Montfort Associação Cultural

1 de novembro de 2011

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Temos um Pai no Céu. Temos um Pai na Terra.

Rafael Acácio

A Sagrada Escritura, no evangelho de São Lucas, diz que Cristo, a pedido de seus discípulos, ensina como se deve orar:

“Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou a seus discípulos” (Lc 11, 1).

Nosso Senhor, sendo mestre, atendeu ao pedido de seus discípulos e ensinou o Pai-nosso:

“Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás no Céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra, como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém” (Mt 6, 9).

Trata-se, pois, de uma oração perfeita e completa já que ensinada pela própria Sabedoria de Deus. Por isso, Santo Agostinho diz que “se oramos correta e adequadamente, sejam quais forem as palavras que usemos, nenhuma coisa se pede além do que está previsto no Pai-nosso”.

É interessante notar como Cristo, já na primeira palavra da oração, ensina que devemos nos dirigir a Deus chamando-O de Pai.

Mas, como Deus é Pai?

E, sendo Pai, de que modo Ele deve ser honrado?

Para responder essas questões, o presente artigo – em tudo despretensioso – recorre a comentários de Santos e Doutores da Igreja, em especial, São Tomás de Aquino.

São Tomás ensina que Deus é nosso Pai devido ao modo especial que nos criou, fazendo-nos à Sua imagem e semelhança:

“Façamos o homem a nossa imagem e semelhança” (Gn 1, 26).

Tais imagem e semelhança não foram impressas em nenhuma outra criatura, apenas no homem.

Desse modo, podemos também dizer que Deus é nosso Pai por adoção, pois nos escolheu em detrimento de todo restante da criação. De fato, às criaturas irracionais Deus concedeu dons muito menores, porém, a nós foi destinada toda sua herança. Por isso diz São Paulo:

“Porque somos seus filhos, somos também seus herdeiros” (Rm 8, 17).

E ainda:

Vós não recebestes um espírito de servidão, para recairdes no temor, mas recebestes um espírito de adoção, que nos faz clamar: Abba! Pai!” (Rm 8, 15).

A herança que nosso Pai nos guarda é maior que toda felicidade, todas as delícias e todas as alegrias possíveis de se ter nessa vida. No paraíso, onde, com a graça do Senhor, receberemos nossa herança, gozaremos o próprio Pai.

São Cipriano atribui a Nosso Senhor a qualidade de “unitatis magister”, o mestre da unidade, que ao ensinar sua oração une os homens como irmãos, já que nos faz chamar Deus de Pai.

Quando proferiu o Pai-nosso, sendo este uma oração, o que primeiramente Cristo nos apresenta são os motivos que suscitam em nós a confiança, uma vez que esta é a disposição mais necessária e valiosa para quem vai rezar.

Ao ensinar que devemos chamar Deus de Pai, Nosso Senhor evidenciou a bondade de Deus e a proximidade que Este tem com os homens, seus filhos. Devemos, pois, ter uma absoluta confiança em Deus, como os filhos confiam no pai:

 “Se vós, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais não dará o Pai celeste, aos que pedem, seu bom Espírito?” (Lc 11, 13).

Assim, por ser nosso Pai, e confiarmos nEle, podemos pedir-lhe tudo o que nos é necessário:

“Pede com fé, em nada hesitando!” (Tg 1,6).

Sendo Deus nosso Pai, devemos a Ele toda honra. Por isso, pela boca do profeta Malaquias disse o Senhor:

“Se sou Pai, onde está a minha honra?” (Ml 1, 6).

Ensina São Tomás que essa honra se dá de três modos:

Primeiramente devemos honrá-Lo pelos louvores que lhe cabem, pois está dito:

“O sacrifício de louvor, diz o Senhor, me honrará” (Sl 49, 23).

Esse louvor, que honra o Senhor, não deve estar presente apenas em nossas palavras, mas, principalmente, abrasado em nossos corações, para que Ele não tenha motivo de nos dizer:

“este povo me louva com os lábios, mas seu coração está longe de Mim” (Is 29, 13).

Em segundo lugar, devemos honrá-Lo em nós mesmos praticando a principal virtude de nosso corpo, a pureza. Como é sabido, nosso corpo é o templo de Deus, pois Ele o habita através da graça santificante. Por isso devemos ter respeito por nosso corpo, dando a ele a dignidade que lhe é devida.

Nesse sentido, exclama São Paulo:

“glorificai e trazei a Deus em vosso corpo” (1 Cor 6, 20).

Por fim, devemos honrar a Deus em nossos irmãos, através da equidade de nossos juízos, para que não cometamos nenhuma injustiça. É preciso, pois, honrar a Deus na alma de nosso próximo.

Assim, Deus merece nossa honra por ser nosso Pai de modo absoluto, pois nos criou, dando-nos existência e vida, nos fez à sua imagem e semelhança, nos preferiu a toda criação, nos uniu como irmãos, nos ama como filhos.

Temos, pois, um Pai no Céu!

Um Pai que nos ama infinitamente.

E por nos amar infinitamente nos deu, também, um Pai na Terra.

Jesus, em sua infinita bondade, nos deu Pedro:

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha igreja…” (Mt 16, 18).

A Igreja de Cristo é a Igreja de Pedro.

Por mais de dois mil anos, Pedro, o Vigário de Cristo, nos guiou para o caminho da eternidade. Guiou-nos para a casa do Pai, a Igreja.

A Igreja de Cristo que, por meio do Papa, leva a verdade para o mundo, não abandona a ninguém, abraça a todos os filhos que a procuram, alimentando-os com o Pão da vida.

A casa do Papa é também nossa casa. Visitando Roma visitamos nosso Pai.

Visitamos o representante de Cristo, qualquer que seja o nome por ele adotado. É sempre Pedro.

Entrando na Piazza San Pietro, caminhando em direção à Cruz de Cristo vitoriosa sobre o obelisco do paganismo, somos abraçados por uma magnífica colunata.

Somos abraçados por nosso Pai, o Papa.

Um abraço firme e fiel, pois de pedra, pois de Pedro.

Mais adiante, já no final do caloroso abraço, observados pelos inúmeros santos e mártires da casa de Pedro, chegamos finalmente aos pés da Basílica, morada do Santíssimo Corpo de Cristo.

Ao alto, na sacada central, o Doce Cristo na Terra, como disse Santa Catarina de Siena, nos recebe de braços abertos com sua benção paterna e palavras de salvação.

 

 

Palavras de incentivo que nos levam a perseverar na fé católica, que nos encorajam a continuar com os olhos fixos na Cruz de Cristo.

“Peçamos a Deus a coragem e a humildade de prosseguirmos pelo caminho da fé, de nos saciarmos na riqueza da sua misericórdia e de mantermos o olhar fixo em Cristo, a Palavra que faz novas todas as coisas, que é para nós «o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6), que é o nosso futuro. Amem.” Bento XVI.

 

Para chegar ao nosso Divino Pai, é preciso passar pela casa de Pedro.

É preciso devoção ao Papa.

Nenhum Católico é órfão.

Temos um Pai no Céu. Temos um Pai na Terra.

 

Salve Maria!

Rafael Acácio.

 

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