Montfort Associação Cultural

24 de janeiro de 2008

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TV e liberdade sexual

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: João Noronha
  • Localizaçao: Lisboa – Portugal
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Advogado
  • Religião: Católica

muito prezado professor orlando:
como vai tudo bem?

nao me tem respondido as minhas questoes(excesso de trabalho?)

HOJE VENHO FALAR DE DUAS OU TRES QUESTOES QUE ME INQUIETAM

1——-NO QUE TOCA AO ABORTO SOU CLARAMENTE CONTRA ,POIS A VIDA HUMANA E INVIOLAVEL
ACHO CURIOSO OS SEUS DEFENSORES SEREM CONTRA A PENA DE MORTE(MODAS)
JA NO QUE TOCA A CONTRACEPÇÃO ,EMBORA RECONHEÇA QUE NÃO E A MELHOR DAS COISAS POR VEZES E NECESSARIA POR TRES MOTIVOS:
A—– EMBORA HOJE EM DIA O PROBLEMA SEJA A FALTA DE NATALIDADE,POR VEZES HA CASAIS QUE NAO PODEM TER MAIS FILHOS,NEM SABEM PREVER OS CICLOS NATURAIS DA MULHER—-TEMOS DE DEFENDER O PRINCIPI,MAS SIMULTANEAMENTE VER O MUNDO CONCRECTO,E INDISSO CIAVEL ESTES 2 FACTORES

B—–EMBORA OS NCONTRACEPTIVOS NAO RESGUARDEM TOTALMENTE AS DOENÇAS SEXUALMENTE TGRANSMISSIVEIS E A ABSTINENCIA SEJA A MELHOR MANEIRA ,DIMINUEM BASTANTE ESSE RISCO E NO MUNDO DE HOJE POUCA GENTE OPTA PELA ABSTINENCIA.
ASSIM NESTE CASO DO MAL O MENOS NAO?

C——-NO QUE TOCA A LIBERDADE SEXUAL(NAO A LIBERTINAGEM QUE SE ASSISTE)E UM PLANO QUE DEVEMOS SER PRUDENTES.
EU PERCEBO QUE A PUREZA E UM VALOR A PERSEVAR ATE PQ QUANDO E ASSUMIDA TRAZ FELICIDADE E FORTALEZA,MAS NOS TEMOS INCLINAÇOES,DESEJOS,NECESSIDADES FISICAS,
PSICOLOGICAS E EMOTIVAS E NAO E PELA IMPOSIÇAO QUE SE ACABA COM ISSO,MAS SIM COM A INTERORIZAÇAO.
POR OUTRO LADO,A QUESTAO SEXUAL,COMO SABE MLHOR QUE EU HISTORICAMENTE FOI UTILIZADA POR RAZOES DEMOGRAFICAS(SECULO XIV E XV POR EXEMPLO).

2——- QUANTO AO LATIM NA MISSA NAO PERCEBO A SUA LUTA POIS PODE-SE DANÇAR E FAZER ABUSOS NA EUCARISTIA FALANDO EM LATIM NAO?
POR OUTRO LADO,SE VAMOS A PUREZA ORIGINAL DA MISSA DEVERIA SER ENTAO EM ARAMAICO(COMO NO MOMENTO DA SUA FUNDAÇÃO) NAO?

3——–QUANTO A TELEVISAO NEM E BOA NEM E MA MAS SIM UMREFLEXO DA SOCIEDADE

Muito prezado Dr. João,
Salve Maria.
 
    Todas as mensagens que recebi suas eu as respondi. Talvez não me tenha chegado alguma. Talvez tenha sido distribuida alguma mensagem sua a outro membro da Montfort. Em todo, caso, mande-me, por favor, de novo, a mensagem a que não respondi.
    Você trata nesta sua carta de três temas diferentes, e cada um deles mereceria um tratado:
 
    1 – A questão sexual atual e suas conseqüências;
    2 - A questão do latim, na Missa;
    3 - A questão da TV.
 
    Começarei pelas que exigem menos delicadeza ou cuidado na linguagem e que são de mais simples resposta. Por isso, começarei pelo latim na Liturgia Católica.
 
    Claro que pode haver abusos mesmo em Missa rezadas em latim.
    Só que na Missa de sempre, o padre não pode usar a tão famigerada “criatividade” que tanto tem prejudicado a Liturgia. Na Missa de sempre, o sacerdote é obrigado a seguir à risca as rubricas estabelecidas, não podendo mudar nada a seu capricho.  
    O latim é língua morta, e, nas línguas mortas, as palavras não mudam mais de sentido, como acontece nas línguas vivas. Por isso, fica praticamente impossível introduzir erros doutrinários na Liturgia.
    Na Missa de sempre há palavras em latim, grego e hebraico, porque a senteça de morte, afixada na cruz por ordem de Pôncio Pilatos, estava redigida em latim (língua dos romanos) hebraico (língua dos judeus) e em grego (língua universal no oriente, no tempo de Cristo). E como a Missa é a renovaçao mística e incruenta da morte de Cristo no Calvário, nela se usam essas três línguas. Por isso, o Concílio de Trento excomungou os que defendiam a tese de que a Missa deveria ser dita na língua do povo. Esse erro era espalhado porque os protestantes diziam que quem celebrava a Missa era o povo, visto que os protestantes não aceitam o sacerdócio católico. Para o protestantismo — assim como hoje, para os hereges Modernistas –, todos os batizados são sacerdotes. Seria o povo que rezaria a Missa e não o Padre
    Deus entende perfeitamente o latim.
    Curioso é que os que criticam o uso do latim na liturgia, aceitam o blá blá blá dos carismáticos que ninguém, nem eles mesmo entendem. Curioso também é que os modernistas, que tanto defendem o ecumenismo, não ciriticam as religiões falsas que mantém línguas sagradas, e não populares, para seus cultos.
 
    Sobre a TV. O grande mal da TV não é só a imoralidade e a pornografia eletrônica “a serviço do lar” pois que invadiu tantos lares católicos. O grande mal da TV é o absoluto domínio da imagem que destrói o pensamento. Quem assiste TV continuamente, fica incapaz de analisar as coisas pois se vicia apenas em ver. Vicia-se ainda apenas a sentir emoções. Ora, as emoções mais violentas são as que falam de erotismo e morte. Dai a TV explorar o sexo e o terror.
    A TV é a prostituta eletrônica e burra corrompendo a inocência do lar e de suas crianças e – pior – impedindo de pensar. Depois da TV houve um mundial emburreciemnto, e perda da cultura.
    Claro que esse tema precisaria ser mais exaustivamente explanado, mas as numerosas cartas que tenho que responder me impedem de exaurir o tema.
 
    Quanto às questões relacionadas com sexo e procriação, devo, antes de tudo, congratular-me com você por ser você contra o aborto que é homicídio gravíssimo, com requintes de crueldade, contra um ser inocente e sem lhe permitir defesa. É pois um crime hediondo, que desejam que seja praticado de modo ascéptico e hipócrita. Todo abortista viola não só a lei de Deus como também a doutrina católica incorrendo em exclusão dos sacramentos.
    Mas devo dizer-lhe ainda que a Igreja condena todo controle de natalidade.
    Quando uma pessoa se casa, deve saber que o primeiro fim do matrimônio é a procriação. Na cerimônia matrimonial, os noivos devem prometer diante de Deus aceitar todos os filhos que Deus lhes enviar.
    É claro que muitíssimo casais pretendem controlar o número dos filhos, freqüentemente alegando motivos finaceiros. E, em geral, quem mais dá essa desculpa pagã, são casais mais ricos.
    Desculpa pagã, sem dúvida, pois que Nosso Senhor Jesus Crsito nos preveniu: 

Não vos preocupeis com o que haveis de comer e de vestir. São os pagãos que pensam nisso” (São Mateus V). 

    Deus cuida até das aves do céu e dos lírios dos campos, quanto mais de nós.

    O controle da natalidade, além de contrariar o primeiro fim do matrimônio — e por isso mesmo normalmente é pecado — traz imensos problemas para o mundo. Hoje, várias nações estão ameaçadas de extinção pela crise da natalidade. Mas, exigem-se mais cuidados para não permitir a extinção do mico-leão ou das baleias do que a extinção da França, da Espanha ou da Itália.
    E não se fale, nesse caso, de mal menor, porque todo pecado é um mal imenso e jamais permitido. O evitar um pecado imenso não torna lícito praticar um pecado grave, ainda que menos grave que outro.
    Liberdade sexual é licenciosidade. Assim como não pode haver liberdade para o homicídio, não pode haver liberdade sexual. Deus é quem nos impõe seus mandamentos. Recusar que o Ser absoluto possa nos impor algo é proclamar uma independência da criatura em relação ao criador. É promover o anarquismo, pois se Deus nada pode nos impor, ninguém pode mandar nada. 
    Nossas más tendências tem que ser controladas, e isso é que faz a virtude. Com o auxílio da graça, pela freqüência aos sacramentos, é perfeitamente possível praticar a lei de Deus, até mesmo chegando ao heroísmo da santidade. Não é verdade que não possamos controlar o pecado. Já Deus disse a Caim: teu pecado estava sob ti, e podias dominá-lo.
    Quem não se domina, é porque não pediu a ajuda de Deus e de sua graça. O mais é paganismo e não catolicismo. Aliás, até mesmo certos pagãos veneravam a virtude. Os romanos mais antigos, por exemplo, louvavam a pureza e a castidade. Admiravam a virgindade. Eram monogâmicos e contra o divórcio. Mais ainda. Esses romanos antigos afirmavam que Roma pereceria, quando não fosse mais capaz de gerar moços e moças virginais. Estamos, hoje, pior que certos pagãos antigos. E isso é um sinal claro da apostasia atual.
    Fomos feitos para Deus, para a santidade e para o heroísmo, e não para o gozo e o prazer.
    Daí, o modelo de todo católico verdadeiro ser a Sempre Virgem Maria, nossa Mae Santíssima.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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