Montfort Associação Cultural

12 de janeiro de 2005

Download PDF

Uma Nova Igreja?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Alessandro
  • Idade: 26
  • Localizaçao: São José dos Campos – SP – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Religião: Católica

Olá Prof. Fedeli, graça e paz!!!!

escrevo esse e-mail primeiro para agradecer à um e-mail anterior que o senhor muito atenciosamente me respodeu.

Também escrevo para manifestar a minha tristeza referente às transformações que querem fazer na Esposa de Cristo, a Santa Igreja.

Tenho 23 anos de idade e nasci depois do Vaticano II então não participei das Missas em latim, onde além de profundo respeito pelas coisas sagradas, tinha-se amor à verdadeira Igreja: a Católica. Como eu não participei dessa época, e como sempre vou à Igreja, eu não tinha percebido como é que está tão desprezadas as coisas santas, mas ao ler os vários artigos de seu site foi como que um estalo e despertei pra tudo isso e minha alma se encheu de tão grande angústia e tristeza que me deu até vontade de chorar!!!! Como podem fazer isso com a Santa Igreja, como pode ser tudo tão relativo, “tanto faz, tirem o sagrado, valorizemos o humano, o pobre, viva o pobre, adoremos o pobre, revolução, pra que imagens?? nossos irmãos protestantes irão se ofender, ecumenismo, esconda tudo em nome do ecumenismo…viva o “ecumenismo”…”
E enquanto se aproxima do pobre (não que eu seja contra ajudar nossos semelhantes, mas não como é proposto atualmente como se a missão de Cristo fosse “dar terra” pra quem não tem e “libertá-los”…)e enquanto se aproxima no falso ecumenismo de macumbeiros, budas, e tudo quanto é “igrejinha” por aí, se afasta de Deus. O único consolo diante desse quadro de escuridão e terror que atravessa a Igreja é o que disse Cristo, que as portas do inferno NÃO prevalecerão contra Ela.

Com o coração partido e mergulhado em imensa tristeza, despeço-me.

Alessandro.

“Por fim, meu imaculado Coração Triunfará”
Viva a Santa Igreja!!! Viva Cristo Rei!!!

Muito prezado Alessandro, salve Maria.

Sua tristeza é a de inúmeros católicos que vêm, hoje, tanta confusão e tanta contradição.

Fala-se em ecumenismo com os hereges, enquanto as ovelhas são abandonadas, e algumas escorraçadas. Falam em paz, e só se incitam guerrilhas e guerras (além da luta de classes, que é uma forma de guerra). Fala-se em atender os pobres e, praticamente, desapareceram os colégios católicos para as crianças. Os que existem, têm professores e professoras leigas, muitas vezes sem fé. Conheço caso de uma universidade católica em que havia professores de religião — de “teologia” — que se declaravam ateus na aula.

Recentemente, encontrei um comentário de um historiador insuspeito – porque simpático ao Modernismo -, Jean Rivière, sobre um dos principais Modernistas –o Padre Alfred Loisy, excomungado por São Pio X — comentário que esclarece, de algum modo, certos fatos do século XX: Escreveu Rivière [Os comentários entre colchetes serão meus]:

“Era um esforço bastante difuso [o dos hereges modernistas], e entretanto muito menos quimérico e cego do que pode parecer agora a observadores superficiais, porque ele foi vencido – [Foi vencido???] – para suavizar a doutrina do rigor do absolutismo romano e do rigor do dogmatismo teológico. Ele não tinha mais a necessidade de opor uma doutrina a uma doutrina assim como a de fundar um nova Igreja em face da Igreja antiga. A igreja existente era como seu ponto de partida e o objeto de sua ação: ele não tendia a fazer com que ela aceitasse um símbolo novo ou que ela repudiasse sua organização secular; mas ele queria induzi-la a relaxar sua atitude intransigente, a deixar discutir os problemas que atualmente se punham, a procurar de boa fé a solução para eles com o concurso das inteligências e das vontades que estavam a seu serviço. Encarado desse ponto de vista, que é o da realidade, o modernismo não era absolutamente uma utopia, e não era de modo algum uma conspiração “ (Jean Rivière, Le Modernisme dans l” Église, Letouzey et Ané, Paris, 1939, p. 213-214)

Ora, ainda que Rivière afirme que Loisy e o Modernismo não pretendiam fundar uma nova Igreja, que seu projeto não era utópico, e que ele foi vencido, nos últimos anos, quando assistimos à “suavização” do Poder papal, e à “suavização” da intransigência do dogmatismo católico, hoje, o que assistimos, é a gestação de uma Nova Igreja, como dizem vários “teólogos” progressistas, um deles o famigerado ex frei Boff.

E quando se vêem certas missas mescladas com ritos da macumba, ou com dançarinas e dançarinos cantando e dançando “Aquarela do Brasil” durante a renovação do sacrifício do Calvário, constatamos que o projeto modernista parece ter triunfado, e que, de fato, se fundou uma Nova Igreja, como muitos o afirmam.

O que é trágico.

Entretanto, nunca podemos esquecer que Nosso Senhor profetizou e prometeu que as portas do inferno não prevalecerão — Non Praevalebunt ! –sobre a Igreja de Pedro, que é infálível e inabalável.

De modo que, em meio a tanta ruína, devemos ter certeza de que Deus trará o triunfo final para a Igreja, nessa imensa batalha atual, inigualada na História da Santa Igreja.

E repare como tantos, exatamente como você mesmo, despertam para a compreensão da grande tragédia atual. Isso é um sinal claro de que a “primavera já germina no fundo das almas” prestes a eclodir na História.

Coragem, firmeza e confiança em Deus, meu caro amigo. Os Modernistas “Non Praevalebunt”. A Igreja Católica de sempre triunfará.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

TAGS

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais