Montfort Associação Cultural

6 de outubro de 2008

Download PDF

Tatuagens

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Cosme
  • Localizaçao: Salvador – BA – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau em andamento
  • Religião: Católica

Olá irmãos.. Acompanhei ao artigo de vocês que abordava a questão da tatuagem que se segue:

“Prezado ——–, salve Maria.

Nosso corpo é templo de Deus e devemos respeitá-lo.

Por isso, Deus determinou:

“Não fareis incisões na vossa carne, por causa de algum morto, nem fareis figura alguma ou sinais sobre o vosso corpo” (Levítico, XIX, 28).

Portanto, toda tatuagem é má. E, se a tatuagem é de uma imagem religiosa, é pior ainda. Além do desrespeito do corpo, haverá o desrespeito da imagem sagrada.

Quem costumava tatuar o corpo eram os selvagens. Mais tarde isso passou a ser um vício característico de piratas, bandidos, presidiários. Hoje, esse mau costume se disseminou no meio do povo todo. Nem por isso ele ficou bom.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli …”

– Já ouvi a um bom tempo a citação desse versículo (Levítico 19,28) como motivo para não se fazer uma tatuagem… mas observando o contexto imediato e, mais precisamente, o versículo de cima pecebe-se algo contraditório… (27. Não cortareis o cabelo em redondo, nem rapareis a barba pelos lados.)
28. Não fareis incisões…

Se tatuagens são erradas pela apresentação do versículo 28… por que então fazemos a barba sem o menor pudor?? (Lembre-se que não estou falando de tatuagens feias, indiscretas, contrárias à religião…), e ainda:
Seria uma questão de levar ao pé da letra… mas se fosse assim deveriamos guardar os sabados ainda??

Sendo assim, quanto a pergunta do leitor do outro artigo: se as tauagens fossem , por exemplo, com frases bíblicas…??

Estou buscando edificação (minha e de vocês também), por favor não me levem a mal…

Paz de Cristo

Muito prezado Cosme,
Salve Maria.

     O corte do cabelo deve seguir o costume do país. Todo povo tem sinais distintivos na roupa, no cabelo, nos modos, para distinguir os sexos. Roupas, corte de cabelo, chapéus são coisas que mudam. Mas o corpo humano é sempre o mesmo.
     Não somos donos de nosso corpo de modo absoluto. Por isso, é crime fazer mutilações, ou pinturas indeléveis em si mesmo ou em outros. O corpo é templo de Deus, pois em nossa alma habita Deus pela graça santificante. Daí, o respeito que devemos ter por nosso corpo.
     Depois que pecaram, Adão e Eva tiveram vergonha, e vestiram-se com folhas de árvores. E Deus não achou correto o modo como eles se cobriram e lhes fez roupas de peles de animais. Isso mostra que Deus exige roupas decentes, dignas. E Nossa Senhora de Fátima advertiu, em 1917, que viriam modas que ofenderiam muito a Nosso Senhor.
     Se nas roupas, que não fazem parte integrante de nosso ser, Deus exige dignidade, quanto mais no trato de nosso corpo que é parte integrante de nosso ser?
     Há, pois, uma clara distinção a fazer entre simples roupas, ou cortes de cabelo, de marcas que permenecem indeléveis em nós. Pois, diz a Escritura que:

A veste do corpo, o riso dos dentes e o andar do homem dão a conhecer o que ele é(Eclesiástico, XIX, 26).

     E como se conhece o homem civilizado e o homem selvagem?
     Há poucos dias, estava eu em Roma, e fui visitar uma igreja no Transtevere, velhíssimo bairro que fora habitado pelos cristãos desde o tempo de Nero. O bairro é lindo, com ruelas e pracinhas pitorescas cheias de vida. Com igrejas antiquíssimas cobertas de mosaicos preciosos, em paredes milenares. O Transtevere é um monumento urbano da vida cristã tal como ela existiu no psssado.
     Hoje, ele está imundo, coberto de pichações e de grafites que tudo emporcalham não deixando
20 centímetros quadrados sem poluição. Os grafites são tatuagem das cidades, e as tatuagens são grafitis do corpo. 
     
Se os grafites ofendem a beleza dos edifícios e conspurcam a beleza urbana, que dizer das tatuagens?
     Paul Claudel, certa vez, falando dos martírios, dos sacrilégios e das profanações monstruosas praticados pelos comunistas e socialistas na República espanhola (
1936 a 1939), incluindo a guerra civil, escreveu esse poeta um verso famoso em que diz:

Car autant que Dieu, le brute immonde deteste la beauté” (Porque tanto quanto a Deus, o bruto imundo detesta a beleza).

     O ateu detesta a beleza, imagem da Beleza infinita de Deus.
     Há um prazer satânico no profanar da beleza, no conspurcar o que é limpo, no emporcalhar o que é puro. No aviltar o que é nobre.
     
A tatuagem era própria dos selvagens e dos bárbaros que haviam perdido a noção de que a beleza mais própria do homem está na dignidade de seu ser racional que se manifesta através das roupas, andar, falar, riso e adornos.
     
O mundo está se tornando poluidamente selvagem.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

TAGS

Publicações relacionadas

Cartas: Missa com Xaxado e Maracatu - Orlando Fedeli

Artigos Montfort: Mons. Ranjith: Comunhão deve ser recebida de joelhos e na boca

Cartas: Ritos Orientais - Orlando Fedeli

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais