Montfort Associação Cultural

23 de outubro de 2004

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Unam Sanctam

Autor: André Melo

Após o Concílio Vaticano II (concílio meramente pastoral, e não dogmático) notou-se um estranho e inédito comportamento: o de dar-se quase exclusividade, nas citações, a documentos escritos no Concílio ou após ele.

Dessa forma, 1960 anos da Igreja foram, de certa forma, postos de lado. Toda a atenção se voltou aos documentos pós-conciliares.

O mesmo ocorreu em relação aos Papas. Só os Papas do Concílio e posteriores a eles normalmente são levados em conta.

O hábito chegou a tal ponto que se pede perdão, não pelos erros próprios, mas pelos que outros Papas e Concílios anteriores teriam cometido.

Dessa forma os Papas e Concílios anteriores não valem, estão superados.

Recentemente, o documento do cardeal Ratzinger (Dominus Jesus), segue esta mesma tendência, isto é, basicamente cita o Concílio Vaticano II e os papas tidos como atuais.

Apesar disso, esse mesmo documento cita fontes patrísticas e papas anteriores ao Concílio. Cita inclusive o Papa mais odiado pelos inimigos da Igreja, autor do documento que condena tantas idéias hoje normalmente – e infelizmente – aceitas. O Papa é Bonifácio VIII. O documento é a Bula Unam Sanctam.

Ora, vemos portanto que é falsa a alegação de que os Papas e concílios anteriores ao Vaticano II não valem. Eles valem sim. Seus ensinamentos são tão válidos como os de São Pedro e João Paulo II.

Isso porque o Espírito Santo, que em Pentecostes deu coragem aos apóstolos, é o mesmo Espírito Santo que hoje governa a Igreja e a governou durante toda a História.

O cardeal Ratzinger acaba portanto condenando a tese de que o passado da Igreja deve ser esquecido e condenado.

Aliás, temos visto que muitos documentos tidos como antigos e ultrapassados são extremamente atuais. É pena eles não serem mais ensinados ao povo.

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