Montfort Associação Cultural

19 de novembro de 2004

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Sopro de Vida na Igreja

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marcio Gouveia
  • Localizaçao: Brasília – DF – Brasil

Graças à Deus temos na Igreja Católica hoje gente como o Professor Felipe Aquino da Canção Nova. Leia o texto abaixo e reveja seus conceitos tridentinos ultrapassados.

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O primeiro dom que se manifestou foi o de línguas. Em pentecostes, os discípulos, junto com Maria, ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a orar, a louvar, a cantar numa língua nova, a língua do Espírito. Alguns interpretaram o acontecimento e disseram: ”Eles louvam a Deus, estão cantando as glórias de Deus, e nós estamos entendendo com o coração”. Outros estavam ali como curiosos, brincando, zombando, dizendo que os discípulos estavam bêbados. Pedro explicou: ”Não estamos bêbados; pelo contrário, está se cumprindo a profecia de Joel”. O primeiro dom criou confusão.

O que é o dom de línguas? Quando nós somos batizados no Espírito Santo, a primeira coisa da qual nos enchemos é de oração. E por que isso? Porque o Espírito Santo é a ligação entre o Pai e o Filho. A oração é a comunicação entre o Pai e o Filho; o Filho que fala ao Pai e o Pai que fala ao Filho. A beleza da intimidade que acontece dentro da Trindade é feita pelo Espírito Santo. O Espírito Santo é oração.

Além disso, Ele é a ligação entre Deus e nós. A oração que vai e a oração que volta.

Quando somos introduzidos no Espírito Santo, saímos cheios de oração, porque o Espírito Santo é oração, uma oração de fogo, infalível.

Nós damos o combustível, que é o nosso ar. Movemos nossas cordas vocais, movemos a boca, a língua, geramos sons; e o que acontece? O Espírito Santo ora, fala e canta em nós. Fornecemos a expressão palpável, mas quem dá o conteúdo, o fogo e a oração é o Espírito Santo.

Você não imagina o valor dessa oração! Porque não somos nós orando simplesmente. É o Espírito Santo orando em nós!

Que acontece no dom de línguas? Quem entra em ação não é a nossa inteligência.

Movimentamos as cordas vocais, soltamos o ar, mexemos a língua, a boca, e produzimos som; mas o conteúdo vem do Espírito Santo. Da minha inteligência? Não! Da inteligência do Espírito Santo.

São explica isso na Epístola aos Romanos, 8,26:

”Do mesmo modo, também o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza, pois não sabemos rezar como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”.

Essa explicação é bem simples: ”gemidos inexprimíveis”, quer dizer: gemidos que não podem ser entendidos, a não ser quando Deus dá a interpretação.

Quando ora por seu filho ou sua filha, você sabe exatamente do que eles precisam? Não. É por isso que o Espírito Santo vem em nosso auxílio: porque não sabemos o que pedir, nem sabemos orar como convém. Ele mesmo intercede por nós e em nosso favor, com gemidos inexprimíveis.

Daí as maravilhas acontecem, porque é o Espírito Santo orando dentro de nós, por nós. São Paulo continua:

”E aquele que perscruta os corações sabe qual é a intenção do Espírito: com efeito, é segundo Deus que o Espírito intercede pelos santos”.

(Rm 8,27).

Quem é aquele que perscruta os corações e que sabe o que o Espírito deseja? É o Pai, é Deus, é Jesus. Esse que perscruta os corações, que olha bem dentro do coração, sabe o que o Espírito Santo está pedindo. Aquele que perscruta os corações sabe o que o Espírito deseja, ao interceder pelos santos.

Duas coisas acontecem: primeiro, o Espírito Santo conhece muito bem as nossas necessidades e as apresenta ao Pai. Por outro lado, esse Espírito Santo pede ao Pai, pede a Jesus, de acordo com a vontade do Senhor, que intercede pelos santos. Ele não pede coisas erradas. Muitas vezes, pedimos coisas que não são para o nosso bem; podemos até pedir algo errado, ou até de maneira errada. O Espírito Santo, não.

Quando você ora no Espírito, Ele está pedindo primeiro de acordo com a necessidade; depois, de acordo com aquilo que Deus sabe, com aquilo que Deus quer e sabe ser o melhor.

Portanto, a oração em línguas é infalível: daí seu valor. Com ela, você intercede primeiro por si mesmo: louva, agradece, bendiz, mesmo sem estar entendendo o que fala.

O problema é que a oração em línguas nos humilha, faz com que nos ajoelhemos, toquemos com nossa cabeça o chão. Somos orgulhosos, vaidosos, auto-suficientes; queremos fazer tudo de acordo com nossa vontade.

Na oração em línguas, o Senhor nos humilha e nos diz: ”Ponha-se de lado, porque agora eu vou agir. Não me atrapalhe mais”. E o Senhor entra em ação, por meio do Espírito. Quando oramos em línguas, não temos o gozo dos sentidos, da nossa sensibilidade, da nossa inteligência.

No início, quando começamos a orar em línguas, a oração se torna uma satisfação e uma vaidade. Mas depois, quando passamos a orar todos os dias, o dom de línguas se torna algo muito simples.

Muita gente não ora em línguas porque tem medo, porque acha que orar em línguas é entrar em transe. E não é nada disso: entrar em transe não é orar no Espírito. Se há transe, já não se está mais em Deus.

Outros não oram em línguas por achar que quem ora não faz nada. Mas essa forma de oração é um dom de falar em línguas, e o falar cabe a mim. A pessoa faz tudo: respira, move as cordas vocais, os lábios, a língua, e solta o som.

Algumas pessoas gostariam que o Espírito Santo fizesse tudo, inclusive falar; mas isso cabe a nós. Pedro estava na barca quando Jesus o chamou; e ele deu o primeiro passo em direção a Jesus, o passo da fé.

No dom de línguas, você solta os sons, e o Espírito Santo dá o conteúdo. Esta é a sua parte. Por isso, a melhor maneira de orar em línguas é soltar-se no meio dos outros. Se há um grupo orando em línguas, faça o mesmo.

Não é assim que o passarinho aprende a voar? Não é assim que aprendemos a nadar? Alguns aprendem assim. E que bom quando aprendemos ”no susto”: a inteligência não atrapalha.

Há muito tempo, peço a Deus que conceda às pessoas a efusão do Espírito Santo. De que forma? Convido a pessoa a orar comigo, da mesma maneira como estou orando. Começo a orar, e a pessoa me acompanha. Não se pode imitar. Cada um deve se soltar, a fim de deixar que o Espírito Santo ore em si. É algo muito fácil e simples.

É por meio da oração em línguas que nos aproximamos de Deus, e a transformação começa a ocorrer em nossos corações, em nossa vida, na vida daqueles a quem amamos. É pelos dons do Espírito e por seus frutos que o mundo começa a ser renovado.

Não há por que combater o dom de falar em línguas; não há por que pôr em dúvida – como o fazem muitos católicos, muitos padres e religiosas – esse dom, dizendo: ”Para que isso de orar em línguas se ninguém entende nada?” Não é mesmo para os homens entenderem. A Palavra é clara: é para falar a Deus. E falar a Deus é orar.

”Aquele que fala em línguas não fala aos homens, mas a Deus. Ninguém o compreende: movido pela inspiração enuncia coisas misteriosas” (1Cor 14,2).

O homem é corpo, alma e espírito, três coisas distintas umas das outras. Corpo é corpo. Alma são as nossas faculdades interiores – pensamentos, sentimentos, emoções -, e o nosso espírito é algo mais; é a própria vida de Deus em nós; é a vida divina nos fazendo participantes da natureza do Senhor. Assim como nossa alma se manifesta aos outros por meio de nosso corpo – falando, gesticulando, escrevendo -, minha alma, igualmente, se manifesta a Deus por meio do meu espírito. Porque nós estamos mergulhados no Espírito, Ele fecunda, inspira o nosso espírito, e o nosso espírito pode falar com o Senhor. Então, dos nossos lábios brotam sons; não da inteligência, mas do Espírito. E nem nós os entendemos.

Pensamos que só os grandes santos podem ter dom de línguas, quando ocorre justamente o contrário: esse dom é para aqueles que estão por baixo, que não sabem orar e por isso precisam do auxílio do Espírito. É o dom dos iniciantes, daqueles que começam vida no Espírito. Por isso, vemos que o primeiro dom que se manifestou no Novo Testamento é o dom de línguas: os apóstolos recebem o Espírito Santo e começam a orar em línguas, como, por exemplo, nas comunidades de Éfeso e de Jerusalém.

Assim como a chuva, as graças não caem à toa. O Senhor dispôs assim: que o céu seja atingido por nossas orações e então caiam as graças, as bênçãos. E que tristeza uma humanidade sem a graça de Deus! É como as terras que ficam anos sem chuva. O Senhor quer fazer chover do céu graças e bênçãos sobre toda a humanidade, e por isso nos dá, a nós cristãos, a possibilidade de orar no Espírito.

Somos apenas as vitrolas, os alto-falantes para que o Espírito ore em nós; emprestamos ao Senhor nossa garganta, nossas cordas vocais, nossa língua, nossa boca, para clamar os sons de louvor ao Senhor; os sons de súplica, de intercessão, em que o Espírito está intercedendo por nós, pelos outros, pela Igreja.

Pensa-se que no dom de línguas a pessoa está num êxtase tão alto que não vê mais nada, e começam a sair uns sons de sua boca que ela nem sabe que está emitindo. Não é isso. Não é êxtase nenhum. A pessoa está bem consciente de tudo; ela começa a falar quando quer e pára também quando quer. Outros, ainda, pensam até que a pessoa não quer falar; que ela segura a boca, fecha os lábios, mas ”coisas estranhas” acabam sendo ditas. Alguns têm até medo: ”Puxa, e se eu estou trabalhando e começo a falar assim, o que os outros vão dizer de mim?” Não, isso não vai acontecer.

Temos de ceder ao dom. Se Deus nos tivesse dado o dom de chutar sempre certo, sempre no gol, precisaríamos chutar; ainda que fôssemos pernas-de-pau, precisaríamos fazê-lo, porque na hora do chute o Senhor nos daria a graça de acertar – o que não aconteceria, é claro, se não chutássemos. Igualmente, se você não falar, o Senhor não lhe dará o dom. Assim é que começa o dom de línguas; a pessoa começa a soltar os sons, e então o Espírito Santo que está em nós dá o sentido, o conteúdo daquilo.

Porque muitos não conseguem receber? Porque não sabem disso. Mas Deus quer essa graça para todos.

Todos os seus precisam, todos os grupos precisam, e podem orar em línguas! A oração em línguas não é feita somente para orar em grupo. É principalmente para orar sozinho. Em grupo é muito bom, mas podemos e devemos orar em línguas quando estamos a sós, pois é o que há de mais lindo, é o primeiro de todos os dons.

Você não pode falar palavras em português e em línguas ao mesmo tempo: ou você pára de falar em português e começa a soltar os sons que vêm aos seus lábios – embora não entenda o que está dizendo -, ou nunca vai orar em línguas.

Muita gente vê esse dom como uma coisa grandiosa e quando começa se decepciona: ”É só isso?”.

É, é o dom das crianças que vai se desenvolvendo dentro de você. É um dom que humilha, confunde nossa inteligência, porque oramos sem nem sequer entender o que dizemos. Ele nos dá a certeza de que não somos nada, pondo-nos em nosso lugar, em verdadeira humildade. É por isso que o Senhor quer que esse dom seja o primeiro. Pode acontecer, é claro, de o Senhor nos usar em outros dons e nós

Meu caro Márcio, salve Maria!

Antes de tudo o advirto que se você acredita que os conceitos tridentinos estão ultrapassados, você já não é mais católico, porque o que o Concílio de Trento ensinou e determinou vale para sempre. Quem, como você nega o Concílio de Trento está excomungado.

Conheço o Professor Felipe de Aquino com quem já troquei cartas. Até o convidei a conversar pessoalmente comigo, depois das discussões que tivemos. Infelizmente ele não aceitou meu convite. Quanto ao artigo dele, abaixo copiado por você, está cheio de imprecisões e de erros.

Um deles é o de dizer que o Espírito Santo é oração entre o Pai e o Filho, entre Deus e nós.

Mais preciso e ortodoxo seria ter dito que o Espírito Santo é o Amor mútuo entre o Pai e o Filho, Amor que procede do Pai e do Filho, como se diz no Credo.

E quanto ao que se dá do dom de línguas nesse artigo nos reduz a gramofones.

Passe bem.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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