Montfort Associação Cultural

17 de janeiro de 2005

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Um Deus em três pessoas

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Mário
  • Idade: 22
  • Localizaçao: Porto Velho – RO – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Caricimo Dr. Orlando Fedeli me dirijo a vossa pessoa neste e-mail para que o senhor com vosso conhecimento adquirido através de muito estudo venha a me esclarecer um assunto que pouco domino.

Porque pedimos a Cristo que ele interceda pôr nos junto a Deus, se ele e Deus consubstancial ao Pai? Porque Cristo nos fala no evangelho que quem blasfemar contra o filho do Homem será perdoado mas quem pecar contra o Espirito Santo não será perdoado, acaso os dois não são a Pessoa de Deus?

Peço humildemente que o senhor me mande a resposta o mais rápido possível.

Mario, Consagrado a Maria.

Muito prezado Mário, salve Maria.

Nossa Fé católica nos ensina que há um só Deus em três Pessoas iguais e realmente distintas, Pai , Filho e Espírito Santo. As três Pessoas divinas são consubstanciais, isto é, possuem a mesma substância divina. Este é o Mistério da Santíssima Trindade.

(Sobre este tema das pessoas em Deus, peço-lhe que leia meu trabalho Processões em Deus, que consta do site Montfort.).

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho, o Verbo de Deus se encarnou no seio de Maria Santíssima. Jesus Cristo é Deus e Homem, ao mesmo tempo. Este é o Mistério da Encarnação.

Em Cristo, há duas naturezas:

1) a natureza divina do Filho de Deus;

2) a natureza humana completamente igual à nossa.

Essas duas naturezas são unidas numa única Pessoa, o Filho, Segunda Pessoa da santíssima Trindade.

Jesus Cristo é o nosso Redentor, porque assumiu todas as nossas culpas e pagou por elas a Deus Pai. Sendo Deus, seu mérito é infinito, e assim é suficiente para pagar todos os pecados de todos os homens. Sendo Homem, — como é de justiça — era Jesus enquanto homem, que pagava a culpa do homem.

Jesus enquanto Homem roga continuamente a Deus Pai por nós, e seu mérito é infinito porque é Deus quem roga por nós.

Não se esqueça que Deus Pai e Deus Filho são duas pessoas realmente distintas, embora sejam o mesmo Deus.

O Espírito Santo é o Amor de Deus, enquanto o Filho, é a Sabedoria de Deus.

O pecado contra o Filho pode ser perdoado, o pecado contra o Amor de Deus — o Espírito Santo– não pode ser perdoado, não porque Deus não tenha poder de perdoar, mas porque o pecador não quer pedir perdão de seu pecado.

Os pecados contra o Espírito Santo são:

1) Desespero de salvação, quando a pessoa, como Judas , não pede perdão porque considera que Deus é incapaz de perdoá-lo. E não pedindo perdão, não é perdoado.

2) Presunção de salvação sem merecimentos, quando a pessoa se julga já salva, e, por isso, se recusa a pedir perdão a Deus.

3) Negar a verdade conhecida como tal, quando o pecador de tal modo se entrega conscientemente à mentira a ponto de acabar acreditando na mentira como verdade, e, por isso, recusa até a evidência da verdade. Era o pecado dos fariseus que viam Cristo fazer milagres, e os negavam, apesar de vê-los. Não havia então modo de convertê-los.

4) Ter inveja das mercês que Deus fez a outrem. Isto é, ter raiva de que Deus, por amor, tenha dado alguma graça a outros, e não a nós. Desse modo se odeia a bondade de Deus, que é o Espírito Santo.

5) Impenitência final. Quando a pessoa recusa o perdão de Deus na hora da morte, recusando os sacramentos impiamente.

Repito: os pecados contra o Espírito Santo não tem perdão, porque a pessoa não quer pedir perdão por eles, porque nem os considera pecados. Ninguém confessa pecado contra o Espírito Santo. Se uma pessoa vai confessar ter cometido pecado contra o Espírito Santo, é sinal claro que não cometeu esse pecado, porque, se o tivesse cometido, não pediria nunca perdão por ele.

Tenha sempre muita confiança em Deus e em sua misericórdia infinita. Recomendo-lhe também que recorra sempre a Nossa Senhora, que é refúgio seguro dos pecadores. Quem recorre a Maria Santíssima não perde sua alma.

Esperando tê-lo atendido, despeço-me

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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