Montfort Associação Cultural

25 de novembro de 2004

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Teologia da Libertação e Renovação Carismática Católica

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Ivair
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Saudações…

Dei uma “passeada” em teu site, e gostaria de parabenizar pelo pouco de naveguei, pois é difícil encontrar algo que fale sobre política, religião e filosofia com argumentos científicos e teológicos.

Acredito que Marx intitulava-se ateu em virtude de estar magoado com instituições religiosas (lembrando-se que era de familia judia)

Apenas um comentário: o comunismo, assim como o anarquismo prega o fim do estado, e não este estar a frente dos meios de produção.

Sobre o marxismo, de fato é materialista ao ponto de negar o espírito, porém, concorda que há argumentos cristãos (mesmo sem ser proposital) nesta corrente?

A maioria dos empresário (não direi todos pois seria exagero) não estão mais preocupados em retirar seu “lucro” (como por exemplo, hoje poucas empresas pagam hora-extra, preferindo utilizar o banco de horas) do que com o bem estar de seus funcionários, sendo que o próprio lucro é retirado do que Marx chama de “mais-valia” (tempo de trabalho não pago)?

Anteriormente a Santa Sé aceitava a Teologia da Libertação como algo santo, sendo excomungada no final da guerra fria, dando espaço para RCC. Havia interesse político por parte da Igreja?

A RCC atualmente não exerce uma certa função de “alienação” (usando a termologia do próprio Marx) do povo, estando totalmente voltado para o lado espiritual e ignorando o lado material?

Gostaria de obter informações ou alguma referência bibliográfica sobre a época e o pais de origem da RCC.

Antes de terminal a missiva, gostaria de informar que não sou marxista.

Fique com Deus…

Ivair – 23/04/03 Anteriormente a Santa Sé aceitava a Teologia da Libertação como algo santo, sendo excomungada no final da guerra fria, dando espaço para RCC. Havia interesse político por parte da Igreja? “  Anteriormente a Santa Sé aceitava a Teologia da Libertação como algo santo, sendo excomungada no final da guerra fria, dando espaço para RCC. Havia interesse político por parte da Igreja? “  

Prezado Ivair, salve Maria.

Agradeço-lhe as palavras de elogio ao site Montfort, pedindo-lhe que reze a Deus nos ajude a mantermo-nos féis e firmes no combate em defesa da Fé Católica.

A origem da revolta pessoal de Marx é um tema muito complexo. Você lembra, em sua missiva, que ele era de família judia. Resta saber de que ramo ou seita do judaísmo era a família dele. Se a família dele tivesse tido ligações com o sabbatianismo, muita coisa do marxismo estaria explicada. E isso não era impossível, visto que havia muitas famílias judias que pertenciam secretamente à seita de Sabbatai Tzevi, na Alemanha do século XIX.

Como averiguar isso, é bem difícil. Não conheço obras judaicas que tratem dessa hipótese.

Mas, evidentemente, o materialismo de Marx tem raízes e notas religiosas. Muitos autores tem salientado o caráter religioso e sectário do comunismo.

Que haja empresários capitalistas que atuam de modo contrário à justiça e a moral cristã é evidente. Porém isso não justifica a doutrina falsa da “mais valia”. É falso que o valor de algo provenha apenas do trabalho realizado. O material empregado, o capital e as máquinas utilizadas, a qualidade da execução de uma obra, o valor pessoal que se dá a algo, são alguns fatores que a doutrina de Marx não considera.

Você mesmo trabalha, visando algum lucro e vantagem. Isso é absolutamente natural e justo. O lucro não é condenável em si.

Quanto à Teologia da Libertação, você tem razão ao dizer que houve interesse em promovê-la, mas se equivoca ao dizer que era a Igreja que tinha interesse nela.Quem tinha interesse nela eram os modernistas.

De fato, quem promoveu a Teologia da Libertação foi a Ost Politik do Cardeal Casarolli, apoiada por Paulo VI, para aproximar-se, digamos… diplomaticamente da URSS. Essa Ost Politik, não tratando de suas intenções, concretamente, favoreceu a expansão comunista pelo mundo todo.

A Teologia da Libertação foi uma tentativa política de justificar a aproximação da Igreja ao comunismo, enquanto os partidos que ela suscitou foram braços políticos dessa “Teologia” marxista.

Caindo o Muro da Vergonha, caíram o bolchevismo, a URSS e o seu império, que desmoronou como um castelo de cartas.

Foi o desmoronamento mais espetacular da História. Só foi mais espetacular que esse desmoronamento, a cara dura dos marxistas da Mídia, que fingem não vê-lo, e que, se não defendem mais o Muro da Vergonha, ainda defendem a vergonha do comunismo. E que torciam, ainda há pouco, pela vitória de Saddam Houssein (Mas não pense que considerei justa a guerra do Araque).

[Veja ainda você como os defensores dos chamados "Direitos Humanos" -- como, por exemplo, Frei Betto, Dom Arns, o Professor Bicudo -- se calaram, e não disseram sequer uma palavra de protesto contra as execuções sumárias que Fidel Castro praticou, há pouco, contra três coitados que tentavam fugir do Paraíso Cubano. Esses defensores dos "Direitos Humanos", que são tão palradores contra qualquer violência praticada contra os marxistas, se calam quando a violência e a pena de morte é aplicada contra os anticomunistas. Isso prova que eles não são contra pena de morte ou contra a violência. Eles são pró-comunistas].

A Teologia da Libertação que Frei Boff definiu como “Marxismo na Teologia”, era racionalista como o marxismo. Fracassada essa corrente teológica, se passou a apoiar a RCC, que é anti-racional, pois coloca a emoção, o fideísmo irracionalista como mola difusora de sua doutrina.

Até Frei Betto e Frei Boff passaram a defender teses místicas irracionalistas…

Tanto o racionalismo da Teologia da Libertação, quanto o irracionalismo da renovação carismática são condenáveis. Um tende ao panteísmo. O outro tende à Gnose.

Tenho publicado, no site Montfort, cartas nas quais exponho a origem do movimento carismático, cujas raízes mais longínquas estão nas seitas anabatistas do século XVI, em Jacob Boeheme, no movimento pietista luterano, no movimento ecumênico condenado do padre Booz, na Alemanha do século XVIII, no Romantismo alemão, no Revival americano.

Depois do Concílio Vaticano II, foi o Modernista Cardeal Suenens que promoveu o movimento carismático protestante, entre os católicos com os trágicos resultados que tivemos. Agora, graças a Deus, o Papa João Paulo II, na encíclica que acaba de publicar– Ecclesia de Eucharistia– proibiu muitas atividades típicas do carismatismo, nas Missas. Veremos como reagirão os carismáticos de todos os naipes.

Quanto aos livros que tratam do tema RCC, você poderá encontrar referências a eles nas cartas nas quais critiquei o movimento carismático.

Escreva-me quando tiver alguma dúvida.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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