Montfort Associação Cultural

30 de dezembro de 2014

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Todo ponto de vista é a vista de um ponto

Autor: Orlando Fedeli

Em resposta de 2005, o saudoso professor Orlando Fedeli recusava a “tolerância” oferecida à Igreja como a qualquer outro “ponto de vista”.

  • Consulente: Mauro
  • Localizaçao: – Brasil

<font >Todo ponto de vista é a vista de um ponto, afirma o bom senso e a prudência. Nem em nome de Cristo Jesus (a quem sou seguidor), nem de buda, krisná, seja lá quem for, nunca poderemos impor as nossa idéias e valores, mesmo que seja os mais verdadeiros, honestos e justos.

Segundo os Evangelhos, Jesus nunca se impos a ninguém… Tolerância e respeito são a medida de todas as coisas, daquelas que são e daquelas que um dia talvez venha a ser.

Sou estudante de teologia, conheço os meandros da fé, sem muito bem para onde o puritanismo e o fanatismo religioso levou e tende a levar os crentes: Bin Laden que o diga, as “bruxas”, os hereges da Idade Média e os judeus do Holocausto nazista, tudo numa grande teia visível e caótica, de visõe unidimensionais.

O site é interessante, é um ponto de vista que deve ser respeitado…

Em nome do Deus de tantos nomes Paz, Fé e senso crítico!

<font >Meu caro Mauro, salve Maria.

Muito obrigado pelo seu reconhecimento do valor de nosso site.

Entretanto, permita-me que não aceite a “tolerância” que você me oferece, como você a oferece a qualquer outro “ponto de vista”.

Essa sua atitude — você que diz conhecer “os meandros da fé”, pois se declara “estudante de teologia” e professor — é liberal, e o liberalismo, meu caro Mauro, é doutrina condenada pela Igreja Católica, como contrária à Fé.

Se você é conhecedor dos “meandros da Fé” e se estuda Teologia, você deve conhecer bem a condenação dessa tolerância liberal pela Mirari Vos de Gregório XVI, pela Quanta Cura de PIo IX, pelo Syllabus etc.

Voce me escreve que:

<font >“Nem em nome de Cristo Jesus (a quem sou seguidor), nem de buda, krisná, seja lá quem for, nunca poderemos impor as nossas idéias e valores, mesmo que seja os mais verdadeiros, honestos e justos”.

<font >M<font >eu caro Mauro, essa frase não pode ser engolida tal qual está em sua carta.

Em primeiro lugar, que meandros da Fé lhe permitem colocar lado a lado, como se tivessem a mesma autoridade, Cristo, Buda, Krishna, e “seja lá o que for”?

Cristo é Deus, enquanto Buda foi um homem que ensinou uma doutrina atéia. E Krishna é um mito de uma religião gnóstica.

Você, que “conhece os meandros da Fé”, deve lembrar-se que os salmos dizem que todos “os deuses pagãos são demônios” (Ps. XCV, 5).

Você afirma ainda que “nunca poderemos impor as nossa idéias e valores, mesmo que seja os mais verdadeiros, honestos e justos”. Meu caro professor Mauro, que entende você por “impor”?

Se for a imposição da verdade pela força bruta, nesse caso você tem razão: a verdade não pode ser imposta pela força física.

Mas a verdade se impõe por si mesma à mente humana, impondo também obrigações bem graves.

Você me diz ainda que “Segundo os Evangelhos, Jesus nunca se impos a ninguém… Tolerância e respeito são a medida de todas as coisas, daquelas que são e daquelas que um dia talvez venha a ser”.

Espanta-me que um estudante de teologia, que afirma conhecer “os meandros da fé”, escreva tal frase.

Você se esqueceu que Cristo expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, impondo sua vontade a eles pela força física?

Você se esqueceu de que Cristo condenou os fariseus como “filhos do demônio”, perguntando-lhes: “Se vos digo a verdade, por que não me credes?” (Jo. VIII, 6).

E você se esqueceu que São Paulo ensinou que, se não se pode impor a verdade pela força, é lícito impedir que a mentira seja propagada? Escreveu São Paulo: “Porque há ainda muitos desobedientes, vãos faladores e sedutores, principalmente entre os da circuncisão, aos quais é necessário fechar a boca, a eles que transtornam casas inteiras, ensinando o que não convém, por amor de um vil interesse(…) Portanto, repreende-os asperamente, para que sejam sãos na Fé, não dêem ouvidos a fábulas judaicas nem a mandamentos de homens que se afastam da verdade” (Tito, I, 10-15).

Pois então, Mauro?

Que me diz dessa verdade exposta infalivelmente na Sagrada Escritura por São Paulo? Onde fica essa “tolerância” liberal que você ostenta, e com a qual quer democraticamente tolerar?

São Paulo não era liberalmente tolerante.

E o que quer dizer sua primeira frase: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto, afirma o bom senso e a prudência”?

Esse chavão vazio de radialista, se significa alguma coisa, é a afirmação do mais declarado relativismo.

Desse relativismo nada católico que você professa — e que foi condenado por João Paulo II em encíclicas como a Veritatis Splendor, assim como na Fides et Ratio — vem a confirmação, em sua fórmula de despedida, de um ecumenismo relativista que cheira a heresia: “Em nome do Deus de tantos nomes”.

Que quer dizer isso, meu caro conhecedor dos meandros da Fé? Quererá você dizer que Allah, Brahma, Shivá, Tupã, Yahwé e Cristo são nomes equivalentes?

Pois saiba que isso é heresia, porque esse nomes não designam o mesmo Ser.

Enfim, você me deseja “Paz, Fé e senso crítico!”. Permita que lhe retribua desejando a paz que só Cristo pode dar. Não a paz falsa do Nirvana de Buda, nem a paz maometana, nem a judaica, nem a paz do mundo, mas a Paz de Cristo, único Senhor nosso.

Que Deus lhe dê também a Fé verdadeira e íntegra, fé que parece você anda arranhando pelos corredores e meandros ínvios das falsas doutrinas liberais e relativistas. E que Deus lhe dê também o verdadeiro senso crítico, que manda ver tudo pelo olho claro da fé. E não por meio de chavões ocos de verdade, e recheados de relativismo.

In Corde Jesu, semper,

<font >Orlando Fedeli

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