Montfort Associação Cultural

6 de fevereiro de 2010

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Testemunho de ex seminarista: "PARA SER SACERDOTE, PRECISARIA DEIXAR DE SER CRISTÃO…"

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Lima
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Caro prof Orlando Fideli,
Salve Maria Santissima

Em primeiro lugar gostaria de parabenizá-lo pelo trabalho em defesa da Ortodoxia. Amo muito a Santa Igreja e me incomoda os abusos que estão acontecendo em seu seio… ouso a dizer que o inimigo mais tenebroso pode estar em nosso meio… Satanás é muito perspicaz, e age à surdina em lugares que nunca poderíamos nem sequer imaginar.
Muito me preocupa a formação dos nossos jovens seminaristas, bem como suas motivações ao sacerdócio. Acho que os prelados, srs Bispos e a CNBB pecam em matéria de zelo no que diz respeito à formação.
Afirmo isto apoiado na experiência, pois fui seminarista e presenciei coisas que não gostaria de ter presenciado.
Quando adolescente já era muito piedoso, jejuava e era assíduo aos sacramentos. Senti o chamado de Deus e isso me motivou a pedir entrada no seminário. Possuidor de intelecto e talentos razoáveis, amor à Igreja e anseio por santidade, que para mim, era imprescindível à um candidato ao sacerdócio ingressei no seminário.
Logo percebi que o seminário não correspondia às minhas expectativas. Ser conservador/ortodoxo (o que sempre fui) não era bom aos olhos da formação, muito menos ser piedoso… isso era sinônimo de fanatismo. Sempre gostei dos escritos de místicos como São João da Cruz e Sta. Teresa D”Ávila, e dos Santos Padres… por isso a capela do seminário não era muito freqüentada. Padres celebravam Missas sem paramentos e de maneira um tanto obtusa, sem respeitar o cânone. O orientador de estudos e o diretor espiritual eram ambos alcoólatras e desequilibrados, seminaristas afeminados, cheios de costumes mundanos e ambições temporais, padres que (digo com tristeza) mantinham casos homossexuais… muita intriga, luta por poder, falta de respeito ao Bispo, falta de zelo e caridade, amor pela Igreja… seminaristas que se envolvem com paroquianas ou paroquianos (?), padres que gastam o dinheiro do povo com coisas fúteis para atender unicamente aos seus desejos mundanos, boatos de pedofilia e de padres possuem concubinas (Acredito, com o peito apertado, que os boatos tem certo fundamento)…
Enfim, chegou um momento que percebi que permanecer era o mesmo que ser conivente, ou seja, PARA SER SACERDOTE, PRECISARIA DEIXAR DE SER CRISTÃO… viver como um entre outros… O choque foi grande… o que me sustentou foi a certeza a respeito da Igreja: “As portas do inferno nunca prevalecerão sobre Ela”, e minha fé, pura e imaculada, semente de Deus que não foi sufocada pelos espinhos. Saí do seminário por vontade própria… meus talentos me levaram até então ao sucesso profissional… minha fé antes de sumir, embora a dor, fadiga e as muitas lágrimas que derramei fortaleceu, amadureceu… e compreendi a duras penas que os desígnios de Deus são diferentes dos desígnios dos homens… ele sabe tirar o bem do mal … assim como Proclama O Hino do Exulte: “Ó culpa que nos mereceu tão grande Redentor“.
Hoje encontrei minha vocação no matrimônio… estou feliz e nenhum pouco frustrado, sempre grato à Deus e com o mesmo amor à Santa Igreja, porque sei que ela é muito mais do que os maus clérigos e que todos prestarão contas à Jesus Juiz. Minha meta, hoje e sempre, é a santidade, e sei que posso encontrá-la no seio de uma família. Agradeço à Deus por ter me confiado uma esposa maravilhosa e a graça de constituir família, uma família CATÓLICA, FIEL À SANTA IGREJA E AO SERVO DOS SERVOS DE DEUS, O DOCE CRISTO NA TERRA: O SANTO PADRE. Quem sabe Deus não nos concede a graça de gerar um futuro santo ou santa?!
Gostaria de deixar ainda uma lembrança dos meus primeiros dias de seminario. Um seminarista da teologia, hoje padre, me apresentou as dependências da paróquia que iria nos acomodar. Inocentemente perguntei à ele se o altar possuía a pedra d”ara, pois muitos não a possuem (embora deveriam), contendo a relíquia da santa mártir padroeira… o mesmo disse que sim… e completou vulgarmente dizendo que era a “calcinha” da Santa.
Outra coisa que me entristeceu bastante foram as inesperadas ordenações diaconais e presbiterais de indivíduos comprovadamente inaptos ao sacerdócio, indivíduos com quem convivi… que, espero estar errado, irão reproduzir aquilo que foi sua vida no seminário… doeu ver alguns que para mim não passam de apostatas blasfemadores e lascivos receberem a sagrada unção sacerdotal, de modo a serem designados pastores de uma parcela do povo de Deus, da Igreja Peregrina. Deus queira que os danos não sejam muitos. Acho que os bispos e formadores não estão sendo criteriosos e estão preocupados com o número/ quantidade de sacerdotes, quando deveriam preocupar-se com a “qualidade”… concordo com o senhor que NÃO FALTAM PADRES… E SIM PADRES SANTOS.
Minha dor assemelha-se a do Santo Padre Gregório VII que via a Igreja sendo palco de “espetáculos” que não deveria ser… ele que foi traído pelos próprios prelados, cardeais.
Resta-nos então rezar para que se convertam… que sejam os padres que a Igreja merece. E também rezar para que os prelados, bispos e formadores sejam guiados pelo Espírito Santo ao selecionar os candidatos ao sacerdócio santo.
Reafirmo: Em tudo sou obediente a santa Igreja, continuo a apoiar o celibato clerical e nunca em nenhum momento quis acumular o sacramento da ordem com o do matrimonio; uma vez que vi que o matrimonio era a minha vocação jamais pelejei contra o celibato para também ter a ordem. Nunca me rebelei contra a Santa Igreja, nem tive sequer a intenção de me rebelar.

Que Deus continue a iluminar os seus caminhos prof. Fideli, na defesa da Fé Católica… que a Santa Virgem e Mãe nos cubra com seu manto e nos conceda de Cristo os tesouros do céu.

Um abraço fraterno

Em Cristo Jesus +
Lima

Muito prezado Lima,
Salve Maria.

     Muito obrigado por saus preces por mim, que tanto preciso delas.
     
O relato que você me fez é impressionante. O que você descreve de desleixo na seleção e formação dos seminaristas explica a situação moral do clero, hoje. 
     Claro que ainda há bons sacerdotes. Mas tão poucos…
 

     Rezemos para que Deus suscite santas vocações e que o Papa Bento XVI restaure a Igreja, restaurando o clero. Pois são os pecados das pessoas consagradas e dos sacerdotes maus que causam a tragédia atual da Igreja. 
     Deus o guarde e à sua família. 
     Escreva-me sempre.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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