Montfort Associação Cultural

9 de setembro de 2004

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Uso de preservativos

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Edson
  • Localizaçao: – Brasil

Prezado Prof. Fedeli, Segundo o OESP de hoje, 9-10-03, o relatório Situação da População Mundial 2003, divulgado ontem pelo Fundo de População das Nações Unidas, revela que a aids causou a morte dos pais de 13 milhões de crianças com menos de 15 anos. A previsão é de que esse número de órfãos dobre até 2010. O Fundo alerta que um jovem é infectado pelo HIV a cada 14 segundos e metade dos novos casos de HIV é registrado entre pessoas de 15 a 24 anos. No Brasil, é justamente nessa faixa etária que aparecem mais mulheres contaminadas pelo vírus do que homens.

Essa situação desastrosa me leva a questionar a pertinência da “política” da Igreja em relação ao uso da camisinha. Pergunto-me, em primeiro lugar, se a Igreja tem mesmo o direito de tentar impor um artigo de fé a todos jovens, inclusive descrentes ou não-católicos, e, em segundo, se não seria o caso de aceitar, nesse caso, o argumento do mal menor (mortos não podem ser evangelizados).

Como católico e pai, defendo, procuro viver e ensinar ao meu filho o valor da castidade. Mas quando vejo essa juventude perdida, sem fé, sem ideais, matando-se com drogas e promiscuidade sexual, sou tomado por um sentimento de desorientação.

Que pensa o senhor?

Grato, Edson

Muito prezado Edson, salve Maria!

Você já é velho conhecido meu, pois me escreve com freqüência, e tenho prazer em atendê-lo.

Nessas questões morais, o que distorce o raciocínio é considerar que a doença e a morte são o maior mal que pode nos acontecer.

Ora, isso está completamente errado. O maior mal que pode nos acontecer não é a morte ou a doença, e sim o pecado, a perda de nossas almas que nos leva ao inferno eterno. O pecado mortal é uma ofensa grave a Deus, e é, por isso, o maior mal do mundo.

Desse modo, a grande preocupação não é evitar uma doença, e sim não cometer pecado. A colocação da saúde ou da vida física como supremo bem vai contra o Primeiro Mandamento da Lei de Deus, que manda amar a Deus sobre todas as coisas, inclusive acima da saúde e da própria vida.

Esse mandamento nos obriga preferir a morte ao pecado.

O contrário é paganismo, quando não materialismo.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

Replica

Prezado senhor Fedeli,

Compreendo o que diz, mas restam ainda alguns problemas. Um morto ou mortalmente doente (aids) devido a conduta pecaminosa está provavelmente perdido, sem possibilidade de ser evangelizado, de converter-se, de ser salvo. Além disso, o comportamente pecaminoso, ofensivo a Deus, pode ter conseqüências para terceiros, como é o caso dos milhões de crianças miseráveis, em todos os sentidos, inclusive espirituais, órfãs, filhas de meninas solteiras, meninos de rua, etc. Por fim, ficou também a questão de se a Igreja tem direito de ingerir-se na vida de não-católicos.

Muito obrigado, Edson

Muito prezado Edson, salve Maria!

Você não pode se esquecer de que a misericórdia de Deus é infinita, e que Ele dá, a todos, em qualquer condição que seja, as graças suficientes para vencerem suas tentações, para se arrependerem, e, deste modo, alcançarem a vida eterna.

Deus é infinitamente bom, e quer a salvação dos homens. Deus não quer a perdição de ninguém. Ele procura até o fim, salvar as pessoas. De modo que, só vai para o inferno quem quer, aquele que até o último momento recusa a graça de Deus que procura salvá-lo.

E o número dos que se arrependem na última hora é bem maior do que se pode imaginar, porque Deus é infinitamente bom e é nosso Pai.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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