Montfort Associação Cultural

16 de setembro de 2004

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Sociedade secreta na TFP

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Edson
  • Localizaçao: – Brasil

Caro professor Orlando,
Sou católico e fico muito contente em te-lo como professor,pois acredito que realmente professa a verdadeira fé católica,até que se prove ao contrário.
Sei perfeitamente que o senhor passou longos tempos na TFP,onde conheço alguns que ficaram realmente loucos,o qual fico raivoso,mas tenho certeza que Deus fará justiça com os tais tfp(istas) mais ainda com o líder imortal,mas morreu e graças à Deus !!!!!!
Então vai o que quero,somente curiosidade,sem querer te ofender ou até duvidar das demais coisas que venha ensinar,como foi levado?,na tal época não tinha o conhecimento de hoje ?,por que tanto tempo?,o senhor levou várias pessoas e muitas morreram com o velho imortal no inferno,sobre levar um grupo(Montfort) fica díficil uma credibilidade ainda que seja bom,pois dá um susto,será que não serei enganado como foram os antigos,como eu muitos pensam assim???????????????????????
Acompanho sempre seus debates defendendo a fé católica,defende muito bem,com argumentos que me agrada muito, saber que tem que defende e muito bem a Santa Igreja Católica,única,verdadeira,imaculada.Mas gostaria uma explicação pois já tentei várias com muitos mas não consegui,então aqui estou tentando.

Edson

Muito prezado Edson,
salve Maria.

Muito obrigado por sua confiança, e por seus elogios por demais generosos.

Vou diretamente ao tema e à resposta que me pede.

Conheci Plínio Correa de Oliveira na PUC onde eu era aluno, isto é, onde jogava ping pong e futebol, porque estudar não era necessário. Quase não havia aulas, e nas que havia, particamente nada se ensinava. Isso foi há cinquenta anos.

Mudou o Natal, mudei eu. Teria mudado a PUC?

De fato, naquele tempo, ignorava praticamente tudo, de modo que não foi difícil, a Plínio, me convencer, visto que ele tinha muito talento era, então, um professor brilhante, embora — constatei-o depois — ele contasse mais o que ele romanticamente imaginava, do que os fatos realmente acontecidos na História.

Ele se dizia Doutor, embora jamais tivesse defendido tese. Era Dr. como se dizem doutores, no Brasil, muitos que tem um simples bacharelato universitário.

Era Doutor imaginativamente. Já o Eça escrevera do Brasil e dos brasileiros do século XIX : “São todos Doutores”.

Nosso mal, são os Doutores… E hás os tantos…

Especialmente imaginativamente. Doutores e Profetas.

Pois Plínio Correa de Oliveira se imaginou Doutor, Profeta, Imortal e Inerrante. E tudo isso junto. “Tutto d”una volta”, como dizem os iatalianos do Braz.

Eu era jovem e ignorante. Ele sabido e labioso. Eu, ingênuo. Ele experiente ex deputado, e , principalmente, ex aluno jesuíta.

Com esses dados do problema, a equação só podia ter uma resposta: fui engazopado.

É verdade que, de início, ele não se declarou nem Profeta, nem imortal, nem inerrante. Três qualidades imaginárias que ele desvendou muitos anos depois, e nas quais realmente nunca acreditei. E por que nelas não acreditei é que sai da tal famigerada TFP. Sai aos prantos, mas sai, porque coloquei o Credo católico acima da admiração por um professor.

Pergunta-me você como levei tanto tempo para sair.

Sua pergunta tem muito cabimento..

Como alguém pode ficar durante 30 anos numa sociedade que o enganava?

Dom Castro Mayer ficou lá 40 anos, e me dizia, indignado, depois que lhe contei o que eu descobrira que acontecia secretamente por trás do estandarte: “Plínio me enganou 40 anos! ”

Como levei 30 anos para descobrir?

É fácil e difícil de compreender.

É dificil de compreender, para quem não conhece como funcionam as sociedades secretas. É fácil para quem conhece o modo em que estava organizado o grupo de PC dos Ohs: códigos secretos, reuniões secretas, uma ordem clandestina cujo Ordo de vida os eremitas tinham que jurar não revelar a ninguém etc.

Porém, por mais bem organizada que seja uma sociedade secreta, “não há nada de oculto que não venha a ser revelado”, disse-nos Nosso Senhor Jesus Cristo, no Evangelho.

Um dia, ou melhor, uma noite, alguns antigos alunos meus (que haviam se separadpo de mim) — na TFP eu vivia “no gelo” — por brigas pessoais deles com João Scognamiglio, o “imã” do Profeta de Higienópolis — três alunos vieram me contar o que sabiam, e do que eu já desconfiava , mas não tinha provas ou testemunhos: “Por traz do Estandarte” da TFP, havia toda uma organização secreta que manejava os inocentes úteis que tudo ignoravam, e que promovia um culto delirante ao “maior profeta de todos os tempos”, ao “Profeta por antonomásia, PLÏNIO Correa de Oliveira”, como ensinava João Clá. Este insuflnva também um culto delirante e fanático à falecida mãe de Dr. Plínio, Dona Lucília.

Meses depois, um membro da sociedade secreta da TFP — a “Sempre Viva” – revelou-me os ritos de iniciação , os usos secretos, e os estranhos usos da Sempre Viva.

Publiquei tudo isso, há muitos anos.

O tempo passa e o mundo tem memória curta. Talvez torne a publicar, no site Montfort, o que já publicara anteriormente. E — quem sabe ? — algo mais, se continuarem a me fazer provocações.

“Cete bête est très méchante, quand on l” attaque, elle se defend”. ( Este animal é muito mau, quando se o ataca, ele se defende”, diz o ditado francês.

Quando sou atacado, me defendo. Ainda que a provocação, ou o ataque, seja feito garciosamente.

Por ter sido provocado, fui obrigado – docemente obrigado – a publicar um capítulo mais de minha tese sobre as visões de Anna Katharina Emmerick, que nos meus jovens e ignorantes anos ping ponguescos, Plínio me impingiu como sendo visões católicas, quando eram. de fato, visões gnósticas e cabalistas. Visões que a TFP considerava santas. Romanticamente santas.

Leia, no site Montfort, esse capítulo. É escandaloso. E haverá mais.

Continuando a ter dúvidas, escreva-me que, na medida de minhas possibilidades, o esclarecerei.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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