fábricas a vida inteira. Minha mãe era uma senhora bem simples, que sempre recebeu bem meus alunos, dedicando-se a eles como podia. Ela era uma pessoa comum, sem estudos, que em nada se destacou a não ser pela dedicação aos outros. Morreu no ano passado, aos 96 anos.
    Estudei sempre em colégios católicos (salesiano e maristas), e depois joguei ping-pong e futebol na PUC de São Paulo, durante quatro anos.
    Essa Faculdade já nada tinha de católica. Era um horror. E desde então piorou ainda mais. Conheci lá o “Professor” “Dr”. Plínio Corrêa de Oliveira, que falava bem. E que iludia ainda melhor do que falava. Ele não era formado em História, mas aparentava saber mais do que os demais professores. O que, aliás, não era nada dificil naquela Faculdade de São Bento da PUC da década de 50…
    Querendo compensar os anos de ping-pong e aprender mais, passei a frequentar as reuniões que Plínio dava numa “Sociedade Joseph de Maistre”, que me disseram ter sido um grande católico. Era mentira. Joseph de Maistre fora maçon e esotérico. Ele era tão católico quanto Plínio era Dr. e Professor de História. Os semelhantes se atraem: ambos falavam bem e iludiam melhor.
    Esse grupo de Plínio tinha uma história, que também não me foi contada logo, e nem me foi contada direito, depois. Descobri muito…Mas depois. Naquela época, eles, os do grupo de Plínio, mantinham um jornal — “Catolicismo” — sob a bênção de Dom Mayer, Bispo de Campos. Passei a fazer parte do grupo de Catolicismo, e a praticar a religião. Isso foi em 1955, quando comecei a dar aulas em Colégios estaduais.
    Tive êxito com os alunos e, graças a Deus, converti a muitos. O que me fez ser odiado pelos padres.
    E, naquela época, eu não compreendia por quê. Eram os Padres dos bairros em que eu lecionava que faziam intrigas de todo tipo, até conseguirem me forçar a mudar de Colégio. Sofri a vida inteira por causa da perseguição deles.
    O Clero modernista tem ódios frios e sistemáticos.
    Bendita internet!!!
    Lá por 1960, na surdina, Plínio Corrêa de Oliveira fundou a TFP. Ajudou os militares a darem o golpe de 64, e os militares ajudaram a ele e à TFP.
    Durante 30 anos fiquei ligado a esse professor Plínio, que me colocou lá na tfp num gelo imenso.
    Explico: ele me isolou. Praticamente ninguém falava comigo. Alguns de lá se faziam de meus amigos, mas era só para tirar informações do que eu fazia e pensava. Foi esse isolamento bendito, esse gelo, que me forçou a estudar.
    Estudei Revolução Francesa, Arte, Romantismo, Gnose e Cabala.
    Descobri cada coisa…
    Por exemplo, foi por meio desses estudos que descobri as origens do pensamento de Plínio Correa de Oliveira. Ele era um romântico descabelado — apesar de ser careca até mais do que eu – e seu “pensamento” era “tradicionalista”, no pior sentido do termo. O tradicionalismo fora condenado pelo Concílio Vaticano I, em 1870.
    Coloquei a palavra “pensamento” entre aspas porque Plpinio não pensava. Sentia. Tinha impressões. Explicitava.
    Afinal, descobri que, por trás do estandarte da tfp, onde um leão de barriga cavada estendia uma língua comprida para os que não eram da tfp, Plínio mantinha uma sociedade secreta — A “Sempre Viva” — na qual ele se fazia cultuar como santo vivo — aliás muito vivo –, como profeta, inerrante e imortal.
    Você vê que não é pouco para um “santo” só.
    Saí do grupo da tfp quando descobri isso tudo, e denunciei o culto delirante que na tfp se tributava a Plínio. Publiquei o que descobrira dele, de sua seita secreta, e seus delírios. E há mais…  
    Denunciada, a TFP, como diz a maçonaria, entrou em dormição, isto é, deixou de ser importante, pois que toda sociedade secreta só tem força enquanto é secreta.
    Sai de lá em 1983, e, por conselho de Dom Mayer, que se manteve meu amigo e contra Plínio, fundei então um pequeno jornal — Veritas. Depois, lá pelo fim da década de 90, nasceu o site Montfort. Que me trouxe muitos amigos. E muitos inimigos. E agradeço a Deus por tantos amigos fiéis. Como agradeço mais ainda por tantos inimigos. Amigos e inimigos nos trazem honra. Por motivos opostos.
    O imortal Plínio faleceu lá por 1995, e a definhada e dormiente tfp se dividiu.
    O discípulo predileto de Plínio, a sua menina dos olhos, aquele que ele chamava de “meu João de olhos redondos e andaluzes” dividiu a tfp . Dividiu e comeu. Deglutiu e engoliu. Juridica e processualmente. Com toda a dinheirama dela.
    João Scognamiglio fundou os Arautos, aqueles que dizem ser do Evangelho, mas que são do apocalipse, pois esperam o apocalipse para depois de amanhã. Há quarenta anos…
    João Scognamiglio susbstituiu Plínio na funçâo de profeta, santo e etc.
    Principalmente no etc. Hoje ele se fez padre. Sem Filosofia e sem Teologia. Com uma dinheirama…
    E montou uma operação Judith. Você sabe quem foi Judith, não é?
    Foi a mulher que salvou os judeus da invasão de Holofernes, fingindo querer seduzi-lo, para mais facilmente lhe cortar a cabeça.
    Cortou.
    Pois João Scognamiglio fez os Arautos, e se fez ordenar Padre, para executar uma operação Judith.
    Quem será o Holofernes que ele está seduzindo?…

In Corde Jesu, semper, 
Orlando Fedeli

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