Montfort Associação Cultural

26 de janeiro de 2005

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Verdade… Quem é dono dela?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Newton
  • Idade: 34
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Respeito a opinião e manifestação alheia, mas cabe a todos nós refletir… Quem está com a razão, será que o Sr. Fideli é isento de qualquer erro, seria totalmente perfeito? Quando ataca outras opiniões, idéias, diz que está sempre com a razão, comprovando com a prórpia opinião, o que considero um desrespeito para com todos. Claro que a liberdade de se expressar a idéia própria é uma atitude democrática. Mas atacar tudo e todos, alegando estar coberto de razão e ser o “dono da Verdade”, além de grande Pecado está cometendo desrespeito para com o próximo.

VERDADE: Aqueles que buscam não devem parar de buscar até encontrarem. Quando encontrarem, ficarão perturbados.

Quando ficarem perturbados ficarão maravilhados e reinarão sobre tudo.» – Evangelho apócrifo de Tomé.

«Aquele que procura a verdade deve tanto quanto possível duvidar de tudo» – René Descartes.

«Aquele que procura instruir-se deve em primeiro lugar duvidar, pois a dúvida do espírito conduz a descobrir a verdade» – Aristóteles.

«Se me engano, chego à conclusão que existo, pois aquele que não existe não se pode enganar, e, precisamente porque me engano, sinto que existo» – Santo Agostinho.

Muito prezado Newton, salve Maria!

Muito obrigado por sua crítica — embora ela seja um tanto zangada e azeda para comigo — pois é sempre bom ser criticado, porque nos permite examinar nossas posições, e corrigir o que erramos, ou o que não deixamos muito claro.

Ademais, devo agradecer sua crítica, porque ela me permite elucidar alguns pontos.

Em primeiro lugar, devo dizer-lhe, meu caro Newton, — como já o disse muitas vezes neste site, e sempre em minhas aulas, — que minha opinião de nada vale.

E tenha a certeza de que estou cônscio que erro muitas vezes, e todo o dia. E quando tomo conhecimento de que errei, apresso-me a declarar que errei.

Erro tanto em minhas opiniões, que uma aluna minha, da Montfort, brincando comigo, há muitos anos já, me apelidou de “o inacertante”.

Por isso, jamais provei, ou procurei provar, que outros estivessem errados, com base em minhas opiniões.

Minha opinião sobre qualquer tema não interessa, e de nada vale.

Aliás, em matéria de Fé, a única coisa que vale é a doutrina da Igreja Católica, que não pode ter erros, pois a Igreja é Infalível, e dona da Verdade que é Cristo, Verbo de Deus encarnado, o qual nos disse: “Eu sou a Verdade, o Caminho e a Vida” (Jo. XIV, 6).

Todo católico, na medida em que tem a Fé, possui a Verdade. Nesse sentido, é dono da verdade, que é Cristo. Melhor, a Verdade é nossa dona.

Apresso-me a dizer-lhe, para evitar mal entendidos, que a posse da Verdade católica, não nos faz sabedor de todas as coisas, doutores sabe-tudo, inerrantes e infalíveis.

Assim, como você se confessa católico como eu, creio, então, que eu sou tão dono da verdade, quanto você. Apenas, tanto eu como você, podemos errar ao tentarmos explicar a verdade que temos a graça de possuir, com nossa Fé.

E você, meu caro Newton, que tanto preza respeitar a opinião alheia, me acusa de estar cometendo “grande Pecado”, e de ter “desrespeito para com o próximo”.

E essa sua opinião, pretendendo até julgar-me em matéria moral e de consciência, é respeitosa? (E não o acuso de cometer pecado por me julgar no modo como escrevo. Respeito sua consciência e seu direito de me julgar e de me criticar quanto a meu estilo).

Mas, se você crê, realmente, que cada um tem direito de ter qualquer opinião — democraticamente — democraticamente também você deveria aceitar que alguém tivesse até mesmo a opinião de ser realmente o dono da verdade e o sabedor de todas as coisas. Essa seria uma opinião louca, mas que você — que se diz um democrata — deveria aceitar também, para ser coerente com você mesmo e com os princípios que alardeia.

Meu caro Newton, não fique zangado, com o que disse, pois apenas provei que você é incoerente.

E, dizendo isso, não dei minha opinião sobre você: provei apenas a sua incoerência com suas próprias palavras.

E já que você me tem como um soberbo, que pensa saber tudo, permita-me que lhe faça notar — a você que não pretende saber tudo — que entre as obras e os autores que você cita contra mim, estão o Evangelho apócrifo de São Tomé, que é herético e gnóstico — e isso não é a minha opinião, mas uma constatação da Fé e dos especialistas em Gnose — uma frase de Aristóteles, que sempre deve ser considerado, mas que não se pode esquecer que era pagão, e que não conheceu a Verdade, que é Cristo, e finalmente Santo Agostinho, diante do qual todos devemos nos inclinar, mas que na frase que você dele cita, prova apenas que se erramos fica provado que existimos.

E que eu erro, e que eu existo, nessas duas certezas, creio que eu e você estamos completamente de acordo.

Esperando ter esclarecido a você sobre minha inacertância evidente, assim como de minhas limitações de saber, que são públicas e notórias, me subscrevo atenciosamente, e agradecido,

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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