Montfort Associação Cultural

12 de junho de 2006

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Um desapontado Farinácio contra o latim na Missa

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Roger Farinacio Pacheco
  • Localizaçao: Ibiporã – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Estudante
  • Religião: Católica

Caríssimo professor Orlando Fedeli…
Paz e bem!

Gostaria de deixar aqui manisfesto meu grande desapontamento com o qual esse site vem divulgando relaltos infames sobre a RCC e sobretudo, a grande diligencia com a qual, o senhor, professor Orlando, responde positivamente tais relatos e comentários que muito carecem de fundamento e provas.
Como já é sabido pelos leitores desse site ( e eu sou um deles), vossa senhoria não simpatiza com o movimento renovático católico – e nem tem a obrigação de fazê-lo – mas, a crítica enviada por um leitor sobre a entrevista de Pe. Leo a Jô Soares (e, evidentemente, vosso incondicional apoio) extrapola todos os limites do bom senso e da dignidade. Ora professor, em momento algum foi relatado os pontos positivos da mesma, não houve uma única citação sequer sobre o belíssimo trabalho que a comunidade Betânia realiza com os dependentes químicos e outros necessitados. O senhor sabia que os índices de reabilitação desses internos são maiores que os de países de primeiro mundo? O senhor sabia que não há uso de medicação nessa comunidade? O senhor sabia que a comunidade Betânia tem a maior taxa de espera devido ao grande reconhecimento de seus métodos e que não ganha um centavo sequer, enquanto demais clínicas cobram quantias exorbitantes e tem um índice ínfimo de recuperação ( a maioria com média de 30 a 35% enquanto a comunidade Betânia tem a incrível média de 80%, isto mesmo, 80%!).
Este site não teve a mínima consideração com o estado enfermo de Pe. Leo, que infelizmente não se encontra mais entre nós. Isto para qualquer crisão é ultrajante!!! Mais o pior foi ter que ler absurdos, tal como “padre moderninho que só quer aparecer” e outros abusos que não merecem ser citados e só fazm por demonstrar um elevado índice de ignorância. Ora professor, se Pe. Leo fez uso de drogas durante sua adolescencia, quem somos nós para julgá-lo? Acaso o senhor sabe qual era o “ofício” de Saulo, antes de ser Paulo? (claro que conhece). Tecer um líbelo com esses argumentos tacanhos é desconsiderar o propósito da vinda de Cristo, que veio para converter!
Os sacerdotes da RCC são chamados de modernistas, outra acusação pífia e sem nexo. Que devemos fazer professor, voltar a celebrar a Santa Missa em latin? Ou dirigir orações em latin aos vossos leitores que em sua esmagadora maioria, garanto eu, não tem influencia alguma em latin. Isto tem nome: arrogância e soberba! A Igreja é viva. Ela fala a linguagem dos jovens sem desnaturar suas tradições, vai ao povo e para o povo… “ide e pregai o evangelho…” pregai em linguagem legível suponho eu. A Igreja dirige-se aos seus fiéis (muitos nem fiéis são, e isto sim podemos chamar de mérito) de acordo com suas necessidades, e o faz a muito (monastérios, franciscanos, jesuítas, etc). Por que a Igreja deveria ser estanque em pleno século XXI?
Professor Fedeli, sinceramente gostaria de entender seu controvertido “descontento” na busca dos dons do Espírito Santo que a RCC propõe. Usando de um mínimo de lógica, bem sabemos que na tentativa de orar em línguas, (usualmente praticado pelo Papa João Paulo II, caso o senhor não saiba),na maioria das vezes, não reproduzimos mais que algaravias. Contudo, se não abrirmos nossas bocas, difícil que algo místico e maravilhoso aconteça. Gostaria de entender vossa “birra” para com as pessoas que buscam esses dons. Acaso são eles culpados de não conseguirem? O senhor, no auge de seus mais de 70 anos nunca orou por um milagre? Foi atendido em todos? (que bom que fosse) Creio que não, (a menos que estejamos diante de um santo e não sabemos) então professor Orlando, que direito, ou sabedoria se prefeir, temos nós de julgá-lo por pedir uma graça almejada, muitas vezes não alcançada? Parece ridícula a pergunta, mais uma breve reflexão esclarece facilmente que é essa a lógica que o senhor e vossos “cruzados contra a RCC” vem amplamente utilizando nesse site. Lastimoso professor…
E, por finalizar, gostaria de esclarecer um jargão muito utilizado por Pe. Jonas (com quem sequer simpatizo) que o senhor Orlando insiste em “obscurecer” e fazer disso argumento para chamar Pe. Jonas de adventista e outras denominações (aliás, que respeito para com nossos sacerdotes ein professor? Onde está o exemplo de obediência? Se a próprio Papa simpatiza e ABENÇOA a RCC, o senhor insiste em citar Santo Agostinho para contrariá-lo… Coitado do Santo e que realidade bem diferente da nossa ele deve ter vivido, tal inominável comparação vindo de uma pessoa versada em História é digna de comiseração… Independente da importância de Santo Agostinho, o senhor conhece, com certeza, a hierarquia da Igreja, além, é claro, das demandas religiosas HOJE!)Voltando ao tópido desse parágrafo, quando Pe. Jonas diz que “Jesus está voltando” (confesso estar encabulado ter que explanar isso para um douto em teologia) ele refere-se ao pedido da assembléia durante a Celebração Eucarística: “Vinde senhor Jesus!”, frase que, espero eu, o senhor mesmo tenha pronunciado e vem pronunciando centenas e milhares de vezes! Se o próprio Cristo disse que onde um ou mais estão em meu nome, eu estarei no meio deles, quem somos para contradizê-lo? Acaso o senhor não sabe que anunciar a vinda de Cristo – e clamar por ela que do meu ponto de vista é mais importante – é prática corrrente na Igreja desde os primeiros Apóstolos?
Senhor Fedeli, sinceramente, se o senhor pretende convencer mais alguém na sua “corrente” anti-RCC, deve escolher melhorar seu discurso e de sua “clientela”!

Abraços, que Deus e Nossa Dgníssima Mãe abençoem sua vida!
Roger Farinácio Pacheco

Muito prezado desapontado Farinácio,
Salve Maria.

            
            Que simpático nome você tem! E como ele calha bem para seu estilo! Pois tem um quê de valente – como você revela ser — e de florentino medieval. No inferno de Dante, encontrei um Farinatta, um herege cátaro. Agora, no Nordeste, encontro um Farinácio carismático.
Aliás, seu nome foi abrasileirado. Originalmente deveria ser, em italiano, Farinaccio. Que no nosso bem simpático Nordeste virou um Farinácio potiguar! Nunca imaginei que isso acontecesse! Ademais um Farinácio de prenome medieval: Roger. E Pacheco, para completar!
Roger de Foix era cátaro também. E Pachecos, conheci dois: um era o “Pacheco terríbil”, aquele que vem sempre junto do “Castro forte” no verso de Camões; o outro era o Pacheco do Eça: “O talentoso Pacheco” da saborosíssima Correspondência de Fradique Mendes.
Só espero que você, sendo Roger, não tenha o aspecto do famoso Joly Roger dos piratas do Caribe!
Que Deus lhe dê saúde e robustez!
“Vale!”  Como dizia o velho estóico Cícero, para, no fim de suas cartas, desejar saúde a seus correspondentes.
Portanto, “Vale!” (Em latim).
Passe com boa saúde, meu arretado Farinaccio!
Pois, por amor às coisas originais, permita-me tratá-lo pela simpaticíssima grafia original. Chama-lo-ei, então, simplesmente de Farinaccio, que devia ser o nome de seus ancestrais. Sem acento e com o duplo “c” italiano. Que dá uma força particular a esse termo. Um quê de valente!
Fica bem para você, creia-me.
   
Mas, deixe-me, antes de mais nada, agradecer-lhe a caridosa lição que você me deu. E já que você é Farinaccio, permita-me dizer, em italiano, o que em português se traduziria por “uma surra”: “una lavata di capo!”.
            Você lavou a égua!
Sua carta me deu uma grande lição.
Que lavada!  
Creio que você deveria mostrar a todo o mundo a carta, aí em Ibiporã, que você escreveu contra mim.
            Até o imagino perguntando: “Vocês viram que lavada dei naquele arrogante professor Fedeli?”
Como imagino os olhares admirativos e os comentários de seus amigos: “Esse Farinácio é mesmo um colosso!”
Farinácio, a glória de Ibiporã!
Quem sabe até o padre carismático local lhe conceda o título “honoris causa” paroquial de Ibiporã!
Você bem o merece.   
Deus lhe pague então pelas boas palavras que me dirige. Procurarei aproveitá-las para minha lição e para minha correção. 
            Em segundo lugar, permita que lhe informe que não sabia que Padre Leo já não “está no meio de nós”.
Não sabia que ele morreu.
Paz à sua alma!    
            Do outro lado, pelo menos, ele está livre do programa do tal Jô. Pois se está em paz, tem que estar sem o Jô. O que é um consolo imenso! Que eternamente Deus o livre do Jô.
            Creio que no outro mundo, só haverá programa do Jô no inferno, e desejo, do fundo da alma, que Padre Leo já esteja “in paradiso“.
Onde não há TV e nem Jôs.
Perdão, caro Farinaccio, por ter usado uma expressão “in paradiso” em latim: esqueci-me de sua civilizada e culta ojeriza pelo latim. “In Paradiso”, título de um lindíssimo hino da Missa de Réquiem, significa, em português, “no paraíso“.
Creio que sua agudeza e perspicácia já o haviam alertado para esse possível significado…
Escrevi em latim por causa de minha entranhada arrogância, da qual, depois de tantos anos, é bem difícil me livrar, de uma vez.   
O terceiro ponto que devo tratar, é a respeito da droga, e de como a comunidade Betânia cuida tão eficientemente de viciados.  
Ignorava tudo sobre isso.
Ignorava que Padre Leo tivesse sido viciado em drogas na sua mocidade. (Paz à sua alma! Sem drogas e sem Jô!).
            Ignorava que ele tivesse fundado essa comunidade Betânia.
            Ignorava que essa comunidade cuidasse de drogados.
            Ignorava o êxito — de Primeiro Mundo –no tratamento de drogados alcançado por Padre Leo (Paz à sua alma!).
            Ignorava que lá se combatia a droga sem remédio, visto que os remédios são uma droga!
Como ignorava que João Paulo II orava na língua do blá-blá-blá carismático.
(Com todo o respeito por você, duvido, não de você, mas da realidade dessa informação, porque, embora João Paulo II escrevesse num estilo “oscuro, profondo… e nebuloso” (Dante, Inferno, IV, 10), difícil de ser compreendido, não creio que ele orasse em blá-blá-blá).   
Você veja que enorme quantidade de coisas eram ignoradas por este pobre professor secundarista — e muito secundário — que lhe escreve!
            Creio que vou fazer um curso de pós graduação em Betanialogia.    
Mas, para minha vingança, devo dizer-lhe que você também ignora uma coisa muito importante.
            Você também é ignorante!   
            Quer saber em quê? Quer saber em quê sua ignorância é imensa?
            Você ignora o tamanho de minha ignorância, pois me julga “pessoa versada em História!”. E até “douto em Teologia”.
            Imagine! Doce ilusão! Como as aparências enganam!
            Meu caríssimo Farinaccio, você ignora minha dupla ignorância — em História e em Teologia — e ignora o tamanho dessa minha dupla, dobrada, ignorância.
            Você não calcula quanto tenho que estudar, diariamente, para combater meu oceano de ignorância histórica.
            Sim, minha ignorância é histórica!
            Você ignora que não leio latim, e que jamais estudei Teologia!
            E, por causa de meus mais de setenta anos,– que você tão bem percebeu — vou perdendo lentamente a memória, e já me fogem os nomes. (do nome Farinácio jamais me esquecerei. É tão pitorescamente italiano! Uma simpatia de nome! E tão revelador! Que pena terem trocado a sua grafia. Farinaccio é imensamente mais expressivo!)   
Falava-lhe então do oceano de minha ignorância, no qual navego sem bússola, sem rumo e sem brisa.
            Que saudades do vento de minha infância!
            Ele me chamava, em minhas correrias, dizendo-me: Vous… Vous…Vous…(Em francês) Vuuuu… Vuuuu… Vuuuu… (Em português)
            E o vento então me contava um segredo. Que não vou lhe contar. Para não sair do assunto desta carta.   
Você sabe, velho vai mudando de assunto continuamente, como formiguinha que roda, roda, roda… Para cá… Para lá… Para cá de novo… Procurando…Procurando um grãozinho de açúcar no imenso oceano da toalha da enorme mesa da enorme sala de jantar. Rodando, rodando, rodando…
            Um grão de açúcar!…
            Como faz um velho, redigindo cartas cheias de recordações, triste-alegre, buscando um pouco de doçura, para esquecer a amargura, um pouco de doçura para agradar aos leitores, ao responder uma carta amarga.
            Mania de velho! Querer dar doçura em meio da amargura…  
            Volto, pois, ao oceano de minha ignorância.
Retorno a falar-lhe de minha velhice arrogante, com meus lapsos de memória que dilatam minha ignorância senil.
            “Esclerose à vista!”- grita-me minha consciência encarrapitada, lá, bem no alto do mastro de gávea de minha bem pequena pessoa de 1,61m de altura — com os sapatos –, anunciando-me que, no imenso oceano de minha ignorância, já se avista, no horizonte de minha vida, a enrugada, triste, árida, macilenta ilha da velhice, com seus cacoetes e pigarros. Com seus achaques e suas misérias.
            E lá, no alto dessa ilha, já se vê perambulante, de alfanje na mão, o esquelético vulto de nossa irmã morte “della quale nessun vivente può skapare“, como poetou o doce São Francisco. 
Perdão, Farinaccio. Mas creio que você, com esse nome italianíssimo, — e com dois “cês” – e, embora desapontado, com sua agudeza, você deve entender o que minha arrogância peninsular deixou-me escapar em italiano.Da qual — de nossa irmã morte – nenhum ser vivo pode escapar“, tendo assistido ou não o programa do Jô. Que é de morte. Para a alma!   
Então, dizia-lhe, já se avista, no horizonte de minha vida, a triste Ilha da Velhice…
            Car, sur moi, vieilesse fait chaque jour ses efforts.
            Des efforts victorieux!…Hélas!!!…Qui anoncent ma mort   
            De novo, perdão!
            Desta vez minha arrogância me saiu à francesa!…
            Apresso-me a atendê-lo, expulsando o francês invasor, e introduzindo o português simples, lhano e fácil:
            ”Porque a velhice, sobre mim, cada dia, faz esforços.
            Esforços vitoriosos! Que pena!!! Que anunciam minha morte”… 
            Pronto! Estou virando dicionário para bem atendê-lo.
            Afinal, não é todo dia que se recebe a visita epistolar de um Farinaccio!
            De um Roger Farinácio Pacheco, diga-se e complete-se!   
Esqueci-me de lhe perguntar: não será você, por acaso descendente do “Pacheco terríbil”, aquele que sempre acompanha o “Castro forte” no verso de  Camões?
Ou será você parente longínquo do “talentoso Pacheco” do qual fala saborosamente o Eça na saborosíssima Correspondência de Fradique Mendes? É?
Gente terrivelmente talentosa os Pachecos!
Valha-me Deus! Com quem fui eu me meter!
Com um Pacheco!
Porque, quer seja parente do terríbil ou do talentoso, sendo Pacheco, e ademais Farinaccio, lá estou eu frito.
Frito e infarinatto”
Frito e enfarinhado, como dizem os italianos, quando alguém está totalmente perdido.   
Pois bem que você merecia ser descendente do Pacheco talentoso,o do Eça.
            Um talento refulgente, o Pacheco.
            Algo do talento dele brilha em sua lógica e em sua oratória!   
            Pois com o mesmo talento oratório do talentoso Pacheco você me pergunta desafiadoramente, fazendo-me encolher de pavor:
 

            “Que devemos fazer professor, voltar a celebrar a Santa Missa em latin ?

   

(Reparou, meu caro Farinaccio, como até o ponto de interrogação se encolheu diante do ímpeto e força de sua apóstrofe à minha soberba arrogante!)
            Brrrr! Que medo! Até me arrepiei!
            Como me sinto esmagado e encolhido!
            Como o tal ponto de interrogação aí, acima.
            Pois é. Você acertou em cheio. Aliás, de um Farinaccio só se podia esperar que pachecamente acertasse em cheio;
            Sim, caríssimo Farinaccio! Isso mesmo!!! Você acertou!!!
            Nada como ser pachecamente Farinaccio!!!
            Devemos voltar a celebrar a Missa em latim!!! Sim, senhor. Em Latim!!!
            Vá aprendendo:
            — Dominus vobiscum!
            — Et cum spiritu tuo!”
            Nem traduzo.
            Porque, como se anuncia em Roma: “Ite, Missa Nova est!”
Arinze dixit!
 
            E você farinacciamente se engana que eu tenha pronunciado milhares de vezes a tal oração da Missa Nova de Paulo VI, pedindo a vinda de Jesus logo depois de Ele chegar na Consagração da Missa.
Como se pode pedir a vinda de alguém que acaba de chegar? 
Meu caro, eu nunca assisti a Missa Nova de Paulo VI e de Monsenhor Bugnini. Só a estudei.
            Em toda minha vida, só assisti, graças a Deus, a Missa de sempre. Sempre.
            E para finalizar, vou pedir a Deus um milagre… para você…
            Parodiando o estilos dos livros sapienciais desejo-lhe que Deus lhe dê três coisas, e com uma quarta o beneficie: que Deus lhe dê um “mínimo de lógica“, um grão de saber, e um tantinho de bom senso.
            Um mínimo de lógica, para pelo menos perceber as contradições que escreve.
            Um grão de saber, para compreender que, quando se examina algo ou alguém, deve-se considerar, em primeiro lugar, os erros e defeitos desse algo ou desse alguém. Ainda que seja ao considerar o que fez  Padre Leo (Paz à sua alma, lá do outro lado. Sem a droga do programa do Jô). Ninguém vai ao dentista para receber elogios pelos dentes sadios, mas para que ele veja e sane os defeitos e males que temos nos dentes.
            Um tantinho de bom senso para não repetir heresias ou baboseiras lidas em folhetos de missa, ou ouvidas de padres modernistas ou carismáticos. 
            E para completar?
Perguntar-me então você: e para completar
Qual seria a quarta coisa?
Esqueci de colocar a quarta coisa que desejo que Deus lhe conceda.           
            Para completar, meu caro Farinaccio, que Deus lhe conceda — pelo menos a você — um pouco da humildade que eu, velho arrogante, ainda não tenho.
Um abraço bem amigo. Um abraço bem amigo.
Ainda que um tanto triste por ver tanta incompreensão, tanta ignorância e tanta falta de lógica na juventude de hoje em dia.
            Pobre Farinácio.
            Que Deus o perdoe!
Quem sabe ainda fiquemos amigos, já que temos a mesma Mãe, Maria Santíssima! 

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

PS. Um aluno meu acaba de me trazer, da minha biblioteca, o livro A Segunda Vinda de Cristo, do padre Leo Persch.(Paz à sal alma).
Dei uma olhada no índice. 
Chiii. 
Vou ler esse livro. Como diziam meus tios, quando viam meu avô brabo: “Prepara il dorso, che vengono legnatte”, isto é, “Prepara as costas que vão chegar pauladas”. 
Desejo paz à alma de Padre Leo. Mas, para os livros e erros dele “Non est pax”. 
Para os erros, não há paz!.
Até breve, então, meu caro Farinaccio. OF.



Muito prezado Farinaccio ,
Salve Maria

     Tenho que corrigir três erros de minha carta de ontem para você. 
     Do primeiro, a culpa é toda sau por me ter informado errado. 
     Padre Leo não morreu. Você me induziu em erro em sua carta ao dizer-me:


“Este site não teve a mínima consideração com o estado enfermo de Pe. Leo, que infelizmente não se encontra mais entre nós”.

     Um amigo meu telefonou para pessoas ligadas à Canção Nova que informaram que Padre Leo, infelizmente, está muito mal, mas que continua “no meio de nós”.
     Retiro então o “Paz à sua alma
     Deus lhe conceda saúde. Embora, sarando, ele corra o risco de ver o programa do Jô.
     Há bens que podem vir para mal…
     Imagine? Continuar vivo para ouvir o Jô!
     Segundo erro é todo meu. Confundi Padre Leo com Padre Leo. Pois parece que há dois Padres Leo. O Padre Leo que você saiu a defender — e que está mal — é um.
     Outro é Padre Leo Persch, autor do livro milenarista A Segunda Vinda de Cristo, que espero esteja bem de saúde. Mas de idéias não está nada bem, pelo que andei folheando no livro dele que já começa acreditando nas falsas visões da herética e cismática Vassula Ryden. Que horror!
     Terceiro erro possível meu — a confirmar — é que talvez seu nome seja de origem lusitana, e não italiana, como talvez precipitadamente supus. De fato Farinácio poderia ser nome bem luso. 
     Mas…Quer que lhe diga? 
     Acho muito mais saboroso Farinaccio do que Farinácio. Farinaccio tem força no “accio“. Farinacio cai melhor com seu estilo guerreiro.
     Tomara que tenha acertado em minha suposição. Se errei, para mim você será para sempre Farinaccio. Ainda que só por apelido simpático. 
     Um abraço.
   

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Replica

Caríssimo Fedeli…
Paz e Bem…
Muito grato sou pela diligência e talento com que vossa persona redigiu missiva endereçada a minha pessoa, que confesso, veio muito antes do que tinha previsto (na verdade, não poderia esperar muito menos vindo de quem veio).
Certamente, é acima de tudo uma honra ter tomado alguns minutos de vossa preciosa atenção.
Segundo, estou felicíssimo em saber que pe. Leo está por aqui… (não foi o que um pe. carismático disse, e em plena homilia! Mas o senhor bem sabe melhor que eu como são esses padres carismáticos!)
Terceiro, jamais gostaria de ter lhe dirigido como um membro da RCC, alias, eu disse que era carsmático? Permita-me “corroigir”.Se o fiz, mil desculpas, não foi esse o meu intento, na verdade não sou e NÃO GOSTO!
Então, deve estar o senhor Fedeli pensando “o que esse Farinaccio quer? ” Realmente professor, esse ímpeto característico da juventude é uma droga (sem o programa do Jô, porque ai já seria overdose!), mas, penso eu, o que nós leitores desse magnífico site gostariamos de ver são soluções. Se a RCC é um problema professor, e visto que vários membros do clero encontram-se inseridos o que propor?

“quando se examina algo ou alguém, deve-se considerar, em primeiro lugar, os erros e defeitos desse algo ou desse alguém”

Metodologia interessante, mas, o imenso ignorante que sou, muitas vezes não tenho destreza ou precisão em diagnósticos… (ignorante sim, mas nunca discutiria ou mostraria carta endereçada a vossa persona a outro remetente)… A, me lembrei, realmente preciso melhorar minhas missivas, como já dizia minha professora de português ” quanta contradição”. Pelo visto não é um costume fácil de deixar. Alguns acreditam em folhetins de missa, outros em relatos internéticos! É, a vida é assim mesmo…
Antes que me esqueça (esquecimento não é um privilégio senil!) muito contente fiquei em contribuir (mesmo que tão modestamente) a nostalgiante nostalgia de vossa carta (a menos que eu esteja repetindo baboseiras novamente, bom uma pachaquisse a mais, uma pachequisse a menos…)
Devo confessar-lhe caríssimo que a idéia de latiM nas celebrações não me agradam muito (exceto pelo “honoris causa”, eu e essa maldita vaidade…) por outro lado, confesso também que as tradições muito me aprazem (que crime cometeram com o meu nome!) e diante de vossos tríplices !!! “Devemos voltar a celebrar a Missa em latim!!! Sim, senhor. Em Latim!!!” perdi completamente meus argumentos (realmente acho q o latim não me apraz porque quando nasci, já havia algumas décadas que caiu em desuso). Certamente professor, não mereço nenhuma “honoris causa” e nem serei o orugulho de Ibiporã (que fica no Paraná e não no nordeste e, aproveitando a deixa, gostaria de expressar todo meu contento em contactar vossa persona, desapontado, jamais, pobre, com certeza…)
Quem sabe, quando atingir (que Deus me conceda) o auge de meus 70 anos terei a vossa paciência e também lerei as “magníficas” obras dos padres modernistas (quem precisa de Eça quando temos tão “saporífera” leitura?)
Permita-me uma ressalva… estou desapontado sim… a “latinização” priorizou seus argumentos (mas o que de fato me agrada é o sadismo, fazer o que? É esse o gosto da incompreensão, ignorância e falta de lógica da juventude de hoje em dia! E valha-me Deus que essa juventude tenha ao menos o bom senso de estudar latiM!)
Professor, desculpe-me tomar seu tempo mais uma vez… Espero que me contacte novamente, e, por favor, não esqueça das soluções ein! (ainda q este seja um assunto secundário nesse nosso diálogo “léxico”).
Um amissíssimo abraço, do seu já amigo Farinaccio ( mais que um apelido simpático!)

P.S. Relendo minha 1ª carta agora, nem acredito que algém teve coragem de respondê-la! O que um nome legal não faz pela gente?
P.S.2 Desculpe a arrogância, ao menos foi de utilidade, pois o real intento era estabelecer contato. Por favor não me leve a mal, escusas pela falta de criatividade, mas ao menos funcionou!
P.S.3 Tenho muito a aprender, tenha paciência… sinceros agradecimentos!

Muito prezado  Roger Farinacio,
Salve Maria.
 
    Sua carta me alegrou, porque você voltou bem humilde e a humildade arranca o perdão e a graça de Deus. Como então recusar-lhe minha compreensão e minha amizade?
    Gostaria muito de encontrá-lo pessoalmente, pois a virtude manifestada em sua carta o fazem muitísismo mais estimável do que seu simpático nome.

    A solução para restabelcer o latim é o restabelecimento da Missa de São Pio V.
    O Papa Bento XVI, tratando desse problema, disse que o latim da Missa elevava pouco a pouco a cultura do povo fiel, que ia aprendendo algo do latim na Missa através da tradução ao lado do texto latino. Disse ainda o Papa Bento XVI que convém que todo católico aprenda a rezar, para começar, o Pai Nosso, a Ave Maria e a Salve Rainha, em latim.
    É o primeiro passo. Soube que em Brasília, graças a Deus, o Arcebispo determinou que os seminaristas tenham aula de latim
no Seminário. Isso logo vai se espalhar.
 
    Escreva-me sempre, que gostaria de manter correspondência consigo.
    Um forte abraço.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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