Montfort Associação Cultural

30 de setembro de 2011

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Uma carta a meu professor

  • Consulente: Joylson Campos
  • Localizaçao: Salvador – BA – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Auxiliar Administrativo
  • Religião: Católica

Salvador, 28 de setembro de 2011
 
 
Prezado Prof. Orlando Fedeli,

Quando entrei no seu site pela primeira vez, era uma criança de 14 anos. Lembro-me que naquela época, andava meio confuso, uma hora queria ser judeu, na outra protestante, e até cheguei a frequentar algo do tipo. Envie-lhe então meu nobre professor cartas e mais cartas, que me fizeram permanecer na fé Católica Apostólica Romana, graças a Deus. Se não fosse o senhor, poderia eu hoje, me encontrar diante de algum “pastor”, de algum rabino ou até mesmo de um pai-de-santo.

Recordo-me ainda hoje, como eu era respondido, com sabedoria e uma paciência imensa. Sentia o amor que o senhor tinha pela evangelização, esse amor que se transformou em amor por nós, e assim salvou tantas almas, em nome de Jesus Cristo. O tempo passou e vejo que ele nos consumiu, eu trabalhando, na correria, lhe abandonei, não tive mais oportunidade de entrar como entrava, e fui entrando cada vez menos. Mas, nunca deixei minha fé Católica, nunca deixei de ir na Santa Missa, ou de rezar o terço e ler a Bíblia.

Não tive oportunidade de lhe conhecer, de receber um abraço, nem de lhe apresentar minha esposa Gabriela e minha filhinha Bianca, de 5 meses. Infelizmente não pude olhar nos teus olhos e lhe dizer: “Obrigado”! Só queria isso. Obrigado por ter me amado a tão ponto de pacientemente ter respondido minhas cartas, obrigado pelo carinho que elas chegavam, obrigado por sua paz, obrigado por ser um enviado de Deus.

Com sua ajuda professor Orlando, minha esposa ex-testemunha de jeová, se tornou Católica. Atacava a Beata Irmã Dulce, a Nossa Mãe Nossa Senhora e hoje minha esposa, com os ensinamentos que o senhor passou para mim e eu para ela, vai a Santa Missa, faz pedidos a Doce Mãe, e está se preparando para receber Jesus Cristo, no batismo, comunhão e crisma.

Hoje professor, deixo cair lágrimas, quando soube entrando aqui, que o senhor tinha ido embora, fui para casa de minha mãe e contei a ela, choramos juntos, não pela dor da partida, porque sei que se encontrou com Jesus, mas pela dor de saber que não poderei mais ter suas cartas, dor de saber que não poderei mais conhecer o senhor. Chorei junto com ela, porque ainda quando criança, defendia nossa igreja como ninguém e ela admirava, defesa graças ao senhor, pude fazer.

Gostaria professor, mestre, doutor, meu evangelizador Orlando Fedeli, de lhe apresentar a minha esposa e minha filha. O que me consola, é saber que ao ser chamado por Deus, São Pedro abriu as portas do céu, os anjos cantaram glória e a Virgem Maria foi lhe receber. O que me consola é saber que está de lá de cima, rezando pela nossa conversão.

Obrigado meu professor, eu e minha família, estamos rezando por sua alma.
Nós para sempre iremos lhe amar.

Do seu aluno,
Joylson Campos e família

OBS: Gostaria de saber onde se encontra o túmulo do meu professor Orlando, seja onde for, gostaria de ir com minha esposa e filha, para mostrá-las o homem que me fez um homem de fé. Quero também saber como posso ajudá-los financeiramente mensalmente, ganho pouco e não poderei contribuir com muito, mas faço questão de que essa obra continue e sei que a Virgem Maria e Deus me darão o dobro do que eu oferecer a vocês.

São Paulo, 29 de setembro de 2011
 
Prezado Joylson, salve Maria.
 
Uma das coisas mais belas e mais raras neste nosso mundo – tão belo e tão triste – é a gratidão.
 
Por isso consola e anima ler uma carta como a sua.
 
Graças a Deus, não é uma história rara a que você nos conta.
 
Graças a Deus muitas pessoas podem, como você e como eu, dizer que se hoje vão à missa, se hoje adoram Nosso Senhor na Eucaristia, se hoje procuram cumprir os mandamentos, receber os sacramentos, obedecer aos legítimos pastores da Igreja, se hoje, enfim, são católicas, isso o devem à graça de Deus, cujo instrumento foi o ardente e incansável Professor.
 
Que honra maior do que ser o instrumento da graça de Deus?
 
Você não o conheceu pessoalmente.
 
Eu o conheci mais e melhor que ninguém.
 
Sei que as nossas histórias, Joylson, e as de tantos outros, não custaram pouco ao Professor.
 
Foram caras, foram bem caras. Custa caro ser instrumento da graça de Deus.
 
Mas, Deus seja louvado, embora cansado, tudo que o Professor queria era poder fazer mais.
 
Graças a Deus, tudo o que ele queria era poder construir outras histórias como as nossas. Era poder ensinar até o fim.
 
Como a misericórdia de Deus permitiu que acontecesse.
 
Ele está sepultado no Cemitério da Vila Mariana, em São Paulo, alameda 33, lote 34.  
 
Se você quer vir visitá-lo lá, venha.
 
Não seria eu a dizer-lhe para não ir, eu que vou lá toda semana, para que haja flores sempre frescas e velas sempre acesas.
 
Mas não se preocupe em vir. Isso não é importante.
 
A chama que é preciso manter acesa é a chama da fé, que o velho professor, com a graça de Deus, acendeu em nós.
 
As virtudes que ele nos ensinou a praticar, as melhores flores que, por ele, podemos oferecer à Virgem Santíssima.
 
Deus lhe pague pela gratidão, Joylson.
 
Deus lhe pague pela ajuda que você nos oferece.
 
Ajude-nos também com suas orações.
 
Se vier mesmo a São Paulo, traga a Gabriela e a Bianca para nós conhecermos.
 
Nossa Senhora abençoe e conduza vocês três.
 
Que possamos todos, se não tivermos a alegria de nos conhecermos nesta terra – tão triste e tão bela – que possamos, pela graça de Deus, estarmos um dia, num dia eterno, todos
reunidos no céu.
 
Com o nosso Professor.
 
Salve Maria.
Ivone Fedeli

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