Montfort Associação Cultural

10 de abril de 2006

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Valores da Nobreza Medieval

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Vinicius Mascarenhas
  • Localizaçao: Salvador – BA – Brasil

A paz do Senhor esteja convosco.

Olá irmãos da Montfort, incomodo-vos mais uma vez com uma dúvida que espero ser esclarecida.
Em de seus artigos sobre a Revolução Francesa o Dr. Orlando Fedeli expõe o seguinte:

” Antes de 1789, dizia-se que, endo os homens diferentes, os que são superiores devem Ter a autoridade. O ser determina o ter. Assim como deus é o Ser por excelÊncia, assim quem é mais em alguma virtude ou qualidade, deve Ter mais poder”

Bom, a nobreza assumiu poder político durante o Antigo Regime. Logo gostaria de saber dos irmãos da Montfort: os nobres Tinham poder por Serem superiores? Isso implicaria dizer que os nobres eram necessariamente superiores? Ou seja nenhum servo poderia ser melhor pessoa que um nobre? Nenhum servo, mercador ou vilão poderia ser um critão melhor que um nobre?

Dese ~já muito obrigado

Muito prezado Vinicius,
Salve Maria.
 
    Para esclarecer o problema que você coloca, é preciso, antes de tudo, fazer algumas distinções.
    A nobreza, enquanto tal, não assumiu o poder político no Antigo Regime. Só o Rei, chefe da Nobreza, é quem tinha esse poder, já que a monarquia do Antigo regime era absolutista. 
    Pelo contrário, os Reis absolutos procuraram dominuir o papel da Nobreza, buscando apoio mais na burguesia do que nos nobres. A estes, o Rei absoluto sustentava nas Cortes, sem lhes dar incumbência maior. Pagava-lhes gordas somas, para mantê-los numa inatividade corruptora. Assim a Nobreza da Corte se corrompeu, enquanto os nobres que permaneceram no campo, embora já sem maior poder político, guardaram os bons costumes e a influência sobre os seus antigos vassalos.
    Ser Nobre significava usar todas as as qualidades em proveito do povo. A Nobreza não estava nos títulos, mas na virtude e na liderança natural.
    Os nobres não eram superiores aos demais homens pela natureza, mas por acidentes. Naturalmente todos os homens são iguais, e, por isso, os direitos naturais são iguais. Mas acidentalmente os homens são diferenes e os direitos acidentais deveriam ser reconhecidos como desiguais. Nos vestibulares, por exemplo, procura-se selecionar os que tem maior capacidade intelectual, dando-lhe primazia para as vagas nas Faculdades. (peço-lhe que veja o trabalho sobre Desigualdade e Igualdade de Direitos no site Montfort).
    A liderança é uma qualidade acidental, que não desaparece por decreto e nem pela Declaração dos Direitos do Honem e do Cidadão de 1789, nem com a guilhotina. Líderança é uma qualidade que Deus dá a alguns homens. Há líderes bons e líderes maus.
    Hoje também há líderes. Pena que normalmente, hoje, as lideranças sejam, em geral, bem más. Inclusive a liderança de alguns nobres. Os príncipes ingleses são exemplo de nobreza decadente, e eles dão muito maus exemplos.
    Enfim, você me pergunta :  “Nenhum servo, mercador ou vilão poderia ser um cristão melhor que um nobre?”.
    Claro que sim: um camponês pode ser muito mais santo do que um nobre. Liderança não exige santidade. Um grande líder pode ser pecador, e um camponês, sem nenhuma liderança, pode ser um santo.
    Mas, historicamente, o que se constata é que nenhum grupo social deu mais santos à Igreja do que a Nobreza medieval (não a do tempo do Absolutismo). Essa é uma afirmação feita até por um socialista ligado à Teologia da Libertação, Padre Comblin.
    Houve muitos Reis santos na Idade média. E a nobreza medieval foi tão boa que virtude, valor e santidade ficaram unidos ao termo nobre, e de tal modo que até os nossos deputados “mensaleiros” exigem que se os chame, por decreto, de “Nobres Deputados”. Ora, se a nobreza tivesse sido má, jamais se desejaria ser chamado de nobre. Ou será que, no futuro, os Deputados terão tornado a palavra deputado sinônimo de valor moral superior?
    Esperando tê-lo ajudado a compreender a questão, e desejando que Deus lhe conceda um caráter nobre — por nobreza de alma e de atitudes–, me despeço, atenciosamente,

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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