Montfort Associação Cultural

24 de novembro de 2004

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Todo poder vem de Deus

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Max
  • Idade: 17
  • Localizaçao: – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Religião: Católica

Olá. Mais uma vez volto a incomodá-lo.

Estava lendo o seu texto sobre Rock e Revolução: um debate construtivo. Parte IV: quetões políticas.

Li um de seus comentários que dizia: O poder vem de Deus. “Todo poder vem de Deus” (Rom. XIII,1).

Entao endaguei-me: Quer dizer que Deus dá poder para os corruptos, os malvados ?

Várias pessoas morrem todos os dias devido à péssima administraçao do poder exercido por esses senhores e até mesmo abuso deles.

Logo concluí. Se Deus permite que esses indivíduos tenham poder (só para nos infernizar) entao Deus é um sádico…

Por exemplo. O caso da igreja renascer, onde seus responsaveis cujo tinham o PODER (pastor e sua mulher), o utilizava explorando a fé dos fieis e “tomando-lhes” o dinheiro. Deus realemente queria isso ?

Aguardo ansiosamente…

Prezado Max,
salve Maria.

Sim, todo poder vem de Deus. Quem afirma isso é a Sagrada Escritura.São Paulo, na epístola aos romanos, ensina: “Non est potestas nisi a Deo” ( Não há poder que não venha de Deus, e, os que existem, foram instituídos por Deus. ( Rom XIII, 1) .

E no livro da Sabedoria, está escrito: “Ouvi, pois, ó Reis e entendei, aprendei ó Juízes de toda a terra. (…) Porque o poder vos foi dado pelo Senhor” (Sab. 2 e 4).

No livro dos Provérbios, a Sabedoria de Deus afirma: “Por mim reinam os Reis, e por mim decretam os legisladores o que é justo” ( Prov. VIII, 15).

Repare, meu caro Max, as palavras que coloquei em negrito: só as leis que estão de acordo com a lei de Deus são justas e devem ser obedecidas. Porque, quando o rei ou o legislador, mandam algo contra Deus, eles cortam a comunicação que tinham com Deus, e perdem o poder para decretar o mal, tornando nula a lei iníqua.

Todo poder vem de Deus. Mesmo o poder dos pais sobre os filhos. Esse poder é humano, mas sua origem é divina. Entretanto, se um pai manda que seu filho roube, o pai perde a sua autoridade, e essa ordem de cometer pecado de roubo não deve ser obedecida. Por que, como São Pedro respondeu ao Sumo Pontífice judeu que lhe ordenava fazer o mal: “Deve-se obedecer a Deus antes que aos homens” (Atos dos Apóstlos, V, 29).

Se a Sagrada Escritura ensina que todo o poder vem de Deus, a Igreja sempre ensinou isso.

Leão XIII tratou desse problema em várias de suas encíclicas, quando condenou a tese liberal de que o poder vem do povo. Isso é falso: pois todo poder vem de Deus.

Deus fez o homem social, como o comprovam a linguagem, o casamento etc. Se tivessemos que viver isoladamente, Deus não nos teria dado a linguagem. Deus então quis que existisse a sociedade.

Porém, para existir, a sociedade precisa da autoridade. Uma sociedade sem nenhuma autoridade se desfaz.

Deus poderia ter feito a sociedade, sem que ela necessitasse de autoridade. Não o fez. Logo, Deus quer que a autoridade exista.

São Pio X condenou o movimento democrático do Sillon, por defender a teoria de que o poder vinha do povo:

“O Sillon coloca a autoridade pública primordialmente no povo, do qual deriva em seguida aos governantes, de tal modo, entretanto, que continua a residir nele. Ora, Leão XIII condenou formalmente esta doutrina em sua encíclica Diuturnum Illud (DP 12) sobre o Principado Político, onde diz: “Grande número de modernos seguindo as pegadas daqueles que, no século passado, se deram o nome de filósofos, declaram que todo o poder vem do povo; que em conseqüência aqueles que exercem o poder na sociedade não a exercem como sua própria autoridade, mas como uma autoridade a eles delegada pelo povo e sob a condição de poder ser revogada pela vontade do povo, de quem eles a têm. Inteiramente contrário é o pensamento dos católicos, que fazem derivar de Deus o direito de mandar, como de seu princípio natural e necessário”. Sem dúvida, o Sillon faz descer de Deus esta autoridade, que coloca em primeiro lugar no povo, mas de tal forma que “sobe de baixo para ir ao alto, enquanto na organização da Igreja, o poder desce do alto para ir até em baixo” (Marc Sangnier, discurso de Rouen, 1907). Mas, além de ser anormal que a delegação suba, pois é próprio à sua natureza descer, Leão XIII refutou de antemão esta tentativa de conciliação entre a doutrina católica e o erro do filosofismo. Pois prossegue: “É necessário observá-lo daqui: aqueles que presidem ao governo da coisa pública podem bem, em certos casos, ser eleitos pela vontade e o julgamento da multidão, sem repugnância nem oposição com a doutrina católica. Mas, se esta escolha designa o governante, não lhe confere a autoridade de governar, não lhe delega o poder, apenas designa a pessoa que dele será investido”.( São Pio X, Nptre charge Apostolique, N* 20).

“Além disso, rejeitam a doutrina relembrada por Leão XIII sobre os princípios essenciais da sociedade, colocam a autoridade no povo ou quase a suprimem, e toma, como ideal por realizar, o nivelamento das classes. Caminham, pois, ao revés da doutrina católica, para um ideal condenado”.( São Pio X,Notre Charge Apostolique, n* 9).

Os homens indicam quem vai exercer o poder da autoridade, ou por conquista, ou por herança, ou por eleição, mas quem dá o poder é Deus. Veja você, meu caro Max, o caso do Papa. O poder do Papa vem de Deus, os cardeais elegem quem vai exercer esse poder que existe na Igreja, e nele colocado por Cristo.

Quem tem o poder pode usá-lo bem ou mal.

Caso o use mal, dará contas a Deus do poder mal exercido. Já lhe expliquei que, se a autoridade ordena algo contra Deus, ela não deve ser obedecida. Deus permite — e não manda — que haja maus governantes, para castigo do povo, para punir os seus pecados.

Por isso, ái dos maus governantes, porque os poderosos serão poderosamente julgados: “Porque com os pequenos se usará de comiseração, mas os grandes serão poderosamente atormentados” (Sab. VI, 7).

Quanto ao caso de seitas cujos chefes enganam o povo, deles falou Cristo dizendo que não são pastores, mas mercenários. Tais pessoas não tem autoridade nenhuma, mas são usurpadores de um poder que não lhes foi dado.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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