Montfort Associação Cultural

24 de janeiro de 2005

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Transfiguração de Cristo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Kátia
  • Localizaçao: Brasília – DF – Brasil

Boa Tarde!

Sempre ouvi falar que no momento da transfiguração, Jesus conversava com Moisés e Elias a respeito da sua paixão e morte. Acontece que perguntei para um padre, se isso era fato, e ele me disse que desconhecia tal informação.

Por favor, respondam-me esta e faça o seu comentário sobre o que foi a Transfiguração.

Desde já, obrigada, e que Deus e a Virgem os abençõe.

Muito prezada Kátia, salve Maria.

Os relatos dos Evangelhos tem uma seqüência extremamente lógica, que dificilmente é percebida pelos leitores comuns, e muito menos por sacerdotes que pouco os lêem e meditam os livros sagrados.

Depois da segunda multiplicação dos pães — aquela que representa melhor a instituição da Eucaristia –, os fariseus pediram a Jesus que fizesse aparecer um sinal no céu. Pediam-lhe isso por mera curiosidade e para tentá-lo a fazer um milagre sem necessidade. Cristo se recusou a fazer o sinal no céu, e disse-lhes que, para eles se daria apenas o sinal de Jonas, isto é, que assim como o profeta Jonas saiu vivo da baleia, depois de três dias, Ele também sairia vivo da terra depois de três dias depois de ser sepultado (Mt.XVI, 1- 5).

A seguir, Cristo previne aos Apóstolos contra a doutrina secreta dos fariseus, secreta como o fermento na massa.

Logo depois disso, Pedro confessa que Cristo é Deus encarnado e recebe o primado apostólico, como chefe infalível da Igreja (Mt XVI,13-20).

A seqüência é lógica, pois que depois da apostasia dos fariseus e da Sinagoga, Cristo institui a Igreja sobre Pedro, dando-lhe a Infalibilidade, enquanto Papa, e não enquanto homem concreto. Para mostrar que Pedro era infalível só quando falava com o poder das chaves que Cristo he concedera, Jesus permite que Simão O aconselhe mal dizendo que se afastasse de Jerusalém onde Jesus previra que ia ser morto. Simão diz a Cristo que se afaste de Jerusalém, e Cristo o repreende por isso, para mostrar que o Papa pode errar enquanto pessoa particular, nunca como Papa.

E, para que não se pense que Pedro — o Papa — tendo errado pessoalmente, fora repelido por Cristo, Jesus toma à parte os três discípulos que O verão mais de perto em sua agonia, no Horto das Oliveiras, e os leva, separados dos demais ao monte Tabor, onde se transfigura diante deles. Ele se lhes mostra como Deus, sendo homenageado por Moisés e por Elias, isto é pela Lei e pelos profetas, por todo o Antigo Testamento.

O milagre negado aos fariseus é concedido aos Apóstolos.

Isto Jesus quis que ocorresse, para responder à acusação dos fariseus de que Nosso Senhor violava a Lei de Moisés,e que não cumpria o que haviam dito os profetas sobre o Messias.

Então, Moisés, que recebeu a Lei, e Elias, o principal dos Profetas, ambos vêm testemunhar a glória de Cristo como Deus.

Diz o Evangelho de São Mateus que isso ocorreu “6 dias depois”.

Esses “seis dias depois” tem relação com a criação do mundo, feita também em seis dias (seis épocas), porque assim como depois dos seis dias da Criação, Deus “descansou”, assim também, depois de seis dias (épocas) desde Adão, Cristo ia apresentar-se glorioso aos três Apóstolos.

E por que somente a esses três Apóstolos, Pedro, Tiago e João?

Porque as graças de Deus não são dadas igualmente a todos. Esses três Apóstolos, como já lhe disse, serão aqueles chamados a assistir, de mais perto, os sofrimentos de Cristo. Por isso, Deus lhes dá, no Tabor, a graça de ver Cristo glorioso, para que não desesperassem ao vê-Lo, sofrendo e morrendo na cruz.

Outra razão foi para mostrar aos três Apóstolos que Jesus tinha poder sobre os mortos (Moisés) e sobre os vivos ( Elias).

É no relato da Transfiguração no Evangelho de São Lucas, que se diz que Moisés e Elias conversavam com Cristo “e falavam de sua saída [deste mundo], que Ele ia realizar em Jerusalém” (Luc. IX,31).

Sua “saída do mundo” quer dizer de sua morte. Então é verdade que, no Tabor, Moisés e Elias conversaram com Jesus sobre sua morte e ressurreição.

[Entre colchetes, como o Padre que você consultou não sabia desse pormenor que está expressamente dito no Evangelho de São Lucas? Será que esse sacerdote jamais leu, ou jamais meditou, esse Evangelho? Que ignorância lamentável! Mas pergunte a ele sobre a novela da TV, ou sobre o campeonato de futebol, para ver se ele tem, sobre essas futilidades, a mesma ignorância. Que lamentável é a situação desse clero moderno e modernista, que ignora até o Evangelho!].

É certíssimo, pois, que Moisés e Elias conversaram com Jesus sobre a sua crucificação e morte no Calvário, para prepararem esses apóstolos, e sobretudo a Pedro — que dera mau conselho a Cristo — sobre a sua morte e ressurreição.

Esperando ter satisfeito sua urgente necessidade sobre essa passagem do Evangelho, e pedindo-lhe escusa pela explicação por demais sucinta — voltarei ao tema, no futuro — subscrevo-me atenciosamente.

in Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.

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