Montfort Associação Cultural

9 de novembro de 2011

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Testemunho: Uma Primeira Missa Tridentina

O relato abaixo foi enviado por um amigo da Montfort de Americana. Ele nos conta a interessante reação de Leandro Salvagnane ao assistir sua primeira Missa Tridentina, justamente em Americana,  e servirá de incentivo a que muitos de nós, que temos a graça de usufruir desse grande tesouro, procuremos difundi-lo ao redor de nós.

 

Testemunho: Primeira Missa Tridentina do Leandro Salvagnane

Pessoal, boa noite.

Gostaria hoje de, na simplicidade de coração, compartir com vocês um pouco da experiência que tivemos domingo último (23/10/2011) na participação pela primeira vez em nossas vidas de uma Missa no rito Tridentino (que tem este nome por ter sido estabelecido pelo Papa São Pio V seguindo o mandato que recebeu no Concílio de Trento, séc XVI, mas cuja forma existe na Igreja Católica desde o século II, conforme atestado por S. Justino, mártir no ano 165 d.C.). Pudemos conhecer mais de perto uma parte da Tradição Católica que não conhecíamos antes.

A Missa Tridentina tem uma estrutura um pouco diferente, há várias orações que não existem na Missa nova que conhecemos (promulgada pelo Papa Paulo VI em 1969), em especial nas partes dedicadas à Oferta, ao Sacrifício (mais conhecido como Consagração) e à Comunhão, onde há algumas orações diferentes das modernas. Mas mais superficialmente notáveis são três diferenças:

Idioma litúrgico: a utilização do latim como a língua da oração da Igreja, e o motivo é que uma vez que o latim é uma língua “morta”, isto é, não sofre mais alterações semânticas e ortográficas como ocorrem nas línguas vernáculas, preserva-se o rito imune de erros litúrgicos ou doutrinais que podem ocorrer por regionalismos ou alteração de significado. As partes que não são orantes (ex. intenções da Missa, leituras e homilia) são feitas em língua vernácula. Nesta Missa que participamos foi assim, em latim,  no folheto havia, lado a lado, as orações em latim e em português, o que nos auxiliou na compreensão.

Posição do sacerdote: o sacerdote faz todo o ritual de Ofertório e Sacrifício versus Deum (vulgarmente conhecido como “de costas ao povo”) onde toda a assembleia em conjunto com o celebrante estão em um mesmo sentido ante o altar, dirigindo orações ao Deus Filho, guardado no Sacrário sob as espécies consagradas. Nesta Missa que participamos foi assim, com o sacerdote versus Deum.

Música: Talvez o ponto que chame mais a atenção é a ausência total de instrumentos musicais, então em todas as partes da Missa que são destinadas à música são usados cantos gregorianos, em latim. Nesta Missa que participamos foi assim, onde um coral de cerca de oito homens entoaram, em geral em uníssono, belos cantos com voz serena e sem estridência.

Minha “turma” nesta aventura do domingo foram nossos amigos (casal) Suzana e Henrique, minha esposa Karina, minha filha de 18 meses Maria Gabriela (a Gabi) e eu.

MAS AO FINAL DAS CONTAS, QUAL O SENTIDO DO RITO TRIDENTINO HOJE QUANDO TEMOS O RITO DE PAULO VI, MAIS MODERNO E – É IMPORTANTE RESSALTAR – NUMA LÍNGUA QUE TODOS COMPREENDEM? Quando recebi o convite do amigo Edwin para participar desta Missa, talvez a primeira imagem que me veio à cabeça é que estaríamos numa igreja cheia de velhas senhoras que resistem à modernidade, e que gostam de ficar em seu “gueto”. Puro engano!

A visão que me surpreendeu no momento da Missa foi a quantidade de jovens, assim como a maioria de nós: casais jovens, menos de 30 anos de idade, com ou sem filhos, além dos solteiros, estes jovens compunham pelo menos 80% da assembleia. Havia crianças também, e muitas. Até tive a graça de presenciar, no decorrer desta mesma Missa, a Primeira Eucaristia de um rapazinho de 8 anos, Rafael, que Deus o abençoe. Quanto aos adolescentes, devo confessar que só vi uma, acompanhada dos pais. No total éramos cerca de 60 pessoas na capela.

Mas voltando um pouco para alguns minutos antes do início da Missa, os jovens lá estavam fazendo um grupo de estudos católicos (talvez seja mais comum ao nosso vocabulário se dissermos “grupo de jovens”) onde foram debatidos temas atuais e o testemunho cristão de vida na sociedade – esta reunião estava acontecendo ao lado da capela no momento em que eu cheguei, havia cerca de vinte jovens reunidos, enquanto seus filhos, umas dez crianças de 0 a 4 anos, brincavam na quadra ao lado. Coloquei a Gabi para brincar com eles… ela se enturmou rapidinho… hehehe.

“Nos reunimos sempre e estudamos porque nos dias atuais o mundo perdeu a referência do que é ser católico”, disse-me o Edwin em outro momento.

Enquanto isso nossos amigos Suzana e Henrique e minha esposa Karina, dentro da capela, recebiam a acolhida e boas-vindas do pessoal que cuida da celebração, juntamente com uma explicaçãozinha rápida de como acompanhar a Missa com o folheto.

Quando a Missa finalmente começou, foi aí que entendemos o porque de haver tantos jovens dentro da igreja: nesta Missa, o que presenciamos foi, ao contrário de muitas Missas que temos visto recentemente, onde ao invés de se educar os jovens para a santidade e valores cristãos, ao contrário, tenta-se imitar o que há lá fora, no mundo, na esperança de agradar ao mundo – o sentimento que tivemos é que a Missa da Igreja, este colosso espiritual que existe há dois milênios e tem em seu centro Jesus Cristo cuja celebração é atualizada todos os Domingos, independe da criatividade do celebrante ou do instinto competitivo das equipes de liturgia (cada uma querendo fazer mais “bonito” e chamar mais a atenção para si que a outra), onde teatros, cartazes e solos de guitarra tentam se colocar no centro da Celebração Eucarística ao invés de apontar para Cristo.

Em uma época em que vivemos num relativismo que tenta contagiar todos os âmbitos de nossa vida, onde a concepção geral é que “tudo é bom e belo desde que alguém consiga assimilar”, foi uma excelente experiência para mim e minha família presenciar o que é belo de verdade, lembrando-se sempre que Deus deixou uma ordem objetiva para as coisas; o “belo” ou “feio” não são questões subjetivas a serem avaliadas independentemente de seu contexto e consequências morais. Muitos católicos ou até padres hoje não fazem questão de lembrar que fazem parte da Igreja Una de Cristo, mas o fato de não se lembrarem não reduz esta verdade objetiva. Sei que há não-católicos lendo isto, mas mesmo assim não posso fugir desta realidade, vocês devem tentar entender o que estou tentando dizer sem apelar para o irenismo.

Foi bom para nós saber que, apesar de haver muitas Missas prejudicadas pela falta de obediência ou de fé de alguns sacerdotes e Bispos (especialmente naquelas Missas transmitidas pela televisão), que mudam deliberadamente as orações da Missa e desobedecem as rubricas do Missal, ainda assim podemos estar em comunhão plena com a Igreja que Cristo, o Filho de Deus, nos deixou e da qual é a Cabeça. E nem foi necessário ir à Praça de São Pedro no Vaticano para perceber isto, não foi necessário ir a uma reunião do Opus Dei, nem mesmo entrar num Mosteiro beneditino. Pudemos conhecer esta Comunhão Eterna (Eterna porque está em todos os lugares e em todas as épocas) ali, numa capela anexa a uma creche de uma esquina da Avenida Campos Sales, da cidade de Americana, e nem precisamos pagar pedágio para isto!

Enfim, nós não tivemos nenhum êxtase durante a santa Missa, não foi aquilo que acontece em uma reunião de espiritualidade onde dizem “foi uma bênção porque eu senti Deus”, mas sim: foi uma bênção para nossas vidas conhecer este âmbito do Catolicismo que nunca deveria ter saído do foco.

Sinceramente, eu ainda não sei responder à pergunta que eu mesmo formulei nove parágrafos acima (está em negrito); gente mais gabaritada do que eu diz que é porque a Missa Tridentina é mais tradicional, ou porque as partes da Missa são mais claramente distinguidas, que a sacralidade é maior, agrada mais a Deus… tudo isso é verdade, mas confesso que ainda não sei a resposta exata.

Só sei que, se for pela graça de Deus, no próximo domingo, dia 30, estarei lá novamente, se Deus quiser, para buscar aprender mais. A Missa acontecerá às 18h, mas vou aproveitar a viagem para participar do início da Novena de Natal que se iniciará uma hora antes, às 17h, na mesma capela. Convido a quem desejar participar conosco, que venha, se desejar fale comigo para saber mais detalhes.

Assim como o Edwin conseguiu me convencer e, por que não dizer, me venceu pela curiosidade até, estou tentando despertar em vocês, caros amigos, quem sabe, uma pequena semente. Não que seja um convite derradeiro (“é agora ou nunca”) e muito menos uma pretensão de exclusividade (“esta Missa está certa e as outras estão erradas”), mas a mensagem que tenho é que vocês não podem passar desta vida sem ter conhecido, ao menos uma vez na vida, uma Missa Tridentina. O fervor com o qual o padre celebra. O ambiente orante no qual se dá todo o processo.

Para completar, sabemos bem que devemos julgar uma árvore pelos frutos, e fiquei sabendo hoje que entre aquelas pessoas que frequentam a Missa Tridentina há três vocacionados: dois rapazes que irão para o Instituto Bom Pastor na França, e uma moça que está ingressando no Carmelo Eremítico de Atibaia. Rezemos, pois, por eles.

A Missa Tridentina acontece todo domingo em Americana, rua Casemiro de Abreu, esquina com a avenida Campos Sales, a partir das 18 horas, na capela São Vicente de Paulo. Eu também não sei chegar lá exatamente, mas o GPS sabe.

Paz e bem.

 

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