Montfort Associação Cultural

27 de janeiro de 2005

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Todo Homem de boa vontade será salvo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Pablo
  • Idade: 22
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Prezado em Cristo,

1 – O Que acontece com as Pessoas Que saem da Igreja e Vão para Outras Religiões?

A pessoa é julgada por suas obras, porém Deus analisa a consciência da pessoa. Ele vê os motivos pelo qual essa pessoa se afastou, se for por imprudência ele não será condenado. Deus julgará um protestante pela suas atitudes em relação as crenças da sua religião. Por isso posso afirmar que se alguém se afasta da Igreja católica simplesmente por ignorância ou por que foi enganado, esse pode ser salvo. A pessoa não tem culpa de ser enganada. Deus não pede nada ao ser humano que ele não possa dar.

A Igreja se baseia na carta de Tiago 2 que se refere a Salvação pelas Obras.

Concílio Vaticano II (O que está em Vigor):
” Todo Homem de Boa Vontade será Salvo”

Prezado Pablo,
salve Maria

Você coloca, no final de sua missiva, um princípio verdadeiro: “Deus não pede nada ao ser humano que ele não possa dar”.

Essa frase sua está absolutamente certa.

Deus dá a todos as graças necessárias e suficientes para agir corretamente, de modo que Deus só nos pede o que Ele nos dá força para cumprir.

Sendo assim,  se alguém for enganado, se-lo-á ou por culpa própria, ou sem culpa.

O ser enganado pode ocorrer por dois modos:

    1) Por ignorância invencível, que sempre isenta de culpa;

    2) Por ignorância vencível ou culpada.

A ignorância é invencível, quando a pessoa não tem meio algum de saber algo. Neste caso, ela não terá culpa se for enganada.

A Ignorância é culpável, quando ela podia ter sido vencida, mas a pessoa recusou a oportunidade de aprender o que depois lhe fez falta, para não ser enganado. E para este tipo de ignorância culpada – por ser ignorância que poderia ter sido evitada – é que Cristo pede perdão, na Cruz, ao dizer: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem” (Luc. XXIII, 34).

Eles ignoravam o que faziam, mas tinham culpa, visto que Cristo pede perdão para esses ignorantes.

Logo, nem toda ignorância é sem culpa.

Se uma pessoa abandona a Igreja Católica Apostólica Romana — a única Igreja verdadeira – e vai para uma seita qualquer, ela comete um pecado de apostasia bem grave.

É claro que Deus não deixa as pessoas abandonadas, ficando indiferente a que elas caiam em pecado tão grande, como o de abandonar  a Igreja verdadeira. Deus dá a todos as graças e os meios necessários para resistir ao mal. Se alguém, então, apostata, peca gravemente.

Você me escreve: “Ele vê os motivos pelo qual essa pessoa se afastou, se for por imprudência ele não será condenado”.

Desta vez, não posso aprovar o que você diz.

A imprudência é um pecado, e, nesse caso, como se trata de matéria gravíssima, a imprudência seria um pecado mortal.

Deixe-me, de novo dar-lhe razão, pelo menos em parte. Pois você me diz: “Deus julgará um protestante pela suas atitudes em relação as crenças da sua religião”.

Nessa frase, eu teria que acrescentar algo.

Um protestante sincero, que estivesse em sua seita por ignorância invencível, teria que praticar sinceramente o que ensina a sua seita protestante.

Como todas elas mandam ler a Bíblia, ele teria que ler a Bíblia com atenção e respeito.

Ora, ao ler a Bíblia, ele encontraria que, nos Atos do Apóstolos, o eunuco da Rainha de Candace diz que não adiante ler a Bíblia, sem ter alguém que a explique (Cfr Atos VIII, 31 ). E esse protestante supostamente sincero, lê a Bíblia sem que ninguém lha explique, pois para o protestante, não é necessário que ninguém explique a Bíblia a ninguém. Todos seriam inspirados pelo Espírito Santo, o ler a Sagrada Escritura, entendendo-a infalivelmente.

Mas, então, como é que o eunuco da rainha, afirmou, na Bíblia, que não pode se entender a Bíblia, se alguém não a explica? Por acaso o Espírito Santo teria deixado de atender ao eunuco, enquanto ele lia a Bíblia?

Mas que espírito desleixado ou distraído !…

Esse protestante leria, com os seus olhos, que a Bíblia afirma que “A fé vem pelo ouvido” (Rom X, 17).

E para o protestante a fé vem pelos olhos, vem pela leitura. E não pelo ouvido.

Ao ler isso, nosso suposto protestante de boa fé, começaria a se perguntar se o protestantismo, de fato, é certo.

Mais adiante, ele leria que no Evangelho de São Lucas, Isabel saudou Maria chamando-a de “Mãe de meu Senhor”. E que todas as gerações chamariam Maria de bem aventuradada. … Exceto a geração de Lutero, que se recusa louvar a Maria…

Esse protestante sincero e de boa fé — em ignorância já meio vencida — leria que, na Cruz, Cristo disse: “Mulher, eis aí o teu filho. E, dirigindo-se ao discípulo, disse-lhe:  “Filho, eis aí tua mãe”. ( Luc XIX.26-27).

Depois de ler, esse testamento de Cristo, como esse protestante “sincero” — permita-me colocar desde agora aspas no adjetivo sincero — como poderia ele continuar a chamar a Mãe de Cristo, e nossa Mãe misericordiosa, apenas de ”a Maria”, como os protestantes normalmente o fazem?

E depois de ler que Cristo deu a Simão, filho de Jonas, as chaves do Reino dos céus, e lhe confiou a missão de apascentar cardeiros e ovelhas de Cristo, como continuar protestante, negando o pastor único estabelecido por Cristo? Como continuar sincero protestante, mantendo o sincero sem aspas?

E ademais de ler a Bíblia  – que condena de mil modos o protestantismo — esse protestante estranhamente “sincero” deveria também estudar as origens do protestantismo. Deveria estudar a vida de Lutero.

Lendo essa vida, e lendo suas Tische Redden — suas ”Conversas à Mesa”– veria que o heresiarca de Wittenberg chamou Cristo de adúltero e de bêbado (Luthero, Tische Redden, ed Weimar, II, 107, n*1472 , apud F. F. Brentano, Lutero, p 151.) . E que chamou Deus de estultíssimo (Cfr. Luthero, Tische Redden, ed Weimar, vol. I , 487, n* 963, apud F. F. Brentano, Lutero, p. 147).

Lendo as obras do heresiarca, veria que, para Lutero, quanto mais o homem pecasse, mais provaria ter fé. Daí o princípio protestante: “Crê firmemente, e peca muitas vezes”.

Pesquisando os cadernos de anotação de Lutero, ficaria sabendo que, para esse herege, Cristo era Deus e o diabo, ao mesmo tempo (Cfr. Theobald Beer, Der frölich Wecsel un Streit, e  30 Giorni, Ano VII, n*2, Fevereiro de 1992, p. 34 seg, ).

Você vê, meu caro Pablo, que não seria difícil a esse protestante — “sincero” - descobrir que a Reforma foi uma rebelião contra a Igreja de Cristo, e que lhe era dever de consciência tornar-se católico.

Certo, a Igreja exige que, para salvar-se não basta ter fé, é preciso praticar boas obras, conforma diz Santiago.

Mas o próprio Cristo havia afirmado: “Se queres entrar na vida, observa os mandamentos” (Mat. XIX,, 17).

Não basta, então, para ser salvo, ter uma vaga e nebulosa “boa vontade”. De boas intenções, diz o ditado, está cheio o inferno.

Parodiando, poderia dizer-se que o inferno deve estar transbordando dos chamados “homens de boa vontade”…

E não me lembro em que ponto o Concílio Vaticano II teria dito a frase que você cita, e que nada tem de evangélico: ” Todo Homem de Boa Vontade será Salvo” .

Diga-me, por favor, em que documento do Vaticano foi escrito isso?

Hoje em dia, atribui-se tudo ao Vaticano II.

Mas é bom lembrar que João Paulo II, ainda agora, no documento que instaurou o NOVO MISSAL ROMANO, afirmou que o Concílio Vaticano II, só deu “conselhos e sugestões”, e não definições dogmáticas.

Mantendo-me à sua disposição, na caridade,

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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