Montfort Associação Cultural

28 de dezembro de 2011

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Veritas virtus in medio est

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Alexandre Prado
  • Localizaçao: Taubaté – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Religião: Católica

Sobre a carta que tratava do assunto “virtus in medio”:

Se a Verdade está no meio-termo, então, ela estaria entre os Céus e os Infernos, ou seja, na Terra; se a Verdade está no meio-termo, então ela estaria entre Deus e o Diabo, ou seja, no Homem.
Joseph Campbell, eminente estudioso de religiões comparadas e de mitos (e também eminente apóstata) já dizia isso em sua obra, que a medida de todas as coisas seria mesmo o Homem, e que, embora não exista Deus, existe algo como a Divindade, que seria a própria glória da existência do Universo em si, mas que o homem pode até louvá-la como uma “istadevata”, uma divindade escolhida, da qual ele não seria servo, mas senhor, pois “sabe” que ela não existe de verdade – é uma idéia profundamente imbuída de bramanismo e budismo tibetano. O Homem como deus dele mesmo, e cada um com seu próprio deus, e cada um sendo deus, sem sê-lo verdadeiramente, já que Deus e nem deuses, existiriam… o meio-termo, o Homem – essa é uma idéia extremamente racional, lógica… e demoníaca – mas é o que temos aí, mesmo dentro da Igreja – e não faltam exemplos, quer se conheça ou não o trabalho de Campbell – atualmente, na Igreja, cada um tem o seu “deus escolhido”, todo e qualquer um vale, exceto o Deus de Abrão e Jacó, exceto o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Deus de Abraão, Jacó e Cristo é um Deus exclusivista, que não admite meio-termo, ou se crê nele, ou não, não existe acreditar mais ou menos, não existe um Deus mais ou menos – e mais importante: NÃO EXISTE OUTRO DEUS!! Da mesma forma, como Cristo, segundo os Evangelhos (falemos assim, depois explico), fundou a Igreja, ela é apenas uma öNICA E SÓ IGREJA, não existem igrejas ou igrejícolas. E mais, se existe uma só Igreja, e Deus é sempre o mesmo, então, o cerne da fé dessa Igreja não pode jamais mudar – daí a impossibilidade de haver várias igrejas…
Agora expliquemos porquê falamos “segundo os Evangelhos”: as várias “denominações cristãs” alegam que participam da Igreja de Cristo, pois ela estaria a caminho da unidade (mas que essa unidade, veja-se bem, excluiria a Igreja Católica, a qual, seria melhor deixar de existir – esse o pensamento evangélico-protestante); membros da Igreja Católica Modernista dizem quase o mesmo, só que querem uma igreja protestantizada, e conseguiram, pois é isos o que temos aí em quase 100% da Igreja… só podemos dizer que Deus não fundou a Igreja Católica se dissermos que quem a criou foram os evangelistas, “secundum evangelium”, e não “secundum Christum”, pois se Deus nada criou, então, tudo bem, se criarmos nós nossas crenças.
Mas não é essa a Verdade: a Verdade é que Deus, sendo Jesus Cristo, Deus, criou a Igreja Católica. No entanto, os Seus inimigos dizem que a “igreja” é um algo indefinido; depois dizem que a Igreja nem é cristã, seria, isso sim, uma seita judaica, pois o adjetivo cristão só surgiu muitos anos após a morte de Cristo em Antioquia; dizem também que ela não seria católica, pois o termo católico só surgiu no século II; por fim, dizem que a Igreja Católica só surgiu com o imperador Constantino, e que antes existia sim, uma Igreja Cristã Primitiva.
Vamos dar a eles a eles o proveito da dúvida, mas derrubemos suas alegações com uma spo afirmação: a Igreja que Cristo fundou a princípio não tinha mesmo um nome e seus seguidores não se consideravam “cristãos”, mas seguidores de Crsito; o fato de terem sido chamados de “cristãos só mais tarde em nada alterou o status da Igreja nascente, pois eram os mesmos; quanto ao adjetivo católico ocorre o mesmo; já em relação a Constantino ele apenas deixou de perseguir a Igreja, quem instituiu a Igreja Católica como religião oficial do império romano foi outro imperador (Justininao? não lembro…).
Agora, se quiserem dizer que a Igreja Católica Apostólica Romana só surgiu após o cisma essa é facilmente rebatida, pois a Igreja surgiu em Roma com São Pedro e São Paulo, no século I, sendo que a Igreja, daquela época e até o século 11 era constiupida de 5 patriarcados, sendo que o patriarcado de Roma era a Igreja Católica Apostólica Romana, assim como o patriarcado de Antioquia era a Igreja Apostólica Católica Antioquena, desse modo, a Igreja Católica Apostólica Romana existe desde o princípio da cristandade. O fato de ela, hoje, e somente ela, ser a Igreja de Cristo se deve ao fato de os outros patriarcados terem abandonado o Papa – e o Papa é o sucessor de Pedro, e onde está Pedro, está a Igreja Católica.
Poderia dizer muito mais, no entanto, o tempo urge – peço desculpas também por não colocar as minhas fontes, pois escrevo sem consultar nada.

Data 29.12.2008 

 
Muito prezado Alexandre,
Salve Maria.

     Deus lhe conceda um ano novo com muitas graças.

     Que confusão a desse tal Campbell que você cita sem colocar entre apsas. Aconselho-o sempre que for citar algum livro ou autor, que coloque entre aspas a citação, para se saber que o pensamento expresso não é o seu. Em sua carta fica um tanto confuso o que você pensa do que você critica.

     Em primero lugar devo dizer-lhe que não é a verdade que se situa “no meio”. “Virtus in medio est”.

     E não é qualquer virtude que está “no meio”. Só as virtudes cardeais — temperança, fortaleza, prudência e justiça – se situam no meio de dois vícios opostos a elas, um por excesso, outro por falta, em comparação com cada virtude cardeal.
     Desse modo rui completamente a afirmação estúpida do tal Campbell de que a verdade estaria entre Deus e o diabo, isto é, no homem. O diabo não é o oposto metafísico de Deus. O diabo não é um ser infinito. E o homem não e o ponto médio entre Deus e o diabo, mas entre o puro espírito criado — a natureza angélica – e a matéria.

     No mais, você tem razão ao dizer que há uma só religiáo verdadeira e uma só Igreja verdadeira, que é a católica Apostólica Romana, fora da qual não há salvação.. 

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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