Montfort Associação Cultural

31 de maio de 2006

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TFP e Maçonaria

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fernando
  • Localizaçao: – Brasil

Prezado Prof. Orlando Fideli

Novamente agradeço-lhe pela atenção com que galardoou-me; creio que seja um principio ético agradecer àqueles que nos oferecem algo, num gesto de caridade, que não possuimos.

Estou lendo várias cartas enciclicas que quando trabalhava tive a oportunidade de imprimi-las; também consegui as Exposições sobre o Credo de St. Tomas, prefaciado por D. Odilão Moura, Confissões de Santo Agostinho, e alguns livros do Pe. Leonel Franca.

Estes materiais consegui em carater de doação, já que minhas condições financeiras são parcas – entretanto tive graça de não iludir-me com a farsa dos argumentos marxistas que nos são impostos, não obstante creio eu o maior dos comunistas é o liberalismo, e não a grande massa -.

No que concerne aos estudos filosóficos tenho muita boa vontade em aprofundar-me, mas, por consequência de não ter uma boa situação financeira que me possibilite adquirir livros, estou caminhando em passos lentos com o pouco que possuo.

NO concernente aos estudos históricos, gostaria de saber se existe alguns escritor cujos escritos se possa confiar, diferente daqueles que sempre estão a deturpar a verdade histórica.

Tenho 22 anos, moro em Foz do Iguaçu. Estou procurando aprofundar-me nos estudos, e apesar de tantos contratempos, tenho muita boa vontade.

Para finalizar, gostaria de saber se existe alguma ligação do grupo TFP e a maçonaria.

Também gostaria de saber alguma informação sobre o grupo que editava a Revista Hora Presente, e porque existe grande preconceito dos católicos contra os escritos cristãos do escritor Plínio Salgado.

Reafirmando meus sinceros agradecimentos, me dispeço;

Atenciosamente

Fernand

Muito prezado Fernando, salve Maria.

É bem difícil encontrar um bom livro de História em português.

INTEGRALISMO

Plínio Salgado foi o fundador do Integralismo, uma forma de nazismo tupiniquim.

O movimento se chamava integralismo, porque ele aceitava uma concepção evolucionista da História. Dizia ele que, no início, a Primeira Humanidade, foi politeísta, porque o medo dos fenômenos naturais levava os primeiros homens a adorar o vulcão, o furacão, o crocodilo, o leão etc. Cada tribo adorava o que ser que temia. Juntando-se as tribos, somavam-se os deuses. Dai, o politeísmo. Essa Primeira Humanidade, por isso, P. Salgado a chamava da época da Adição. À Segunda Humanidade Plínio Salgado dava o nome de Fusão. Nessa segunda fase da evolução humana, Roma unificou o mundo europeu, e conseqüentemente, fundiram-se todos os deuses, surgindo o Cristianismo. Cristo então, para esse péssimo autor, seria o resultado da fusão de todos os ídolos.

A seguir teria vindo a Terceira Humanidade: a da Desagregação ou da Metafísica. Fase do Ateísmo. Crescendo os conhecimentos científicos, a razão descobriu a falsidade da religião. É o período do Iluminismo racionalista, cientifico e ateu.

Agora, por fim, viria a Quarta Humanidade ou Integralista, porque nela se faria a Integração das quatro fases anteriores, inclusive do ateísmo. Na Quarta Humanidade, Integralista, Plínio Salgado afirmava que haveria lugar também para os ateus comunistas. O que mostra como seu anti comunismo era de fachada. Como Hitler e Mussolini, modelos de Plínio Salgado, este último também, não era contrário ao socialismo stalinista.

Tenho então que lhe dizer que você deve rejeitar todas as doutrinas de Plínio Salgado, que de católico não tinha nada.

GRUPO HORA PRESENTE

O Grupo chamado da Hora Presente era um grupo nostálgico da Hora Passada. Esse foi um Grupo monarquista aqui de São Paulo principalmente, liderado pelo Professor José Pedro Galvão de Sousa. Ele foi um Professor de Direto, católico e monarquista, que combateu sempre o positivismo jurídico de Kelsen, e que teve, por isso bons méritos. A Hora Presente apresentava artigos interessantes, mas sempre teve uma atitude tímida face ao Modernismo na Igreja, pautando sua conduta por um silêncio, por vezes prudente demais face ao clero progressista.

TFP e MAÇONARIA

Como você deve saber, fui do Grupo do jornal Catolicismo, e depois da TFP durante 30 anos. Saí, quando descobri que lá existia uma sociedade secreta — a SEMPRE VIVA — que cultuava Dr. Plínio Corrêa de Oliveira e a mãe dele, Dona Lucília, com um culto delirante.

É claro que a existência de uma estrutura secreta por trás da TFP leva a perguntar se essa estrutura secreta não tinha alguma relação com a Maçonaria. Na família de Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, houve maçons. É o que se lê no livro DONA LUCÍLIA, luxuosa obra em três volumes assinada pelo discípulo preferido de Plínio, João Scognamiglio Clá Dias, obra que talvez seja forçado a comentar um dia…

Anos depois que saí da TFP, foi publicado na Itália o livro La Maschera e il Volto (A Máscara e o Rosto) de autoria de Carlo Alberto Agnoli e Paolo Taufer (Editrice Adveniat, Rimini) que acusou a TFP de ter ligações com a Maçonaria Internacional através da Nova Direita Americana.

Nesse livro –La Maschera e il Volto — se mostra a ligação de Plínio Corrêa de Oliveira com Paul Weyrich, que esteve presente numa reunião da TFP, em São Paulo, em Agosto de 1988 (Foto desse encontro, na página 82 do livro citado).

O mensário Catolicismo, da TFP, em Outubro de 1988, publicou a seguinte afirmação de Paul Weyrich: “Em nossas batalhas, tanto nos Estados Unidos como no mundo, a TFP é uma das poucas organizações confiáveis verdadeiramente coerentes com as quais podemos nos associar…”( Paul Weyrich, apud La Maschera e il Volto, p. 82). E o órgão da TFP Catolicismo disse de Paul Weyrich: “Um dos criadores do conceito de “Nova Direita”… fundador e presidente da prestigiosíssima Heritage Foundation que de tanta influencia do governo Reagan, ele é, hoje, presidente da “Free Congress Foundation”…Weyrich se reúne semanalmente com dezenas de senadores e deputados para debater temas de comum interesse. O senador Robert Dole, líder do Partido Republicano no Senado, afirmou que “Weyrich é o conservador-chave em Washington para fazer trabalhar unidos os diversos grupos, com o fim de realizar as nossas metas” (Carlo Alberto Agnoli e Paolo Taufer, La Maschera e il Volto, ed cit. p. 82. O negrito é desses autores).

Ora, na página 83 desse mesmo livro, se pode ver a foto do Senador Robert Dole homenageado como grau 33 da maçonaria do Rito Escocês, na capa da revista New Age, revista oficial do Rito Escocês. Informa-se ainda que Paul Weyrich, entre 1973 e 1977, foi assistente do Senador Carl Thomas Curtis, membro da Maçonaria Americana e dos OLD FELLOWS ( Cfr. La Maschera e il Volto, p. 83) Recentemente, recebi de um aluno meu um livro a examinar. Era o Dicionário Maçônico de autoria de Rizzardo Cammino (Edição Madras, São Paulo, 2001).

Consultando esse Dicionário Maçônico, tive uma surpresa extraordinária.

Na TFP, quando havia algum novato ou desconhecido, para prevenir que não se dissesse algo que ele não deveria saber, dizia-se: “Tem goteira”.

Essa expressão — “Tem goteira”– era a senha para mandar a pessoa calar o que estava dizendo, porque estava presente um intruso, que ainda não gozava de confiança da entidade. Qualquer um que foi da TFP sabe dessa expressão do código interno tefepista, que sempre foi usada lá dentro, desde o começo do grupo do Dr. Plínio.

Ora, qual não foi a minha surpresa ao encontrar, no tal Dicionário Maçônico, o verbete Goteira. Fui ler esse verbete por curiosidade, e caí das nuvens, porque lá li o seguinte, que transcrevo palavra por palavra: “Goteira – Numa construção, o teto é parte essencial, pois é proteção da obra; quando a chuva consegue contornar a parte de proteção, provoca infiltrações de água e Goteiras. Maçonicamente, é o nome dado ao “intruso”, ao “estranho”. Quando um grupo de maçons se reúne em qualquer lugar, o diálogo gira em torno da Arte Real, e ao se aproximar um profano, de imediato alguém anuncia: “tem Goteira” ( Rizzardo Cammino, Dicionário Maçônico, verbete Goteira, p. 184. Edição Madras, São Paulo, 2001).

Impressionante! Era a mesma gíria usada na TFP!

De onde Dr. Plínio foi retirar essa coincidência?

Por que essa cópia da gíria maçônica, na TFP?

Fui então procurar outros verbetes, e veja o que encontrei.

Imortalidade — Um aspecto genérico da criação é a sua mortalidade, pois, nos três reinos, a vida é passageira. O período da vida pode ser curto ou prolongado, jamais eterno.”

“As crenças religiosas aceitam a Imortalidade no seu tríplice aspecto: da matéria, do espírito e da alma.”

“Exemplificado pelo arrebatamento de Elias e de Jesus, de Buda e Maomé, muitos aceitam que a matéria pode “subir” a outros planos, ou ao Reino dos Céus, sem destruir-se.”

“São conceitos muito íntimos de quem possui fé suficiente para aceitar a profecia Evangélica de que os justos, ao final dos tempos, serão arrebatados, deixando assim de passar pela morte, que constitui um castigo.” “A Maçonaria não combate a Imortalidade material, porém fixa a sua posição na Imortalidade da Alma e do Espírito” (Rizzardo Cammino, Dicionário Maçônico, verbete Imortalidade, p.205-206, Edição Madras, São Paulo, 2001. Coloquei em negrito o que me pareceu coincidir com o que dizia Dr. Plínio sobre a possibilidade de alguns bons não morrerem. Evidentemente, ele falava dele mesmo).

Ora, várias vezes Dr. Plínio disse que a expressão do Credo de que Cristo “virá julgar os vivos e os mortos” indicaria que os bons, que estivessem vivos no fim do mundo, não morreriam. Esses justos, vivos no final do mundo, passariam diretamente desta vida para a eternidade, sem morrer. Ora, se isso seria assim com os bons no fim do mundo, também em outras épocas isso poderia acontecer, e alguns bons seriam poupados da morte, como aconteceu com Elias e Enoch. Logo, ele seria imortal. E ái de quem duvidasse da imortalidade dele na TFP.

Agora, vejo nesse verbete do Dicionário Maçônico a “coincidência” da doutrina da Imortalidade de Dr. Plínio, na TFP, com o que se diz na Maçonaria sobre a Imortalidade dos bons..

Qualquer um que esteve na TFP, se lembra, certamente, de que Dr. Plínio dizia que, ao chegar a Bagarre, grande castigo que ia cair sobre o mundo atual, ele ia se retirar para uma gruta na Montanha dos Profetas. Átila Sink Guimarães tratou disso no livro que a TFP escreveu contra mim, livro que recomendo que se leia, de tal modo lá se confessam os delírios dessa entidade. Imagine-se que nesse livro, da página 51 até a página 126, se tenta provar que Dr. Plínio era inerrante!!!. Átila Sink Guimarães, que nesse livro adulterou textos de minhas cartas, trata da ida de Dr. Plínio para a Montanha dos Profetas, nas páginas 353 a 366 (Átila Sink Guimarães et allii, Refutação a uma Investida Frustra, Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, Artpress, São Paulo, 1984). Dr. Plínio chamava essa gruta, onde ia se refugiar, de a Gruta do Cornélio, porque ele dizia que passaria lá seus “póstumos dias” (Sic), lendo e meditando, nessa Gruta, os livros do Cornélio a Lapide. Dava-se até como certo que ele seria acompanhado, nessa gruta, pelo nissei Shigueru, que iria junto, para servi-lo.

Seria coincidência que também no Dicionário Maçônico se fale de grutas de meditação?

“Gruta — Gruta é uma escavação na montanha não tão profunda como as cavernas. A Câmara de Reflexões é também denominada Gruta.”

“Na Antigüidade, os “filósofos” recolhiam-se para meditar em Grutas naturais.”

“No episódio do encontro dos assassinos de Hiram Abif, eles haviam se refugiado em Grutas; portanto, Gruta é sinônimo de refúgio” (Rizzardo Cammino, Dicionário Maçônico, verbete Gruta, p. 190, Edição Madras, São Paulo, 2001).

Quem freqüentou a TFP, deve se lembrar que, a partir de certa data, as reuniões começavam sempre com Proclamações. Elas eram feitas aos brados, teatralmente, dando-se grande importância aos Gestos e Palavras. Ora, no verbete Proclamação li o seguinte: “Proclamação–Todos os atos importantes desde o recebimento de um Iniciado à posse de eleitos e às disposições vindas do Poder Central através de decretos, devem ser Proclamados, isto é, anunciados em voz alta, de modo oficial, em Loja, tudo de conformidade com os Regulamentos e Protocolos. O ato da Proclamação contém uma parte esotérica, porque a palavra que é formada por sons é permanente e dinâmica. Proclama-se por três vezes para, simbolicamente, atingir todos os planos materiais e espirituais”.(Rizzardo Cammino, Dicionário Maçônico, verbete Proclamação, p. 315, Edição Madras, São Paulo, 2001).

Lembro-me também que, nas reuniões da TFP, os que serviam a Dr. Plínio tinham que usar luvas brancas. Também nas lojas maçônicas é obrigatório o uso de luvas brancas (Rizzardo Cammino, Dicionário Maçônico, verbete Luvas, p. 253, Edição Madras, 2001, São Paulo).

È bem sabido, por todos os que tiveram a desgraça de entrar na TFP, que importância lá se dava ao Tau, letra grega com a qual Deus marcaria os eleitos. É verdade que se justificava isso com referências bíblicas legítimas. Mas como havia tantos sinais e símbolos curiosos usados na TFP, fui ver também o verbete Tau, no já citado Dicionário Maçônico. E lá, no verbete Tau encontrei o seguinte: “Tau –Letra grega que representa o “T” e é considerada um símbolo sagrado. Moisés o usou várias vezes como Cruz; no deserto, inseriu num Tau de madeira uma serpente para que, os atingidos pelas suas mordidas, olhando para o Tau, neutralizassem o veneno do réptil. Simboliza a Cruz Cristã, significando a inserção da linha horizontal com a vertical construtora de dois ângulos retos; a parte material e a espiritual “Muitos pintores da Renascença pintaram a Cruz do Crucifixado no forma de um Tau.

“O Tau faz parte da ornamentação de uma Loja Maçônica, pois simboliza a morte e a ressurreição“(Rizzardo Cammino, Dicionário Maçônico, verbete Tau, p. 378-379, Edição Madras, São Paulo, 2.001. O negrito é meu).

Não resisto em fazer referência a outro problema muito curioso, que é a pretensão de Dr. Plínio de conhecer o caráter, e até os pensamentos das pessoas, analisando suas fotos. Dizia ele que, até vendo a nuca de alguém, conhecia o que ele era.

Ora, essa pretensão era a mesma da chamada Fisiognomonia, pseudo “ciência” romântica. Aliás, conheci um livro que Dr. Plínio deve ter lido, no qual se fazem exercícios de interpretação das almas, através do exame dos rostos. O livro se chama A Psicognomia (caracteriologia) e apresenta como autores Paulo Bouts e Camilo Bouts (Editora Vera Cruz Limitada, Rio de Janeiro e São Paulo, editora que nada tem a ver, a que eu saiba, com a homônima editora da TFP. É outra) Esse livro me foi fornecido por pessoa que esteve no Seminário dos Padres de Campos, onde o livro era recomendado.

No Dicionário Maçônico, que estou citando, se lê no final do verbete Fisiognomonia: “Fisiognomonia –É uma ciência totalmente em desuso. Lavater, no ano de 1800, publicou os “Ensaios Fisiognomônicos”, em que analisava a personalidade por meio da fisionomia humana. (..) “A única justificativa aceita é de que se trata de observar dos Landmarks da Ordem, princípios tradicionais imutáveis” (Rizzardo Cammino, Dicionário Maçônico, verbete Fisiognomonia, p. 175, Edição Madras, São Paulo, 2001).

E no verbete Landmark se explica que Landmarks “Constituem os princípios fundamentais e tradicionais da Maçonaria” (Rizzardo Cammino, Dicionário Maçônico, verbete Landmarks, p. 237, Edição Madras, São Paulo, 2001).

E Dr. Plínio praticava a Fisiognomonia.

Haveria outras coisas a dizer, com base nesse Dicionário Maçônico, mas esta carta já está ficando longa demais e, por hoje, basta.

***

Entretanto, devo acrescentar mais um dado bastante curioso, retirado de outra obra maçônica, relativa a essa pretensão de Dr. Plínio de conhecer as pessoas por seus traços fisionômicos.

Dr. Plínio pretendia ter o que ele chamava de “discernimento dos espíritos”. No livro que a TFP publicou tentando refutar um relatório saído a França contra a TFP, se lê: “É notório na TFP que Dr. Plínio penetra freqüentemente a psicologia e a mentalidade de uma pessoa conversando com ela, mais raramente vendo-a passar na rua, ou enfim simplesmente com a ajuda de uma fotografia” (TFP Francesa, Imbroglio, Détraction, Délire– Remarques sur un Rapport concernant les TFPs, edição Tradition , Famille , Proprieté, Asnières, França, 1980, p. 232).

Na TFP se acreditava de pés juntos, que Dr. Plínio lia até os pensamentos das pessoas, e que conhecia todos os seus pecados. É o que ensinava Scognamiglio aos que ele fanatizava no culto ao pseudo profeta de Higienópolis.

E Dr. Plínio se dizia inerrante.

Se alguém duvidar disso, leia o livro Refutação a uma Investida Frustra, assinado por Átila Sink Guimarães et allii (Editora Vara Cruz, São Paulo, 1984)–livro escrito contra mim, e livro que recomendo a todos, – REPITO –de tal modo nele se confessam os delírios da TFP.

Nesse livro Átila Sink Guimarães escreveu: “Volto ao que já expliquei: a inerrância, para nós, não é senão a expressão da confiança ou certeza moral de que o senhor [Dr. Plínio] não errará nos assuntos relacionados com a luta da Revolução e Contra-Revolução, a qual cabe ao senhor um papel tão relevante, que não podemos deixar de o ver como providencial” (Átila Sink Guimarães, Refutação a uma Investida Frustra, Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, Artpress, São Paulo, 1984, p. 118. Negrito é meu.).

Ora, certa vez, um antigo membro dos primeiros grupos formados por Dr. Plínio me forneceu uma cópia de um livro bem interessante. Tratava-se da obra de R. Ambelain, Grão Mestre do Rito de Memphis Misraïm e Grão Mestre de Honra do Grande Oriente do Brasil, Scala Philosophorum ou la Symbolique des Outils dans l´Art Royal, Editora Niclaus, Paris, 1965).

Nesse livro maçônico, ligado a Maçonaria mística, se informa que o iniciado adquire o dom da clarividência e o da clariaudência.

“A Clarividência natural (…) pode ser definida assim: o conhecimento dos pensamentos, das coisas e de fatos sensíveis que o espírito não poderia captar em seu comportamento habitual e que são percebidos de modo pouco ou menos precisos pelos sentidos normais, com a ajuda de uma faculdade que oferece todas as aparências de um sexto sentido”( R. Ambelain, Scala Philosophorum ou la Symbolique des Outils dans l´Art Royal, Editora Niclaus, Paris, 1965, p.151. O negrito e meu).

Clarividência e clariaudiência iniciáticas dariam ao iniciado a Infalibilidade espiritual: “Para que se realize essa última manifestação superior que é a Iluminação, é preciso que o exercício dessas duas Virtudes Sublimais seja perfeitamente sincronizado. Numa palavra, não deve haver jamais hesitação nisso, jamais uma dúvida, jamais deter-se no seu exercício. Trata-se aí, de fato, da Infalibilidade espiritual.

“Bem entendido, essa Infalibilidade espiritual não poderia ser exercida em domínios puramente materiais. Ela jamais faria de seu beneficiário um campeão do lançamento do disco, um virtuose musical, ou um rival dos cérebros eletrônicos. Mas ela se exercerá sempre conscientemente no domínio da metafísica, da filosofia; ela será de fato a Razão Pura e a Compreensão Perfeita”. “Por esse duplo exercício, o Iluminado chegará facilmente sem dificuldade às grandes verdades científicas, filosóficas, metafísicas, e ele tirará delas as conclusões necessárias numa harmoniosa síntese. Ele não terá risco de erro nesses domínios, tanto quanto não fará desviar os seus Irmãos. De uma sadia introspecção do Universo e de suas leis aparentes, ele saberá extrair as conclusões científicas ou morais que vão de acordo com essas leis. Ele não cairá jamais nas mistagogias de mau quilate; nele, a observação será exata, a conclusão será racional. Tendo sabido se livrar dos entraves do esoterismo, tanto religioso quanto maçônico, ele saberá se imergir utilmente e duravelmente no seu esoterismo, preferindo assim o espírito que vivifica à letra que mata”( R. Ambelain, Scala Philosophorum ou la Symbolique des Outils dans l´Art Royal, Editora Niclaus, Paris, 1965, p.181. O negrito e meu).

Curiosa similitude, para não dizer identidade, doutrinária…

Tudo coincidência?

Só Deus o sabe. E o saberemos no juízo final, quando, depois que todos tiverem morrido e ressuscitado, seremos todos julgados, pelo Juiz supremo, Cristo, que nos fará ler o livro in quo totum continetur, et nihil inultum permanebit (Livro no qual tudo está contido, e nada ficará oculto). Esperando ter atendido suas perguntas, me despeço atenciosamente

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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