Montfort Associação Cultural

26 de setembro de 2007

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Um espadachim presunçoso e atrapalhado

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Aramís José Pereira
  • Localizaçao: Cascavel – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Conheci faz pouco tempo este site e lendo as criticas(somente críticas até agora) sobre a RCC e principalmente a comunidade Canção Nova fundada por Pe Jonas Abib fiquei pensando comigo mesmo.Não vou criticar ainda mais ou então rebater as mais variadas opinioes e argumentos do senhor Orlando Fedeli a respeito da RCC, pois sei perfeitamente ,a exemplo de Cristo, que se quisermos que Deus nos faça enxergar o que precisamos mudar em nossa vida e admitir que sem Ele não podemos encontrar a felicidade plena, temos antes de tudo que amar e perdoar a quem não nos ama e não nos perdoa. 

Nesse sentido não vou te criticar meu irmão Orlando pois sei que se assim o fizesse eu seria apenas mais uma voz que entraria por um ouvido seu e sairia por outro.

Participo da RCC sou coordenador de um GOU(Grupo de Oração Universitário) que tem como missão levar o amor de Jesus a todos nas universidades do Brasil e do mundo.Projeto este que nasceu pequeno em Minas Gerais e em pouco tempo hoje ja tem mais 650 GOUs espalhados no Brasil.Comecei nessa missao a pouco tempo e percebo como é dificil levar o amor de Deus a aqueles que nem ao menos acreditam ou ouviram falar do amor de Cristo, mas sei que fui escolhido e na minha fraqueza e miséria continuo sendo fiel e ja estou começando a ver Deus se manifestar nos corações de pessoas que eu nunca imaginei. Alegro-me muito ao ver que todo esforço e confiança em Deus tem recompensa e que quando entregamos tudo nas mãos dele estamos seguros da vitória em nossas vidas. 

Mas confesso que fiquei muito triste e com pena de voce meu irmão Orlando Fedeli ao dizer tantas coisas ruins a respeito da obra que Deus tem feito através da RCC e principalmente através da Canção Nova. Acho que o senhor deve ter inveja(só pode) dessa comunidade que não tem nem 30 anos e que já possui um canal de TV aberta presente em praticamente todo Brasil, varias casas de missão , o maior centro de evangelização da América Latina, retiros e encontros que chegam a ter milhares de pessoas, etc, etc ,etc. E que tudo isso veio da ajuda de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pelo poder de Deus agindo atrvés dessa comunidade.

Eu não sei , mas nunca vi um canal de TV fundado pelo senhor Orlando que receba doações de milhoes de pessoas e que tenha transformado a vida de alguem para melhor e que sinta a vontade imensa de propagar o amor de Deus para todos.Poderia ficar aqui falando todas as obras que Deus tem feito atraves da Cancao Nova e da RCC mas isso seria impossível.Eu gostaria mesmo de saber quantas vidas a sua associação cultural (que se diz ser católica ) transformou e me fale por favor das suas casas de missoes e empreitadas de evangelização pelo Brasil e pelo mundo . Me fale da sua coragem de querer levar Cristo Ressuscitado Salvador do mundo a todos aqueles que nao o conhecem e é claro da suas obras e do seu amor pela missão(se você tiver). Pois criticar é facil.

Espero tua resposta. Fale menos , faça mais.Tenha coragem!

Muito prezado Aramís, valente mosqueteiro do “Amor”,
Salve Maria.
   
     Recebi seu currículo “apostólico”, e, junto com ele, sua sentença terrível contra minha pessoa, que você acusa de dois vícios, um fracasso, além de um defeito físico:
  1. Que eu seria movido pela inveja;
  2. Que eu não teria coragem;
  3. Que não consegui montar nem um canal de TV;
  4. Que tenho um defeito físico: o de ter um túnel indo de um ouvido ao outro. Com trânsito livre, entre a entrada e a saída. Sem engarrafamentos. O que já é alguma coisa, nesta cidade de trânsito tão emperrado.
      Antes de arrebanhar os poucos detritos de coragem que me restam, para ousar responder suas acusações, – não é fácil ter que esgrimir com um espadachim, qual você se apresenta, valente Aramis, — permita-me dizer que seu currículo me deixou de queixo caído.
     Seu currículo apostólico é deveras impressionante.
     Em dez modestas linhas, você conseguiu me dizer toda a sua glória:
a) que é da RCC;
b) que é coordenador de um GOU (Grupo de Oração Universitário);
c) que cada GOU funciona como uma Transportadora do Amor. (Você pode me informar se a Transportadora GOU paga pedágio?)
d) que você, como dizem pos protestantes, já se sabe “escolhido”: “sei que fui escolhido”. E por essa presunção de ser escolhido, fica provado que você é da RCC, pois tem a presunção de salvação própria dos protestantes.
e) que você se sente fraco, mas que é fiel.
De onde deduzo que você tem a graça de ser da sexta Igreja do Apocalipse Aquela que o Cordeiro de Deus disse que era fraca, mas fiel “Quia modicam habes virtutem, sed servasti verbum meum” [ Porque tens pouca virtude , mas guardaste minha palavra](Apoc. II, 8). Bem aventurado Aramís, fraco, mas fiel. Feliz membro da igreja de Filadélfia E condutor do GOU, veículo transportador do amor.
f) que você – modestamente – já vê a Deus nos corações, pois que me diz:
ja estou começando a ver Deus se manifestar nos corações de pessoas que eu nunca imaginei”.
Caramba! Que olhar raio X celestial! Nunca imaginei tal carisma na RCC.
g) que você é bom imitador de Cristo, porque me ama e me perdoa.
     Que Deus o conserve com tantos bens!     
     E rezo para que eles sejam, um dia, reais.
     Mas rezo especialmente para que Deus não permita que, com tantos bens, você perca sua modéstia extraordinária. Que Ele lhe conceda, e o conserve, em humildade crescente.

Touché!
 
     Depois de reconhecer suas qualidades carismáticas, nada comuns, permita-me que analise as suas terríveis acusações contra mim. Afinal, na feliz democracia mensalônica em que vivemos, ainda não foi abolido o direito defesa.
     Do defeito físico que você me acusa, materialmente, já falei dele. Só lhe dou contra essa acusação um argumento também físico. Se houvesse um túnel, de orelha a orelha, em minha cabeça, eu não teria tímpanos. Eu seria surdo, coisa que não sou.      
     Mas não creio que você tenha querido me acusar de ter cabeça ventilada por um túnel aerológico. Você realmente quis me acusar de não levar em conta as críticas que se me fazem.
     Ora, essa é uma opinião sua, a meu respeito.
     Se for um julgamento seu, meu refúgio é minha consciência.
     Mas, permita-me dizer-lhe, que esse julgamento é precipitado.
     No site Montfort, reconheci, várias vezes, erros que cometi, e não temo publicar erratas dos erros que cometo. Nem deixo de pedir perdão a outros, quando erro. De modo que, moralmente, não existe esse túnel orlandesco, de ouvido a ouvido, atravessando minha cabeça, sem nenhuma cancela moral, para controlar o trânsito das críticas que me fazem.
     E você reconhece uma certa ignorância de meus escritos, pois me diz: “Conheci faz pouco tempo este site” [Montfort].
     Portanto, seu juízo é temerário. O que Nosso Senhor condena que façamos.

Touché!
 
     A sua terrível terceira acusação — de que não fiz um canal de TV — eu a admito sem titubear.
     Que eu tenha inveja da Canção Nova por não possuir, como ela, um canal de TV e por não ter os milhões de doadores de milhões de reais que engordam os orçamentos do Padre Jonas Abib, essa acusação repilo com toda a minha alma, e como toda indignação que eu possa ter. 
     Honra-me não ter um Canal de TV, e me glorio da pobreza magisterial de que sofro, mensalmente, como professor aposentado.
     Mas você tem completa razão ao dizer-me:

Eu não sei, mas nunca vi um canal de TV fundado pelo senhor Orlando que receba doações de milhoes de pessoas”.
 
     Certíssimo.
     Você nunca o viu, e nunca verá um canal de TV montado por mim.
     Nunca viu, porque ele não existe.
     Não construí nenhum canal de TV.
     Esse pecado não cometi.
     E você nunca verá tal canal, porque jamais construiria um canal de TV. Não tenho dinheiro, e, principalmente, não tenho nenhum vontade de fazer essa besteira. Porque fazer uma canal de Televisão para fazer apostolado me parece uma grande besteira. E por várias razões.
     Sabe como os franceses chamam a TV?

La boîte aux sots”.

     A caixa dos tolos. Não quero fazer tolos. Quero ensinar a doutrina católica, como Nosso Senhor mandou: “Ide, e ensinai”.
     Simplesmente. E nunca “Ide, e aparecei”. Ou “Ide, e exibi-vos”.
     A TV nunca será um veículo de difusão da doutrina verdadeira. É a palavra que doutrina, não uma imagem eletrônica. A imagem eletrônica, com todo o seu aparato teatral, mata a palavra. A palavra transmite sabedoria. A imagem televisiva emburrece. A palavra verdadeira é uma luz. 
     A televisão, com sua luz puramente física, é treva.
     Nem tenho também milhões de pessoas que me ouvem, ou que me pagam. Isso é próprio dos que se apresentam como pastores, sem o ser. Não sou um pedir mais cedo, e nem um pedir mais tarde. Não tenho dinheiro, graças a Deus. Deus nada faz com dinheiro. Onde entra o dinheiro, Deus não atua. O dinheiro é meio natural. A graça vem… de graça.
     A graça é sobrenatural.
     Por acaso os Apóstolos converteram o mundo, tendo dinheiro? Por acaso, Cristo lhes ordenou que, antes de ensinar, montassem uma TV lucrativa?
     Todas as grandes obras dos santos foram feitas sem dinheiro. Dom Bosco sustentava dezenas de milhares de moços, sem ter dinheiro. Para Santa Tereza de Ávila que, um dia, considerava não ter o dinheiro necessário, para fazer um convento, Jesus apareceu, dizendo-lhe: “Y por dinero te detienes? [Por dinheiro, te deténs?].
     Há pseudos pastores que ganham milhões, pervertendo a Sagrada Escritura. Eles têm muito dinheiro… Eles têm rádios… E não me surpreenderia que eles tivessem TVs.
     Você me diz que Padre Jonas tem um canal de TV.
     É possível.
     O que vai contra Padre Jonas Abib
     A Canção Nova vive pedindo dinheiro.
     O que é uma canção muito velha…
     Parece que a CNBB tem um canal de TV…
     Quem jamais seriamente se converteu, vendo os programas da TV da CNBB?
     Se os programas da TV da CNBB forem do nível de seus manifestos — chatos, longos, indigestos — ninguém, que seja sério, verá tal canal e tais programas. Nem padres lêem os manifestos da CNBB. Imagine, se algum padre vai assistir programas da TV da CNBB… Assistirão futebol ou novela, mas não a leitura dos indigestos manifestos socialistas da CNBB.
     Ouvi dizer que há uma TV católica chamada Rede Vida.
     Se a TV fosse boa formadora, como com uma TV chamada Rede Vida a Fé católica está morrendo em nosso país?
     Não seria mais apropriado então intitular essa TV de Rede… Morte?

Touché!
 
     Você me acusa de não ter coragem, e deseja que eu a venha a ter.
     Muito obrigado por esse santo desejo.
     A coragem, espiritualmente, se chama fortaleza. E esse é também o nome de um dom do Espírito Santo.
     Como toda virtude cardeal, a fortaleza está no meio de dois vícios opostos. Há dois pecados contra a fortaleza, um por excesso, outro por falta. Por excesso, o pecado se chama audácia. Por falta de coragem, o pecado se chama covardia. 
     Você me acusa de ser covarde. De ter falta de coragem.
     A covardia faz o homem se calar.
     Ora, você me declara que tenho o defeito de falar até demais, pois que me recomenda taxativamente:

Fale menos, faça mais. Tenha coragem”.

     Logo, você caiu em contradição..
     Quem cala consente. Não enfrenta. E você diz que falo até demais…
     Mais uma vez “touché’, meu caro espadachim.
     Por falar demais, você poderia então me acusar de audácia, não de covardia.
     A fortaleza não pode ser confundida com a audácia, que provém de um erro de julgamento. O audacioso não julga corretamente o perigo, e o enfrenta sem conhecê-lo. Isso não é verdadeira coragem. A virtude da fortaleza exige que se saiba perfeitamente o risco que se corre. O audacioso ou erra o julgamento de um adversário ou de um perigo, ou presume que ele mesmo tenha mais força do que realmente possui. O audacioso ou é tolo, que julga mal o adversário, ou um presunçoso que se julga gigante, sem o ser. No audacioso sempre há um erro de julgamento
     Por exemplo, você, sem me conhecer– pois me pergunta o que faço– julgou-me invejoso e sem coragem. Ora, fazer juízo de virtudes e vícios alheios, sem conhecer a pessoa, pelo menos pelo que escrevem, é fazer juízo temerário.
     Seria você um audacioso por falso julgamento de mim ?
     Ou você pensa ser mais forte e capaz do que é, presunçosamente metendo-se em polêmica, sem ter conhecimento para tanto?
     Pela modesta exposição de seu currículo, temo que sua audácia venha de sua presunção.
     Touché, mais uma vez, meu caro e atabalhoado Aramis.
     Como espadachim, você me parece enferrujado.
     Seu conselho final me diz com força:

Fale menos , faça mais. Tenha coragem! “.
 
     Sim, que Deus me dê coragem, que naturalmente não a tenho.
     Porém, falar menos, não devo. Devo dar aulas até as minhas últimas forças. Devo escrever até que tenha um argumento para defender a Fé católica. E só isso quero, e só isso peço a Deus: a palavra e a coragem. A palavra da verdade, que brilha como uma tocha acesa. A coragem, que queima o coração como uma labareda.
     Dê-me Deus palavra certa, e coragem para dizê-la.
     Não peço — não ! Jamais! — canais de TV, nem milhões em dinheiro ou em ouvintes. Mas dê-me Deus um coração sincero. Que tenha eu um coração sincero, para dizer a verdade sem temor. Que Deus me dê um aluno de coração sincero para me ouvir, ou me ler. Para bem ouvir a Deus que fala conosco, no fundo da catedral de nossas almas.
     E em minhas orações, só peço a Deus que me dê força e coragem para que, até o fim, de meus dias, me permita continuar a dar aulas e a escrever cartas, duelando. Como os velhos espadachins, contra todos os inimigos de Deus. Ainda que sejam terríveis espadachins, como foi o mosqueteiro Aramis.Do qual você tem o nome. Só o nome. Sem a espada ágil.
     Falar mais…
     Rezar mais.. Pois que rezar é uma forma de falar. De falar com Deus e com a Virgem Maria. Assim, quero falar cada vez mais.
     Falar com Deus. No silêncio, de uma capela solitária. Ou numa velha Catedral. Pedindo a Deus, ainda que seja eu indigno, que pela palavra, nas aulas, pela palavra, em cartas, me permita, com o auxílio de sua divina graça, fazer ainda, nos poucos anos que restam a um velho professor, o que fiz sempre, em toda minha vida: construir catedrais. Fazer catedrais nas almas dos alunos, ou de meus leitores.
     Construir catedrais…
     Nas almas…
     Com a luz da verdade, e nas sombras das misérias das almas humanas. Nos recantos sombrios das dúvidas e das misérias de tantos jovens, fazer brilhar, em suas almas, a luz da verdade católica. Através do vitral de uma aula ou de uma carta. Fazer brilhar a luz da verdade nas almas, como brilha a lâmpada do sacrário, numa pobre capela. Para que Deus habite, numa alma de estudante, ou na de um leitor do site Montfort.
     Peço-lhe, Aramis, que reze por mim a Deus que me dê a palavra certa, a coragem firme, a caridade perfeita.
     Não me permitirá você que o ajude a construir uma catedral também em sua alma?

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

PS: Você viu que sua frase final atingiu-me no coração? 
Desta vê o “touché”, fui eu. OF

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