Montfort Associação Cultural

12 de janeiro de 2005

Download PDF

Verdade e certeza II

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marina
  • Localizaçao: Lisboa – Portugal
  • Religião: Outras – escreva abaixo

A religião causou e continua a causar a morte e o sofrimento dos homens porque os divide e nao os deixa pensar por si proprios, submetendo os às palavras e ideias de outras.Por isso eu acho que a única religião que se interessa sinceramente pelo homem è aquela que o faz pensar por si próprio e deixa o ser ele a escolher o seu caminho sem lhe impôr nada.Porque nós estamos no mundo para viver e não para sermos comandados por ideias milenares que não nos deixam avançar, mas tenho respeito por todas as outras religiões e seus deuses.E sinceramente acredito que existe mais algo , mas como eu ,ninguém o pode afirmar porque só se sente e não se tem provas do que é.E o que eu sinto dentro de mim é diferente em todas as pessoas,por isso cada um de nós tem a sua maneira própria de sentir o seu”deus” ou a sua “fé”ou esperança e não pode ser “ordenado ” por nenhum “comum terreste” como deve proceder religiosamente a sua vida.

Prezada Marina,
Salve Maria.

Sua carta é muito sintomática. Ela revela uma mentalidade tipicamente romântica, subjetivista e liberal. Por isso mesmo, cheia de contradições.

Você me afirma que “eu acho que a única religião que se interessa sinceramente pelo homem é aquela que o faz pensar por si próprio e deixa o ser ele a escolher o seu caminho sem lhe impôr nada.”

Então VOCÊ ACHA?

E o que você ACHA é o que determina o que é certo e o que é errado? E se você ACHAR que o sol é frio, será que ele passará a usar cachecol? Se você achar que ácido sulfúrico é remédio contra a tosse, ele passará a ser meio de cura para a tosse? E se você ACHA que dois mais dois são 15, sua conta estará certa só porque você ACHA?

Minha cara, a verdade não depende do sujeito, e sim do objeto. A verdade é a correspondência entre a idéia de um sujeito com o objeto que ele conhece, e essa correspondência depende do objeto, e não do sujeito.

A verdade é objetiva.

Aquilo que você pensa que pensou por si mesma é fruto do subjetivismo idealista do romantismo, que lhe foi imposto pela propaganda. Na verdade, você repete o que todo o mundo pensa que pensa. Repete o que a propaganda repete.

Nada menos original do que o pensamento de quem diz EU ACHO.

Você sabe, minha cara, que é no hospício que cada louco ACHA que é Napoleão. E nem por isso fica sendo Napoleão.

O subjetivismo lhe foi imposto – e você nem o percebeu – na escola, na mídia, e em todo ambiente relativista reinante no século XX.

Você me diz: “Porque nós estamos no mundo para viver e não para sermos comandados por ideias milenares que não nos deixam avançar”.

Estamos no mundo para viver? Então o viver não tem finalidade fora do próprio viver?

Comandados por “idéias milenares”? Minha cara, você prefere ser comandada por idéias que valem só agora, e que amanhã se devem jogar fora porque já estão no passado? Idéias que só valem hoje são idéias descartáveis. As idéias, minha cara, não se classificam como novas ou milenares: as idéias são certas ou erradas.

Seu subjetivismo é um Credo de um único artigo: EU ACHO. Ele leva ao relativismo. Nada é realmente certo ou realmente errado.

Daí você ACHAR e até escrever que: “tenho respeito por todas as outras religiões e seus deuses”. Como se todos deuses fossem verdadeiros.

Diga-me, você respeita a deusa Cali, que exige que se matem pessoas por estrangulamento? Ou o deus azteca Huitzlopotchli, que exigia sacrifícios humanos monstruosos? Ou Buda, que condena o homem ter qualquer desejo? Ou o deus cátaro que afirmava serem a mulher, o matrimônio e a procriação intrinsecamente maus? Ou o deus Moloch, que exigia que as mães sacrificassem seus filhos no fogo?

Como ter respeito pelo que é falso? Como ter respeito por falsos deuses que na verdade, como diz a Sagrada Escritura, são demônios?

Você me garante que crê existir algo: “E sinceramente acredito que existe mais algo, mas como eu, ninguém o pode afirmar porque só se sente e não se tem provas do que é”.

Minha cara, Deus não se SENTE. Com sentimento não se crê em nada. Crê-se com o intelecto, que não sente.

E dizer que ninguém prova nada é também uma consequência do relativismo subjetivista.

Aristóteles e São Tomás provam que Deus existe. A existência de Deus não é de fé. É algo racional, que se prova (leia em nosso site as provas da existência de Deus, segundo São Tomás).

Seu sentimentalismo religioso e relativista proclama que: “E o que eu sinto dentro de mim é diferente em todas as pessoas, por isso cada um de nós tem a sua maneira própria de sentir o seu “deus” ou a sua “fé” ou esperança”.

Se você é relativista, você não sabe se o que você SENTE é realmente diferente do que os outros sentem. E você não SENTE seu “deus” dentro de você, porque Deus, repito, não é algo material para ser sentido. Nem Deus está dentro de você como o bacalhau que você almoçou está dentro de seu estômago, ou o sangue em suas veias.

Fé e Esperança não são sentimentos. São virtudes.

A Fé é uma virtude intelectual que nos faz aceitar o que Deus revelou como verdade, o que a pura razão, por si, não poderia conhecer.

A esperança é a virtude que nos faz confiar que, sendo Deus bondosíssimo, nos dará certamente um prêmio eterno, que Ele mesmo nos prometeu, caso acreditemos nEle e obedeçamos à sua Lei.

Coloco-me à sua disposição para elucidar melhor as dúvidas que não consegui elucidar nesta resposta.

Escreva-me, que a ajudarei no que possa. Mas sempre lhe direi a verdade, e não o que eu ACHO. O que eu acho não interessa Nem o que você acha. Importa a realidade. Importa o que Deus nos revelou.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

TAGS

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais