Montfort Associação Cultural

20 de fevereiro de 2013

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Tornielli: Lefebvrianos, o último trem

Fonte: Vatican Insider

Tradução Montfort

Uma carta do Arcebispo Müller convida a Fraternidade a responder positivamente até 22 de fevereiro, a festa da Cátedra de São Pedro.

Andrea Tornielli

CIDADE DO VATICANO

19 de fevereiro de 2013

 Lefebvrianos, último ato e última tentativa. A Santa Sé pede a FSSPX que aceite a proposta de acordo de Roma por 22 de fevereiro, festa da Cátedra de São Pedro, e, portanto, antes da demissão de Bento XVI tornar-se operacional.

Depois da carta “pessoal”, e espiritualmente muito elevada, enviada em dezembro passado pelo Arcebispo americano Dom Augustine Di Noia, uma nova carta datada de 8 de janeiro chegou ao superior da Fraternidade, Dom Bernard Fellay. Seria errado apresentá-lo como um “ultimato” propriamente dito, mas certamente o documento – assinado por Dom Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei” – coloca pela primeira vez aos Lefebvrianos termos temporais. Que, à luz da clamorosa renúncia de Bento XVI acaba tomando uma particular dramaticidade.

A existência da carta foi confirmada pelo Padre Claude Barthe, intérprete atento das relações entre Roma e o tradicionalismo, em uma entrevista publicada em Présent no dia 16 de fevereiro: “Todo mundo já sabe que a Comissão Ecclesia Dei enviou uma carta a Dom Fellay em 8 de janeiro e espera uma resposta dele até 22 de fevereiro, dia da festa da Cátedra de São Pedro. Deste dia, 22 de fevereiro, pode ser datada a criação da Prelazia de São Pio X. Este representaria a verdadeira conclusão do pontificado de Bento XVI: a reabilitação de Dom Lefebvre. Você pode imaginar que estrondo de trovão e também, indiretamente, que peso na orientação dos acontecimentos de março”, ou seja, no conclave.

De acordo com o Padre Barthe, o jogo não estaria portanto encerrado. Embora pareça  objetivamente difícil que os Lefebvrianos concordem em assinar o “preâmbulo doutrinal” que a Santa Sé deu a eles em junho passado. De acordo com o jornal católico francês “La Croix”, em caso de não resposta no prazo de 22 de fevereiro de Roma reserva-se o direito de dirigir-se a cada um dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, com um apelo direto, sem passar por seu superior Dom Fellay. Convidando-os a voltar a entrar individualmente em comunhão com Roma. As primeiras reações do clero Lefebvriano, no entanto, parecem bastante compactas e alinhadas com o superior.

Como se recordará, em junho passado, o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal William Levada, entregou nas mãos de Fellay a última versão do preâmbulo doutrinal, acompanhada da proposta de acordo canônico, que previa transformar a Sociedade de São Pio X em uma prelazia pessoal.

Naquele documento se pedia aos lefebvrianos reconhecer que o Magistério é o intérprete autêntico da Tradição, que o Concílio Vaticano II está de acordo com a Tradição, e que a Missa da reforma litúrgica pós-conciliar promulgada pelo Papa Paulo VI não é apenas válida, mas também lícita. Estas condições foram discutidas pelo Capítulo Geral da Fraternidade, em julho de 2012, mas nenhuma resposta veio a Roma. Declarações e entrevistas dos responsáveis lefebvrianos, no entanto, deram a entender que se tratava de condições dificilmente aceitáveis.

A renúncia do Papa levará a uma aceleração dos tempos? Difícil dizer. Certamente uma conjuntura tão favorável, com um Papa tão bem disposto, vai ser difícil se repetir no futuro. E, em caso de recusa a Santa Sé, neste caso o novo Papa, terá ele que decidir o que fazer.

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