Montfort Associação Cultural

6 de dezembro de 2011

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Transubstanciação

Autor: Emerson Takase

  • Consulente: Neilom
  • Localizaçao: Brasília – DF – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Profissão: Vigilante
  • Religião: Evangélica

Boa tarde , gostaria de entender um pouco sobre essa doutrina . pois no dia da ceia que o Senhor Jesus estava participando com os seus discípulos, eu vejo algumas expressões que Jesus falou e que me chama muito a atenção tais como : beber , comer , todos , pão , fruto da vide , cálice , meu corpo , meu sangue e memória. Gostaria de entender onde a doutrina da transubstanciação se encaixa nesse texto? e se é neste texto que está o respaldo pra a doutrina da transubstanciação ? o por fim o que significa a palavra “transubstanciação ?
Muito obrigado pela atenção, , a paz de cristo .

 Prezado Neilom, salve Maria “Mãe de meu Senhor” (S. Lucas I, 43).

Transubstanciação significa mudança da substância.

Essa palavra se refere à mudança miraculosa do pão e do vinho em, respectivamente, corpo e sangue de Nosso Senhor, que ocorreu por ocasião da öltima Ceia e que ocorre em toda Santa Missa rezada desde os tempos apostólicos até hoje.

Apesar de se manterem as características acidentais do pão e do vinho, tais como a cor e o sabor, a substância já não é mais de pão nem de vinho.

Por isso, recomendo que você leia a belíssima poesia de S. Tomás de Aquino, “Adoro Te Devote“, em que o santo expõe de maneira poética a doutrina católica desse milagre: “Visus, Tatus Gustus in te fallitur, sed auditor solo tuto creditur”, isto é, onde falham os sentidos é a fé que sustenta. Com efeito, se nós acreditamos que Nosso Senhor criou o céu e a terra, se nós acreditamos que o Infinito se encarnou na finitude da carne humana, se nós acreditamos que um pecador pode ser convertido pela Sua Misericórdia… Por que não se pode acreditar que a matéria bruta pode ser vertida em carne e sangue de Nosso Salvador?

Ele não poderia ter transformado as pedras do deserto em pão, para saciar a fome?

Sim, mas Ele fez e faz algo mais grandioso. Ele transforma o pão em sua própria carne para saciar nossa fé, em cada Santa Missa rezada em cada lugar do mundo inteiro.

Por isso, está escrito nos Evangelhos:

Tomou o pão e disse: Tomai e comei; ISTO É O MEU CORPO. E tomando o cálice, disse: Bebe dele todos. Porque ISTO É O MEU SANGUE do novo testamento, o qual será derramado por muitos para a remissão dos pecados.

E depois S. Paulo nos explica na 1ª Carta aos Coríntios XI, 20-29:

“De maneira que, quando vos reunis, não é já a refeição do Senhor que celebrais. Porque cada um se antecipa a comer a sua ceia. E uns tem na verdade fome, enquanto outros estão excessivamente saciados. Porventura não tendes vós casas, para lá comer e beber? Ou desprezais a Igreja de Deus, e envergonhais aqueles que não tem nada? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo. 
Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e dando graças, o partiu, e disse: recebei e comei; isto é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim.
Igualmente depois de ter ceado, (tomou) o cálice, dizendo: este cálice é o novo testamento no meu sangue, fazei isto em memória de mim todas as vezes que o beberdes. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que ele venha.
Portanto todo aquele que comer este pão ou beber este vinho indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor”.

Veja então que Nosso Senhor foi muito claro na öltima Ceia, senão Ele teria dito “isto representa o meu corpo e isto representa o meu sangue”. Ora, num momento tão solene quanto aquele, que antecedia a sua vergonhosa morte na cruz, Nosso Senhor não iria fazer algo simbólico sem deixar explicação para os símbolos. Pelo contrário, deixou explicitamente bem claro que aquilo que acabara de fazer, a transubstanciação do pão em carne e vinho em sangue, correspondia exatamente à carne que estaria pendida na cruz e ao sangue que escorreria da cruz, para a redenção dos homens.

E mais tarde, ainda na época dos Apóstolos, alguns fiéis de Corinto viriam a confundir as coisas, exatamente como os protestantes sempre se confundiram, isto é, pensariam que o Santo Sacrifício da Missa seria uma simples cerimônia memorial da última ceia. Daí se entende a necessidade que S. Paulo teve de explicar a doutrina dizendo que “não é já a refeição do Senhor que celebrais”, bem como a necessidade de perguntar em tom de bronca: “Porventura não tendes vós casas, para lá comer e beber?”.

Após relembrar a doutrina correta e dar uma chamada de atenção, nada mais natural que expôr o castigo a que os protestantes da época estariam sujeitos. Daí S. Paulo dizer: “Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor.

Ora, como alguém poderia comer e beber a própria condenação, se, ao ver pão e vinho e comer pão e vinho, não distinguisse o Corpo do Senhor? Como poderia alguém distinguir o Corpo do pão, se vê apenas pão? Como poderia alguém distinguir o Sangue do vinho, se vê apenas vinho? Será que S. Paulo estaria sendo exagerado em seu zelo?

Tal zelo só tem explicação se aquilo que está se tocando, comendo e bebendo for de uma dignidade infinitamente superior à natureza humana, ou seja, trata-se realmente da Carne e do Sangue do Salvador.

De fato, Nosso Senhor não pode mentir, tampouco seu próprio Apóstolo ao corrigir os fiéis de Corinto.

Além do mais, à guisa de conclusão, Nosso Senhor disse que minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida (S. João, VI, 41), e ainda quem não come minha carne e não bebe meu sangue não terá a vida eterna (São João, VI, 59).

Na ocasião, os judeus – e os protestantes de sempre – se escandalizaram com tal afirmativa:

disputavam, pois entre si os judeus, dizendo: como pode este dar-nos a comer a sua carne? E Jesus disse-lhes: em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós
(São João, VI, 53-56).

Por fim, quero lembrar-lhe que Nosso Senhor, ao nascer num estábulo, foi envolto em panos e posto numa manjedoura (cocho), que é o local onde os animais comem. No estábulo (cocheira) os animais também deixam suas sujeiras. Veja aqui simbolizado a Igreja Católica, local onde os homens deixam suas sujeiras no confessionário, para depois irem comungar (após o Santo Sacrifício de Nosso Senhor) a Carne do Redentor envolto na brancura do pão.

Naquele tempo, a Divindade estava sob o véu da Humanidade. Desde então, após o Calvário, a Divindade e a Humanidade estão sob o véu dos acidentes do pão.

Meu caro Neilom, se restou ainda alguma dúvida, peço perdão a Deus, pois sou um mero pecador, um instrumento inadequado, tentando explicar um assunto infinitamente sublime que revela o Amor do Criador pela sua criatura, que é escândalo para os Judeus e loucura para os pagãos. Você é pagão?

Mas, se você entendeu a beleza desses fatos e a inteligência dessa Doutrina, reze e agradeça a Nossa Senhora, Medianeira de Todas as Graças, a graça da compreensão.

Ad Majorem Dei Gloriam
Emerson Takase.

 

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