Montfort Associação Cultural

11 de outubro de 2004

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Tragédia das crianças-soldado causa um novo massacre em Uganda

O padre Albanese denuncia as atrocidades do «LRA» com os pequenos seqüestros

LIRA, segunda-feira, 9 de fevereiro de 2004 (ZENIT.org).- Testemunha da matança conduzida na quarta-feira passada pelo «Exército de Resistência do Senhor» (LRA) no campo de refugiados de Abia –no distrito norte-ugandense de Lira–, o padre Giulio Albanese, diretor da agência missionária «Misna», denunciou a utilização de crianças recrutadas à força pelos rebeldes e obrigadas a combater e perpetrar estas atrocidades.

Mais de 120.000 mortos e 25.000 crianças seqüestradas (reduzidas à escravidão ou envolvidas à força na guerrilha) e um milhão de desabrigados é o balanço das ações que desde 1986 comete o «LRA» às ordens de Joseph Kony, um visionário patrocinado pelo Sudão que tenta depor o governo do presidente ugandense Yoweri Museveni.

Em um dos últimos ataques (o do campo de Abia) morreram 80 pessoas nas mãos dos rebeldes do «LRA», cujas fileiras estão integradas em grande parte por «crianças-soldado».

Duas hipóteses explicam a frieza das crianças nestes combates, explicou o padre Albanese –missionário comboniano– aos microfones de «Rádio Vaticano»: «A primeira é que lhes sejam ministradas substâncias entorpecentes, como é o caso das crianças-soldado do “RUF” (Frente Unida Revolucionária de Serra Leoa)».

Mas no caso do «LRA», «segundo testemunhos que reunimos, parece que (as crianças) são submetidas a sessões de hipnose coletiva», advertiu o religioso sublinhando que «as crianças, quando combatem, não o fazem em um estado de racionalidade e de fato cometem crimes assombrosos». «Eu mesmo vi cenas terríveis», admitiu.

«Trata-se de um drama que faz um chamado à consciência de todo homem e mulher de boa vontade –alertou o padre Albanese–, independentemente do fato de que se trate de missionários, trabalhadores humanitários, políticos ou diplomatas.

Em sua opinião, a responsabilidade principal desta destruição recai no fundador do «LRA», Kony: «Sabemos que se encontra atualmente em uma das bases do “LRA” no Sudão, na fronteira com Uganda»; é que este sujeito «é livre para atravessar a fronteira todos os dias».

«Até que não haja verdadeiramente vontade por parte do governo sudanês de entregá-lo à justiça internacional –acrescentou–, creio que será impossível falar de paz, ainda que não se exclua a possibilidade de uma negociação».

O «LRA» está armado desde 1994 pelo governo sudanês com uma função «anti-ugandense». A razão é que o governo de Campala durante estes anos apoiou o «Exército de Libertação Popular de Sudão» (SPLA), de John Garan.

«É por isso que a sociedade civil, tanto ugandense como sudanesa, pediu que a questão da guerra no norte de Uganda se introduzisse nas negociações entre o governo de Cartum e o “SPLA” de Garan, porque a verdadeira solução para este conflito não está tanto em Uganda, mas sim no vizinho Sudão», adverte o missionário.

Para o padre Albanese, a comunidade internacional deve abandonar seu papel de espectadora, porque «infâmias e crimes horríveis foram cometidos nestes anos. Também, há que admitir, é difícil controlar e entender o que está ocorrendo nas zonas rurais infestadas de rebeldes».

O último chamado à comunidade internacional –especificamente dirigido às Nações Unidas, à União Européia, à Comunidade Britânica de Nações e à União Africana– foi feito de Londres na semana passada pelo bispo de Gulu, Dom John Baptist Odama: «Só a ajuda internacional poderá pôr fim ao conflito que convulsiona o norte de Uganda», advertiu.

O prelado preside a «Iniciativa para a Paz dos Líderes Religiosos da região Acholi» (ARLPI), organização inter-religiosa que há tempos promove a paz no norte, povoado pela etnia Acholi e atormentado pelos crimes do «exército» rebelde.

Enquanto isso, no domingo chegaram à Uganda três senadores da Comissão extraordinária para a tutela e a promoção dos direitos humanos do Senado italiano, que viajarão a Gulu –no homônimo distrito, em uma das regiões mais golpeadas pelo «LRA»– para avaliar a situação dos direitos humanos, identificar o que o governo italiano pode fazer para melhorar a situação e elaborar propostas concretas.

«É importante encontrar um modo de envolver as Nações Unidas», disse a «Misna» Enrico Pianetta –presidente da mencionada Comissão– fazendo referência às palavras pronunciadas em novembro passado em Uganda pelo subsecretário geral da ONU para Assuntos Humanitários, Jan Egeland, que definiu a situação ugandense como «a pior crise humanitária do mundo».
 


Comentário:

Eis os frutos da “Autodeterminação dos Povos” dos anos 60-70, que recebeu todo o apoio da Teologia da Libertação ( e de altos …prelados). E a ONU?… O que fez a ONU em Uganda nesses quase 18 anos de morticínio?…

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